DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TESTAMENTO DE UM HOMEM SENSATO – Carlos Pena Filho

Quando eu morrer, não faças disparates
nem fiques a pensar: “Ele era assim…”
Mas senta-te num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
Foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

Porém, se um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
ave que nasce e em voo se arremeda,

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
como uma luz, mais que distante, breve…

Carlos Souto Pena Filho, Recife-PE, (1929-1960)

DEU NO X

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DEU NO JORNAL

O JORNALISMO DE LUTO

Guilherme Fiuza

O jornalismo de luto

No dia da morte de Silvio Santos, a “Veja” deu a seguinte manchete: “A ideologia política de Silvio Santos: beija-mão de militares a Bolsonaro”.

Vamos ser mais específicos: essa “notícia” foi publicada não apenas no dia da morte do dono do SBT, mas cerca de uma hora depois de informado o falecimento. Você nem sabia que os urubus poderiam ser tão velozes.

A primeira e inevitável conclusão dispensa todas as outras: Silvio Santos continua vivo e a “Veja” morreu. 

Dito isso, vamos ao beija-mão. 

Se você afronta o luto e sai correndo para expelir uma pensata de quinta categoria sobre a vida do falecido, você está beijando a mão de quem? A sordidez é um bom patrão? E se você atropela o luto de alguém para usar a morte como outdoor, qual é a sua ideologia política? Resposta correta: nenhuma. Você é apenas um bagaço moral. 

Mas claro que você quer dar a impressão de ter uma ideologia política – calculando que o seu público (?) lhe atribuirá uma grandeza que você não tem. O que você faz, então? Usa a desonestidade intelectual – especialidade da casa. Pega uma foto de Silvio Santos no auditório diante de um telão com a imagem de Bolsonaro. Qual o efeito visual que você consegue, com a sutileza que só as aves de rapina têm? Bolsonaro fica maior que Silvio Santos na foto.

No dia da morte de Silvio Santos. Uma hora após o anúncio da morte de Silvio Santos.

Como classificar uma imprensa que se demite da missão jornalística e abraça sofregamente uma cartilha politicamente correta, woke ou que nome se queira dar a esse sacolão de virtudes de mentira? Panfleto vip? Fake news de grife? Fique à vontade para escolher sua definição preferida.

Algumas horas depois do vexame da manchete “beija-mão”, a “Veja” voltou à carga, mostrando que seria implacável com os enlutados: “A relação complexa de Silvio Santos com a comunidade LGBT+”. Não é nada complexa a relação da revista com seus propósitos inconfessáveis: vamos pisar na morte para beijar a mão dos cínicos. 

Claro que isso aí não é defesa de minoria alguma. Demagogia jamais serviu para proteger ninguém. 

E outros veículos que já foram grandes entraram na mesma sanha de avacalhar o luto por Silvio Santos com “matérias” instantâneas sobre quem vai mandar no SBT, etc. 

Muito triste o funeral da velha imprensa.

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A PALAVRA DO EDITOR

ALEXANDRE GARCIA

CORREIOS DÃO PREJUÍZO, MAS VÃO AJUDAR A COBRIR ROMBO DO POSTALIS

Você se lembra de um golpe que deram no Postalis, o fundo de previdência dos funcionários dos Correios? Foi no governo Dilma: fizeram o Postalis comprar papéis podres da Argentina, do governo peronista, do governo bolivariano da Venezuela, e deu no que deu. Os carteiros, pobres coitados, ficaram pagando, tendo desconto no contracheque, para sustentar o Postalis. Agora se anuncia que os Correios vão assumir metade do prejuízo de R$ 15 bilhões, vão entrar com R$ 7,6 bilhões. Um rombo do tempo de Dilma, pago agora no tempo de Lula.

Os Correios deram lucro no governo de Jair Bolsonaro, com o general Floriano como presidente. Já no ano passado deu um prejuízo de R$ 600 milhões; no primeiro trimestre deste ano, segundo o noticiário, prejuízo de mais R$ 800 milhões. Mas vão ajudar o Postalis e, segundo se sabe, foi tudo acordado, tudo feito diante da lei. O atual presidente dos Correios era advogado do Postalis.

* * *

Não é só o Pantanal que está queimando 

Falei ontem do fogo no Pantanal e do silêncio de gente como Greta Thunberg e Leonardo Di Caprio. A Serra do Cipó, com praticamente 34 mil hectares, bem no centro de Minas Gerais, onde fica a famosa Cachoeira do Tabuleiro, também está queimando. Eu falo dos filhotes porque moro na área rural e de vez em quando vejo fogo por aí, e vejo o que acontece com os filhotes e com as mães que os ficam protegendo: são répteis, aves, animais de pelo, é um horror. A vegetação depois volta, vem a chuva, fica verde e rebrota, mas a vida dos animais não.

* * *

Viciados em paternalismo 

Vocês lembram de uma música que o Luiz Gonzaga cantava? Ele não era o autor, mas falava que a esmola vicia o cidadão. Eu conversava com um amigo do interior da Bahia, e ele me dizia do quanto as pessoas não querem mais trabalhar porque recebem o auxílio do governo. Vem o auxílio, e na sequência vem a cachaça, vem a droga, vem o desrespeito aos pais, vem o colégio que não ensina. Eu me pergunto que nova geração virá por aí, e penso que eles ficam esperando que tudo caia do céu, como se o governo estivesse apenas dando. O governo dá o que tira dos outros, o que tira dos impostos de todos – inclusive dos que recebem auxílio.

A vassalagem, a servidão, o clientelismo viciam. E pouco a pouco a vontade de ter poder também vicia, aumenta a cada ano, vira tirania, paternalismo, assistencialismo. Eu lembro de ouvir o general Golbery dizer que os militares tinham de devolver o poder para os civis, porque todo poder tem o germe da tirania, de cada vez mais poder e corrupção.

* * *

Lula não sabe mais como se desvencilhar de Maduro

Não sei como o presidente Lula vai escapar do seu pendor por Nicolás Maduro. O PT, do qual Lula é o presidente honorário, reconheceu a vitória de Maduro na primeira hora. Lula disse coisas de que deve estar arrependido, mas estão ditas. Disse que não via nada de anormal enquanto Maduro estava batendo, cassando e prendendo. Depois, disse que a oposição devia recorrer à Justiça, mas sabemos que Justiça é essa. As coisas que ele falou não têm volta.

E Lula deu essa ideia de fazer nova eleição. Nem Maduro quer nova eleição, porque diz ter ganho com 52%, nem a oposição quer, porque viu que ganhou com 66%. O sistema de lá é transparente, a oposição teve acesso aos QR codes, pegou 82% das urnas. O governo, quando viu esses 82% e percebeu que estava perdendo, parou tudo. Maduro não tem como mostrar as atas, porque as atas revelam que ele perdeu.

Como é que Lula vai sair dessa agora? Está ficando cada vez mais só. O presidente mexicano já saiu, não faz mais companhia a ele; não sei como é que está o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em relação a isso. E Maduro também não sabe, não tem saída. Acho que ele se esqueceu de ter um plano B, de saber quais são as saídas antes de entrar.