ALEXANDRE GARCIA

O BOM E O RUIM DOS NÚMEROS DO CENSO

PIB

A população do país chegou a 203,1 milhões em 2022, com aumento de 6,5% frente ao censo demográfico anterior, realizado em 2010

Não é uma boa notícia… é boa, mas não é boa, como diria a ex-presidente Dilma: nossa população não cresceu como esperávamos. Somos 203 milhões de brasileiros, e não 215 milhões. O IBGE chegou a projetar que a população havia subido para 213 milhões, mas constataram outra coisa no Censo. Mesmo considerando que 4% das residências não atenderam, projetou-se um número de moradores, e chegaram a pouco mais de 203 milhões de habitantes.

A notícia boa é que, na última década, crescemos 0,5% ao ano, enquanto na década anterior crescíamos o dobro disso, e lá atrás crescíamos 2%, 3%. Quando eu nasci, nós éramos um quinto, 20% do que somos hoje. Crescemos muito e isso demanda serviços públicos de saúde, de educação, de transporte, é um desafio. Escola para todo mundo, emprego para todo mundo, renda para todo mundo, alimento para todo mundo. Estamos crescendo menos.

Qual é o lado ruim, afinal? Crescer menos é bom. Mas a população inativa está crescendo e a população ativa está se estabilizando. Isso significa que menos pessoas vão ter de sustentar mais pessoas na Previdência Social. E aí vamos precisar de outra reforma de Previdência, cobrar mais caro. Ou então fazer as pessoas se prevenirem já, com seus fundos.

Vamos ver outros números interessantes. Dos 5.570 municípios, 3.168 cresceram, os outros 2.399 diminuíram. Os que mais cresceram estão em Roraima, Santa Catarina e Mato Grosso – e a atividade econômica atraindo gente. Por exemplo, no topo da lista, com crescimento de 189%, está o município de Canaã dos Carajás (PA), porque existem duas minas lá da Vale. Já o que mais caiu, perdendo 46% da população, foi Coatiba (BA). Eu estou falando do município, não da cidade. Está cheio de jornalista que jura que “cidade” e “município” são a mesma coisa, mas não são. É que eles vivem em cidade grande e confundem a cidade, que é a sede do município, é o aglomerado urbano, com o município, que é a área toda, área urbana e área rural. Eu sempre digo, brincando, que se cidade fosse o mesmo que município, então a maior cidade do mundo seria Altamira (PA).

A cidade mais populosa do Brasil continua sendo São Paulo – é o município mais populoso também, porque em São Paulo cidade e município têm a mesma área. São 11,5 milhões de habitantes, mais que o Rio Grande do Sul, que está mais estabilizado – a população caiu em 58% dos municípios gaúchos. A capital que mais perdeu população foi Salvador: 258 mil pessoas a menos, ou 10%. O Rio de Janeiro perdeu 109 mil pessoas nesses 10, 12 anos. Já Boa Vista (RR) passou de 284 mil habitantes para 413 mil, aumento de 45%. Em 2010, o país tinha 67 milhões de residências, agora tem 90 milhões. De 2010 até hoje, a população cresceu 6,5%, mas o número de residências subiu 34%.

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Mais imposto nos combustíveis, e tráfico em aeroportos

A partir desta quinta-feira tem mais imposto sobre a gasolina, mais 34 centavos por litro de gasolina e 22 centavos por litro de etanol. E, por fim, um alerta para o pessoal que usa aeroportos diferentes de Guarulhos. A polícia centraliza muito a investigação de drogas em Guarulhos, mas estão pegando drogas em aeroportos secundários também. Apreenderam agora 3 quilos de cocaína no aeroporto de Florianópolis, com uma mulher boliviana que estava indo para a Índia. Imaginem se ela é pega num daqueles países que prevê pena de morte por transportar drogas?

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

A “DEFESA DA DEMOCRACIA”

Leandro Ruschel

É impossível entender a expressão “defesa da democracia” sem saber o que ela significa para quem tem utilizado o termo na justificativa de todo tipo de arbitrariedade.

