DEU NO X

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O QUE TU ÉS… – Florbela Espanca

És Aquela que tudo te entristece
Irrita e amargura, tudo humilha;
Aquela a quem a Mágoa chamou filha;
A que aos homens e a Deus nada merece.

Aquela que o sol claro entenebrece
A que nem sabe a estrada que ora trilha,
Que nem um lindo amor de maravilha
Sequer deslumbra, e ilumina e aquece!

Mar-Morto sem marés nem ondas largas,
A rastejar no chão como as mendigas,
Todo feito de lágrimas amargas!

És ano que não teve Primavera…
Ah! Não seres como as outras raparigas
Ó Princesa Encantada da Quimera!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO JORNAL

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SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

ALEXANDRE GARCIA

MARCO TEMPORAL

Eu falei dos compromissos do novo presidente da Câmara, e muita gente postou nas redes sociais que gostaria de ver a prática. O discurso está ótimo, maravilhoso, muito bom, cheio de boas intenções, sabe as necessidades para botar o Brasil nos trilhos, mas e a prática? Pois a prática já começou.

Vocês se lembram que entraram no STF para contestar o marco temporal das terras indígenas estabelecido na Constituição. É algo que interessa praticamente a todos os estados brasileiros, a todos que têm terra no meio rural. Os estados mais afetados são Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, talvez o Pará. Os problemas fundiários com relação a demandas indígenas já se espalham por aí, já aconteceu na Bahia, por exemplo.

Onde Hugo Motta entra nisso? Existe uma comissão de conciliação no Supremo, e a Câmara dos Deputados faz parte dela; Motta tirou uma deputada do PSol, chamada Célia Xakriabá, que era suplente de um deputado do MDB de Rondônia. Como ela era suplente, era preciso botar alguém que não fosse suplente, e Motta escolheu Sílvia Waiãpi, do PL do Amapá. Isso faz diferença, porque o PSol quer mudar o que está no artigo 231 da Constituição, mas Sílvia Waiãpi não, ela quer manter a Constituição. E Hugo Motta, ao assumir a presidência da Câmara, disse que temos de lutar pela Constituição.

Só quem não sabe ler é que interpreta de outra forma o que está na Constituição. O artigo 231, falando sobre os indígenas, usa um português muito claro; até tentam inventar outras coisas, mas não tem como. “São reconhecidos aos índios os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”, diz o texto. “Ocupam” é presente do indicativo do verbo “ocupar”, na terceira pessoa do plural. Não está escrito “que ocuparam”, nem “que ocuparão”, nem “que vierem a ocupar”. Está escrito “ocupam”, quer dizer, ocupam agora, presente do indicativo. E qual é o presente do indicativo da Constituição? É o dia em que ela foi promulgada pela Assembleia Nacional Constituinte: 5 de outubro de 1988. Então, as terras indígenas são aquelas que os índios ocupavam tradicionalmente em 5 de outubro de 1988; não aquelas que ocuparam em 1500, quando eles ocupavam todo o Brasil. Se levarem essa nova interpretação ao pé da letra, vamos retornar à situação antebellum, não é? Antes da descoberta, antes do Cabral. Então, está na hora de fazer vigorar a Constituição.

* * *

Venezuelanos disparam contra militares da Guiana 

Seis militares da Guiana foram feridos a tiros por uma gangue, que na verdade é um grupo paramilitar chamado Tren de Aragua, que dizem estar a serviço do governo da Venezuela. Essa gangue atirou, da margem venezuelana, numa embarcação militar da Guiana que navegava pelo rio que divide os dois países. Dos seis feridos, dois ficaram em estado grave e foram levados para Georgetown. Claro que é tudo para manter a tensão na região. O que o Brasil tem feito para garantir nossa fronteira norte em relação a esse vizinho perigoso, que pretende invadir um outro vizinho nosso?

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Forças brasileiras para garantir a paz entre Rússia e Ucrânia?

A revista The Economist levantou a hipótese – que eu acho meio fantasiosa – de que os americanos gostariam que Brasil e China mandassem forças de paz para garantir a paz entre Rússia e Ucrânia, depois de assinado um acordo de cessar-fogo. Eu duvido que estejam pensando na China, porque ela é companheira, aliada da Rússia. O natural seria Brasil e Índia, por exemplo. Eu acho que o Brasil aprenderia muito, se atualizaria muito atuando em uma guerra contemporânea. Interessante que um analista militar disse que havia um problema, que a força de paz iria correr perigo. Aí é piada, não?

