DEU NO JORNAL

UMA FEDENTINA ARRASADORA

Após a ressaca do Datafolha, mostrando que a maioria dos brasileiros reprova seu governo, Lula (PT) olha para os lados e não vê ninguém minimamente experiente e cuja inteligência respeite para pedir socorro.

E o pior é que a decadência se acentuou após retomar seus comícios.

* * *

Ufa!

Demorou, mas até que enfim a maioria do povão começou a sentir o fedor exalado pelo cagatório oral do Descondenado, atrepado nos palanques dos seus comícios.

Cada palavra excretada é um tolôte capaz de arrombar todo o meio ambiante ao redor.

E vai piorar mais ainda!!!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A CANOA DOS SONHOS

Navegando em sonhos

“I have a dream!”

Foi isso sim que, um dia, disse Martin Luther King em pronunciamento para milhares de americanos que, como ele, sonhavam com o fim das injustiças, iniciando pela segregação racial.

Pois, eu também tive um sonho. Sonhei de olhos abertos, pensando sempre em um dia poder viver num país diferente deste que os escroques de hoje nos impõem. Tive filhos. Ainda tenho filhos e sempre lhes ensinei o que de melhor aprendi com meus pais. Nunca transgredi pensando que isso (a transgressão) pudesse um dia lhes servir de modelo.

Errei, certamente. Mas errei tentando fazer sempre o melhor, por mim, por eles e principalmente por nós. E até hoje, vi que eles tiveram competência e discernimento para não repetir os meus erros.

Sei, existem muitos, que, não apenas não agem assim, como também não pensam em agir da mesma forma. Pouco se lhes importa o acerto, a retidão, desde que isso lhes mostre retorno material.

Não! Nunca pretendi imitar Luther King. Mas, um dia me vi – em sonho – navegando numa canoa em alto mar. Só eu e a minha companhia divina. A canoa do tempo que me levaria, sem curvas e titubeios, na direção da realização humana e social num país de gente livre. Livre e feliz!

Nesse sonho, ora me via como passageiro e ora era o próprio comandante, remando e puxando a água para ganhar velocidade, e para avisar ao mundo que a canoa, no mar, estava livre e que qualquer um poderia embarcar em algo que não pararia nunca.

Yes, I also have a dream!

E sonho com um País diferente, com práticas e conceitos modernos e evoluídos, mas, principalmente, humanos – e não apenas porque viraram modismo – na convivência entre famílias sem preconceito ou segregação racial e abertura de espaço para a prática religiosa de cada um.

E continuarei sonhando que, um dia, vamos protestar, reclamar, brigar pelos nossos direitos – sem estarmos dirigindo um carro e falando ao celular ao mesmo tempo. Sonho que um dia teremos a prática superando a teoria na cidadania.

Sim, eu sonho.

E, sinceramente, peço para não me acordarem nunca. Me deixem continuar remando e sonhando!

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

NA CASA EM QUE MÃE MOROU

Foto da casa do casal Zé Vicente da Paraíba e Enedina Maurício, meus saudosos pais, em Altinho-PE

A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Mote deste colunista

Onde mamãe residia,
Cada canto agora chora!
Depois que ela foi–se embora,
Levou junto a poesia
Que com ela convivia.
Cada flor, enfim, chorou,
No jardim que cultivou.
Tudo agora é quase nada,
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Melchior SEZEFREDO Machado

Deixei até de ir lá
Na casa que mãe morava
Pois ela não mais estava
Resolvi ficar por cá
Talvez eu ainda vá
Pois a saudade ficou
Porém a dor não passou
Da falta da minha amada
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Poeta Nascimento

Uma foto na parede,
Na sala sua cadeira
E aquela espreguiçadeira
Quase encostada na rede.
A planta morreu de sede,
Vazio o altar ficou,
Partiu e não mais voltou
Deixando dor afiada.
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Novo Abrantes

Alegria foi embora,
Seu carinho foi também,
Seu abraço já não tem
Só lembrança resta agora.
A minha alma ainda chora,
Coração quase parou,
Aqui tudo se acabou,
Chegou o fim da estrada.
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Cabal Abrantes

Mãe partiu pra imensidão
E virou mais uma estrela!
Pai agora pode vê-la,
Tão na mesma dimensão.
Nos restou a solidão,
Tudo o mais se acabou…
Da inquilina que ficou
Ninguém pode cobrar nada,
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou!

