A PALAVRA DO EDITOR

DIA TRISTE

Tentei logo cedo, assim que começou o expediente deste sábado, mas não tive sucesso.

Secou a torneira que era uma preciosa fonte de abastecimento das futricas publicadas nesta gazeta escrota.

Lamentável.

Fico por aqui.

Não vou falar mais nada.

E peço cautela aos nossos leitores.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

BLOQUEIO

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) perderá acesso a mais de 13 milhões de seguidores, após a ordem do ministro Alexandree de Moraes de proibir os brasileiros de acessar a rede social X.

A rede foi bloqueada, mas seus usuários são os mais prejudicados.

Bolsonaro é o mais atingido pela medida, mas o presidente Lula (PT) também sai perdendo, embora menos: o petista fica impedido de interagir com seus mais de 9,1 milhões de seguidores em todo o País.

Antes de ser censurada, a rede X, democraticamente, não censurou posts de petistas festejando o bloqueio da “rede tóxica da direita”.

Somados os perfis STF, do Conselho Nacional de Justiça e dos seis ministros com perfis no X, são 7,4 milhões com acesso censurado.

Candidatos a prefeito também serão afetados diretamente. É o caso de Guilherme Boulos (Psol), que tem 2,2 milhões de seguidores.

Candidato fenômeno do início da disputa pela prefeitura paulista, Pablo Marçal (PRTB) perderá 412 mil seguidores. Ele é forte em outras redes.

* * *

Triste notícia para começar o final de semana.

Tempos sombrios, tempos horríveis.

Que os céus se epiedem deste nosso país.

DEU NO JORNAL

NÃO FAÇO ACORDO COM A CENSURA

Nikolas Ferreira

Em mais um capítulo vergonhoso na nossa “República Tupiniquim Brasileira”, a censura avança. Meu discurso na sede da ONU em 2023 segue incomodando os censuradores que dizem defender a democracia. O desdobramento de um pedido de investigação pedido por Lula por eu ter o chamado de ladrão rendeu a seguinte proposta por mim rejeitada: multa de R$10 mil e exclusão do trecho em que menciono o petista. Minha resposta? Não há acordo com a censura.

Para além de uma questão, devido a diversos episódios anteriores, quando aliados do próprio Lula proferiram palavras piores do que as minhas e nada aconteceu, o pedido de investigação em si já foi desnecessário considerando que não há o que investigar. Eu fiz o discurso e postei nas minhas redes sociais para o público. 

Seguindo a Constituição Brasileira, muito citada, mas pouco respeitada por quem deveria guardá-la, o artigo 53 da CF continua lá, enfatizando que “Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”. A prática infelizmente não acompanha a teoria tendo em vista que a minha declaração ocorreu durante o exercício da minha função parlamentar, portanto sem ter o que sequer discutir.

Fui eleito como o mais votado do Brasil, mas nem mesmo aquele que tem uma cadeira com o menor número de votos deve ser tolhido de seu direito de representar aqueles que o elegeram.

Para mostrar como a hipocrisia esquerdista funciona com um exemplo bem recente, o deputado Glauber Braga (PSOL) – que retirou um visitante a chutes da Câmara dos Deputados em abril deste ano – esteve na última quarta, 28, na sessão do Conselho Ética que atende a uma representação da oposição pedindo a cassação do seu mandato por “violação às normas de decoro que exigem respeito e decoro nas interações”. Esta é a segunda representação que Glauber responde em 2024 e a quinta dos últimos seis anos.

Durante seu discurso, o psolista chamou o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, de bandido, e quando foi interrompido questionou se a verdade não pode mais ser falada, sendo defendido por sua colega de partido que ousou falar em liberdade de expressão. Onde estão os parlamentares e o PSOL se posicionando contra o pedido de investigação de Lula contra mim por eu ter o chamado de ladrão? Com eles é sempre um peso e duas medidas.

Repito o que disse em uma audiência com a participação do ministro Paulo Pimenta na CCJ da Câmara há pouco mais de dois meses: a minha democracia permite as mentiras da esquerda, a deles impede que as minhas verdades sejam ditas.

Finalizo com a frase de George Washington, um dos pais fundadores e primeiro presidente dos Estados Unidos: “Quando a liberdade de expressão nos é tirada, logo poderemos ser levados, como ovelhas, mudos e silenciosos, para o abate”. 