COMENTÁRIO DO LEITOR

ROMBO

Comentário sobre a postagem LEGADO

Fernando Gehr:

A charge é ótima.

Pode ser uma ilustração de 1 pessoa, mapa, Sacsayhuaman e texto que diz "FAZUELLE QUEPASS DÍVIDA PÚBLICA VOU DEIXAR 0 MEU LEGADO, UM DIA ISSO TUDO SERÁ DE VOCÉS. Instagram @ricalippi twitter @RicardoLippi58"

Ótima?

Seria se não fosse o retrato de uma verdade que, parece-me, muitos não veem.

Citando só três exemplos :

Petrobras (Petros 1), onde aposentados e pensionistas pagarão por anos (desconto no valor a receber) pelo rombo no fundo de pensão.

Idem no Postalis.

Mas não é só prerrogativa federal, visto que no Paraná servidores aposentados são agraciados com desconto de 14%, para cobrir o rombo provocado pelo Richa.

E pior, o Ratinho Jr (candidato a PR?) nada faz para corrigir e ainda congela correções salariais .

O mais interessante é que, ao menos no caso da Petros, as hienas que riem continuam apoiando o “pai dos pobres”.

RODRIGO CONSTANTINO

RUBIO EXPÕE O ÓBVIO À MÍDIA: TODO DITADOR ODEIA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Nenhum regime autoritário, muito menos totalitário, utilizou a liberdade de expressão como instrumento para avançar e consolidar seu poder. Pelo contrário: todos os regimes tirânicos abusaram da censura como arma para calar a oposição. Isso é evidente do ponto de vista lógico e histórico, mas a mídia mainstream insiste em ignorar tal obviedade.

A CBS entrevistou o Secretário de Estado Marco Rubio, e Rachel, a apresentadora, afirmou que os nazistas utilizaram a liberdade de expressão como arma contra as minorias. O contexto era a brilhante fala do vice-presidente J.D. Vance em Munique, alertando para o perigo da censura para a Europa, e alegando que essa postura vai contra seus próprios valores.

Rubio rejeitou a premissa absurda da apresentadora, dizendo que o nazismo se consolidou por perseguir minorias, por ser uma ideologia de ódio, não por utilizar a liberdade de expressão. A CBS foi duramente criticada nas redes sociais, mas seus pares da velha imprensa preferiram se calar diante de tamanha inversão histórica. Afinal, eles também estão nesta campanha pela censura nas redes sociais.

Em outra entrevista com autoridades alemães, a apresentadora questionou se o insulto deve ser proibido, e ambos os entrevistados foram enfáticos ao responder que sim, e que na internet é ainda pior do que pessoalmente, pois o insulto permanece lá. Eles também aplaudem a censura contra “mentiras”. Em suma, defendem uma polícia do pensamento e o crime de opinião.

Os Estados Unidos do presidente Trump rejeitam essa mentalidade autoritária que se espalha pela Europa e que os democratas tentavam implementar na América. O discurso de Vance foi bem duro contra a censura, e há inclusive rumores de que os Estados Unidos poderiam sair da OTAN se a Europa não modificar essa postura. 

A liberdade de expressão não é e nunca foi um valor de ideologias totalitárias como o socialismo, o comunismo, o fascismo e o nazismo. Justamente o contrário: sempre foi um valor defendido, muitas vezes com sangue, pelos liberais clássicos do Ocidente. Exatamente por rejeitar a ideia lunática, como diz Vance, de que cabe ao estado criar um Ministério da Verdade, os ocidentais sempre toleraram opiniões divergentes e muitas vezes consideradas abjetas pela maioria. 

