Sensacional! pic.twitter.com/oHaDgVZd9X
— Nanibarbosa (@RosaneBonoro) August 18, 2024
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Certa vez eu ouvi de um autor que o escritor cria a sua obra e se expressa do que ele próprio viveu, ou do que ouviu da experiência de outrem, ou até do que imaginou de sua própria mente, sem que essa última possibilidade possa haver sido um fato.
Pois bem. Ontem à tardinha eu fui surpreendido no WhatsApp por uma mensagem do poeta tabirense Marcílio Pá Seca Siqueira.
Era uma poesia.
Marcílio, com quem nunca tive o prazer de um aperto de mão pela distâncianos separando, traz do berço o dom dos versos belos. É um poeta completo de lirismo.
E no seu trabalho de ontem Marcílio narra uma cena imaginada que, eu creio, certamente já aconteceu milhares e milhares de vezes por diferentes almas: um amor que não deu certo e que acabou levando a mulher para as calçadas da prostituição.
Eis os seus versos, exatamentevomo eu os recebi:
Quantas vezes sentado num recanto
Sussurrei frase bela em teus ouvidos
Tantas vezes com jeito e com encanto
Sufoquei com meus beijos teus gemidos
Mas teus beijos de amor foram tacanhos
Hoje vagas beijada por estranhos
Mendigando migalhas das esposas
Mariposa fugidia e vaidosa
Cambaleias na orla glamourosa
Dessas luzes que cegam mariposas.
Encontrar-te de novo por acaso
Ver teus olhos outrora cintilantes
Parecendo dois sois que no ocaso
Já não eram brilhosos como antes
Reparei na tristeza do teu rosto
Nos farrapos de roupa de mau gosto
Relembrei dos teus beijos de outrora
E vestido no véu da covardia
Nem dei pinta que já te conhecia
Disse adeus minha ex e fui embora.
Daí eu fui lendo e vendo a cena ali, ante meus olhos. Fui sendo invadido por um sentimento de pertencimento àquela situação dramática e, inspirado por um clima que eu mesmo nunca vivi, resolvi lhe responder também sob a égide da imaginação. Porém, dando outro caminho ao futuro de ambos.
Minha resposta:
Do adeus que te dei, mais uma hora
Se passou sem que eu tivesse paz
O romper de um dia, quase aurora,
Convenceu-me te ver outra vez mais.
Com o peito aquecido feito um forno
Conduzi o meu carro num retorno
Retornei sem orgulho à avenida
Pra encarar os teus olhos com perdão
E ainda moído de paixão
Te chamar de amor da minha vida.
Fecharei doravante a ferida
Que se abriu por teu erro no passado
Mas esqueço o que és, minha querida,
Se quiseres estar sempre ao meu lado.
Vou tirar-te da orla onde jazes
No carinho daquelas mesmas frases
Teus gemidos serão somente meus
Cobrirei o teu corpo com amor
De covarde serei teu protetor
E jamais te direi outro adeus.
Com todo respeito mas Bolsonaro não está muito alegre? pic.twitter.com/p1kMqnjgFj
— NESTOR CAVALCANTE FILHO (@NestorCavalcan4) August 17, 2024
O mês de agosto chegou à metade e o governo Lula (PT) já conseguiu atingir a marca de R$ 942 milhões torrados com as viagens em 2024.
Foram quase R$ 30 milhões com 9 mil voos apenas nos últimos 10 dias.
* * *
942 milhões torrados até a metade de agosto!
(Não tem verbo mais certo: torrados)
E ainda faltam quatro meses pra terminar o ano.
Isso é que é turismo esbanjanjatório!!!
E nós que pagamos tudo, ficamos só olhando o avião avuando pelos ares do mundo.
Putz!!!
“Tchau, seus bestas! Vocês é que pagam tudo!”
Comentário sobre a postagem UM BALANÇADO GOSTOSO PRA ANIMAR O NOSSO SÁBADO
Marcos Pontes/DF:
Nada se compara a criatividade humana nestes momentos difíceis em que vivemos, em que, um simples vídeo, um cabra arretado consegue transmitir o sentimento de milhões de pessoas dignas deste mundo de meu Deus, em uma alegria futura.
Parabéns!!!!
* * *
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) August 15, 2024
Um dos momentos mais memoráveis e engraçados de Silvio Santos, que seja sempre lembrado pelo seu riso. pic.twitter.com/fNxVMrJ1Jr
— 𝕬𝖓𝖙𝖎 𝕮𝖔𝖒𝖚𝖓𝖎𝖘𝖙𝖆🇧🇷☭⃠ (@AntiComunistaB) August 17, 2024
“Malícia – Dormideira (Mimosa pudica) – Planta invasora muito frequente, infestando pastagens, solos cultivados, pomares e terrenos baldios. É particularmente comum em locais úmidos como na planície litorânea. Uma única planta pode produzir até 700 sementes, que germinam prontamente após a maturação, se houver condições adequadas, ou permanecem dormentes por um período de até 15 anos”.
