DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

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DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ENCARNAÇÃO – Cruz e Sousa

Carnais, sejam carnais tantos desejos,
Carnais, sejam carnais tantos anseios,
Palpitações e frêmitos e enleios,
Das harpas da emoção tantos arpejos…

Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
A noite, ao luar, intumescer os seios
Lácteos, de finos e azulados veios
De virgindade, de pudor, de pejos…

Sejam carnais todos os sonhos brumos
De estranhos, vagos, estrelados rumos
Onde as Visões do amor dormem geladas…

Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
Formem, com claridades e fragrâncias,
A encarnação das lívidas Amadas!

João da Cruz e Sousa, Florianópolis-SC, (1861-1898)

COMENTÁRIO DO LEITOR

MAU CHEIRO

Comentário sobre a postagem XAROPE DE XUXU

Mauro Pereira:

Talvez o xixi do xuxu consiga tornar menos humilhantes as dores e odores da queda que não cessa e arrasta o lulopetismo, e seu líder máximo e onipotente, para as profundas do pântano mais fedorento da história política brasileira.

No entanto, uma coisa é certa:

O mau cheiro, tanto de um, quanto do outro, isso nem uma tempestade do mais sofisticado creme para a pele e, menos ainda, um tsunami do mais fino e inebriante perfume extraído das flores mais cheirosas do Jardim do Eden consiguirá amenizar.

Tudo que emana da esquerda cheira mal.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

AGRURAS DA LATA D’ÁGUA

…E eu que fui enjeitada
Só porque era furada.
Me botaram um pau na boca,
Sabão grudaram no furo,
Me obrigaram a levar água
Muitas vezes pendurada,
Muitas vezes num jumento.

Era aquele sofrimento,
As juntas enferrujadas.
Fiquei com o fundo comido.
Quando pensei que tivesse
Minha batalha cumprido,
Um remendo me fizeram:
Tome madeira no fundo
E tome água e leva água,
E tome água e leva água.

Daí nasceu minha mágua:
O pau da boca caía,
Os beiços não resistiam.
Me fizeram um troca-troca:
Lá vem o fundo pra boca,
Lá vai o pau para o fundo.
Que trocado mais sem graça
Na frente de todo mundo.
E tome água e leva água
E tome água e leva água.

Já quase toda enfadada,
Provei lavagem de porco,
Ai mexeram de novo:
Botaram o pau na beirada.
E assim desconchavada,
Medi areia e cimento,
Carreguei muito concreto
Molhado duro e friento,
Sofri de peitos aberto,
Levei baque dei peitada.

Me amassaram as beiradas,
Cortaram minhas entranhas.
Lá fui eu assar castanha,
Fui por fim escancarada.
Servi de cocho de porco
Servi também de latada.

Se a coisa não complica,
Talvez eu seja uma bica
Pela próxima invernada.
E inverno é chuva, é água,
E eu encherei outras latas
Cumprindo minha jornada.