Cansado de tanta grosseria, ameaça e cadeirada, Zé desliga a TV e vai à banca da esquina comprar uma revistinha de safadeza. Não tão explícita quanto a vista naquele ‘debate’ político.
Comentário sobre a postagem FUMO – Florbela Espanca
Sergio Rieffel:
Bom dia!
Esse é mais um dos poemas que o Raimundo Fagner musicou!
E ficou muito bom!!
Experimentem!!!
Guilherme Fiuza

A primeira-dama tem um alerta para os cidadões de todo o planeta. Ou melhor seria um chamado mais abrangente: cidadões e cidadoas. O alerta é simples e urgente: preservem a Amazônia antes que as queimadas mentais destruam por completo o idioma e demais regras da sociedade culta.
O salto da natureza para a cultura, grande conquista do homo-sapiens, hoje parece que não foi tão importante assim. As estruturas construídas pela consciência, que vinham servindo para colocar o homem acima dos seus instintos animais, podem ter sido uma grande epopeia cenográfica. Duvida? Então olha em volta.
Os “cidadões” exortados pela primeira-dama da República Federativa dos Amigos do Rei já tinham sido conclamados anteriormente, outro dia mesmo, por uma representante da elite intelectual. Ou pelo menos aquilo que se considerava elite intelectual – universo no qual se poderia incluir os jornalistas. É bem verdade que o conceito de jornalista também mudou. Hoje fica difícil separar o que é jornalista, checador, distribuidor de panfleto, censor e dedo-duro. Mas uma figura de uma dessas categorias também fez menção, numa rede de TV aberta, aos cidadões brasileiros. O nome da emissora era “Cultura”. Viu como as suas referências estão defasadas?
Talvez “cidadões” seja uma forma culta e evoluída de retirar a masculinidade tóxica do termo. Por que não? Se tem gente lendo e interpretando as leis como lhe dá na telha, por que não podemos aqui fazer a nossa própria sentença sobre a semântica? Ou cemântica? Se a palavra se sente melhor com c do que com s, quem sou eu para contrariá-la? Basta de preconceito.
Fica combinado assim: o salto da natureza para a cultura foi um mal-entendido. O homem precisa reaver seus instintos naturais. Quer meter a mão na propriedade alheia? Vai fundo. Quer corromper a linguagem para parecer descolado e enganar uns trouxas? Não se reprima. Quer chamar censura de defesa da democracia? A casa é sua. Global citizens do mundo inteiro: liberou geral.
Começa a fazer água o plano do candidato de extrema-esquerda Guilherme Boulos (Psol) de levar Lula para a reta final na campanha.
A expectativa de caminhada pela cidade está virando live com o petista.
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Taí: essa eu queria ver!
O ex-presidiário descondenado botar a cara na rua e fazer caminhada no meio do povo.
Do jeito que aquele capitão inxirido vive fazendo e arrancando aplausos e gritos onde quer que chegue.
Vai lá, Nove Dedos!
O jornal O Estado de S.Paulo, em editorial, comentou a fala do ministro presidente do STF, Luís Roberto Barroso, que em entrevista ao Valor Econômico disse que, quando terminar a presidência, terá conseguido fazer uma total “recivilização” do Brasil. Já se disse muito sobre isso, mas eu ouvi o vice-prefeito de Porto Alegre fazendo uma argumentação absolutamente válida: quem faz a civilização não é o Estado, é a nação. O Estado está a serviço da nação; o Estado vem depois da nação; o Estado serve a nação; o Estado obedece a nação. É a nação que diz ao Estado como ele deve ser civilizado, e se o Estado não for civilizado a nação faz outro Estado. Digo isso para que a cidadania se dê conta de que todo poder emana do povo, mas o povo tem de saber exercer esse poder. Não pode se deixar conduzir. O povo é que conduz o Estado.
Soa quase um totalitarismo, ou no mínimo arrogância, que alguém do Estado – no caso, o presidente do Supremo – a diga que vai “recivilizar” o país. É totalmente estranho, e até paradoxal, porque em país civilizado não se vê juiz dando entrevista a jornal. E Barroso disse isso em entrevista a um jornal. É um princípio do Poder Judiciário que juiz só fala nos autos.
