ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Há anos atrás, recebi o honroso convite de um amigo pelo qual tenho tremenda consideração, para auxiliá-lo no comando de um dos maiores órgãos federais do Nordeste. O cargo era o de Coordenador Geral de Planejamento. Nunca, mesmo em meus mais delirantes momentos de devaneios, jamais imaginei-me ocupando tal cargo!

Aceitei por dois motivos: Primeiro, era uma oportunidade única para colocar em ação montanhas de competências que vinha cultivando ao longo dos 50 e tantos anos, especialmente em benefício da minha região e do meu país. Depois, porque estávamos no auge do governo petista: Dilma mandava e desmandava; casava e batizava! Guido Mantega, seu arauto e sumo-sacerdote, anunciava que, através de um troço que ele chamava de “Nova Matriz Econômica” (e ninguém, além dele, sabia exatamente do que é que se tratava), iria fazer o Brasil dar pulos no crescimento do PIB, que nem canguru perneta com pimenta no fiofó, simplesmente através da distribuição ampla, geral e irrestrita de benesses governamentais às multidões compostas por milhões de apaniguados.

Por fim, o mesmo Mantega nos assegurava que a sua estratégia era conhecida como “Keynesianismo”. Acredito firmemente, que o pobre Keynes deve ter se contorcido e retorcido em sua catacumba ao se ver implicado com tamanha montanha de imbecilidades praticadas pelo então Czar da nossa economia.

A ideia de Keynes, muito sensata! Dizia que, em tempos de total descrença na economia, com a consequente redução nos investimentos e na atividade econômica, caberia ao governo o papel de indutor dos mesmos investimentos através da realização de grandes obras públicas. Foi o que ele fez nos Estados Unidos, logo após a quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Era o “New Deal!” O Hoover Dam e outra infinidade de obras estão aí até hoje para confirmar. Nada a ver com a distribuição de esmolas praticada pelo Ministro Mantega, e cuja única finalidade seria mitigar a voracidade de milhões de deserdados da sorte, sem que nenhum benefício econômico se originasse dessa “Festa de Babette” tupiniquim.

Minha certeza de que a política de Mantega iria nos conduzir ao desastre econômico que todos nós assistimos depois era tanta que, já na primeira reunião solene do conselho diretivo deste mesmo órgão, ao me ser dada a palavra, declarei firmemente que “Se o Ministro Mantega conseguir fazer desenvolvimento econômico distribuindo dinheiro aos pobres, eu corto meu saco fora! E ainda o indico para ganhar o prêmio Nobel de Economia, pois nada nem minimamente parecido foi algum dia realizado no mundo inteiro! ”

O meu chefe, que estava sentado à minha direita na cabeceira daquela grande mesa, deu-me um chute na canela cuja marca tenho até hoje. Ao mesmo tempo, me sussurrava: – Adônis, porra! Cala a boca! Se tu falas outra merda dessas nós estamos demitidos na hora, caraca! Lógico que, a partir de um argumento tão bem colocado, fui forçado a refrear os meus instintos assassinos com relação à “Política Econômica” então vigente.

Todas estas divagações me veem à mente simplesmente para lembrar do seguinte fato: Éramos uns 10 profissionais naquele departamento por mim comandado. Todos eram idosos, altamente qualificados, e tinham já uma longa e profícua carreira profissional. Eram economistas, estatísticos, cartógrafos, engenheiros, etc.

Pois bem: Cabia a este “Exército Brancaleone” a árdua missão de planejar o desenvolvimento econômico de uma região composta por uma população que era quase um terço da população brasileira. Moleza, né?

Em paralelo com esta tremenda escassez de meios de que dispúnhamos, qualquer coisa (MAS QUALQUER COISA MESMO!!!!!) que fôssemos realizar, tinha de passar antecipadamente pelo crivo de alguns “Órgãos de Controle”. Coisas como Procuradoria Jurídica e Controladoria. Depois que realizávamos alguma coisa, aí então o céu sempre desabava sobre as nossas cabeças! Eram os órgãos de Auditoria, Inspetoria, Ouvidoria, Corregedoria, Ministério Público, Tribunais de Contas e outros inquisidores menos famosos.

Eram verdadeiras multidões de jovens, todos muito bem vestidos, aparentando pleno sucesso econômico nas suas carreiras profissionais. Todos possuíam carros de luxo, frequentavam bons restaurantes, sua apresentação pessoal era sempre impecável, e não produziam porra nenhuma para o nosso país. Sua função precípua era procurar qualquer deslize ético, por mínimo que fosse, em tudo aquilo que houvéssemos porventura realizado. Na realidade, limitavam-se a procurar qualquer desvio da ortodoxia preconizada pelos “Procedimentos Legais”. Só!

Era uma luta absolutamente desigual, entre os muito poucos que queriam realizar alguma coisa, e toda aquela multidão de engravatados, regiamente remunerados, sem nada para fazer e procurando freneticamente pêlo em ovo e chifre em cavalo para nos lascar. Tudo visando unicamente justificar seus régios salários e mordomias!

Eu já sabia de antemão que o aparato estatal é um Rei Midas ao contrário. É um rei SADIM: Onde toca, vira merda! Só que eu nunca nem imaginei que a situação fosse tão ruim assim.

Esse período durou pouco mais de dois anos. Hoje, analisando em retrospecto, fico tremendamente frustrado com o pouco que conseguimos realizar. E olhe que a nossa gestão foi uma das mais produtivas que já tiveram.