Não foi isso que permitiu o avanço nazista, como alega de forma ignorante a apresentadora da CBS. A liberdade de expressão é o mecanismo que existe para se combater ideologias nefastas. Tanto é assim que todo defensor de ideologias bizarras, como os globalistas woke de hoje, prega a censura como forma de calar seus críticos. Ditadores não resistem a um debate aberto de ideias, pois sabem defender ideias totalmente equivocadas. Por isso eles precisam da pura força, da censura. AM que o diga…

DEU NO JORNAL

CONTINUA MENTINDO SOBRE A LAVA JATO

Editorial Gazeta do Povo

A Operação Lava Jato já está praticamente morta e enterrada graças ao trabalho do Supremo Tribunal Federal e outras instituições, por meio da anulação de provas, penas e processos, da declaração de suspeição de juízes que atuaram na operação, e da perseguição a alguns agentes públicos que ajudaram a combater a ladroagem. Mas Lula não se esquece, e continua aproveitando as oportunidades para reescrever a história da Lava Jato, mentindo sobre a operação, sobre o que ela fez e sobre o que pretendia, e jogando nas costas da extinta força-tarefa e dos magistrados que julgaram os corruptores e corruptos a responsabilidade por algo que, no fim das contas, quem faz é o próprio Lula: destruir estatais.

Na segunda-feira, dia 17, em evento da Petrobras no Rio de Janeiro, Lula afirmou que a Lava Jato pretendia a “destruição da indústria de engenharia desse país, e a tentativa de destruir a Petrobras criando uma imagem negativa no mundo”, discurso ecoado por uma das integrantes do Conselho de Administração da estatal, Rosangela Buzzanelli, para quem “a Petrobras foi dilacerada pela operação, uma operação que gerou mais de 4 milhões de desempregados e que dizimou a nossa engenharia nacional”. As falas remetem não apenas à Petrobras, mas às empreiteiras envolvidas no escândalo e à indústria naval, também envolvida no petrolão.

Muito mais certeiras são as palavras do então presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em 2019, quando esteve em Curitiba para receber R$ 424 milhões recuperados pela Lava Jato (uma pequena parcela do total que a operação resgatou para a estatal): a Lava Jato “salvou a Petrobras”. Se ela tivesse continuado a ser pilhada pelo petismo, em conluio com partidos aliados e empreiteiras, teria afundado ainda mais do que afundou – a ladroagem e decisões de negócio grotescas levaram a Petrobras a se tornar, em meados da década passada, a empresa petrolífera mais endividada do mundo.

Quem “dilacerou” a Petrobras, para usar as palavras da conselheira Buzzanelli, foi o petismo, não a força-tarefa do Ministério Público Federal, nem os juízes que condenaram os integrantes do esquema. A documentação a esse respeito é farta, e as decisões do Supremo que tornaram boa parte dela impossível de usar em um tribunal não a torna mentirosa ou falsa. A ladroagem existiu, como fez questão de dizer o ministro do STF Luiz Fux em 2022, quando Lula já estava solto e sua ficha já tinha sido limpa pelo Supremo.

O mesmo se pode dizer das empreiteiras, que sofreram as consequências não da Lava Jato, mas das decisões equivocadas tomadas por donos e CEOs que entraram de cabeça no esquema de corrupção. Quem culpa a Lava Jato pelos prejuízos decorrentes da aplicação das leis brasileiras (uma das quais assinada por uma presidente petista, Dilma Rousseff), no fundo, quer dizer que teria sido melhor para o país que a corrupção jamais tivesse sido descoberta e exposta ao país. Se não fosse pela renitente desonestidade intelectual do petismo, seria quase desnecessário dizer que, se Odebrecht, OAS, UTC e várias outras empresas jamais tivessem aderido ao petrolão, as dificuldades que as acometeram depois jamais teriam acontecido. Que o diga a Sete Brasil, o delírio de Lula para a indústria naval brasileira, que teve sua falência decretada em dezembro do ano passado e só entregou 4 das 28 sondas de perfuração que havia sido contratada para construir, a um custo bilionário.

Os únicos culpados pelos prejuízos e pelos empregos perdidos são aqueles que orquestraram e conduziram o petrolão, jamais aqueles que desvendaram os esquemas, o expuseram ao Brasil e lutaram heroicamente para conseguir a punição dos que participaram da ladroagem. E, enquanto Lula mais uma vez diz que procuradores e juízes “destruíram” empresas, é seu governo que preside um déficit recorde nas empresas estatais, metade do qual corresponde apenas aos Correios. Isso não tem impedido tais empresas de seguir despejando dinheiro em eventos com a participação de Lula, ou em publicidade em sites chapa-branca. Não é preciso ir muito longe para ver quem realmente se empenha em acabar com a saúde financeira das estatais.