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DOIS TIPOS DE PIADISTAS

Luís Ernesto Lacombe

Dois tipos de piadistas

Quem é o piadista nessa história? Todos são. Somos o país da piada pronta, mas existe uma divisão muito clara. Há aqueles que usam o humor como válvula de escape, que têm ironia fina, inteligência, sagacidade, criatividade. Esses conseguem rir da própria desgraça. Usam as anedotas como forma de protesto, como crítica. E há aqueles que sempre odiaram o humor e os humoristas, e só fazem piada de mau gosto, piada que não é piada. Infelizmente, são os carrancudos, sisudos, sombrios que estão agora no poder. Eles não fazem nada de ruim, não geram problemas, não têm culpa de nada… Os mal-humorados juram que são a solução para tudo. Para que não reste dúvida, proíbem o debate. Contra eles nada é permitido, nem chiste, nem ironia. No seu deboche, no seu sarcasmo, não conseguem ser felizes. E assim será para sempre.

Os emburrados cometem gafes, deslizes, descuidos, nada além disso, nada é por mal… Não têm fineza, elegância, sutileza, brilho. Nunca. São tratores. Falam em “polo exportador de veados”, acham lindo alguém se casar com uma menina de 12 anos, insinuam que um homem pode bater em mulher, “se for corintiano…” Ou se for “bater em outro lugar, mas não dentro da sua casa ou no Brasil”. Ou, talvez, se for filho de gente “importante”… São piadistas, não dos bons, espirituosos, mas do tipo mentiroso, fantasioso, desprezível. Juram que “o país não tem número negativo nos últimos 18 meses”. Não tem déficit fiscal “pandêmico”, não tem dívida astronômica, não tem dólar nas alturas, alimentos e combustíveis caríssimos, crescimento bem abaixo das outras nações emergentes.

Ninguém pode mais apontar mentiras e, principalmente, satirizar adversários, arma política usada desde que o mundo é mundo. Esse tempo passou. Onde já se viu fazer tantos memes com críticas à sanha arrecadatória? Sim, sempre estivemos cercados por impostos, mas está piorando. Apostam em mais tributos, em mais receita, desdenhando do corte de gastos. E, por mais que tentem, enfileirando mentiras, não conseguirão desvincular a sátira, a brincadeira, o humor, os memes de um estado de espírito, de algo que é muito claro: ninguém aguenta mais pagar tanto imposto. Os memes dos últimos dias traduzem a realidade. As mordidas do governo estão à toda: fundos de aplicação dos mais ricos, investimentos no exterior, “taxa das blusinhas”, volta do DPVAT, mais imposto sobre exportação, fim de isenções para empresas e prefeituras, Carf jogando com o governo, mais impostos sobre combustíveis, veículos elétricos e híbridos, painéis solares, armas e munições, tributação sobre apostas esportivas, imposto sobre herança, “imposto do pecado”…

Os piadistas daquele tipo infecto afirmam que os memes são “desinformação”, são “ataques”. Estão, portanto, na categoria nonsense, que inclui expressões que não definem nada: “fake news”, “desordem informacional”, “discurso de ódio”… No governo e na imprensa que desistiu de ser imprensa, falam em “indústria de memes”, que “é uma coisa profissional”, que “tem dinheiro investido, tem gente investindo”, que “é preciso identificar a origem”, para proibir novos movimentos assim… “É um tipo de operação que tem de ser coibido.” Artigo da Folha fala em “redes antissociais”, numa “campanha caluniosa para tentar contaminar a população com insatisfações sentidas por grupos específicos”. Diz que “a agenda de justiça tributária de Haddad sofre ataque da extrema direita”, que os memes são “um protesto das oligarquias brasileiras”, são “uma cloroquina contra a injustiça tributária”. E também enxerga um financiamento milionário dos memes: “A soma envolvida explica o investimento no anúncio em telão na Times Square”… Faltou dizer que a exibição de um dos memes em Nova York foi bancada por um estudante brasileiro de 19 anos e custou apenas cerca de R$ 250.

Esses são os piadistas que nos arrastam para a desgraça total, econômica, política, moral. Não querem liberdade. Querem criminalizar os memes, “em defesa da democracia”. Querem acabar com o que chamam de “anarquia nas redes sociais”, querem censura, que eles tratam como regulação. E ninguém pode rir de nada disso. Mesmo que a própria Folha triture seu artigo esquizofrênico e publique: “Fluxo de memes com Haddad é espontâneo e sem coordenação”… E sem financiamento, e sem robôs, e sem aulinha de professor universitário, já que ele se dedica a ensinar “como fazer memes para combater a extrema direita”… Contra a comédia, a sátira, as piadas de verdade, revestidas de crítica séria, pertinente, teremos a taxação dos memes, a taxação das curtidas e dos comentários nesse tipo de conteúdo, a taxação dos risos, das gargalhadas… Porque o que é natural e orgânico nos piadistas da pior espécie é a entrega a absurdos, é a carranca, é a cara fechada, é o ódio, é a raiva.

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JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

DUAS GLOSAS

Poeta Marcílio Pá Seca Siqueira

Havendo sido inspirada sobre o mote do poeta Natan Medeiros a glosa do poeta tabirense Marcílio Pá Seca Siqueira, abaixo publicada, chegou-me por WhatsApp.

Ei-la:

Quando olho seu canto em nossa cama
Que reparo seu canto está vazio
O meu corpo sem febre sente frio
O meu sonho amoroso vira drama
Sem seu corpo fogoso, minha chama
É tacanha, gelada, fraca e injusta
Pode ter outra dama, bela e justa
Mas igual minha dama desconheço
É preciso perder quem não tem preço
Pra saber a saudade quanto custa.

Eu respondi assim pelo mesmo meio, com uma glosa da minha autoria, sobre o mote do poeta Natan:

Não lhe dei o valor que era devido
E por falta da minha experiência
Ofertei um amor com negligência
No mercado do peito corrompido.
Não podia jamais ter lhe perdido
Por ações que minh’alma jamais susta
Pois no caixa do tempo não se ajusta
Uma venda mal feita pelo avesso
É preciso perder quem não tem preço
Pra saber a saudade quanto custa.

Eu tenho dito nas rodas por onde ando que o tabirense Marcílio Pá Seca Siqueira é um dos maiores poetas do nosso tempo, no que tange a poesia popular.

Inspiração não lhe falta. Tampouco lirismo.

E ele reclama de não saber “muito das letras”. Imagine se soubesse!

Então. Eu tomo a liberdade de repetir o que Paulo disse em sua segunda carta aos coríntios, na última parte do versículo 6, trazendo sua fala para o nosso contexto: “a letra mata, mas o espírito vivifica.”

Ou seja, eu acredito no dom dado por Deus valendo muito mais que o conhecimento da gramática passado por qualquer outro homem.

E esse dom Marcílio tem de sobra.

Ademais, aqui no ambiente de poesia, este Jesus é apenas um apóstolo seguidor e fã de Marcílio Pá Seca Siqueira!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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