Há poucos dias, assisti, pelo Youtube, a uma palestra ministrada na FFLCH, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, uma espécie de Meca da esquerda, por dica da Steh Papaiano.

O propósito do evento era avaliar os protestos de junho de 2013, e fazer uma defesa do movimento, acusado por parte da esquerda de ter despertado a marcha “fascista” que culminou com a eleição de Bolsonaro em 2018, e à “tentativa de golpe” em janeiro deste ano.

De início, chama a atenção o uso de uma bandeira do PSOL no evento, deixando claro como a esquerda aparelhou completamente as universidades públicas, bancadas pelo dinheiro do pagador de impostos, servindo agora ao propósito de produzir militância de extrema-esquerda, e não conhecimento.

Resumindo, os protestos de 2013 são tratados como eventos revolucionários, que tinham como objetivo a derrubada do sistema e a instalação de uma ditadura de esquerda. O fracasso do movimento foi atribuído principalmente ao PT, tratado pelos participantes do evento como um partido que traiu a causa, e virou um instrumento do próprio sistema para “manter a opressão do povo”.

Uma das ativistas resumiu a visão que essa gente tem da democracia:

“não há democracia enquanto houver divisão de classes e opressão”.

Em outras palavras: a verdadeira “democracia” só será alcançada com a revolução marxista. É por isso que a Venezuela e Cuba são tratados pela esquerda como a expressão máxima da “democracia” na América Latina, enquanto o Chile, o país mais desenvolvido do Continente, com os melhores indicadores sociais, é tratado como exemplo de sistema capitalista “opressor”.

Para essa esquerda, o PT seria uma espécie de “mal necessário” no momento, mas que não representa mais esse ideal revolucionário.

Por sua vez, petistas não se enxergam como representantes do estamento burocrático, mas sim revolucionários, em busca da almejada “democracia”.

Já os tucanos, seus irmãos siameses, acreditam na social-democracia como um caminho para a instalação de uma sociedade “sem classes”. Como disse FHC certa feita, em relação ao PT:

“não temos diferenças de objetivos, apenas de meios”.

De qualquer forma, tucanos, petistas e psolistas, e até mesmo isentões, tirando raras exceções, concordam hoje na necessidade de ACABAR com as liberdades individuais para CRIMINALIZAR a direita, deixando suas disputas internas de lado para combater um inimigo em comum.

Em outras palavras, neste momento, são TODOS revolucionários, aceitando a premissa da “democracia” possível apenas com a esquerda no poder, ou seja, na implementação de uma ditadura.

A única diferença entre eles está no campo econômico: enquanto psolistas apresentam uma visão marxista clássica de derrubada do capitalismo, petistas aceitam um capitalismo de estado, ao estio chinês, enquanto tucanos acreditam na possibilidade de alcançar a “igualdade de classes” através de políticas redistributivas, amparadas por uma economia mais livre.

É exatamente esse o momento que o país vive, e quando integrantes da esquerda falam em “defesa da democracia”, o que eles estão defendendo é a consolidação de uma ditadura de esquerda.

É por isso que a militância de redação trata com naturalidade um julgamento político para deixar inelegível o principal líder da direita, a continuidade de inquéritos ilegais, abertos há anos, para censurar e perseguir centenas de políticos, empresários, influenciadores e jornalistas não alinhados, e até mesmo o fechamento de veículos de imprensa que ousam questionar o regime.

Na sua cabeça, tudo faz parte da “defesa da democracia”, assim como Nícolas Maduro “defende a democracia” na Venezuela.

Mesmo os militantes de redação que são avessos ao modelo venezuelano acreditam que a atual onda de censura e perseguição é necessária para combater “a ameaça maior”.

Resumindo, o projeto de “democracia” da esquerda para o Brasil é a implementação de uma DITADURA, o que está ocorrendo bem diante dos nossos olhos.

PENINHA - DICA MUSICAL