DEU NO X

A PALAVRA DO EDITOR

TÁ SEXTAFEIRADO!

Está uma linda sexta-feira aqui na minha querida Recife.

Dia bonito e ensolarado.

Uma terna composição para embelezar esta véspera de final de semana, interpretada pelo grupo Nilo Amaro e seus Cantores de Ébano: Leva eu Saudade.

Abraços e um excelente final de semana para todos os amigos fubânicos.

Vocês são uma patota arretada!!!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO FRANCISCO – RIBEIRÃO PRETO-SP

Outro dia na coluna do Peninha teci um comentário sobre Caetano Veloso ser o líder da turma do Dendê; pessoal que fazia boicote a artistas genuinamente populares e os que não rezavam na cartilha do progressismo.

Foram vítimas deste pessoal, dentre outros o Wilson Simonal e o Geraldo Vandré, que teve sua música “Caminhando – Para não dizer que não falei em flores” subtraída e foi feita a narrativa de que o mesmo fora torturado, tendo ficado, digamos, louco; o que foi posteriormente desmentido pelo próprio.

Caetano nos dias atuais faz, com auxílio dos pagadores de impostos (Lei Rouanet), uma turnê com sua irmã Betânia, tão insuportável como ele.

Os shows estão sendo feitos em casas relativamente pequenas para o ego da dupla, com ingressos a preços reduzidos, espaçamento entre as mesas para dar impressão de que está lotando.

O pior são as exigências dos idosos; aviões, camarins separados, distância do público para não ter contato com a plebe.

Vejam este vídeo do Cabo Elson sobre

ALEXANDRE GARCIA

LULA SEGUE CELSO AMORIM E ACABA COM A REPUTAÇÃO DO BRASIL

Lula e Celso Amorim.

Celso Amorim é o principal conselheiro de Lula para assuntos internacionais

O presidente Lula tem sido muito infeliz em sua política externa. Um veterano embaixador me garante que ele segue as ordens de Celso Amorim, e com isso está afundando o respeito do Brasil. Ele está apoiando o Irã, que é considerado um Estado terrorista pelos Estados Unidos, pela Inglaterra, pela França; é simpaticíssimo à China, à Venezuela, à Coreia do Norte – só o Daniel Ortega que já brigou com ele –, e não cessa de criticar e agredir Israel. No dia em que Israel foi atacado por mísseis iranianos, Lula não disse uma palavra. Cobrado sobre o motivo pelo qual não falou das eleições venezuelanas na ONU, ele disse que fala do que quiser falar. Como eu já comentei aqui, está comprovado que Nicolás Maduro perdeu, e perdeu feio, porque Edmundo González fez mais de 60% dos votos.

* * *

Começou o Natal na Venezuela

E vocês sabiam que já começou o Natal na Venezuela? Pelo mesmo motivo pelo qual Galtieri e os generais da Argentina invadiram as Malvinas, ou Falklands: para desviar a atenção do povo. Até foi bom que Maduro tenha resolvido antecipar o Natal; podia ter invadido a Guiana, seria muito pior. Antecipou o Natal para ver se agita o país e muda de assunto, porque todos estão falando na eleição fraudada – fraudada não, é caso de resultado descumprido, porque todos ficaram sabendo qual foi o resultado, já que é transparente a apuração, mas o governo mandou parar tudo quando estava em 83,5% das urnas apuradas, e aí já era tarde.

Pois agora é Natal na Venezuela, e na frente da delegação da ONU em Caracas houve uma manifestação de aposentados protestando contra Maduro, pedindo que a ONU intervenha na Venezuela. Sabem quanto ganha um aposentado lá? O equivalente a US$ 3,50, ou R$ 18 por mês. E a cesta básica, sabem quanto custa? O equivalente a uns R$ 3 mil. O sujeito não tem como comer. Por isso se conta que estão matando cachorro, fugindo para a Colômbia, para o Brasil.

* * *

Até agora, candidatos de Bolsonaro estão melhor que candidatos de Lula

O jornal O Globo fez um levantamento com várias pesquisas eleitorais, capital por capital, e viu que, dos candidatos apoiados por Bolsonaro, 13 têm chance de vitória; já dos apoiados por Lula, apenas dois têm chance. Então, é Bolsonaro ganhando por 13 a 2 nas eleições municipais.