Malícia viva e acordada
Ontem, deitado numa rede após o almoço (baião-de-dois, pirão escaldado de farinha seca, e dois generosos pedaços de carne de bode), parei de ler o livro “O destino da África” e, sem comprar passagem ou pagar pedágio, resolvi viajar. Mais uma vez voltei ao passado – nunca fiz nada que me desabone ou me envergonhe de relembrar as boas coisas da vida.
Vesti minha calça curta de suspensórios (aquelas duas tiras que, quem usou também, sabe do que falo), pus o chapéu na cabeça, calcei os tamancos de madeira, pus a enxada no ombro direito e a cabaça com água arrolhada com sabugo de milho no ombro esquerdo e parti para a roça. Peguei aquela “vereda” que em outros lugares é chamada de “trilha” – mas minha Santa Avó, chamava mesmo era “vareda” ou “caminho”.
Vovô me dera uma tarefa: roçar pela raiz as ervas daninhas, fazer uma “ruma” para que elas secassem e pudessem pegar fogo para nunca mais voltar a nascer.
O roçado, plantado de milho, mandioca e feijão, principalmente esse último, era malvisto por conta de tantos pés de carrapichos e, adivinhem: malícia.
Vovô detestava carrapichos, porque usava calças compridas e o “bicho” agarrava na roupa, dando muito “trabaio” para Vovó arrancar um por um.
– Zé, meu fio, corte essa praga pela raiz, visse!
Eu ainda nem era um adolescente, mas já tinha minha utilidade na família. Menino véi besta, descobri uma forma de roçar os pés de carrapichos e as moitas de malícia.
– “Malícia, teu pai morreu”!
Era a minha tática. Quando a malícia se fechava, triste com a notícia da morte do pai, eu tacava a enxadada bem no tronco. Depois, obedecendo o Avô, arrancava também a raiz.
Malícia viva e dormindo
As moitas de carrapichos e malícias já podiam ser postas a secar. Dois dias depois, de acordo com o sol que fizesse, seria tocado fogo. Vovô fazia o caminho da ida de volta, para ver se tudo estava conforme determinara.
Vovô tirava o chapéu da cabeça, tapava com a mão a luz do sol e espiava o relógio do tempo: “já é quaje meidia, fio. Vamo parar e esperar o dicumê ali na sombra daquela catingueira”.
Anunciada, a minha prima e neta do Vovô chegava com o dicumê: feijão de corda temperado com sal… e mais nada; batata doce assada na brasa; maxixe, quiabo, jerimum, farinha seca e um pedaço de rapadura – para raspar e rebolar em cima do feijão.
Carne? De que? De onde?
Nos domingos, após a missa, Vovô caminhava até a bodega do Inácio, onde pegava e pagava o chambaril encomendado – mandava cortar em três pedaços, de forma que lhe permitisse “tocar o tutano por cima do feijão” quando cozido.
Mas, na roça, nunca era domingo e nunca estávamos na missa.
Água da cabaça era a sobremesa, depois do pedaço de rapadura (e quantas vezes me vi almoçando no Parraxaxá de Recife, pedindo uma dose de Cointreau e um café após o almoço!) bem mastigado.
Três dias depois daquele calor enorme e do sol tórrido, a principal arma era a caixa de fósforos Lumiar, para tocar fogo na coivara de carrapichos e malícias.
Mas, no caminho, a certeza da perfeição da Natureza: em meio a tanta enxadada e raízes de carrapichos e malícias arrancadas, uma “malícia” sobreviveu e estava sorrindo em flores.
Eu, crente e temente a Deus, sequer ousei lembrar da tática usada para que ela adormecesse e pudesse ser cortada.
Afinal, por que adormecer e matar a Natureza e suas perfeições?
Malícia viva e sorrindo de alegria
Toda noite quando eu deito
Um pesadelo me abraça,
Meu cabelo que era preto
Está da cor de fumaça.
Ficou branco após os trinta,
Eu não quis gastar com tinta:
O tempo pintou de graça.
João Paraibano
O meu já virou “fumaça”
No sopro de tantos anos.
Já faço parte do time
Composto por veteranos
E a navalha da idade
Só não decepa saudade,
Ilusões e desenganos.
Wellington Vicente