RODRIGO CONSTANTINO

EUROPA EM ETERNA CRISE

França

A esquerda venceu o segundo turno das eleições legislativas da França neste domingo (7)

No Reino Unido, os trabalhistas derrotaram os “conservadores” na disputa pelo Parlamento, em boa parte pela postura dos próprios “conservadores”. Uso aspas pois o recado das urnas foi justamente este: o eleitor não vai passar pano para tucano disfarçado de conservador.

As últimas lideranças do Partido Conservador cederam em vários aspectos nas pautas “progressistas” e, durante a pandemia, mostraram-se indistinguíveis dos esquerdistas autoritários. Pela traição aos valores realmente conservadores, essas lideranças foram punidas e os trabalhistas levaram a melhor.

Já na França foi a união entre tucanos e petistas que impediu a vitória da direita nacionalista. No primeiro turno parecia que o time Le Pen levaria a melhor, mas o tucano Macron se uniu ao petista Mélencheon para barrar a guinada à direita. Conseguiu, e arrumou um problemão para o governo.

“Todos os cenários indicam um governo enfraquecido que terá dificuldade em aprovar qualquer lei e poderão acelerar o fim do macronismo”, diz O Globo. Mélenchon “representa uma esquerda mais radical que assusta boa parte do centro e da centro-direita. Agora fica em uma posição muito confortável, com muito poder diante dos resultados, mas é um personagem que causa preocupação é e traz desafios”, disse Paulo Velasco, professor de Relações Internacionais na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O enredo é conhecido. Globalistas tucanos, com medo da “extrema direita”, unem-se aos comunistas e muçulmanos fanáticos. Resultado: Paris “caiu” e a submissão vem aí. As minorias serão as mais prejudicadas. Tudo em nome da “democracia” e da “diversidade”. É o resultado inevitável quando o sistema todo aposta insistentemente numa narrativa de ameaça fantasma pela “extrema direita”: a esquerda realmente extremista avança.

O tumulto e os confrontos com a polícia demonstram bem isso. Os radicais promovem vandalismo quando perdem e quando ganham. Querem o caos. Querem desafiar cada vez mais o sistema. Não vão descansar enquanto a bandeira francesa não for substituída pela da Palestina, ou quando os valores iluministas não forem trocados pela sharia islâmica.

Essa nefasta aliança entre comunistas e xiitas, pelo ódio comum ao legado ocidental, é a grande ameaça concreta às democracias, mas isso acaba mascarado pelo discurso histérico do sistema contra a tal “extrema direita”. A crise europeia segue a todo vapor. Na economia, o modelo de Welfare State custa caro e produz um mecanismo perverso de incentivos. E a imigração descontrolada ameaça o tecido social e alimenta a retórica nacionalista. O caldeirão vai sendo aquecido. Um dia o caldo entorna para valer…

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VANDALISMO – Augusto dos Anjos

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos…

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)

DEU NO X

J.R. GUZZO

NO MUNDO DE HOJE, SÓ O VOTO NA ESQUERDA É CONSIDERADO “DEMOCRÁTICO”

Manifestantes após o anúncio dos resultados do segundo turno das eleições legislativas francesas, em Marselha, sul de França

Manifestantes após o anúncio dos resultados do segundo turno das eleições legislativas francesas, em Marselha, sul de França

A direita ia ganhar as eleições na França – mas quando foi se contar os votos do turno definitivo, deu-se que a direita perdeu. Não apenas não levou a maioria das cadeiras no Parlamento, como imaginou que levaria. Viu a esquerda ficar em primeiro lugar e ganhar força para obrigar o presidente Emmanuel Macron, responsável ao mesmo tempo pelo pânico da vitória da direita e pelo tumulto da vitória da esquerda, a chamar as lideranças esquerdistas para dentro do seu governo.

A “ameaça” que as classes culturais e civilizatórias temiam não se realizou. O que aconteceu foi justamente o contrário: a esquerda mais radical da França, reunida numa “Frente Popular” cujo nome traz as piores lembranças, foi quem elegeu o maior número de deputados – 178, num total de 577 assentos. Junto com os 150 de Macron, que se aliou às forças da esquerda, formam agora a maioria.

Onde foram parar, então, os votos da direita nas eleições europeias e, logo a seguir, no primeiro turno da eleição nacional? Como na natureza, nada se perde e tudo se transforma. A votação do RN, o partido da direita na França, passou dos 88 deputados que tinha para 125 – o que não parece ser uma derrota, e não é mesmo, mas dá apenas medalha de prata.

É a velha história: ficar em terceiro lugar não resolve a vida de ninguém em política sobretudo quando os dois primeiros se juntam para bater em você. A direita francesa vai fazer mais barulho, vai dar assunto para muita mesa redonda em televisão e vai continuar sendo acusada de sintetizar o que existe de pior na humanidade, mas não vai mandar em nada no governo. Tem sido assim há 40 anos. Assim continuará até a próxima eleição presidencial, e depois disso é voo cego.

