ELEGIA AO MEU SAUDOSO E AMADO PAI, FRANCISCO BEZERRA SOUTO, NESTE DIA DOS PAIS, 11 DE AGOSTO DE 2024.
De repente, eu não tinha Pai. Em meio ao mar de minhas lágrimas, Vi-me criança, esperando-te para o almoço… E esperando-te para o jantar… No domingo, no almoço tinha um vinho de mesa, moscatel… As crianças só podiam tomar sangria Vinho, com água e açúcar. O barbante cortava teus dedos, Dos embrulhos pesados. Prego, chumbo, carbureto, enxofre, breu, cola, sabão… Vencias o percurso entre a venda e a nossa casa, duas vezes por dia, carregando no rosto o cansaço e a certeza do dever cumprido. Jamais uma palavra grosseira… A noite era da família… Conversas na calçada, Sempre na tua cadeira de balanço E ao teu lado, dona Lia, Nossa Mãe, nossa alegria Que te botou o costume de gostar de cafuné… Deste-nos simplicidade, Virtude que carregarei comigo Por toda a minha vida. Mas, me deste “águas- marinhas” grandes, povoadas de estrelas. Que moram ainda dentro de mim… Quisera ser de novo criança… E ficar admirando as tuas mãos… quisera ouvir-te de novo, solfejar “ Cisne Branco” e “O Destino Desfolhou”! Calaste-te, meu pai, fechando-te num casulo, depois que perdeste a saúde… e pelas decepções da vida. Por tudo o que nos ensinaste, Obrigada, meu Pai! O teu mundo era de Paz, O único em que soubeste viver! Aquele mundo que, entre lágrimas e martírio, viste ruir à tua volta…
Estamos vivendo em São Luís a febre do “açaí”, um fruto saudável, com alto teor alimentício e, ao que parece (não tenho certeza), originário da Amazônia. Via de regra, nasce onde existem igarapés, pequenos lagos ou nascentes. É um dos principais elementos da economia amazônica, principalmente depois de estudos e pesquisas desenvolvidas pela Embrapa.
Saliente-se que, no Maranhão, estado situado na pré-amazônia, o açaí abunda, tanto quanto o babaçu. Neste estado, o açaí recebe o nome de “jussara”, e é largamente consumido da forma mais natural possível: polpa grossa, quase papa, sem açúcar, com farinha d´água (conhecida como “farinha de puba”), com camarão seco salgado, ou carne bovina feita carne-de-sol.
As descobertas da Embrapa ainda não chegaram ao Maranhão: 1 – Café feito da semente torrada; 2 – Ração para peixes produzidos em cativeiro.
Situação parecida com o açaí, é a da fruta-do-conde, que em alguns lugares é conhecida por “ata”. Não é diferente da graviola, no Maranhão conhecida por “jacama”.
Dei essa volta toda nos quatro parágrafos anteriores, de forma proposital, para dizer que, no Ceará, “bila” é bila e alguém jamais vai chamar de bola-de-gude, ou “peteca” como é chamada no Maranhão. No Ceará, a meninada jogava bila. Antes, claro, do advento as inúteis brincadeiras dos celulares, da robótica, ou dos playgrounds.
Bila “olho de gato”
Em Fortaleza, por morar de aluguel, moramos em vários bairros. Um deles, onde moramos em seis endereços, foi a Bela Vista, onde vivi quase toda a adolescência.
Durante muitos anos aquele bairro clamou por pavimentação. A primeira a chegar foi a de paralelepípedos. Antes, era areia, o que possibilitava jogar bola de borracha e, gol a gol com bola de meia. Os amigos, quase irmãos. As arengas naturais da faixa etária.
Edilson Beleleu, ou simplesmente “Beleleu”, era um menino negro descendente de índios – cabelos escorridos como de todos indígenas, mas que era cortado tipo recruta. Raramente Beleleu usava camisa – provavelmente por hábito indígena.
Habilidoso ao extremo, com alto poder de concentração, Beleleu era considerado o maior campeão da Bela Vista. Era imbatível na rua onde morávamos.
Mas, como não existe bem que nunca acabe, nem mau que dure para sempre, o fim do reinado de Beleleu ficou ameaçado e, aos poucos, foi acabando. Antes, Beleleu ganhava tanto de todos, que passou a exigir que, a cada cinco partidas que ele ganhasse, o perdedor tinha que pagar com a famosa e valiosa “bila olho-de-gato”. Fora disso, só aceitava receber bila de aço.
Mas, num certo dia de sábado, com a claridade do dia indo embora, a casa de número 22 da rua onde morávamos recebia uma nova família. Na família viera Nonato, de aproximadamente 11 anos. Negro, logo que começou a se familiarizar com a meninada da rua, recebeu o apelido de Tiziu. Canelinhas finas, brilhosas e sem pelos, Tiziu tinha outra particularidade que chamava a atenção de todos. Era vesgo. No Ceará é chamado de cara-olho. É aquele mesmo que a gente nunca sabe para onde está olhando, nem o que está vendo.
E, menino que é menino mesmo e se preza, além de carregar uma baladeira dependurada no pescoço, carrega também, todas as bilas que tem, num dos bolsos ou num saquinho de pano com a boca amarrada.
O dia de Beleleu havia de chegar. E chegou. Foi feito o desafio. Certo que ganharia a parada, Beleleu pediu para olhar a bila olho-de-gato de Tiziu. Era uma só. Mas, provavelmente, era a mais bonita entre todas que ali estavam. Aposta feita.
