DEU NO JORNAL

OS DEJETOS “ANTIFASCISTAS”

Luís Ernesto Lacombe

“Antifascistas” são puro amor até encontrarem alguém que discorda deles. Imagem ilustrativa.

“Antifascistas” são puro amor até encontrarem alguém que discorda deles

Eles são “antifascistas”, seguem o “modelo Stalin”, adoram o Estado, que não tem nada a ver com solução, que é sempre a maior parte do problema. Eles são “antifascistas fascistas”, são um perigo, têm o terror das aspas, não se preocupam com disfarces, só enganam quem quer ser enganado, quem abriu mão do senso crítico, por loucura ou interesse, ou quem nunca teve capacidade de análise, de reflexão. Prometem salvação e proteção, enquanto condenam um país inteiro a desgraças absolutas, em todas as áreas, em todas as questões. São uma máquina de moer gente.

O “antifascismo” voltou a ser muito fascista. É o que não é, o que não pode ser. As estatais, de novo, são usadas politicamente. As estatais, de novo, acumulam prejuízo: mais de R$ 4 bilhões só este ano. Tentaram esconder o prejuízo de quase R$ 1 bilhão dos Correios, não deu. E querem estatizar o que já foi privatizado, querem mais estatais, para ampliar um destruidor recorde brasileiro. São fascistas, querem o “capitalismo de Estado”. Fazem de tudo para liberar empresas corruptas e corruptoras, baixam medida provisória para favorecer os “amigos do rei”.

Eles contratam servidores federais, como se não houvesse amanhã. Juram que o desemprego está em queda, mas quem lidera as contratações é a administração pública. E gasta-se, gasta-se muito e gasta-se mal. E avisaram que seria assim. Se os gastos totais cresciam a uma taxa média de 6% ao ano, até a implementação do teto no governo Temer, foi só implodir o teto. E as contas públicas têm rombo de R$ 61 bilhões em apenas um mês… E a dívida encosta em R$ 7 trilhões. O dólar dispara, os investidores estrangeiros se retiram.

Três décadas se passaram, e os “antifascistas” ainda sentem saudade da hiperinflação. Eles não se envergonham de publicar em seu site oficial: “Plano Real: 30 anos depois, Brasil ainda sofre efeitos colaterais”. É assim que funciona: se é bom para o país, eles são contra, terminantemente contra. O mais incrível é que os adoradores do Estado tiveram o apoio em 2022 dos “pais do real”, que agora ensaiam um arrependimento. Infelizmente, não dá para voltar no tempo, com criadores que deram a entender que odeiam sua própria criação transformados em algo decente.

Os “antifascistas” também foram contra a reforma da Previdência, e são contra uma nova reforma muito necessária. Os gastos com a Previdência chegaram a R$ 930 bilhões em maio, mesmo descontando as dívidas judiciais da União. Em maio de 2023, o custo era de R$ 819 bilhões. A dinâmica de crescimento está muito acima do esperado, mas, de repente, revisaram as contas e resolveram que os gastos este ano serão R$ 12 bilhões abaixo do previsto… E emendas parlamentares são liberadas no maior volume da história para um período pré-eleitoral. Incluindo recursos distribuídos sem critérios técnicos, emendas Pix e verbas remanescentes do que chamavam de “orçamento secreto”.

Os “antifascistas” parecem mesmo poderosos, não devem explicações a ninguém. Nem sobre licitação suspeita, leilão descabido e fraudulento, intervencionismo estatal, queimadas na Amazônia e no Pantanal, dengue… Eles nunca têm culpa de nada, nunca. Eles são os salvadores e protetores e, para agir, precisam do nosso dinheiro. E a carga tributária só aumenta, e pesa, e pesa. Querem todo mundo feliz por pagar imposto sobre o que ganha, pagar imposto sobre o que gasta, imposto sobre os bens que tem, tudo comprado com dinheiro já tributado… E, quando morremos, nossos herdeiros pagam mais imposto sobre o que deixamos. O festival de tributos é a alegria dos “antifascistas”.