Não me curvarei perante os censuradores.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

LULA DEU A MADURO O QUE O DITADOR DESEJAVA: TEMPO

Guilherme Macalossi

Lula deu a Maduro o que o ditador desejava: tempo

É evidente que nunca houve qualquer disposição do regime bolivariano de criar margem para deixar o poder pelo voto. O Acordo de Barbados, costurado pelo Brasil para viabilizar uma eleição séria no país, foi o sonho de uma noite de verão. Uma idealização deformada pela ideologia de quem ainda se nega a constatar que a Venezuela é, desde Hugo Chávez, uma ditadura. O texto foi rasgado quando a candidatura de Marina Corina Machado foi tornada ilegal por decisão do Conselho Nacional Eleitoral, um mero órgão do aparato bolivariano. Nicolás Maduro aproveitou a oportunidade concedida pela diplomacia brasileira para aprofundar o simulacro de democracia que usa para mascarar a opressão.

Em um artigo anterior na Gazeta do Povo, escrevi que era errada a “percepção de que Maduro está isolado” no mundo. Isso porque “conta com o reconhecimento do eixo das autocracias, liderado pela China e pela Rússia”. É o que lhe basta. O efeito imediato dessa condição é o apequenamento do Brasil em sua condição de líder regional. Isso porque a continuidade do regime bolivariano agora independe da postura do Itamaraty, que, é verdade, ainda não reconheceu o resultado anunciado por Maduro, mas tampouco se posicionou de maneira mais firme em conjunto a outros países como Argentina, Chile e Uruguai. Com isso, o Brasil viu diminuir sua influência, ao passo que potências estrangeiras aumentaram.

A postura pusilânime de validar a votação mediante a divulgação das tais atas eleitorais virou o monotema aborrecido das manifestações de Lula e de seu assessor Celso Amorim. Uma condição que os próprios líderes bolivarianos já trataram de menosprezar e escarnecer. É uma possibilidade que ninguém mais leva minimamente à sério.

A própria justiça da Venezuela, o braço togado do regime, já tratou de impor sigilo aos documentos. O que levou o presidente do Congresso Venezuelano até mesmo a ironizar a Amorim. “É importante dizer que a sentença do TSJ não é apenas na Venezuela, onde está a jurisdição superior da sala eleitoral, mas também no Brasil – ouviu, senhor Celso Amorim”, disse o bolivariano Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional.

Nesta sexta-feira (30), em entrevista para uma rádio da Paraíba, Lula voltou a tratar do tema Venezuela. “Eu não aceito nem a vitória dele e nem da oposição. Eu acho que tem um negócio, a oposição fala que ganhou, ele fala que ganhou, mas você não tem prova”, disse. É falso que ambos os lados apenas se anunciem vencedores sem apresentar nenhuma evidência. Desde a noite da eleição, a oposição apresentou milhares de atas digitalizadas. Estas foram submetidas ao escrutínio público internacional e foram tidas como verdadeiras por pesquisadores de diversos países, inclusive do Brasil. Bem diferente do que o regime bolivariano fez. Os lacaios de Maduro criaram um breu informativo e, até o momento, não apresentaram uma única evidência auditável de que de fato venceu. O que o mantém no poder não são as atas, mas os militares.

Segundo o jornal The Washington Post, 120 crianças e adolescentes foram presos nos últimos dias pelas forças de segurança da ditadura chavista. A ONG Foro Penal, que presta assistência jurídica gratuita para perseguidos políticos afirmou que ninguém teve acesso a advogado particular. A repressão tem aumentado diariamente desde o último dia 28 de julho, quando Maduro se intitulou vencedor da eleição. Na entrevista para rádio Paraibana, Lula disse que tem a consciência política de que tentou “ajudar muito, mas muito e muito”. Ajudou, pela covardia, a conceder o que Maduro mais desejava: tempo para fechar o cerco aos seus opositores e permanecer no poder.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

UM MENINO DE SÃO JOSÉ

Luiz Guimarães

Está na hora de manter vivas as tradições de Pernambuco e aqui faço a minha parte louvando personagens, frevos, livros e a intelectualidade em geral. E tudo isto se incorpora numa criatura cujo nome completo é Luiz Guimarães Gomes de Sá.