* * *

China quer ir à Lua, muitas décadas depois dos EUA 

Toda hora dizemos que a China isso, a China aquilo, pois a China acaba de mostrar a roupa espacial que seus astronautas usarão para ir à Lua. A China quer botar o pé na Lua em 2030, 61 anos depois dos Estados Unidos. Não sei se vocês que me ouvem e leem estão lembrados; eu lembro da transmissão ainda em preto-e-branco na televisão, os americanos saindo da nave, pisando na Lua pela primeira vez. Se tudo de certo, só em 2030 os chineses vão desembarcar na Lua. A roupa deles, claro, protege mais, é mais flexível, provavelmente é mais leve, após 60 anos de aperfeiçoamento. Mas só agora eles estão chegando.

Isso nos mostra uma coisa. A China tem toda a imposição estatal de que Lula gosta – ele já elogiou, dizendo que “bom é na China, quando o governo manda e todo mundo cumpre”. O nome disso é autoritarismo. Mas, mesmo assim, o governo mandando e todo mundo cumprindo, fazendo pontes maravilhosas, viadutos maravilhosos, prédios maravilhosos, na hora da ciência, que exige cérebro, dedicação, não basta só o governo mandando; é preciso ter algo que ninguém pode pagar, que dá produtividade no trabalho: dedicação, amor à causa.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

SE OBROU-SE TODINHO

O governo quer aproveitar o incidente com o Aerolula, após decolar do México nesta terça (1º), para “descongelar” a compra de outra aeronave, como Lula (PT) quer: zerada, maior, mais confortável e muito mais cara.

Ainda sem nada por dentro, o novo “palácio voador” pode custar mais de US$ 80 milhões, quase R$ 500 milhões.

Para instalar acomodações e “decoração”, a previsão é de R$ 200 milhões a mais.

A estimativa leva em conta o Airbus A-330/200, que o governo quase adquiriu há um ano.

Interior do Aerolula, atual avião presidencial, é bem amplo e confortável

Encontrado na Suíça, o Airbus A-330/200 era o único disponível no mercado para entrega imediata. E Lula não precisaria esperar muito.

Usado por xeiques e príncipes árabes, o “palácio voador” tem suíte com chuveiro, gabinete privado, sala de reuniões e 100 assentos de 1ª classe.

A compra quase foi fechada em setembro de 2023, mas o déficit primário até então de R$ 71 bilhões e o medo das críticas “congelaram” o negócio.

O avião com Lula e mais 15 pessoas voou em círculos por 5 horas, só com uma turbina e descartando querosene.

Houve pânico a bordo.

* * *

Que o descondenado continue voando com segurança e sem riscos fatais.

Não desejo desgraça pra ninguém.

Que viva muito pra pagar em vida as maldades que cometeu.

Bom, o que quero mesmo ressaltar é o que foi apurado pelo Departamento Defecoso dessa gazeta escrota.

Após o desmantelo aéreo, a otoridade presidencialesca banânica se obrou-se todinha e encheu as calças, além de sujar a poltrona da aeronave.

Entupiu o espaço do aparelho com um fedor de nível tão alto que chegou a provocar vômitos em vários outros passageiros.

A cuidadora dele teve um trabalho danado para limpar o volume obrado.

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MESTRES DA POESIA POPULAR

Manoel Filomeno de Menezes, o Manoel Filó, Afogados da Ingazeira-PE (1930-2005)

* * *

Manoel Filó

Eu acho que não convêm
Falar de quem bebe porre
Porque se quem bebe morre
Sem beber morre também
Apenas quem bebe tem
Suas artérias normais
Trata das fossas nasais
Controla o metabolismo
Cachaça no organismo
É necessário demais.

O meu pai, que era Manoel
Filomeno de Menezes
Foi também Mané Filó
Criado entre os camponeses
Um repentista inerente
Nunca viveu do repente
Mas cantou diversas vezes

Quando eu partir deste abrigo
Seguir à mansão sagrada,
A morte está perdoada
Do que quis fazer comigo,
Quis que eu fosse igual ao trigo
Que ao vendaval se esfarela,
Mas eu vou passar por ela
De cabeça levantada
“A morte está enganada,
Eu vou viver depois dela”.