Críticas e opiniões são proibidas. Debate para quê? Os facínoras estão sempre certos e se permitem, e a eles é permitido controlar os discursos, inventar o “debate”, entre aspas, sem perguntas, sem cobrança, sem divergência, sem dados reais, sem fatos. Assim é “democrático”, “discussão” elitizada, sem o povo, que nada sabe. Vale tudo para acabar com o que os “antifascistas” chamam de “extrema direita”. É lindo o combate aos “cretinos”, aos “animais”, a quem não é “gente”, aos “selvagens”, que devem ser extirpados. É desses o ódio, o descontrole, a raiva. Quem acredita nisso é o quê? O “antifascismo” é fascista, é uma titica de cachorro.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

LULA TAMBÉM RECEBEU PRESENTES DIPLOMÁTICOS. MAS NÃO FOI PROCESSADO

Dólar dispara e fecha em R$ 5,65 após novas críticas de Lula ao BC

Lula recebeu diversos presentes diplomáticos em seus mandatos

O presidente Lula, chefe de Estado do país mais importante do Mercosul, foi a Assunção (Paraguai) para uma reunião de chefes de governo dos países que são membros. Com a Bolívia entrando no Mercosul, inclusive.

O chefe de estado do segundo país em importância no Mercosul não vai estar. Javier Milei, presidente da Argentina, esteve no fim de semana em Santa Catarina, com toda a logística de segurança e transporte proporcionada pelo governador Jorginho Mello, participando de uma conferência da ação política conservadora e Liberal [CPAC Brasil 2024]. Também estava o representante da direita chilena [José Antonio Kast, líder do Partido Republicano do Chile], o representante da direita boliviana [o empresário Branko Marinković].

Em Assunção estará a ministra de relações exteriores do governo argentino. Não sei se Milei está evitando Lula. Mas deve estar, pois ele veio ao Brasil e não fez nenhum comunicado ao governo brasileiro.

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Lula se vangloriava de acumular presentes diplomáticos

Lula fez uma declaração outro dia que me lembra o Rei-Sol, Luís 14, da França. L’État, c’est moi (“Eu sou o estado”). Lembra também Dona Leonor, a mulher de Adhemar de Barros [ex-governador de São Paulo], que chamava os brasileiros de “meus filhinhos”. Ele é o povo brasileiro. Ele disse: “quando vocês acharem que eu estou fazendo uma coisa errada, tem que pensar ‘eu estou errando’; é porque o Lula é o povo na Presidência”. “Eu não estou na Presidência para receber colar e pedra preciosa”, disse, se referindo ao indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Eu vi as joias pelas quais ele foi indiciado. Ele ganhou de um príncipe Saudita. Mas é tudo de uso pessoal. É um anel, são abotoaduras, caneta. O estado brasileiro não tem dedo para botar um anel. Não tem punho para abotoadura. É laico, não pode rezar. Mas, enfim, são coisas da Justiça.

Lula fez essa provocação. Mas em 2016 ele se vangloriou de ter levando 11 contêineres de acervo e disse que entre os presidentes do Brasil, de Mal. Floriano para cá, ninguém recebeu tanto presente quanto ele. Eu sei que ele devolveu 529 presentes e teve que pagar os outros. Mas não foi processado.

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Esquerda conquista mais cadeiras na França

Na França, a esquerda fez mais cadeiras no Parlamento. Ela se uniu para evitar o crescimento da direita. A esquerda ficou em primeiro lugar. Em segundo lugar ficou partido de centro, de Emmanuel Macron [presidente francês]. E, em terceiro, o partido da Marine Le Pen [líder da direita francesa].

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Supremo criou problemão para peritos

O Supremo criou um problema sério para os peritos, para o pessoal da medicina legal: os 40 gramas de maconha. Eles precisam se aperfeiçoar para atestar a natureza do item, se é a mesma maconha, e tem que ter balança certificada, senão não vale a pesagem. Os peritos, no país inteiro, não sabem o que fazer. Tomara que saia logo a emenda constitucional, que é superior a qualquer decisão do Supremo. O STF não é superior ao Congresso Nacional e nem à Constituição.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

ESTADO MACONHEIRO

Roberto Motta

Estado Maconheiro

O fato de alguém decidir consumir uma substância não obriga a sociedade ou o Estado a legalizar essa substância ou esse consumo. Há substâncias e condutas que, por razões morais, devem permanecer ilegais, ainda que muitos escolham consumir essas substâncias ou praticar essas condutas. O desejo de realizar um ato não torna esse ato moral.

Razões morais não são irrelevantes. Na verdade, a moral é o fundamento da Justiça. Esse fato é frequentemente obscurecido pelo foco excessivo em abstrações e tecnicismos jurídicos, e pela influência de ideologias exóticas e antiocidentais.

A vida real é mais complexa do que um debate na sala de aula de um curso de Direito. O conflito entre a liberdade individual e o bem comum produz dilemas insolúveis. Tentativas de “resolver” esses dilemas contrariando a lógica e o bom senso geralmente pioram a situação.