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Tragédia no Rio com envenenamento de duas crianças
Aconteceu algo muito triste no Rio de Janeiro: um menino morreu e outro está hospitalizado no Miguel Couto. Ambos estudavam na mesma escola. Os médicos examinaram o que está hospitalizado e descobriram restos daquele veneno, o chumbinho. Fizeram uma lavagem intestinal nele, mas o outro morreu. O que sobreviveu, de 7 anos, se chama Benjamin. E o que tinha 6 anos se chamava Ythallo. Queria alertar os pais para o que que acontece na escola, no caminho da escola. É algo que certamente não aconteceria em escola cívico-militar.
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Nomes diferentes demais são peso na vida das crianças
Mas queria lembrar algo que não tem a ver com este menino, especificamente. O nome dele é um belo nome, mas, se ele tivesse sobrevivido, teria de soletrá-lo a vida toda, porque o pai ou a mãe registraram Ythallo, em vez de Ítalo. Pais, não façam isso com seus filhos. Não inventem nomes que eles terão de soletrar para o resto da vida. Não pode mais chamar criança de João, Antônio, Luiz, Alberto; tem de colocar Y, K, letra dupla, H. Isso é uma maldade que os pais fazem para atender sei lá que tipo de desejo, naquele momento do registro.
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Anielle Franco depõe nesta quarta sobre suposto assédio de Sílvio Almeida
Nesta quarta-feira, na Polícia Federal, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, presta depoimento sobre a mão boba do então ministro dos Direitos Humanos, Sílvio Almeida, que foi demitido depois da denúncia da Me Too, uma organização que acolhe pessoas vítimas de assédio sexual. Parece que o governo já sabia, mas, como o caso se tornou público, não houve outra saída a não ser demitir o ministro. A substituta de Almeida, Macaé Evaristo, está fazendo um alerta, pedindo cuidado com denuncismo, que muitas vezes não é assédio sexual, é brincadeira, não é real. De qualquer maneira, a ministra Anielle vai depor e todo mundo deve estar curioso para saber dos detalhes desse depoimento, que certamente vai ficar sob sigilo autorizado pelo Supremo.
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Prepare-se para o salto na próxima conta de energia elétrica
Esta quarta-feira é o segundo dia em que nós estamos tirando mais dinheiro do bolso para pagar a eletricidade. Entrou a bandeira vermelha 2, dando um salto no preço de 100 kWh, de R$ 4,46 para R$ 7,88.
Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas…
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram… choram…
Há crisântemos roxos que descoram…
Há murmúrios dolentes de segredos…
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Comentário sobre a postagem INFILTRAÇÃO
Pablo Lopes:
É grave a infiltração do crime organizado na política. Me admira que o supremo só tenha percebido isso agora, pois este fenômeno já ocorre há anos.
Digo isso por experiência própria pois, em 2014, presenciei uma reunião entre membros do PCC e um candidato do PT a deputado estadual por São Paulo.
Na ocasião, uma associação de empresas de transporte coletivo, dominada pelo PCC, tinha interesse em eleger deputados para defender seus interesses.
Na reunião foram definidos os cargos e financiamento da campanha. Não posso dar os nomes, por motivos óbvios, mas garanto que o deputado foi eleito. Recentemente a polícia desvendou um grande esquema criminoso envolvendo justamente o setor de transporte.
A infiltração só piorou depois que o TSE proibiu empresas de doar recursos para o financiamento das campanhas, levando candidatos a buscar recursos nas igrejas e junto ao crime, pois o fundo eleitoral não é distribuído a todos os candidatos, mas sustenta apenas os caciques dos partidos.
Por fim, esclareço que nunca fui político ou membro do PCC; acompanhei a tal reunião porque ele foi realizada em um espaço cedido pela empresa onde eu trabalhava à época, a pedido de um amigo do dono da empresa, pois eles precisavam de um “território neutro”. Somente durante a reunião tomei conhecimento de quem eram os envolvidos. O tal candidato, anos depois, foi preso em uma operação da polícia.
Também é tão ou mais grave a infiltração política no supremo, o que não deixa de ser uma infiltração do crime organizado no poder judiciário, mas isto é outro assunto…