* * *

Antônio Pereira (O poeta da saudade)

Saudade é um parafuso
Que na rosca quando cai,
Só entra se for torcendo,
Porque batendo num vai
E enferrujando dentro
Nem distorcendo num sai.

Saudade tem cinco fios
Puxados à eletricidade,
Um na alma, outro no peito,
Um amor, outro amizade,
O derradeiro, a lembrança
Dos dias da mocidade.

Saudade é como a resina,
No amor de quem padece,
O pau que resina muito
Quando não morre adoece.
É como quem tem saudade
Não morre, mas adoece.

Adão me deu dez saudades
Eu lhe disse: muito bem!
Dê nove, fique com uma
Que todas não lhe convêm.
Mas eu caí na besteira,
Não reparti com ninguém.

Saudade é a borboleta,
Que não conhece a idade.
Voando, vai lá, vem cá,
Misteriosa, à vontade.
Soltando pêlo das asas,
Cegando a humanidade.

Quem quiser plantar saudade
Primeiro escalde a semente.
Depois plante em lugar seco,
Onde bata o sol mais quente.
Pois, se plantar no molhado,
Quando nascer mata gente.

* * *

João Paraibano

Como é triste se ver um nordestino,
Apurar mil reais em quatro reses,
A esposa gestante de seis meses,
Sem poder com o peso do menino,
Muitas vezes caminha sem destino,
Com um pedaço de pau riscando o chão,
Como quem tá caçando uma ilusão,
Que perdeu na poeira da estrada,
A cigarra só canta sufocada,
Na terrível quentura do verão.

* * *

José Alves Sobrinho

Eu também fui cantador
Repentista e violeiro,
Todo o norte brasileiro
Inda lembra, sim senhor,
O meu nome, o meu valor,
A minha voz estridente,
Porém, repentinamente,
A mão do destino atroz
Arrebatou minha voz.
Deixei de cantar repente.

Eu era um uirapuru
Na voz e na melodia
Mas sem esperar, um dia
Fiquei qual urubu:
Sem voz, sem som, nu e cru,
Fui forçado a abandonar
A profissão popular
De cantar para viver!
Como é triste não poder
Cantar, sabendo cantar.

* * *

Onildo Barbosa

Quando o dia vai embora
A tarde é quem sente a queixa
O portão da noite abre
A porta do dia fecha
A boca da noite engole
Os restos que o dia deixa.

* * *

Oliveira de Panelas

Vejo muita diferença
Do presente para o passado
Salomão com mil mulheres
Foi um homem abençoado
E hoje se eu tenho duas
o padre diz que é pecado.

* * *

Manoel Xudu

A arte do passarinho
Nos causa admiração:
Prepara o ninho no feno,
No meio, bota algodão
Para os filhotes implumes
Não levarem um arranhão.

* * *

Dimas Batista

Dos discípulos do Senhor
Houve um falso somente
Aquele foi a serpente
Que traiu o Salvador!
Traiu num beijo de amor
Levou-O ao cadafalso!
Por isso é que eu realço
Ser o maior dos pecados:
“Eu quero trinta intrigados
Não quero um amigo falso!

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

HOMENAGEM AO NERY

Peço desculpas aos leitores, entretanto, não posso deixar de reproduzir em minha coluna, a crônica de Sebastião Nery editada em mais de 30 jornais no Brasil, onde ele fala da história de Marechal Deodoro e da 3ª FLIMAR em 2012. O maior jornalista dos Séculos XX e XXI, morreu semana passada com 93 anos. Um amigo, um sábio.

* * *

O MARECHAL DA CULTURA

MARECHAL DEODORO (AL) – Lá em cima na mitológica Normandia, cabeça e norte da França, estuário do rio Sena, de frente para a Inglaterra a quem pertenceu em tempos passados, separadas pelo Canal da Mancha sob o qual passa hoje o túnel onde mergulha o trem que liga os dois países, há uma pequena cidade encantada com nome de flor: Honfleur.

O vale do Sena é bordejado de verde e de vaquinhas normandas. Famosos o creme de leite e o Camembert da Normandia. E o conhaque Calvados e a cidra, produzidos com as maçãs que enfeitam os prados.