Melchior SEZEFREDO Machado

Entrei e não ouvi mais
Sua voz me abençoar,
Parei e pus-me a rezar:
-Jesus Cristo, dê-lhe a paz!
Revi num dos castiçais
Um terço que ela ganhou
E devotamente deixou
Perto da Imaculada.
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Wellington Vicente

Agradeço aos poetas-amigos do Movimento Poético “Quiosque da Poesia”, de João Pessoa-PB, pela disponibilidade e solidariedade em enviar glosas para este Mote.

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Julia Wanderley

Júlia Augusta Wanderley de Souza Petrich nasceu em 26/8/1874, em Ponta Grossa, PR. Professora e educadora, pioneira no magistério feminino. Aos 16 anos requereu ao Governo do Estado autorização para cursar a Escola Normal, só frequentada na época por meninos. Foi a primeira mulher nomeada pelo Governo do Paraná a exercer o magistério.

Filha e Laurinda de Souza Wanderley e Afonso Guilhermino Wanderley, um dos pintores do interior da Catedral de Curtitiba. Ainda criança, mudou-se com a família para Curitiba, onde teve aulas com professores particulares antes de frequentar o colégio. Em 1890 ingressou no curso secundário, concluindo-o no Ginásio Paranaense. Nesta época liderou o movimento para o ingresso de moças no educandário até então permitido somente para homens. Recebeu o diploma de professora normalista em novembro de 1892.

Em seguida tornou-se regente da Cadeira de Instrução Primária de Curitiba. A partir de 1894, passou a dirigir a Escola Tiradentes. No ano seguinte casou-se com o comerciante Frederico Petriche e passou a atuar imprensa local com artigos no jornal Operário Livre sobre pedagogia e questões sociais. Ficou conhecida pelos colegas como “advogada do professorado”, devido a defesa e importância que atribuia à profissão. De formação católica e idéias socialistas, adotou o pseudônimo de Augusta de Souza para assinar muitos de seus artigos

Segundo o fundador da UFPR-Universidade Federal do Paraná, Dr. Vítor Ferreira do amaral: “Era o tipo mais completo de professora que conheci, durante os anos em que fui diretor da Instituição. Inteligência lúcida, de uma intuição que quase atingia as raias da adivinhação, com uma cultura não vulgar e uma decidida vocação pedagógica que a tornava querida e admirada de seus discípulos e a colocava em destaque entre as suas colegas como primus inter pares.”

Em 1915, foi nomeada membro efetivo do Conselho Superior do Ensino Primário e ditetora da Escola Intermediária de Curitiba, onde lecionou por 25 anos. Faleceu em 5/4/1918 e recebeu diversas homenagens. Em 1927 foi inaugurado na Praça Santos Andrade, frente ao Museu da UFPR, seu busto. Seu nome foi dado à ruas de Ponta Grossa e Curitiba, bem como um colégio estadual e o grêmio do Instituto de Educação do Paraná.

Como atividade de lazer, gostava de fotografar e manteve uma grande ccoleção do fotos sobre a sociedade paranaense, contando com imagens do cotidiano, do povo, dos costumes, das atividades laborais, dos eventos e outros temas assuntos. Muitos dados que os historiógrafos do Paraná hoje utilizam foram obtidos através da pesquisa desse vasto material iconográfico. Em 2013, Silvete Aparecida Cripa de Araújo escreveu sua biografia: Professora Julia Wanderley: uma mulher-mito (1874 – 1918), publicada na: Série Pesquisa da Editora da UFPR.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

ENTENDENDO A PÓS-MODERNIDADE

A pós-modernidade nasceu em St. Louis, Estados Unidos, em 15 de julho de 1972, representando o epítome (síntese) de um marco histórico relevante, portador das seguintes características básicas:

– Ausência de regras e valores muito rígidos;
– Individualismo preponderante, quase exclusivo;
– Pluralidade e diversidade analíticas;
– Combinações de tendências, gostos e estilos;
– Produção em série de cultura voltada para o consumo alienante rápido;
– Ampla liberdade de expressão e pensamento;
– Mistura entre realidade e imaginação – hiper-realismo;
– Disponibilidade de grande quantidade de informações;
– Amplas incertezas e vazios existenciais.

