Note-se que Cláudia Wild ainda teve a delicadeza de chamar de imprensa aqueles veículos que antigamente costumavam praticar jornalismo.
E para quem estranhou a ausência da Globolixo na lista, acho que ficou claro: a Globo (jornal, rádio, televisão) não é mais considerada nem uma representante degenerada da antiga imprensa.
Passou a ser apenas um departamento de propaganda, que abriga um amontoado de militantes pagos com nossos impostos para louvar o desgoverno e suas extensões, maquiar as ações absurdas desse hospício e bajular seus representantes, com destaque para a sabujice rasteira empregada nas referências ao descondenado.
Na verdade essa ex-imprensa é uma das causas da atual instabilidade das instituições porque não cobra delas a seriedade que exigia antigamente.
Ao mesmo tempo é também reflexo do abismo em que líderes mal-intencionados lançaram esta outrora esplêndida nação.
Ao assinar o Contrato de Confissão de Dívida, o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, acabou beneficiando a banca de advogados da mulher, escritório Mollo & Silva.
Com a intrigante assinatura, que sepultou o questionamento da dívida, o Mollo e Silva pode morder uma beirada da causa de mais de R$ 7,5 bilhões, por ter atuado na ação.
Os Correios dizem que Fabiano não tem vínculo familiar com sócios do escritório e nega conflito de interesses.
Fabiano é ligado ao grupo de ativistas do PT Prerrogativas e amigo do deputado Zeca Dirceu (PT-PR).
Inscrição na Receita Federal mostra Renata Mollo dos Santos como “sócio administrador” do Mollo dos Santos Sociedade de Advogados.
Renata é casada com Fabiano, como atesta certidão em poder da coluna. Outro sócio é irmão do presidente dos Correios.
A canetada pode custar o 13º dos trabalhadores. Alguns temem “dever” a estatal, após a admissão da dívida que terá de ser paga.
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Vamos repetir a frase do último parágrafo:
“A canetada pode custar o 13º dos trabalhadores”
Os servidores estão com medo de, ao invés de receberem o 13º saláriio, ficarem “devendo” à estatal administrada pelo PT.
Quem não se escandalizou está alienado com o fato de que mulheres de ex-governadores tenham sido indicadas e aprovadas por assembleias legislativas para tribunais de contas estaduais. A última foi a mulher do ex-governador Camilo Santana, do Ceará, hoje ministro da Educação. Ela é formada em medicina vai tratar de contabilidade, de contas públicas. E vai inclusive examinar as contas do marido. A aprovação ou reprovação de contas é fatal para um político que tenha ocupado um cargo público.
Ela foi aprovada na Assembleia Legislativa, incrível, por 36 votos a 5. Só cinco deputados estaduais do Ceará tiveram em casa educação de ética, de valores, porque isso contraria qualquer valor, qualquer princípio de moralidade. Ainda faltam 33 anos para ela se aposentar e vai ganhar, até lá, quase R$ 40 mil.
Aconteceu a mesma coisa com a mulher de Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil, ex-governador da Bahia; com a de Valdez Góes, que também é ministro de Lula e foi governador do Amapá; e com a mulher de Wellington Dias, que foi governador do Piauí e hoje é ministro.
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Brasil tem IVA mais alto do planeta
Para sustentar tudo isso, nós brasileiros vamos pagar o IVA, o Imposto Sobre Valor Agregado mais alto do planeta Terra. O mais alto era 27% da Hungria e o nosso vai ser 28,55%. No Canadá, por exemplo, o IVA é 5%.
Em 1773, num 16 de dezembro, os colonos americanos em Boston jogaram o chá no mar e disseram: não pagamos impostos se não tivermos representação no parlamento. Aqui nós pagamos impostos, vamos pagar o mais alto do mundo e não temos bons serviços públicos.
Nós não somos exigentes porque a gente não conhece o que é bom. Na capital do país o asfalto é uma porcaria, é péssimo. Eu conheço o asfalto de Portugal, mas as pessoas não conhecem outro asfalto, acham que aquilo é muito melhor que a estrada de terra. E a gente paga um serviço de saúde ruim, serviço de ensino péssimo, segurança pública não precisa nem falar: todo mundo anda assustado, com grade nas casas e temendo assalto nas ruas. Quantos têm água tratada, esgoto em casa?