Vamos “beber” (uma espécie de sorteio, para ver que começa o jogo).
Hora de “beber”
Muito distante do advento do VAR – uma nova tecnologia que, por imagens, pretende dirimir dúvidas no futebol – aquele jogo de bilas é de alta importância e quem decide as dúvidas é o conhecido par ou ímpar.
Uma partida, duas, três, quatro, cinco…… oito, nove, dez, e Tiziu resolveu perder uma para não espantar o já freguês Belelelu – esse, além de chateado, muito irritado e nervoso. Aos poucos o frasco onde Beleleu guardava as preciosidades foi esvaziando.
Frasco com as bilas de Beleleu
Eis que Beleleu começara a perder, não apenas bilas olho-de-gato mas, também, a coroa e a fama de Rei, e imbatível no jogo de bilas.
E quem um dia aproveitou aquela infância, certamente conheceu a hora do banho do fim do dia: quando a mãe aparece no portão da casa e grita: tá na hora de entrar, pois o teu pai tá quase chegando!
E, claro, Beleleu foi salvo pelo gongo e pela hora de entrar para banhar.
Imitando o pássaro silvestre, Tiziu quase pulava como tal, contando que havia ganho 22 bilas – o número da casa do novo morador daquela rua na Bela Vista.
É mais do que evidente que Edmundo Gonzáles é o presidente eleito de direito da Venezuela. É improvável, entretanto, que tome posse. Nicolás Maduro continuará no poder. Partícipes do regime, as Forças Armadas são suas fiadoras. Ainda que Gonzáles tenha divulgado um pronunciamento reivindicando sua legitimação constitucional pelos militares, não passou de uma brutal ingenuidade. Não há dissidência, nem qualquer divisão, que dê aos opositores esperança de receber tal apoio. E, sob essa perspectiva, é possível dizer que o ditador bolivariano venceu.
Em resposta ao chamado da oposição, o general Vladimir Padrino, que ocupa o posto de ministro da Defesa, tratou de divulgar o comunicado da tropa, em que as Forças Armadas venezuelanas ratificam sua “absoluta lealdade ao cidadão Nicolás Maduro”, considerado por elas como “legitimamente reeleito pelo poder militar”. O nível de infiltração ideológica do chavismo no aparato militar é de tal envergadura que já não se consegue distinguir o que é Exército do que é governo. E o mesmo se dá com o restante das “instituições do país”.
Tanto o tal Conselho Nacional Eleitoral, responsável pela administração das eleições, quanto a Procuradoria Geral, que seria uma espécie de Ministério Público, não passam de apêndices do regime controlados por fiéis subalternos de Maduro. A própria Justiça foi tomada, e já de muito tempo, quando Hugo Chávez destituiu os ministros substituindo-os por lacaios. A democracia (que não é relativa) só existe na Venezuela como roupagem para tentar suavizar uma repressão brutal, dando a ela uma carapaça de legitimidade.
Alguém na diplomacia do governo petista realmente acreditava que o regime autoritário cumpriria regras acordadas e permitiria um processo eleitoral transparente e com paridade de condições? A ditadura chavista ganhou o beneplácito da credibilidade, instrumento necessário para que esta simulasse uma eleição cuja vitória da oposição seria impossível.
Clamar pela “entrega das atas”, como faz Celso Amorim, é dar sequência a uma fraude que vai além da manipulação dos resultados e do silêncio informativo imposto pelo CNE sob desculpas tão risíveis quanto típicas de tiranias.
Sob a custódia dos próprios interessados em permanecer no poder ilegalmente, provas de uma vitória de Maduro careceriam de qualquer credibilidade, mesmo que viessem a ser apresentadas. Elas já não importam mais. E o tempo conta a favor do ditador. À medida que se prolonga o impasse, diminui qualquer margem de negociação e aumenta o risco para as lideranças oposicionistas, que vão sendo perseguidas, presas e sequestradas.
É errada a percepção de que Maduro está isolado. Além do apoio interno dos militares, ele conta com o reconhecimento do eixo das autocracias, liderado pela China e pela Rússia. Na geopolítica global, é estratégico que um regime como o dele seja mantido e financiado exatamente na zona de influência dos Estados Unidos. Os recursos vindos destes países compensam as sanções das potências ocidentais e dão a garantia de que Maduro pode continuar confortavelmente no poder, independentemente de ser eleito.
Cedo ou tarde, o mundo deixará de prestar atenção no que ocorre na Venezuela. Será a janela para o endurecimento da opressão contra os opositores e dirigentes de oposição. No cenário atual, é impensável uma ação militar externa para depor Maduro, tampouco uma renúncia negociada com base em diplomacia. O ditador perdeu no voto, mas se impôs com as armas.
Além da cumplicidade ideológica, o governo Lula (PT) ajuda também a financiar a ditadura de Nicolás Maduro: voltaram a crescer as importações brasileiras da Venezuela, estimuladas pelo atual governo federal.
Até julho, o Brasil comprou US$ 268,2 milhões da ditadura; alta de 3% em relação aos US$ 260,5 milhões no mesmo período em 2023, apontam dados da Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento.
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Nada de novo, nada de anormal.
Não há motivos pra espanto.
A solidariedade entre os dois amigos é uma coisa linda!