DEU NO JORNAL

LULA MIROU EM CAMPOS NETO E ACERTOU EM SEU PRÓPRIO GOVERNO

Guilherme Macalossi

O presidente Lula, em entrevista a uma rádio de Salvador (BA), em 2 de julho de 2024.

O presidente Lula, em entrevista a uma rádio de Salvador (BA), em 2 de julho

A verborragia de Lula há muito vem custando um alto preço para sua própria administração. Com indicadores de popularidade crescentemente negativos, o presidente achou que redobrar a exposição com uma série de entrevistas teria efeito benéfico. A estratégia do Planalto, prestigiando emissoras de rádio do interior, visava dar publicidade a ações e projetos considerados positivos pelo governo. Mas o resultado foi o inverso. Lula retomou as críticas ao Banco Central e Roberto Campos Neto, disparando diariamente contra os juros, a política monetária e relativizando o problema das contas públicas. Ao final, conseguiu apenas parir uma crise de confiança.

No dia 26, durante conversa com o portal UOL, Lula negou a intenção de desvincular benefícios previdenciários da valorização do salário mínimo. Também afirmou que não passava por sua cabeça fazer qualquer alteração no regime previdenciário militar, que representa boa parte dos gastos da área. Segundo o Tribunal de Contas da União, o déficit estimado da previdência militar é R$ 50 bilhões ao ano, com um custo per capita de R$ 158 mil.

A um só tempo, ele desautorizou seus dois principais ministros da área econômica. Fernando Haddad, da Fazenda, e Simone Tebet, do Planejamento, trabalhavam para apresentar ao presidente um plano de contenção de gastos que, de alguma forma, englobasse exatamente essas medidas. Tebet chegou a defender isso publicamente em entrevista para o jornal O Globo: “Nós vamos mostrar para o presidente que é possível cortar gastos de privilégios. Não estou dizendo que vamos conseguir avançar com os supersalários, mas tem que estar na mesa. Uma legislação previdenciária que, ainda que de forma gradual, atinja os militares”, disse. Temendo desgaste com a base de esquerda e com os militares, Lula atirou o plano pela janela antes mesmo de ele ser apresentado.

Ao invés de anuir com a necessidade de algum tipo de corte nos gastos públicos, o presidente foi pela linha inversa. “Problema não é que tem que cortar. Problema é saber se precisa efetivamente cortar ou aumentar a arrecadação. Precisamos fazer esta discussão”, afirmou também ao UOL. O somatório da relativização fiscal com os ataques ao Banco Central alarmou o setor financeiro, que refletiu sua preocupação na subida vertiginosa do Dólar. A moeda americana lambeu os R$ 5,70. Com o risco do impacto sobre a inflação, a curva de juros futuros também se elevou.

É bem verdade que o ambiente internacional tem sido de enorme instabilidade, o que afeta diretamente o comportamento do dólar e de outros ativos globais, mas o fator Lula se impôs de forma determinante durante a semana. A palavra do presidente pesa, afinal. Os arroubos contraproducentes do petista, aliás, parecem emular o comportamento do antecessor Jair Bolsonaro. A diferença é que Lula ainda não montou um cercadinho na frente do palácio da Alvorada.

Uma força-tarefa foi montada para convencer Lula a baixar o tom. Haddad e uma turma de economistas alinhados com as teses lulopetistas foram convocados para ir ao seu encontro. Saíram de lá com a promessa de moderação. Resta saber se ela dura. O mercado deu uma clara sinalização: juros se derrubam com política fiscal, não elegendo uma Geni para bater e cuspir.

DEU NO X

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

EXCLUSÃO

Discutir, debater e argumentar são sinônimos. Estão relacionados com a arte da Retórica, que para os antigos gregos era um dos campos básicos do conhecimento, ao lado da música, da gramática e da lógica.

Uma consequência inevitável de qualquer debate produtivo é a exclusão ou discriminação: Um debate busca atingir um conhecimento comparando várias idéias, ou teorias, ou teses. O processo do debate vai descartando, isto é, excluindo, as idéias que não funcionam ou não contribuem para a solução daquilo que está sendo discutido.

É um processo óbvio e instintivo para qualquer pessoa. Quem escolhe comer uma maçã está excluindo as bananas, as pêras e as ameixas. Quem pega um livro na estante está excluindo todos os outros livros da estante.

Por que então no mundo de hoje palavras como exclusão ou discriminação são consideradas palavrões, coisas horríveis e nojentas que toda pessoa deve fazer força para evitar?

Porque são consequências do pensamento e da liberdade, e estas são as coisas que certas pessoas consideram realmente ofensivas. Ao decretar que excluir é feio, estas pessoas automaticamente tornam feio o ato de escolher. Ao impedir o ato de escolher, elas retiram das demais pessoas a liberdade de pensar por si próprias.

E como estas mesmas pessoas mantêm seu direito (monopólio) de pensar, decidir e excluir? Decretando que a única exceção possível é “excluir a exclusão”, como na famosa expressão “não podemos tolerar a intolerância”. Ao dizer que o outro errou primeiro, ela se isenta de culpa ao cometer o mesmo erro.