As eleições na França, assim que apareceram os resultados, foram tidas naturalmente como uma extraordinária vitória da democracia. Mas essas mesmíssimas eleições não estavam sendo denunciadas, até agora, como um perigo mortal para essa mesmíssima democracia? Estavam, mas é assim que funciona o pensamento equilibrado, virtuoso e correto do momento. Eram uma ameaça quando se achava que a direita podia ganhar. Passaram a ser uma vitória do bem quando a esquerda ganhou.

A ciência política única que está hoje em vigor determina que existem dois tipos diferentes de voto popular. Quando a maioria dos eleitores vota na direita, não é uma manifestação natural da democracia – ao contrário, é fascismo, extremismo e “ditadura através do uso do voto”. Quando a maioria vota na esquerda e no “centro” o sinal inverte – nesse caso a democracia está salva.

RLIPPI CARTOONS

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

7 x 1

Eu volto à coluna para comentar sobre mais um fracasso da Seleção Brasileira.

Como nossa seleção consegue ser tão inoperante, mesmo com “craques” de milhões de dólares em seu elenco?

São todos saídos dos nossos campos para gramas mais verdes e badaladas, e nelas esses meninos perdem a referência do drible, do toque genial, da tabela em busca do gol (e não apenas para posse de bola, com passes para trás), da alegria do gol… deixam escapar a honra de vestir a Amarelinha!

Perdem também o contato com uma torcida que os viu crescer nas preliminares dos jogos principais.

Ganham seus milhões. Perdem o valor do “servir à pátria de chuteiras”.

Ganham cortes estilizados de cabelos e tatuagens coloridas e de gosto duvidoso, enquanto perdem a referência com o Brasil do povo simples. Humilde. Tatuado apenas na alma pelas humilhações diárias.

Ganham mulheres lindas, modelos perfeitas. Se perdem no sentido do amor sem interesses.

Utopia minha? Talvez.

E para completar o quadro, de uns anos para cá os treinadores dos times brasileiros têm que ser estrangeiros.

Vamos perdendo nossa identidade aceleradamente.

Mas, convenhamos, o futebol não é mais a paixão número um dos brasileiros. Perdeu seu espaço para a política. E na política contemporânea os torcedores, digo, eleitores, estão mais fanáticos que qualquer membro de torcida organizada gritando num estádio.

Na política o processo de decadência e piora está mais adiantado que no futebol. Nela já definhamos a cada dois anos há mais de três décadas. Afinal, desde a Carta Magna de 1988 que nada no Brasil funciona como deveria. Ou seja, de fato, em favor do povo.

A cada eleição um “7×1” é assistido das arquibancadas ocupadas pelas nossas duas fanáticas torcidas partidárias, divididas sempre entre o ruim e o menos pior.

Ultimamente para completar o quadro da partida no jogo da política a “arbitragem” dita o jogo, cria regras, expulsa, põe para jogar, escolhe o placar, desempenha o papel de um VAR viciado em traçar linhas à sua conveniência e manda retirar do “estádio” qualquer um que ameace a festa do perdedor.

Perdedor sim! Porque no jogo político há muito não temos vencedores. Apenas derrotados. Nós. O povo.

No entanto, igualmente aos jogadores da Seleção Brasileira de Futebol, no jogo político cada vez mais os milhões recebidos pelo seus jogadores (do executivo ao legislativo, passando pela “arbitragem”) só beneficiam a eles mesmo. Não honram a “amarelinha” no exercício de suas funções, quando se vendem fácil, sendo raras as exceções. Suas tatuagens são desenhos feios na consciência sem remorsos, corrompendo a moral. A sua falta de Ética é semelhante ao fair play deixado de lado. Importa apenas o grito enlouquecido da parte da torcida lhe sendo favorável. Flertam, namoram e casam com uma mulher terrível: a corrupção. Com ela ganham a paixão desenfreada pelo dinheiro fácil.

Os torcedores, ou melhor, os eleitores, seguem nas arquibancadas e se iludem vez em quando quando um placar magro lhe traz algum empate bobo. No máximo.

Parece-me mesmo que não temos na política o mesmo poder de indignação demonstrado por poucos torcedores quando a Seleção Brasileira de Futebol perde dentro de campo.

Não importa se no futebol, ou na política, nós temos sido vencidos constantemente de “sete a um”.

O ruim é que se no futebol já são poucos os que se importam, na política o número é ainda menor.

DEU NO JORNAL

MACONHA E AGRESSÃO AO CONGRESSO

Carlos Alberto Di Franco

Planta de Cannabis sativa.