Segundo alguns analistas sociais contemporâneos, com a pós-modernidade, o ser humano do pós-guerra tornou-se inserido num contexto repleto de imagens, signos e símbolos que são, em geral, mais valorizados do que os objetos em si. Tal valorização leva ao hiper-realismo, que pode ser entendido como sendo a pretensão de transpor as realidades objetivas para o universo da construção das imagens.

Com a chegada da pós-modernidade, o hiper-realismo é uma condição ilusória e não necessariamente real, responsável por iniciar situações de choques, conflitos e confrontos entre a imaginação e a realidade. O filósofo polonês Zygmunt Bauman, ao analisar a pós-modernidade, afirmou que tudo é fluido, tudo é líquido. Não há, portanto, nada de concreto quando se analisa a pós-modernidade, seus acontecimentos e suas relações interpessoais.

Lamentavelmente, vivenciamos uma época de múltiplas incertezas, de uma transitoriedade sem limites, onde as ideias mais fecundas do sadio comportamento humano perderam significado. E o sonho de construir uma sociedade feliz e justa para todos foi catapultada por individualismos obsessivos por somente ganhos pessoais nunca solidários com ninguém, tudo sendo potencializado por guerras que apenas desejam conquistar novos espaços econômicos, desfavorecendo milhões pela morte, fome, desassossego e destruição da moral e dos bons hábitos. Ruindo quase em definitivo uma racionalidade que esperançava por um mundo mais fraterno para todos.

A única certeza que temos, na atual pós-modernidade, é a de que estamos ingressando numa nova era da humanidade, com o crescente desempenho de uma IA – Inteligência Artificial que muito poderá contribuir para novos eventos sociais, positivos ou negativos, com novos modos de pensar e agir, inclusive através de uma espiritualidade mais racional, não fundamentalista, essencialmente solidária, capaz de sobrepujar as predações físicas e morais que se avolumaram nos quatro cantos do planeta.

Em termos sociológicos, tal conjunto de mudanças poderá acarretar:

a. A consolidação e a supremacia do Estado-Nação como organização capaz de conduzir ou estancar o fluxo das atuais predatórias ações econômicas.

b. O surgimento de novas agendas sociais e políticas, caracterizadas por preocupações ecológicas e pela multiplicação, fortalecida ou enfraquecida, dos movimentos sociais.

c. A reafirmação dos princípios iluministas de que a ciência, por meio da razão instrumental, seria capaz de construir as bases de um novo modelo social.

d. A continuidade de um modelo trabalhista pautado na rotina, na obediência à hierarquia e na alta produtividade.

Para desde já travar um bom combate contra a ansiedade, a timidez, a fobia social, os medos e as angústias que muito prejudicam os atuais desempenhos pessoais, familiares, profissionais, organizacionais e comunitários, recomendo a leitura de um livro que bem explicita as causas e os procedimentos de superação. Ei-lo: O NOVO MEDO DOS OUTROS: ANSIEDADE, TIMIDEZ E FOBIA SOCIAL NO SÉCULO XXI, Christophe André, Patrick Légeron e Antoine Pelissold, Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2025, 343 p. Um excelente guia para se perceber por que efetivamente temos medos patológicos que oprimem nossos interiores e nossos comportamentos nos ambientes familiares e profissionais, diferenciando os medos normais daqueles eminentemente patológicos.

Excelente guia para uma mais autêntica Cidadania Brasileira!!

PENINHA - DICA MUSICAL