Essa é uma questão para se pensar: para que a gente paga imposto? Para que o Estado se sustente a ponto de prestar bons serviços públicos. Essa é a missão primordial do Estado. O Estado só existe para nos servir, para servir a nação. É para isso que existe o Estado.
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Prisão de Braga Netto é desnecessária
O general Braga Netto está preso por obstrução à Justiça, por uma conversa com o pai do Mauro Cid. O pai do Mauro Cid ligou para ele para dizer: “olha, meu filho não fez essa delação que a mídia está contando aí, é mentira”. Foi em setembro do ano passado. E agora, mais de um ano depois, ele é preso por obstruir a Justiça? Não está obstruindo. O inquérito já foi concluído, já houve indiciamento e está no Ministério Público.
É uma prisão absolutamente desnecessária, cuja consequência é criar, infelizmente, assustadoramente, mais atrito na nação brasileira. Aumentar a temperatura.
O sertão de hoje é diferente do que conheci em Assaraí do Norte. Tudo mudou: suas coisas, suas cores, sua gente. Sem televisão ou celular, havia os que gostavam de caçar e os que gostavam de pescar. Uns que mentiam, ainda que sem maldade, apenas para vangloriar-se; outros que seguiam os conselhos do padre local e só falavam a verdade.
Havia, também, os que não gostavam nem de uma coisa nem de outra, nem de pescar nem de caçar, nem de verdades nem de mentiras. Preferiam passar as tardes no cabaré de Filó ouvindo e contando histórias, bebendo cerveja e falando de vantagens para as mulheres trabalhadoras que ali moravam. Assim eram os moradores daquela cidadezinha do interior. Bendito cabaré, sempre cheio de gente vazia.
Filó dos Prazeres, dona do recinto e preferida da meninada por suas coxas fartas e seios muitos, era a protagonista maior das safadezas juvenis da região e ganhou esse apelido ante as estripulias prazerosas que promovia em seu quartinho de amor, fazendo a alegria da criançada recém-saída da adolescência, recém-entrada na puberdade. Nenhum deles deixou de passar pelas mãos carinhosas de Filó, a inimiga número um dos cabrestos íntegros das redondezas. Aos meninos, permitia todas as carícias e afoitezas com a generosidade que só ela tinha. Assim, foi a iniciante preferida de 10 entre 11 jovens virgens e puros do lugar. Todos passavam pelas ‘aulas’ de iniciação safadística ministradas pela mestra do assunto.
Agora, fico a imaginar Filó no céu, sentada bem juntinho de Nosso Senhor, por ele premiada pelo bem que fez à meninada de um longínquo Sertão, quando ela hojeava o amanhã da meninada, a eles antecipando as doces emoções da vida mundana. Salve Filó, hoje Santa Filó dos Prazeres, pelo merecido céu.
Jornalistas olham para os números da economia e concluem que ficará cada vez mais difícil defender o governo Lula
A economia do Brasil está numa enrascada tão grande que mesmo a assessoria de imprensa do governo federal teve de admitir que a situação é muito, mas muito delicada. Se o jornalismo que deixou de ser jornalismo continua acreditando em tudo o que a maioria dos ministros do STF diz, em relação ao governo já não é bem assim. Ficou impraticável confiar em qualquer informação que vem do Executivo federal. E a imprensa volta ao seu papel, ainda que discretamente, resolve que não é tão feio assim perguntar, desconfiar, ser curioso. Aparentemente, nem todas as narrativas lançadas pelo Brasil do PT serão propagadas mais com submissão e felicidade. Se Lula e sua turma afirmam, já não é mais fato, conteúdo inquestionável. O mundo real tenta se restabelecer em veículos que deveriam ser os primeiros a zelar por ele, e nunca poderiam ter desistido disso.