A liberação do porte da maconha pelo STF é muito mais que uma nova manifestação do ativismo judicial. É uma invasão explícita de prerrogativa do Congresso Nacional.

O ministro Luiz Fux, ao defender a constitucionalidade do artigo 28 da Lei de Drogas, deu um recado de bom senso: “Sem atuação do Poder Legislativo, a liberação do uso da maconha vai trazer muito mais problema que solução”. Disse o óbvio: Só o Congresso, representante efetivo da sociedade, tem legitimidade para tratar de temas tão sensíveis.

Durante seu voto, Fux citou estudos de psiquiatras e de pesquisadores que, segundo ele, mostram que “não existem drogas leves” e que elas “não mexem apenas no prazer, mas em outras áreas do cérebro, que empobrecem as pessoas”. Também citou estudos que relacionam maconha com a piora no quadro de doenças mentais, como ansiedade ou esquizofrenia. A corte, mais uma vez, assumiu o papel do legislador. Quer impor à sociedade a agenda identitária. A qualquer preço.

Houve reação do Congresso, com críticas no Senado e aceleração da PEC das Drogas na Câmara. Espera-se que não fiquem na retórica vazia, mas defendam, finalmente, as prerrogativas do Poder Legislativo. Caso contrário, é ditadura do Judiciário.

O povo não deseja um Estado leniente com o consumo de entorpecentes. Mas o ativismo judicial não está nem aí para o sentimento da sociedade. O motivo real para este julgamento não é a descriminalização do consumo de pequenas quantidades de maconha. Esse é apenas o pretexto, o primeiro passo, de uma engenharia de costumes muito maior: a legalização não apenas da maconha, mas de toda a sorte de entorpecentes.

Existe uma agenda mundial para a naturalização do consumo de drogas. E o STF, passando por cima do Congresso, está alinhado com a perversa estratégia global.

Não cabe, insisto, ao Judiciário substituir o legislador. O Congresso precisa manter uma firme defesa da sua prerrogativa constitucional de fazer as leis. A perda crescente e preocupante de credibilidade do STF está intimamente relacionada com suas sucessivas invasões do espaço de outros poderes da República.

As drogas avançam. Devastam. Matam. No mercado da cocaína o Brasil exerce triste liderança. O país é hoje o maior espaço consumidor da droga na América do Sul e, provavelmente, o segundo maior nas Américas. Cresce em progressão geométrica a demanda doméstica. Ademais, somos hoje um importante corredor de distribuição mundial. As consequências dessa assustadora escalada podem ser comprovadas nos boletins de ocorrência de qualquer delegacia de polícia. O tráfico e o consumo de drogas estão na raiz dos roubos, das rebeliões nos presídios e da imensa maioria dos homicídios.

Quando falamos sobre políticas públicas relacionadas à maconha, é muito comum a população, a mídia e até os governantes buscarem modelos que estão sendo implementados em outros países para verificar quais medidas relacionadas ao assunto poderiam ser aplicadas aqui. Esquece-se, no entanto, de algo muito importante: as evidências científicas.

De forma surpreendente, e na contramão do bom senso, elas muitas vezes são ignoradas na tomada de decisões relacionadas às ações em saúde. Destacam-se, ao contrário, argumentos rasos, modismos e, no caso da Cannabis, fortemente influenciados pelo lobby a favor da legalização.

Alerta o respeitado psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp): “Artigos recentes mostram de uma forma inquestionável que o consumo de maconha aumenta em muito o risco de os jovens desenvolverem doenças mentais. Do meu ponto de vista, essa geração que consome maiores quantidades de maconha do que a geração anterior pagará um alto preço em termo de aumento de quadros psiquiátricos”.

Multiplicam-se, paradoxalmente, declarações otimistas a respeito das estratégias de redução de danos. O essencial, imaginam os defensores dessa corrente, não é a interrupção imediata do uso de drogas pelo dependente, mas que ele tenha uma melhora em suas condições gerais. A opção pela redução de danos pode ser justificada em determinadas situações, mas não deve ser guindada à condição de política pública. Afinal, todos sabem que, assim como não existe meia gravidez, também não há meia dependência. Embora alguns usuários possam imaginar que sejam capazes de controlar o consumo, cedo ou tarde descobrem que, de fato, já não são senhores de si próprios. Não existe consumidor ocasional. Existe, sim, usuário iniciante que, frequentemente, engrossa as fileiras dos dependentes crônicos. Afinal, a compulsão é a marca do usuário de drogas. Um cigarro de maconha pode ser o começo de um itinerário rumo ao desespero.

O papel do STF não é fazer leis. A orientação da política de drogas brasileira cabe ao Legislativo, aos representantes eleitos pela população. As drogas matam, provocam imenso estrago na saúde pública e sequestram a esperança e o futuro de milhões de jovens. Não é assunto para ser decidido por um colegiado, sobretudo de costas para a cidadania.