DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

APARATO KAFKIANO

Comentário sobre a postagem CONTRATO SOCIAL

Pablo Lopes:

Caro caeté Roque Nunes, isso que o senhor comentou é uma das maiores chagas de nossa sociedade.

Como advogado sofro como poucos o peso da burocracia.

Para uma simples petição de alvará judicial temos que enfrentar um aparato Kafkiano de burocracia e autenticações cartoriais de fazer arrepiar os cabelos do Kojak (esse é das antigas..).

Resultado de uma sociedade de safados e metidos a espertos.

DEU NO JORNAL

DEU NO X

A PALAVRA DO EDITOR

TÁ SEXTADO

Chegou a sexta-feira e a chuva continua molhando muito esta querida Recife.

É o dia inteiro, com pequenas pausas que logo terminam pra chover mais.

Deixando a chuva de lado, mando um abraço especial para os leitores José Claudino, Luis Antonio Mezetti, Áurea Regina, Ruy Batista, Samuel Levi, A.J.S e Mario do Couto, que nos últimos dias fizeram doações pro JBF.

Gratíssimo pela força de todos vocês que nos ajudam a manter esta gazeta escrota avuando pelos ares.

E para abrilhantar nossa sexta-feira, vamos ouvir meu querido amigo Maciel Melo, grande nome da música nordestina, cantando “Caboclo Sonhador”, composição de sua autoria e um dos seus maiores sucessos.

Após o vídeo, um texto que escrevi há alguns anos para apresentação de um disco de Maciel.

Abraços e votos de muita paz, progresso, saúde e tranquilidade para toda a comunidade fubânica!

Este editor ao lado de Maciel Melo

* * *

“ESTA É A TERRA DE MACIEL MELO”

O orgulho contido na placa fincada à entrada de Iguaraci, um burgo dos sertões pernambucanos, é plenamente justificado pelo borbulhante talento do filho ilustre.

Maciel Melo, o filho ilustre, seria ilustre em qualquer cidade, pequena, média ou grande, que tivesse tido o privilégio de ser seu berço.

Assim como o encanto dos improvisos dos cantadores repentistas, as composições de Maciel brotam no mundo com uma força selvagem e tangidas por aquele dom inexplicável que a natureza concede aos doidos, aos mágicos, aos adivinhos e aos poetas.

Desde que tive o privilégio de conhecer a sua obra, através da voz abençoada da Irah Caldeira, que fiquei encantado com o talento e a magia desse sertanejo inspirado, um dos maiores nomes da música nordestina na atualidade. E o encantamento continuou através da audição de tantos outros artistas que já gravaram as composições de Maciel.

Por fim, o coroamento da minha admiração veio com a constatação do magnífico cantor e intérprete que é este malassombrado dos sertões pernambucanos.

De par com o talento de compor, é imperioso ressaltar que a voz e as interpretações de Maciel Melo são coisas divinas, maravilhosas, verdadeiros dons que este Poeta recebeu da natureza e que nos presenteia com tanta graça. Sua presença nos palcos é um espetáculo completo de brasilidade, de nordestinidade e de culto à beleza da Música e da Poesia.

Francamente, considero um privilégio inexcedível ser contemporâneo de um criador deste porte, ao qual muito devem a Nação Nordestina, o Brasil e todas as pessoas de sensibilidade que amam a nossa cultura e cultuam as boas tradições desta terra encantada.

Que Deus te proteja, te ilumine e te faça brilhar cada vez mais neste céu de estrelas encantadas como tu, meu querido amigo Maciel Melo!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CONTRATO SOCIAL

Essoutro dia estava em casa, deitado na minha rede de imbira e vendo alguns vídeos do Youtube, com aquela preguiça proverbial de todo caeté que se preza e faz jus ao seu cocar. Ao passear por esses vídeos, acompanhei a história de um estudante pindoramense na gringolândia. Ele é estudante lá nos Zistados Zunidos, terra adotada do nosso conterrâneo Ñambiquara, Magnovaldo.

O curumim estudando lá, disse que estava meio que “atoleimado” (essa é uma homenagem à querida Violante Pimentel), como se usa cartão de crédito para pagar contas. Segundo ele, o garçom não leva a máquina até o cliente para ele passar o cartão e digitar a senha. De acordo com o depoimento dele, até a palavra senha é algo estapafúrdio nessas transações comerciais.