Esse meu velho amigo é uma criaturinha franzina, porém, ágil nas ações, possuidor de invejáveis qualificações morais. Nasceu no bairro de São José, no Recife, foi biografado por Vanda e Renato Phaelante, publicou três livros, sendo o mais recente: “Luz – Caminhos – Libertação”, onde apresentou suas poesias e reflexões filosóficas, cuja festa se lançamento ocorreu esta semana.

São pessoas de sua espécie que precisam estar sempre no topo das notícias porque exercem incessante trabalho de amplitude do que há de mais legítimo na cultura pernambucana, acima de tudo, pertinentes às nossas músicas.

Além das atividades profissionais exercidas como escriturário e depois médico-chefe do Serviço de Saúde do Banco do Brasil – ora aposentado – se dedica à caridade de maneira discreta, é palestrante sobre vários temas e tem uma de suas composições imortalizadas pelo ineditismo da Academia de Artes e Letras da AABB Recife, que tem como norma, abrir suas assembleias com preciosidade musical: “O sonho de Ana”. Mas é nos frevos que ele é bamba!

Para discorrer sobre sua obra mais completamente é preciso recorrer a pesquisa de outros escritores, além dos Phaelante, os quais já abordaram o assunto com maestria. Mas o faço, para ampliar ainda mais suas grandezas.

Sua carreira tem sido alongada quando se trata de divulgar que ele foi presidente da Associação dos Amigos do Conservatório Pernambucano de Música, da Academia Pernambucana de Música, criou o “Troféu Capiba”, para homenagear os ilustres músicos de nossa terra, lançou em 1995 um Songbook, contendo 55 composições dos mais variados ritmos através do selo “LG Projetos e Produções Ltda.”

Produziu os shows: “Estão Voltando as Flores”, em benefício do Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (NACC), o “I Encontro de Violões & Bandolins do Recife” e o “II Encontro de Saxofonistas de Pernambuco”. Em 1997, dentre 212 músicas inscritas no “Recife Frevoé II”, obteve as duas maiores notas, com os frevos “Primeiro Dia” e “Menezes no Frevo”.

A partir das últimas décadas não parou de produzir músicas e ganhar prêmios. Em 1994, gravou o CD: Capiba Cidadão Frevo, em homenagem a Capiba, no transcurso dos seus 90 anos. Em 1995, lançou mais um, o Simplesmente Capiba, contendo Valsas, Choros, Maracatus e Noturno – contando com a participação da pianista Elyanna Caldas.

Em 1997, foi o produtor Executivo do primeiro CD de frevo exclusivamente por computador, cujo título é “Cibernética do Frevo”. Homem com visão do Amanhã, elaborou pesquisa histórica para a escolha dos Melhores Frevos de Rua do Século, contando com a participação de vários maestros, documento que será encaminhado às escolas de Pernambuco,

Em 2002, lançou o CD “Tábua de Pirulito” (Grupo Sá grama), Getúlio Cavalcanti “40 de Carnaval” e “Frevos de Ruas Os Melhores do Século” Vol. IV” – último da Série, em homenagem ao Centenário do Maestro Nelson Ferreira.

Durante dois anos foi Presidente da Academia de Artes e Letras da AABB Recife, sodalício do qual foi um dos fundadores.

A revista Continente Cultural, em 2005, publicou matéria “Heróis da Cultura”, com vários destaques, dentre eles, o trabalho de Luiz Guimarães. E por tudo isto não se pode esquecer que é mesmo um bravo esse “Menino de São José”.

Um frevo de Luiz Guimarães: Primeiro Dia – Orquestra do Maestro Duda

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

VIAJANDO COM O NEGUINHO

Em homenagem a Marden Bentes

Não houve planejamento, nem roteiro, parávamos onde bem entendíamos, dormíamos no primeiro hotel ao anoitecer, Neguinho Marden era o piloto do Chevrolet Opala. Eu, Di Menezes e os irmãos, Luciano e Marden Bentes viajamos de carro até o Rio de Janeiro. Todos solteiros.

Chegamos ao Rio nos hospedamos no apartamento do Cáu (Cláudio Lima) no Flamengo, considerado embaixada de Alagoas. Sempre havia um colchão para um hóspede amigo.