Então, se o governo do PT não se sentir obrigado a fazer o certo na economia, não será por falta de aviso… A Veja estampou matéria de José Casado cujo título é: “Banco Central adverte: era crise, agora é emergência econômica”. O subtítulo é o seguinte: “Juros de Lula foram equiparados aos da crise de Dilma; é previsível maior corrosão no poder de compra dos mais pobres”. A Folha publicou editorial: “BC faz o que é preciso, mas sozinho não impedirá crise”. E o texto vai assim: “Choque de juros mostra disposição de enfrentar turbulência financeira e buscar a meta de inflação após troca de comando. Sem ajuda da política de Lula, no entanto, custos fiscais e sociais serão crescentes. Fato é que nada afastará o risco de uma crise econômica enquanto o governo não conseguir restabelecer a confiança em suas contas”. E teve outro editorial no Estadão: “A pancada do Banco Central – ao elevar os juros em um ponto, o BC fez sua parte para tentar conter as expectativas do mercado e cumprir sua missão, que é segurar a inflação. Falta o governo fazer a parte dele”.
Infelizmente, a redenção, mesmo que apenas na área econômica, ainda não veio para toda a imprensa. Há ainda os que não se importam em incorporar um prefixo separado apenas por hífen daquilo que já foi sua profissão. Os ex-jornalistas em atividade se especializaram em voltas, volteios, piruetas, malabarismos… Usei eufemismos talvez por delicadeza a pessoas com as quais trabalhei por alguns anos. O correto seria apontar-lhes o dedo e dizer: “desonestos, mentirosos”, ou coisa pior. A comentarista da Globo News Flávia Oliveira, por exemplo, acusou o Banco Central de querer produzir uma recessão no Brasil. Com que desfaçatez alguém omite que a decisão do BC de aumentar os juros em um ponto percentual foi unânime e que quase metade dos diretores do BC foi indicada por Lula? Dessa forma, não ficou claro para mim quem está querendo verdadeiramente destruir o Brasil…
Miriam Leitão não deve ter se sentido tão à vontade para usar de novo a historinha do “veja como isso é bom”. Agora, ela mudou para “não está tão ruim assim”. Em artigo n’O Globo, ela afirmou que o Banco Central “aplica tratamento de choque em momento que é difícil, mas não apocalíptico”. Miriam destaca que o déficit fiscal em 2024 será metade do projetado pelo mercado: “Para se ter uma ideia, o país no ano passado terminou com 2,4% do PIB de déficit primário, em parte pela herança do governo anterior. Para este ano, o mercado previa um déficit de R$ 90 bilhões a R$ 100 bilhões, e o país deve terminar o ano com um déficit de R$ 48 bilhões, 0,4% do PIB. Um número muito melhor do que o esperado. A receita está crescendo a 10% no acumulado até novembro”.
A memória seletiva da colunista d’O Globo a impediu de citar que no último ano do governo Bolsonaro houve superávit de mais de R$ 54 bilhões. Ela está no grupo que tratava a PEC da Gastança ou PEC Kamikaze de PEC da Transição, e que apoiou a troca do teto de gastos pela farsa do “arcabouço fiscal”. Lula não tem culpa de nada, ele sempre recebe uma “herança maldita”; foi assim também quando o petista sucedeu a Fernando Henrique Cardoso. Miriam ainda fez questão de não lembrar que o governo Lula tinha prometido déficit fiscal zero para este ano. Depois, disse que seria só no ano que vem. E todo mundo tem de acreditar que um déficit em torno de R$ 50 bilhões em 2024 é um ótimo resultado. Sobre a arrecadação de impostos em crescimento, fazemos o quê? Fingimos que esse resultado não se deve ao aumento da carga tributária?
Aliás, a reforma tributária foi aprovada no Senado, e ficou pior. A Câmara tinha fixado uma trava de 26,5% para o Imposto sobre Valor Agregado, base do novo sistema. No Senado, o texto mudou, e a alíquota pode alcançar 28,6%. Isso indica que os dados apresentados pela Confederação Nacional do Comércio na semana passada podem se agravar… O número de famílias brasileiras sem condições de pagar dívidas atrasadas chegou ao maior patamar já registrado no mês de novembro. Oito em cada dez famílias que ganham até três salários mínimos estão endividadas. E essa é apenas mais uma pesquisa. Minha coluna anterior já apresentou outros números bem preocupantes. Portanto, não dá para continuar acreditando em quem desistiu de fazer jornalismo e rebola para proteger as burradas do PT. Sim, o partido está se movimentando, mas para mudar a comunicação do governo, melhorar a propaganda enganosa, trabalhar com mais afinco suas narrativas e, com a ajuda de ex-jornalistas, jurar que está tudo bem.