O moço relatou que não entendia como o garçom podia pegar o cartão do cliente, levar até o caixa, realizar o pagamento e retornar com o objeto e entregar ao cliente. Falou aos seus amigos gringos que no Brasil, jamais se faria isso, pois cartão possui senha, e o cliente precisa digitar essa para que o pagamento seja autorizado. A surpresa foi de ambos os lados: do brazuca que não entendia essa prática e dos gringos que não entendiam como cartão pode ter senha autorizativa para se pagar por um serviço prestado.

Nessa altura, meu espírito caeté já estava armando a trempe e esfregando o cavaco para acender a fogueira irracional que nos atiça cada vez mais depressa rumo à barbárie total. O pobre rapaz ainda não compreendeu que os de lá, diferentemente dos daqui, vivem em uma sociedade cujo contrato social é baseado na confiança e na boa-fé.

Essa característica marcante dos americanos é fruto da gênese de sua própria construção como nação, cujo lema é pacta suma servanda, ou seja, “Cumpram-se os contratos”. A base na boa-fé e na confiança com que aquela nação se estabeleceu como a maior potência do mundo é fruto de diversos fatores, mas acima de tudo, de uma ética de trabalho e de tratamento que dispensa intermediários, dispensa despachantes, dispensa burocracia e papelório, tornando os negócios mais fáceis, mais baratos e as relações sociais mais diretas.

Aquele contrato social baseado na confiança e na boa-fé, que funda os Estados Unidos da América, possivelmente é o elemento coesivo e mais firme daquela nação, isto porque todos tem como princípio de que o outro, sempre vai cumprir aquilo que foi contratado, independente de papel, carimbo, ou firma reconhecida. Como se dizia nos tempos do meu avô: um fio de bigode era mais que suficiente para que as partes cumprissem o que foi contratado.

Por isso mesmo, qualquer pessoa, país, organização, empresa, quando o mundo recebe um solavanco financeiro, correm para os títulos da dívida americana, pois sabem que, pode um meteoro cair no planeta, mas os Estados Unidos não vão deixar de cumprir e honrar os seus contratos. Esse é o diferencial da moeda americana e do próprio país. Podem árabes, russos, chineses, e mesmo os países cucarachas da América Latina espernearem contra o dólar como moeda transnacional. Enquanto o pilar da confiança e da boa-fé norte-americana estiver em pé, a moeda americana não será substituída nas transações internacionais.

Diferentemente de lá, em certo país abaixo do paralelo zero, gigante e bonito por natureza, vive-se o seu exato oposto. A sociedade pindoramense é baseada, essencialmente na desconfiança e na má-fé, partindo do pressuposto de que o outro sempre vai dar o golpe, vai passar a perna, e dar um passa-moleque no outro.

Nossa sociedade é baseada, no que eu chamo de sociedade cartorial, isto é, tudo, basicamente tudo o que fazemos é baseado na burocracia, na interferência de terceiros, nas toneladas de papel que precisamos apresentar quando vamos fazer qualquer negócio. Chegamos ao paroxismo de, para vender um carro, ação que só interesse às partes (comprador e vendedor), é necessário a interferência de um cartório que, para dizer que a minha assinatura é minha assinatura, cobra um valor alto, sem ter gerência alguma no negócio, mas leva a sua parte. Noves fora a safadeza dessa ação, o Estado brasileiro está dizendo nas fuças do cidadão: eu não confio em você e nem no seu nome, preciso de alguém que ateste isso, mas quero o seu dinheiro.

A sociedade cartorial de Pindorama, cheia de vias, de reconhecimento cartorial, de reconhecimento de firma, de selos de autenticidade de guias, não somente cria um emaranhado burocrático que encarece tudo à nossa volta, cria uma fauna que ganha muito dinheiro e não produz uma agulha de tricô, se sustenta dessa desconfiança inata do brasileiro e cria uma rede de privilégios para poucos.

Há alguns anos eu dizia que, em Pindorama, o melhor negócio era abrir uma igreja. Falsa lógica a minha. No Brasil, o melhor negócio é ter um cartório para chamar de seu, ou mesmo um detran. São os dois órgãos que mais arrecadam e ganham dinheiro na sociedade brasileira. Se tivermos curiosidade e fizermos uma análise paralela, poderemos ver que um cartório, ou uma agência de detran arrecada mais dinheiro que uma rede de supermercado, em um único dia de funcionamento, mesmo essa rede de mercado gerando mais riqueza, empregando mais gente e gerando mais prosperidade.

Assim, voltado àquele curumim curiboca que estuda nos zisteites, fico a pensar quando ele irá compreender que viver em uma sociedade baseada em contrato de confiança e boa-fé é bastante difícil para quem está acostumado à barbárie e a desconfiança mútua de Pindorama.

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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