Quanto menos o Estado interferir na vida privada, melhor. Mas o Estado moderno interfere o tempo inteiro. Então, que, pelo menos, essas interferências tenham um mínimo de lógica, coerência e moral. A “descriminalização do porte de maconha” – sempre me espanta o exotismo da expressão – não atende a esses critérios.

O Estado taxou as “blusinhas” e vai estabelecer um “imposto do pecado” sobre produtos que ele considera nocivos à saúde. O mesmo Estado “descriminalizou” a posse de até 40 gramas de maconha. Maconha comprada sem imposto, naturalmente – porque a produção e a venda de maconha continuam sendo crimes. Essa é uma decisão equivocada do ponto de vista moral.

A falta de lógica de “descriminalizar” a compra da droga enquanto a venda permanece ilegal resultará em profunda insegurança jurídica. Isso prejudicará gravemente a atividade policial e o funcionamento do sistema de justiça criminal.

Entorpecentes são substâncias que causam dependência, e por isso foram banidas em todo o mundo. As experiências de “descriminalização” tentadas em alguns países não apresentaram qualquer resultado positivo. Essa história nunca é contada corretamente, porque existe um poderoso lobby a favor da “liberação” que inclui boa parte da mídia.

Foi esse lobby que criou a narrativa da “guerra perdida” contra as drogas. Mas a guerra só terá sido perdida quando as drogas forem liberadas e “vendedores” oferecerem maconha, cocaína, crack e fentanyl abertamente, em qualquer lugar, em banquinhas na porta da escola de nossos filhos. É isso o que acontece nas cracolândias. É isso que acontece em algumas cidades americanas, como São Francisco. As imagens estão disponíveis na internet.

É impossível eliminar a venda e o consumo de drogas. O objetivo da criminalização das drogas não é acabar com o tráfico ou a dependência química, da mesma forma que o objetivo da criminalização dos homicídios não é acabar com os assassinatos, porque esse são objetivos impossíveis.

O objetivo da criminalização de algumas condutas é criar um meio legal para que as condutas sejam reprimidas, por serem nocivas à sociedade. Homicídios continuam acontecendo, mas nem por isso alguém sugere que a “guerra contra homicídios” é uma guerra perdida.

Drogas são vendidas e consumidas em todos os países. Mas é possível dificultar e reprimir essa venda e esse consumo. Acima de tudo, é possível não incentivar essas atividades. A decisão de “descriminalizar” o “porte” de maconha é um incentivo.

O consumidor de drogas ilegais é o único responsável pelos riscos que ele corre ao ir a uma boca de fumo (ou biqueira) fazer uma transação comercial com traficantes: o risco de uma morte violenta ou o risco de cair na dependência química, com consequente devastação física, moral e financeira. Esses riscos não podem, agora, ser divididos com a sociedade.

DEU NO X

XICO COM X, BIZERRA COM I

MEUS CENTO E TANTOS ANOS

Em 2080 completarei cento e tantos anos e darei uma festa. Espero todos lá.

Muita coisa mudará daqui até lá, mas os clipes, os guardanapos e o papel higiênico permanecerão no mesmo formato e com a mesma função que exercem hoje.

Postos de gasolina, assim como cédulas e moedas, não mais haverão, assim como burocratas engravatados em repartições públicas: robôs atenderão às demandas da população.

Filas nos bancos e eles próprios, os bancos, viverão apenas na memória de meus contemporâneos. Livrarias e Bibliotecas estarão desertas de interessados em leitura, como eu me interessava na juventude distante. Onde elas existiam, existirão igrejas evangélicas e farmácias. Não precisarei sair à procura de alfaiates, sapateiros e barbeiros: eles se foram com o tempo.

Ana Maria Braga estará aposentada e ninguém se lembrará do seu Louro José. Terá surgido outro Chico Buarque, em 2080? E Ney Matogrosso, em sua eterna juventude, ainda cantará o Vira-Vira, do tempo longínquo dos Secos e Molhados? Ou prevalecerão, os funks, arrochas e piseiros que hoje invadem o nosso São João. Alguém tocará sanfona como Dominguinhos tocava? Acho que não.

Mas complementado e contrariando o que disse no primeiro parágrafo, pode ser que minha festa não aconteça por ausência contrariada e involuntária do aniversariante. Em compensação e por consolo, sei que restarão por aqui descendentes meus bem melhores que eu, que continuarão a assistir, diariamente, o nascer e o pôr do sol, a brincadeira das ondas do mar e o clarão azulado da lua dançando ciranda com as estrelas. Isto se as alterações climáticas permitirem. Só saberemos em novembro de 2080.

DEU NO JORNAL

PENINHA - DICA MUSICAL