Extrapolando essas observações para o nosso Brasil varonil, podemos ver claramente porque essa terra tão privilegiada de meios não consegue nunca alçar voo em direção ao pleno desenvolvimento.

Vou detalhar apenas um caso, para servir de modelo ao que acontece em centenas de outras instituições iguais:

A constituição de 1988, querendo inovar, criou uma instituição que não é ligada a nenhum dos três poderes imaginados pelo desenho original de Montesquieu. Seu nome? Ministério Público. Segundo a propaganda oficial, sua missão é defender os direitos sociais e individuais indisponíveis (direito à vida, dignidade, liberdade, etc.) dos cidadãos perante o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça, os tribunais regionais federais, os juízes federais e juízes eleitorais. Seriam “o 4º Poder”. Por conta desta decisão dos legisladores de então, montou-se uma estrutura digna dos Jardins Suspensos da Babilônia!

São 1.200 procuradores, com salário médio mensal de R$ 35.000,00 e alguns chegando perto de R$ 50.000,00. Isto dá um custo total por mês de R$ 42.389.600,00. Sem contar com mais 1.400 auxiliares administrativos, cujo salário médio é R$ 14.600,00; o que dá um custo total por mês de R$ 20.446.000,00. Apenas os salários representam uma despesa anual de R$ UM BILHÃO DE REAIS. Somados às despesas diversas, o céu é o limite.

Desejando ver em mais detalhes esta esbórnia, basta clicar aqui .

O negócio lá é tão esculhambado que possuem no quadro Médico Pediatra, Engenheiro Sanitarista, Antropólogo, Médicos Clínicos, etc. todos regiamente remunerados (é claro!), sempre visando “Defender os Direitos Difusos da População”. Para que, mesmo? Só Deus sabe!

Minha singela sugestão para o Presidente Bolsonaro, se é que desejamos mesmo fazer esta bodega virar um país:

ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA JÁ!

Solta todo mundo das cadeias e encerrem-se todos os milhões de processos criminais. Vamos demolir todos os presídios. Fechem-se todos os tribunais, auditorias, procuradorias, defensorias, promotorias, ministérios públicos, demitam-se todos os auxiliares de justiça e agentes penitenciários, encerrem-se todos os contratos fraudulentos de fornecimento para estas instituições e demitam-se as hordas de bacharéis que explicam tudo e não fazem nada.

Quem roubou, roubou! Fiquem com o fruto dos seus roubos e usufruam, se puderem. ACABOU A FARRA!

Daqui para a frente, as profissões em alta serão: CARRASCO, PELOTÃO DE FUZILAMENTO e coveiro.

Pegou roubando? Fraudou licitação? Contratou ASPONES às pencas e comeu parte do salário? Legislou em causa própria, como fundo eleitoral e coisas assim? Deu aumento de salário para si mesmo? Criou benefícios para si próprio, como auxílio paletó, moradia, etc.? Juiz vendendo sentença? PROPOSTA: Julgamento sumário, por TRIBUNAL DE JURI POPULAR, e seguido inexoravelmente de fuzilamento (ou enforcamento) imediato!

Imaginem só os MUITOS BILHÕES que deverão ser economizados com esta medida, e que poderão ser direcionados para investimentos produtivos e para pagar a maldita dívida governamental. Imaginem as multidões de jovens talentosos que deverão direcionar seus esforços para atividades produtivas e geradoras de riquezas e bem-estar para a sociedade. Imaginem as multidões de parasitas que deverão redirecionar suas vidas a fim de desenvolver alguma competência que lhes garanta a subsistência.

E a tranquilidade de poder ter casas sem muros, ou de retirar dinheiro do caixa eletrônico à noite.

4 pensou em “ANISTIA JÁ!

  1. Adônis, Keynes voltou com tudo agora. Gente implorando a flexibilização da PEC 95 e o mais engraçado é que vem de pessoas que não sabem nada de Economia, de equilíbrio fiscal. No caso petista essa política visava desvios de recursos, pois quanto mais se gastar, mais se desvia.

  2. Onde está o porra do Bolsonaro que não pega o timaço que escreve nesta escrota JBF e leva para trabalhar em prol deste Brasil? Leio Adônis desde que ele resolveu dar os primeiros pitacos nesta gazeta e não tenho receio algum de dizer que estaria muito bem alocado se o tal Bolsonaro o nomeasse para assessor na Casa Civil. Punto e basta!!!!

  3. Caro Adônis, já tive seu otimismo. Já achei que uma radical redução do governo seria a solução. Hoje, nem isso eu acho mais.

    A doutrinação de que precisamos do governo para tomar conta de nós e de que futuro bom é fazer concurso público está disseminada demais.

    Na situação hipotética dos dois últimos parágrafos de seu texto, os tribunais populares absolveriam todo mundo (provavelmente com os argumentos “todo mundo faz isso” ou “as intenções eram boas”) e as “Multidões de jovens talentosos” se dedicariam a recriar o sistema que você propõe destruir.

    Isso aqui não tem mais jeito.

  4. “Pegou roubando? Fraudou licitação? Contratou ASPONES às pencas e comeu parte do salário? Legislou em causa própria, como fundo eleitoral e coisas assim? Deu aumento de salário para si mesmo? Criou benefícios para si próprio, como auxílio paletó, moradia, etc.? Juiz vendendo sentença? PROPOSTA: Julgamento sumário, por TRIBUNAL DE JURI POPULAR, e seguido inexoravelmente de fuzilamento (ou enforcamento) imediato!”

    Ele jamais faria isso com sua(dele) prole!

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