Honfleur no século 15 era um porto defensivo contra invasões inglesas, em formato retangular e cercado por três ruas de edificações seculares. É como se fosse uma praça, só que no meio é água e o quarto lado dá para o rio Sena, que desemboca no Atlântico um pouco mais adiante. As casas dão a impressão de ter 500 anos ou mais, até hoje habitadas. A primeira referência histórica à Honfleur é de 1027.

HONFLEUR

E o que Alagoas tem com isso? Tem tudo. Em 1500, Portugal chegou a Porto Seguro, viu, gostou, admirou, elogiou, plantou o Marco do Descobrimento, ergueu uma cruz, celebrou uma missa e foi embora. Os piratas fizeram a festa. Sobretudo os franceses. Durou séculos o saque, o contrabando e a farra do Pau Brasil. Em Alagoas os caminhos estavam prontos: havia o mar com a “Praia do Porto do Francês”, o rio São Francisco, os rios Mundaú e Paraíba, as lagoas. Eles chegavam, pegavam o Pau Brasil e levavam, sobretudo para os portos do Havre e de Honfleur, um em frente ao outro. Era o Brasil construindo a Europa, as casas da Europa. Em 1611 nasceu a primeira capital de Alagoas (hoje Marechal Deodoro) como “Povoado de Vila Madalena de Sumaúna”, para proteger o pau-brasil do contrabando e da ação de piratas e outros. Em 1636 já era o “Município de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul”. Só em 1817 capital da capitania de Alagoas, com o nome de Alagoas. Em 1823, cidade. Em 1839, a capital foi para Maceió. E em 1939 o nome da velha cidade foi mudado para Marechal Deodoro, em homenagem ao filho ex-presidente.

A “IIIª FLIMAR”

Há três anos o talento, competência e dedicação do jornalista, escritor e coronel (do Exército) Carlito Lima, secretário de Cultura da cidade, criaram a FLIMAR (Festa Literária de Marechal Deodoro). Nesse final de semana, realizou-se a 3ª. Veio gente do pais inteiro, do Rio Grande do Sul ao Amapá, e da América Latina: jornalistas, escritores, conferencistas, poetas, cantores, grupos de teatro, folclore. Durante cinco dias, diante de suas magníficas igrejas barrocas e sobrados patinados, e sobre as praças de pedras seculares, a cidade tornou-se um anfiteatro da cultura a céu aberto.

Este ano, a IIIª FLIMAR homenageou três consagrados intelectuais: o antropólogo e folclorista alagoano Theo Brandão (Theotônio Vilela Brandão), que fez parte da celebrada geração de Graciliano Ramos, Raul Lima, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz e seu marido José Auto, Aurélio Buarque, Diegues Junior, tantos outros; homenageou também o alagoano acadêmico Ledo Ivo, maior poeta vivo do pais, e o consagrado romancista baiano-carioca Antônio Torres, Premio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, com palestras sobre as obras de cada um.

“A NUVEM”

Todos os dias, de manhã, de tarde e à noite, intelectuais fizeram conferencias. Ricardo Cravo Albin, com sua sabedoria e bagagem histórica, celebrou os 100 anos de Luiz Gonzaga, mostrando a contribuição do Rei do Baião para o pais ficar conhecendo o verdadeiro rosto do Nordeste. O romancista Antônio Torres, o jornalista e escritor Luiz Gutemberg, Paloma e Janaina Amado debateram o significado lítero-cultural do centenário do saudoso Jorge Amado. A escritora e crítica literária baiana Miriam Salles analisou a nova literatura nordestina, amazônica e do Centro-Oeste.

Durante três horas, a carioca Beatriz Rabello apresentou para dezenas de bibliófilos uma oficina de restauração de livros antigos. E eu mostrei minha experiência, no Brasil e como correspondente de imprensa, de meio século de jornalista que também publica livros, como contei em meu último livro “A NUVEM – O Que Ficou do Que Passou”. Sebastião Nery – 2012

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (35) ‒ PORTUGAL ‒ 1ª PARTE

Lisboa. Mais conversas, novamente de Portugal, em livro que estou escrevendo (título da coluna).