Moral da história: Quem controla as palavras, controla o pensamento.

DEU NO JORNAL

PENTE-FINO NÃO É AJUSTE FISCAL

Editorial Gazeta do Povo

O ministro Fernando Haddad fala com jornalistas em 3 de julho, após lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar.

O ministro Fernando Haddad fala com jornalistas em 3 de julho, após lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar

Como se estivesse anunciando algo realmente revolucionário, uma verdadeira reinvenção da roda, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse a jornalistas na quarta-feira que “o presidente [Lula] determinou: ‘cumpra-se o arcabouço fiscal’”. Ou seja, mandou cumprir a lei, o que em qualquer outra situação seria algo que dispensaria toda a pirotecnia. Mas estamos falando do governo Lula, que encontra enorme dificuldade até mesmo para cumprir um arcabouço fiscal razoavelmente frouxo – dificuldade que o próprio presidente aumenta quando não controla seus ataques ao Banco Central e faz o dólar disparar a cada declaração que renega a necessidade de ajuste fiscal e insinua que a autoridade monetária, em breve, será subserviente à ideologia do mandatário.

A “determinação” presidencial foi anunciada por Haddad após uma reunião de Lula com a Junta de Execução Orçamentária, que, além do ministro da Fazenda, tem também Simone Tebet (Planejamento), Rui Costa (Casa Civil) e Esther Dweck (Gestão e Inovação). Para zerar o déficit primário em 2025 – uma meta que, recorde-se, já foi alterada, pois a original era um superávit primário de 0,25% do PIB –, a solução encontrada foi um corte de R$ 25,9 bilhões em despesas obrigatórias, que será feito principalmente por meio de um pente-fino em benefícios sociais que, somados às aposentadorias, custam R$ 1,2 trilhão por ano ao governo. Uma revisão, aliás, que Lula realizará muito a contragosto, já que o presidente, em sua campanha eleitoral eterna, prefere atacar os subsídios concedidos a vários setores da economia (muitos deles criados durante governos petistas) e que correspondem, segundo ele, a mais de R$ 500 bilhões.

Pentes-finos em benefícios sociais são necessários e precisam ser feitos periodicamente, para evitar que o dinheiro do contribuinte vá parar no bolso de alguém que não se encaixa nos requisitos legais para receber um auxílio. Mas acreditar que essa simples revisão seja suficiente para resolver os problemas fiscais de um governo que tem a gastança em seu DNA é pedir para se decepcionar mais adiante. No máximo, ele trará algum alívio bastante temporário – o dólar, que bateu os R$ 5,70 na terça-feira, passou a cair e terminou a semana em R$ 5,46. Mas, como a Gazeta do Povo já mostrou, as próprias regas do arcabouço e políticas do governo em temas como valorização real do salário mínimo armaram uma bomba-relógio orçamentária que um simples pente-fino é incapaz de desarmar.

E não se pode dizer que faltem recomendações do que poderia ser feito para cortar gastos. Nada impede uma revisão dos subsídios que Lula tanto critica, desde que seja feita dentro do espírito de uma autêntica política industrial ou de fomento a determinadas atividades econômicas, em vez de usar renúncias fiscais como prêmio a quem faz o lobby mais eficiente. A unificação dos benefícios governamentais também traria economia na casa das dezenas de bilhões de reais por ano, eliminando sobreposições, facilitando o controle e mantendo a rede de proteção a quem mais precisa dela. Tudo isso sem falar, é claro, da eliminação de privilégios em geral, um mau hábito igualmente espalhado pelos três poderes e que se reflete nos inúmeros auxílios concedidos a quem já está no topo da pirâmide socioeconômica nacional, ou nos bilionários fundos que financiam partidos e campanhas eleitorais com dinheiro do contribuinte.

E este ainda seria o ajuste mais simples. Seria possível ir ainda mais fundo na racionalização do gasto público realizando reformas estruturais como a administrativa, para racionalizar as carreiras do funcionalismo e fazer com que o serviço público deixe de ser fonte de desigualdade, como atestou estudo clássico do Ipea. Ou, ainda, aprofundar a reforma da Previdência, que continua deficitária apesar das mudanças realizadas em 2019, e que haviam ficado aquém do plano original. Um bom programa de privatizações, por fim, ajudaria a enxugar o Estado, que deixaria de bancar empresas deficitárias e quadros inchados.

Mas tudo isso, bem sabemos, é anátema para Lula e o petismo, e assim podemos afirmar desde já que os R$ 25,9 bilhões em cortes autorizados pelo Planalto acalmam a tempestade no curto prazo, mas não servem para mudar o clima. As palavras de ordem continuam a ser política fiscal expansionista e intervencionismo onde quer que Lula consiga colocar as mãos – o que incluirá, num futuro próximo, o comando do Banco Central. Sem um ajuste sério ou reformas dignas do nome, seguiremos pulando de paliativo em paliativo.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

UM SODALÍCIO DE VERDADE

De início é preciso relembrar que a palavra sodalício é originária do latim – sodalicium – e que segundo os dicionários é local de convivência, camaradagem, onde se tem companhias agradáveis, se aprende e se faz amizades duradouras.

