DEU NO X

FALA, BORIS CASOY!

DEU NO JORNAL

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

Caro Editor Berto,

Em correspondência enviada a essa democrática Gazeta, aos 8 de outubro de 2020, registrei estes agradecimentos ao nosso querido amigo fubânico Sancho Pancha:

“Meu caro Berto,

Há poucos dias, nosso amigo Sancho Pança dirigiu-me este afável comentário:

“…Com tão rico histórico musical, eis que poderia Boaventura Bonfim soltar a voz em um vídeo e mandar para Berto publicar aqui no JBF. Boa música sempre é uma “boa ventura” e terá “bom fim” aqui nas páginas fubânicas.“

Em virtude de tão eloquente solicitação, enviei-lhe um vídeo no qual estou cantando “Recuerdos de Ypacarai”, cujo resultado da gentil publicação, nesse democrático JBF, foi faustoso para mim, haja vista delicados e generosos comentários.

Reprisando meu assentimento ao pedido do nobre amigo Sancho, envio-lhe mais um vídeo gravado no aconchego do lar.

Cordialmente grato,

Boaventura Bonfim.”

Os delicados e generosos comentários ao vídeo publicado são da lavra dos estimados amigos fubânicos: Cícero Tavares, o próprio Sancho Pança, João Francisco, Joaquim Francisco, Mundino Fulô (Do Bico Doce), Welinton Alencar e nossa musa Violante Pimentel.

Aos 30 de março de 2024, meu querido amigo e colega de Banco do Brasil, Carlos Eduardo Santos, dedica-me uma memorável crônica ‘APOSENTADORIA E MALANDRARIA‘, da qual extraio pertinentes textos:

…Um sujeito de sorte, Dr. Boaventura Bonfim, porque está conseguindo desenvolver, principalmente, a atividade artística que ficou encastoada em sua alma durante tantos anos de intenso trabalho com as leis!

Agora solta no ar seu canto. Não pode imaginar até onde irá chegar sua voz. Não solicita nem ao menos um magro Pix por suas apresentações.

Recebe sim, uma paga especial: a remuneração em moeda cujo valor nem é capaz de avaliar: a realização de seus sonhos, aqueles inesquecíveis momentos da época em que se apresentava em Crateús, sua cidade natal, como um dos participantes do conjunto “Os Diamantes”.

Como seguidor do futuro “Canal Boaventura”, terei a iniciativa de começar a divulgar suas atividades, para amigos pernambucanos que residem na América do Norte. Seu canto vai ser ouvido por pessoas em Las Vegas, Phoenix, Dallas, San Francisco, Utah e vários lugares do Brasil onde as imagens deste jornal chegam.

O que mais desejo é vê-lo vitorioso nessa atividade pós-aposentadoria. Afinal não é moleza o cidadão se aposentar e ficar a malandrear. Que se torne um cantor de fama é o que peço a Deus, para que jamais venha a ser chamado de malandreante.”

Diante das calorosas e comoventes manifestações de carinho e de incentivo desses queridíssimos fãs, envio-lhe dois vídeos gravados no Vila Estúdio Sonoro, do querido amigo, o grande maestro Adelson Viana, o qual também participa como acordeonista e arranjador, juntamente com outros destacados músicos de Fortaleza, o grande percussionista Rossano Cavalcante e o festejado multi-instrumentista, arranjador e compositor brasileiro, Carlinhos Patriolino.

Cordialmente grato,

Seguem os vídeos:

DEU NO JORNAL

AVUANDO NOS ARES BANÂNICOS

A ministra Marina Silva (Meio Ambiente), que vive tentando demonstrar sua preocupação com o “clima”, não abre mão da poluente mordomia das viagens em jatinho da FAB: foram 17 desde janeiro até o dia 15.

* * *

No caso dela, nem precisava de avião pra avuar pelos ares banânicos.

Todos sabemos que ETs voam sem precisar de jatinhos.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

UMA HISTÓRIA DE AMOR

Bairro Boêmio de Jaraguá

Nos anos dourados, geração bossa nova, um jovem se envolvia em diversos relacionamentos amorosos. Primeiramente o romântico, quase platônico, namoro de mãos dadas, passeando na calçada, a virgindade da namorada preservada, só ultrapassava o permitido depois do noivado. Às moças casadoiras o namoro na porta de casa era permitido até dez da noite, beijos e abraços eram bem comportados.

Depois do namoro, o jovem, às vezes, frequentava os cabarés para o descarrego, extravasar seus instintos. Cada qual tinha sua preferência, sua namorada, seu xodó no cabaré.

Bem diferente da juventude atual, quando a virgindade e a hipocrisia foram banidas, jovens namorados de hoje não têm mais o amor como pecado.

Pela falta do que fazer, a mocidade antiga visitava os cabarés nem que fosse para beber cerveja ou dançar no bordel com as jovens.

No bairro boêmio de Jaraguá trabalhavam as profissionais. Nos belos casarões da Rua Sá e Albuquerque ficavam hospedadas as mais procuradas. Algumas mulheres importadas da Bahia, Pernambuco, outras vindas do sertão alagoano, da zona da mata, onde o êxodo rural enxotou a população por falta de uma política de fixação no campo. As jovens chegavam à capital cheias de ilusão. Se não conseguissem vaga de empregada doméstica nas casas de família, terminavam nos cabarés. Ao se tornarem mais velhas, mais usadas, se transferiam para outras regiões mais pobres nos bairros boêmios.