Almirante AMÉRICO THOMÁZ, 13º presidente de Portugal, último do Estado Novo. O mesmo que, logo depois da Revolução dos Cravos, acabou exilado no Rio. Se o Brasil teve um presidente (Jair) Messias, Portugal se gaba de ter tido (Américo) Deus. Em conversa com o generalíssimo Franco, da Espanha, disse

‒ A mi me gustam las cazadas (caçadas de animais, queria referir).

O espanhol não entendeu; que caçada, na sua língua, é caceria. E tentou responder, a partir do que imaginou,

‒ Ah, si? E las solteras, non?

ANÚNCIO NO GOYANNA (NUM. 153), EM 10.12.1922.

‒ Effectuou-se no dia 6 do mez corrente o enlace matrimonial do querido moço Luiz Cornelio da Fonseca Lima, agricultor, com a senhorita Ignacia Rabello, prendada, filha do nosso saudoso amigo Senador José Rabello e de sua virtuosa consorte. O acto civil effectuou-se no Lindo Amor, em caza de rezidencia da digna genitora da nubente. Os recém-casados seguiram após os actos para a sua excelente morada no Engenho Jacaré, onde fixarão rezidencia.

APÓCRIFO DO POETA ALEIXO. Apócrifos são citações que não tem autenticidade comprovada; e assim é conhecido um do poeta popular (António Fernandes) Aleixo (1899-1949), guardador de rebanhos e cantor de feiras, que diz

‒ Quando os olhos cansam
As pernas dançam
As peles crescem
Os colhões descem
O nariz pinga
E a piça minga
Deixa-te de bazófias
Que a missão está finda.

GILDA MATOSO, jornalista. Caetano Veloso, no Porto, pede que ligue para o cineasta Manuel de Oliveira. Atende mulher, desaforada, gritando

‒ Minha querida!, Miguel está em África!, buscando locações para o próximo filme!.

‒ Que coisa boa.

‒ Boa para quem?!

‒ Estou ligando só para convidar para o show de Caetano.

‒ E a Betânia?!

‒ Está no Rio.

‒ Então não vou!, que gosto mesmo é da Betânia!

JOÃO PAULO SACADURA, jornalista. Mandou página do semanário salazarista Agora (março de 1961) em que se lê

– MENINAS DE CALÇAS. Consta que no Liceu Infanta D. Maria apareceu há dias uma menina de calças à homem para assistir às aulas. A reitora, pessoa recta, mandou-a imediatamente para casa. Felizmente ainda temos professorado digno que sabe impor o respeito.

JOSÉ CARLOS DE VASCONCELOS, jornalista e advogado. Em Coimbra, estavam a passear José Carlos, natural de Freamunde, Porto; Paulo Quintela (germanista, tradutor de Goethe e Rilke), de Bragança, Trás-os-Montes; e Vitorino Nemésio (poeta, da revista Presença), de Praia da Vitória, Açores. Ocorre que, sem perceber, entraram em propriedade privada, conhecida como São Marcos (hoje, pertencente à universidade local). Foi quando apareceu um tipo que os censurou rudemente

– Andam por aqui e não sabem que estão a invadir terra de terceiros?

Quintela, considerando-se ofendido por seu tom de voz, falou em nome dos amigos

– E quem é o senhor?

O outro, não se sabia então, era da Casa de Bragança – fundada pelo Rei Dom João I, mestre de Avis, nos anos 1400. Caindo Filipe IV (em Portugal Filipe III, por conta do fuso horário, se diz brincando) um antepassado, Dom João IV, Duque de Bragança, até rei foi (em 1640). Bragança, como nosso Dom Pedro I – Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Por isso, com toda pompa de quem ainda se considerava com direitos ao trono português, encheu o peito

– Sou Dom Duarte Pio de Bragança.

Com ênfase no de Bragança. Só para ouvir Quintela responder, sem lhe dar maior importância,

– De Bragança? Como de Bragança? De lá sou eu e não o conheço de lugar nenhum.

JOSÉ OTÁVIO CAVALCANTI, advogado e tenor. Vinham Glória e ele caminhando pela Rua das Oliveiras, à Cidade Invicta (O Porto), quando viram no Pipa Vella essa placa

‒ Se bebe para esquecer, pague adiantado.