Naquela época funcionava a Casa das Alagoas, uma associação assistencial aos alagoanos radicados no Rio de Janeiro. Ponto de encontro para matar saudades e unir a tribo caeté. Roberto Mendes, o presidente, sabendo de nossa viagem, programou um roteiro de festas para o fim de semana.

No sábado estava marcado uma festa pré-carnavalesca, baile “Vermelho e Preto” no Clube de Regatas Flamengo. Embaixo do edifício havia vários bares lotados de gente com a camisa rubro-negra. Neguinho Marden, flamenguista roxo, com seu charme e alegria arrumou logo uma namorada vestida de Flamengo. Para entrar no baile era obrigatório vestir-se com roupas vermelho e preto. Depois de algumas doses num botequim partimos animados para a sede do Flamengo.

Roberto Mendes, organizado, comprou nossos ingressos antecipadamente. Na hora apareceu César, um carioca, morou em Alagoas, amigo nosso, sentia-se alagoano. O Clube cheio, não havia mais ingressos à venda.

Ficamos matutando como resolver o problema, procuramos cambista ou quem quisesse vender um ingresso, nada. O tempo passando, nós perdendo o baile cheio de mulheres bonitas.

De repente Marden percebeu um caminhão fazendo manobras, tentando entrar pelo portão lateral, ele gritou, “Encontrei a solução”. Partiram ele, César e Roberto em direção ao caminhão. Confabularam com o motorista. Voltaram alegres, tudo resolvido: Soltaram uma grana, colocaram César por trás do caminhão frigorífico que entregava gelo à festa. Entramos satisfeitos, acompanhados por lindas cariocas.

O baile fervia animado. Depois de algumas voltas no salão, encontramos César no bar tomando conhaque puro, camisa molhada, batia o queixo. Meia hora dentro do frigorífico do caminhão; quase morre congelado. Empurramos o carioca para o salão, sambamos com as rubro-negras até o dia amanhecer.

No domingo pela manhã, marcamos encontro na Praça General Osório. Maior expectativa com o desfile da Banda de Ipanema. Roberto Mendes havia providenciado uma ala dos alagoanos. Nossa fantasia: sunga de banho de mar, tamanquinho de praia e uma toalha em volta do pescoço para abastecer de lança-perfume.

Começamos a esquentar as baterias num bar perto da praça. O bar lotado, nossa mesa das mais concorridas, cariocas e alagoanas bonitas, namoradas, paqueras. Era só alegria, felicidade e carnaval.

Em certo momento César sentiu fortes cólicas, consequência da friagem do frigorífico, foi se esvair no acanhado e sujo banheiro. Depois dos serviços, depois de ter obrado, ele retornou à mesa. Ao pagar a conta para nos juntarmos à Banda, saímos dançando e cantando, quando pela primeira vez o Nego Marden reclamou:

– “Êita fedor de merda! Alguém pisou em bosta!”

Olhamos nos solados dos tamancos, nenhum vestígio de cocô. Nessa altura havia uma multidão na Praça General Osório.

Nosso grupo animado, cada qual com sua paquera, contrastava com o cheiro de merda no ar. Até que a fonte fedorenta foi descoberta: César, na hora do serviço, não notou que o tolete caiu dentro da sunga. Ele vestiu-a novamente. Infestou-se de cocô, meio bêbado, não percebeu. A Banda de Ipanema terminou à noite. Programamos prorrogar a farra no Restaurante Alkazar em Copacabana. Enfrentamos um ônibus lotado, muita gente em pé. A certa altura alguém gritou:

– “Motorista pare! cagaram dentro do ônibus!!!”

Resumindo a história, o motorista parou numa Delegacia. César se delatou, descemos e ficamos na Delegacia em solidariedade ao amigo cagão. O delegado soltou César depois de um banho com sabugo. Terminamos a noitada às gargalhadas no Alkazar com as namoradas, relembrando as façanhas até o fim da noitada. Era o início de férias no Rio de Janeiro no tempo de Roberto Mendes, presidente da Casa das Alagoas.

– Nota – Meu amigo, bem humorado que irradiava alegria, Marden Lima Bentes, acabou de falecer. Tristeza, choramos pelo Neguinho e por nossa geração se acabando, tão bela e divertida.