Este fim de domingo, com minha providencial preguiça caeté, lendo a coluna do grande amigo, potiguara famoso, doutor de finanças e numerários, Maurício Assuero, fiquei-se-me a pensar sobre o dito “inquérito do fim do mundo”, como o ex-ministro supremo Marco Aurélio Mello disse, e a previsível conclusão: a continuar o estado das coisas, esse inquérito será infinito, não poderá parar, pelo menos, enquanto esta geração estiver viva.
E, o motivo é muito simples; o arquivamento do inquérito, na atual fase, em que não vai nem para frente, nem para trás, não significará a desmoralização total do Supremo Tribunal Federal. Desmoralizado o STF já está. O que haverá será a destruição do Poder Judiciário, de sua base até seu topo, e não somente do STF, mas também, do Ministério Público como um todo. Desde o juiz mais desimportante de uma comarca esquecida lá na cabeça do cachorro, no Amazonas, ou mesmo de um municipiozinho mais xexelento de algum grotão perdido nesta imensidão de terra, até o ministro supremo que come lagosta e bebe vinho premiado. E digo, destruição no sentido literal. Nem o general Tito, filho do imperador Vespasiano conseguiu fazer terra arrasada, como o atual inquérito fará, caso seja arquivado.
O problema desse inquérito é que ele chegou a um ponto sem volta. Esquecendo das lições de Sun Tzu na sua Arte da Guerra, os atuais ministros supremos ultrapassaram um ponto sem volta e sem porta de saída minimamente honrosa que faça com que o inquérito seja arquivado e as honras saiam, pelo menos encardidas, pois limpas já não digo mais.
Sun Tzu já dizia, naquela famosa obra que, todas as vezes que um exército for enfrentar outro exército inimigo, e sendo ele mais poderoso, sempre deve deixar uma porta de escape para esse inimigo, pois, caso contrário só restará àquela força, ou a vitória, ou a destruição completa, e nessa situação, ninguém escolherá a destruição, só restando a vitória, mesmo que o seu inimigo seja mais forte, ou em maior número. Esse é o grande erro que os grupos terroristas islâmicos cometem em relação a Israel, e por isso sempre levam fumo.
No inquérito do fim do mundo, segundo Marco Aurélio, os ministros supremos cometeram esses mesmos erros: falaram fora dos autos, fizeram pré julgamentos, deram declarações açodadas (para a minha querida Violante Pimentel), empavonaram-se em entrevistas adolescentes e dirigidas, deixando o orgulho e o ego falarem mais alto que a prudência e a sabedoria, foram a manifestações de moleques irresponsáveis e espinhentos e caíram na mesma esparrelas desses moleques, com o famoso “derrotamos isso”, “derrotamos aquilo”, pronunciaram-se antes mesmo de ler uma linha de um processo.
O Supremo andou e ainda anda por uma ponte e vai destruindo a ponte atrás de si. Dessa forma, fica sem espaço para recuar, ou mesmo sem caminho lateral. Só há um caminho para ele. Radicalizar ainda mais e andar para frente, mesmo sabendo que o abismo está a poucos centímetros de seus pés. Eu não digo que o STF chegou a um ponto de ruptura, haja vista a nossa ética ser muito, mas muito elástica, então esse cordão ainda pode ser espichado.
Ele, o STF, chegou a um ponto sem volta nesse inquérito. Só resta caminhar para frente, rumo à sua autodestruição como instituição. Não há como voltar porque não existe mais essa ponte que o faria recuar. Não há como andar para o lado, pois não existe espaço para isso, nem, como eu disse, para tentar salvar a toga, com algum encardido. A toga já está suja. O comportamento que se percebe é que, só basta aos ministros, enrolarem as togas sujas e enlameadas em seus ternos bem cortados e seguirem em frente rumo à destruição.
Eu não acredito que nenhum desses ministros supremos não tenham lido Sun Tzu. Leram, mas aplicaram, com sinal invertido, as lições daquele sábio guerreiro chinês. O que resta é a autoaniquilação, e não a do outro, a única saída possível. Destruição que vai abalar os pilares da relação entre o Estado e o cidadão pelo resto do século.