DEU NO X

DEU NO JORNAL

NÃO RESPEITAM NEM AS DATAS

O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), acusado de “financiar o 8/jan com verba pública”, nem sequer era deputado.

Tomaria posse somente em 1º de fevereiro.

“Eu tenho que rir. Ficou até engraçado isso”, disse.

* * *

Me adesculpe-me, sinhô deputado, mas não concordo com vossa incelençia.

Não dá pra rir de modo algum com esse absurdo.

O absurdo mais recente.

Daqui pro Natal outros virão.

DEU NO X

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AMBICIOSA – Florbela Espanca

Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O voo dum gesto para os alcançar…

Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar…
– Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar!

Minha alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus!

O amor dum homem? – Terra tão pisada!
Gota de chuva ao vento baloiçada…
Um homem? – Quando eu sonho o amor dum deus!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

A PALAVRA DO EDITOR

VIAJOU ANTES DO COMBINADO

Encantou-se anteontem em Brasília, aos 89 anos, o meu querido amigo Vladimir Carvalho, grande cineasta-documentarista brasileiro.

O governo do Distrito Federal decretou luto oficial de três dias pela morte do ilustre cidadão.

Nos anos 80, quando ainda morava em Brasília, homenageei Vladimir com uma placa, que está aqui na parede do meu escritório, em meio a várias outras com nomes de amigos queridos.

Vladimir está no Wikipédia. Cliquem aqui e vejam quão interessante é o seu trabalho.

Ele é paraibano de Itabaiana, cidade onde mora o Poeta Jessier Quirino, um grande amigo nosso.

E também cidade do mestre Sivuca, um ícone da música nordestina.

A coluna de Jessier, publicada hoje aqui no JBF, é dedicada a Vladimir.

Vladimir Caravalho com este Editor, anos 80, em Brasília

Guardo aqui nos meus arquivos uma carta que Vladimir mandou para a cineasta Tizuka Yamazaki, que foi sua aluna no curso de Cinema na Universidade de Brasília.

Uma carta – da qual ele me deu uma cópia -, enviando pra ela um exemplar do meu livro “O Romance da Besta Fubana”, fazendo uma apreciação que me deixou imensamente feliz.

A carta é esta que está transcrita a seguir:

Brasília, 9 de junho de 1988

Querida amiga Tizuka,

Quem é vivo sempre aparece.

Há muito não nos vemos, mas sigo-lhe os movimentos e atuações com grande interesse do seu torcedor fanático, como sabe.

Agora lhe escrevo para dar uma penada por um grande amigo e quase conterrâneo meu, Luiz Berto. Trata-se do autor de um romance interessantíssimo chamado justamente “Romance da Besta Fubana”. Escrito nordestinamente num estilo arisco e debochado, é, para mim, uma obra prima do picaresco, a além de tudo – e principalmente, muitíssimo cinematográfico. À época do seu lançamento obteve excepcional acolhida da crítica, conquistando prêmios importantes.

Quando li a primeira vez pensei imediatamente que poderia resultar em excelente rapsódia cinematográfica, mas também pensei num especial de TV, como fizeram com algumas coisas de Ariano Suassuna. Porém, você sabe, a ficção não é a minha praia. Por isso, tenho enorme satisfação de ajudar a encaminhar o livro do Berto à sua apreciação. Não se arrependerá de sua leitura.

Como no samba, “faça por ele como se fosse por mim”.

Com um abraço do seu admirador de sempre

Vladimir Carvalho

Tempos depois Vladimir, me ligou dizendo que Tizuka tinha lido o livro, estava empolgada e tinha planos de botar em prática um projeto de fazer um filme com o enredo.

O tempo passou e nunca mais perguntei pra ele em que pé estavam as coisas. Tenho um pudor intransponível pra vender o meu peixe e pra tratar dos meus interesses no que diz respeito à minha obra.

Desconfio que o desmantelo pra botar a Besta na tela seja infinitamente maior que o desmantelo contido no livro. Um trabalho da pesada.

Viajasse antes do combinado, Vladimir.

Descanse em paz, seu cabra arretado!

E daí de cima cuide bem da gente que estamos aqui embaixo.

Um dia iremos te encontrar.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

A NUCA

Depois de muito ensaiar a reaparição em público, sob a direção de Esbanja, Lule chega saltitante e serelepe, para demonstrar disposição e bom humor.

A comitiva de puxa sacos que o aguarda aplaude feliz.

Mas o que todos queriam ver mesmo, eram as marcas da porrada, digo, da queda.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

A MORTE É UM DOIDO LIMPANDO MATO

Para tirar as ervas daninhas, da flora campeira, acaba cortando (de enxada), uma majestosa flor do campo.

Minha homenagem ao amigo Vladimir Carvalho.

Estou muito triste, de coração apertado.

Partiu para o cineminha eterno, o meu amigo e conterrâneo de Itabaiana, o cineasta Vladimir Carvalho.

Outro dia esteve lá na nossa casa em Itabaiana, e pediu para ir lá na sala do primeiro andar.

De olhos marejando, disse-me, que aos 11 anos, fazia ali na sala, recitais de poesia, com uma professora, e ao lado de um piano que havia lá em cima.

Agora há pouco, do dia 1 de Outubro passado, enviei-lhe uma foto antiga, onde aparecia seu pai.

Pedi-lhe que identificasse os fotografados. Isto, para repassar para Artur (nosso auxiliar de produção), para constar nas suas pesquisas.

Pois bem. Vladimir se emocionou com a foto, e, de mãos próprias, desenhou os personagens e seus respectivos nomes, destacando o de Luiz Martins, seu pai.

O Mestre das artes cinematográficas está, agora, ao lado do pai e do Pai.

Deus o tenha. 😢

A PALAVRA DO EDITOR