DEU NO X

DEU NO JORNAL

XICO COM X, BIZERRA COM I

RIDÍCULAS CARTAS DE AMOR

Teria Ofélia feito mal juízo de Álvaro por achar ridículas suas cartas de amor? Não creio. Ao contrário, imagino que ela se deliciava com o tom exageradamente romântico, e por isso ridículo, daquelas epístolas amorosas. Não seriam cartas de amor se assim não fossem, já dizia o Poeta. Eu também já as escrevi. Muitas. Ridículas, todas. Não mais as faço. Aliás, ainda que fizesse, de nada adiantaria, pois nem selos há mais. Vivemos o tempo rápido dos e-mails e outras facilidades tecnológicas.

Hoje, envio WhatZaps de amor, tão ridículos quanto as cartas que escrevia, repletas de clichês e transbordantes de emoção, como convém a quem ama. Sou obrigado a concordar com Pessoa também sobre este assunto. Burrice seria dele discordar. E eu sou apenas ridículo. De burro, não poderão me acusar. Nem de infeliz.

Pensando bem, infelizes são os que nunca escreveram cartas de amor. Estes, verdadeiramente ridículos, nunca souberam o que é estar apaixonado e desconhecem a dosagem do não-ridículo que há quando se ama.

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