Muitas histórias se perderam nas noitadas dos cabarés de Jaraguá. Gente famosa, deputados, senadores, coronéis, capitães, boêmios, intelectuais, jogadores de futebol, subiam as íngremes escadas daqueles casarões em busca de aventuras amorosas. Naquela época rapariga tinha namorado, muitas vezes se apaixonavam, como também alguns homens tiveram grande paixão por prostitutas bonitas, como Fatinha Baiana que passou muito tempo faturando sua beleza, deixou homens empolgados, apaixonados.

Certa noite na Boate Tabariz apareceu Euzébio, um marinheiro que ficou encantado com Das Dores, morena dos olhos verdes da região de Cacimbinhas, produto da miscigenação da colonização holandesa. O marinheiro gaúcho se apaixonou pela meiguice, o carinho, a ternura e a beleza da alagoana. Prometeu tudo para ela ficar apenas com ele. Entretanto, Das Dores era a mais disputada entre os clientes do cabaré. Euzébio se mordia de ciúme quando sua amada entrava no quarto com outro homem. O navio estava esperando atracação para carregar açúcar. Euzébio, o marinheiro, ficou dez dias em Maceió, curtindo sua paixão, Maria das Dores. Ela se sentiu amada pela primeira vez na vida, se apaixonou. Na despedida Euzébio prometeu voltar, Das Dores acompanhou o navio cargueiro se afastar do cais levando seu amor, sua vida. As amigas bem diziam que rapariga não pode, não deve se enrabichar. Toda manhã ela descia à praia, contemplando o mar que levou Euzébio, na esperança que um dia um navio devolvesse seu grande amor.

O tempo passou, a paixão de Das Dores nunca passou. Certa noite ela dançava com um jovem na Boate Tabariz, de repente não acreditou no que viu: Euzébio, alto, musculoso, vestido com camisa listrada, chapéu panamá na cabeça, em pé à sua frente, um sorriso enorme de felicidade. Das Dores afastou o jovem com quem dançava, pulou feito uma louca, abraçou-se com Euzébio. Os dois choraram, se beijaram, se acarinhavam, olhando nos olhos. A paixão foi maior, o amor venceu. No quarto, Euzébio contou sua decisão, abandonou a Marinha Mercante, retornou à Maceió para tirar seu grande amor do cabaré. Tinha uma meta na vida, casar, trabalhar, viver a paixão, viver Das Dores, a mulher inesquecível.

Hoje, anos depois, o casal maduro tem três filhos e dois netos, moram no bairro do Vergel do Lago. Desde aquela época Euzébio trabalha dirigindo caminhão. Ajudou a sustentar a família com o suor de suas viagens e Das Dores tem uma banca de peixe, é “peixeira” no Mercado da Levada. Ela fica à espera de Euzébio. Quando ele chega, a alegria do amor refloresce. Mais velhos, continuam sua bela história de amor.

DEU NO X

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

COSTUREIRA DE VERDADES

Alice Carvalho dos Santos

Lá pelos meus 17 anos meu pai era Propagandista-vendedor de produtos farmacêuticos e passava cerca de 25 dias viajando pelo interior de Pernambuco.

Como residiamos no no bairro de Afogados, no Recife, mamãe aproveitava para passar semanas inteiras na casa das irmãs, na Boa Vista, onde aproveitava para costurar, ajudando a irmã mais velha, Tereza, que trabalhava com alta-costura.

Desde a juventude, aprendera, em Belo Jardim, a utilizar u’a máquina de costura Singer, ainda manual, que fora negociada com a família, por Pedro Moura Jr., Representante de Vendas daquela empresa.

O curioso é que quando me tornei escritor fui biógrafo desse ilustre político e ele me relatou que conhecera a Família Quaresma de Carvalho quando passou uns dias naquela cidade, onde conheceu a jovem Josefa, com quem veio a casar-se.

Mais adiante foi Prefeito da Cidade e anos depois fundou, com o filho Edson, a fábrica de Baterias Moura.

Todavia, quando papai estava no Recife – lembro-me bem – mamãe sempre costurava, após fazer as tarefas de casa. Era seu lazer. Já possuindo uma Singer elétrica, colocava a máquina na sala de jantar, que era o local mais fresco da moradia, e eu ficava sentado num banquinho, perto dela, conversando.

Costumava assenhorar-se sobre meu cotidiano, os trabalhos no City Bank, as aulas na Faculdade de Ciências Econômicas, as namoradinhas e me dava conselhos. Aqueles momentos funcionavam como um confessionário.

Foram meus melhores momentos com minha santa mãe. Mal sabia eu que ela iria falecer tão cedo, aos 52 anos. Certo dia estávamos num desses “convercês”, quando a vizinha bateu palmas no portão e indagou:

D. Alice, a senhora está muito ocupada? Pode vir até aqui?

Posso D. Arcelina! Estou apenas conversando com meu filho, costurando minhas verdades.

PENINHA - DICA MUSICAL