E para autenticar que este jornal é verdadeiramente uma gazeta escrotíssima, porém instrumento patriótico capaz de combater incessantemente políticos de má índole, começamos pelo cabeçalho – que tecnicamente chamamos de: Expediente – mas aqui se trata do identificatório pessoal curricular do Editor Luiz Berto Filho:

Trata-se de um cabra sério – quando está dormindo – mas se apresenta, no cotidiano, como um especialista em generalidades, “peruador” sem compromisso – a não ser quando tem que levar o filhote João à escola, pois sendo aposentado, assume, com o peito em festa e a boca a gargalhar, a missão de “transportador escolar”, aliviando as tarefas de sua dedicadíssima esposa, Aline.

Diz-se, ainda, dono de currículo “esculhambatício” e sem qualquer evidência digna de aplauso, pois se sente azeitador juramentado do eixo do sol, gosta de ensacar fumaça, inspirou uma tal “presidenta” nas várias modalidades de ensacamento automático, há anos gosta de ser fiscal de feiras e se considera renomado ex-cachacista.

Agora vamos tirar a curiosidade de muitos leitores sobre o título deste periódico: “Jornal da Besta Fubana”. Isto é lá título de jornal?!

Já li “A Mutreta”, “O Azucrinador”, !O Sombra” e até um escrotíssimo, editado pelo Sindicato dos Bancários: “A Tocha”, cujo slogan publicitário era: O que os outros jornais não veiculam A Tocha traz.

No interior do Brasil, existia uma lenda sobre a Besta Fera, uma espécie de aberração que punia os cristãos em atitudes de heresia. Alguns passaram chamar essas pessoas de Bestas Humanas, o próprio Satanás dos Infernos.

E como nosso fundador, Luiz Berto é cheio de invencionices – veja-se, a propósito, seu livro “Memorial do Mundo Novo” – e ao agrupar intelectuais para compor um jornal diário, uma especie de “gazeta vale tudo” – sendo já autor de premiadíssimo livro: “O Romance da Besta Fubana”, a gazeta tomou este nome.

Mas, entrevistando-o sobre isso, fiquei sabendo que esse nome ele aprendeu com sua avó – D. Menininha – braba que só a peste e quando Berto fazia uma trela ela gritava:

– Esse menino tá com a Besta Fubana no couro!

Por isso – disse-me Berto – desconfio que essa referência tem alguma relação com a “Besta Fera”, pois eu escutava muito os matutos falarem isso nos tempos de minha saudosa infância em Palmares.

E assim, quando resolvi criar um blog diário o título já estava pronto. Mas antes já existia meu livro: “O Romance da Besta Fubana”, premiadíssimo, tanto que fui lançá-lo na Academia Brasileira de Letras; fui receber outro prêmio em São Paulo, na União Brasileira de Escritores e até entrou na lista dos mais vendidos, em vários estados do Brasil.

Na sequência veio também o Bloco da Besta Fubana, que saia aqui no Recife, concentrando-se os carnavalescos na Praça de Casa Forte, em frente ao Bar Largura, muito conhecido; ali naquela rua que passa nos fundos da praça.

O jornal, mesmo com esse nome doido, já me deu inúmeras alegrias porque foi citado por grandes nomes da Imprensa brasileira – por exemplo: Augusto Nunes, então diretor e colunista da revista Veja, que reproduzia textos que o jornal publicava.

Isso alargou a penetração do blog, que passou a ter leitores em vários pontos do País. Recebemos muitos comentários do exterior, além de gozar do privilégio de ter colunistas de talento nas áreas da ciência, artes, letras e humorismo… e do escrotismo, pensei eu.

Sobretudo se trata de mídia atuante, como sendo uma tribuna de grande valor na defesa dos valores mais legítimos do povo brasileiro. Baixamos o cacete nos malfeitores da Nação, sem pena!

Sem falar em nossa equipe que diariamente publica as mais notáveis irreverências, vale aproveitar a deixa para ilustrar esta crônica com alguns comentários de Luiz Berto, para nós históricos:

Nos tempos em que era uma publicação séria, a revista Veja tinha dois grandes nomes entre os seus colunistas Ricardo Setti e Augusto Nunes.

Naquela época, tempos da primeira fase do JBF, os dois descobriram a existência desta gazeta escrota e, de vez em quando, citavam e indicavam matérias nossas em suas colunas naquela revista.

Clique aqui e veja uma postagem de Augusto Nunes na Veja, feita em março de 2015.

E pelos fatos ligados ao Editor e suas obras, vê-se que o Jornal da Besta Fubana é obra escrotificada, mas que só cheira, caracterizando-se como um blog que atrai as pessoas, forma grupos e constroi amizades.

E eu, ainda na categoria de leitor com sequelas da vacina escrotificante, acabei sendo aproveitado, a fim de brilhar com os demais astros do jornalismo patriótico brasileiro nesse jornal que na verdade é um sodalício de verdade!

PENINHA - DICA MUSICAL