XICO COM X, BIZERRA COM I

Teria Ofélia feito mal juízo de Álvaro por achar ridículas suas cartas de amor? Não creio. Ao contrário, imagino que ela se deliciava com o tom exageradamente romântico, e por isso ridículo, daquelas epístolas amorosas. Não seriam cartas de amor se assim não fossem, já dizia o Poeta. Eu também já as escrevi. Muitas. Ridículas, todas. Não mais as faço. Aliás, ainda que fizesse, de nada adiantaria, pois nem selos há mais. Vivemos o tempo rápido dos e-mails e outras facilidades tecnológicas.

Hoje, envio WhatZaps de amor, tão ridículos quanto as cartas que escrevia, repletas de clichês e transbordantes de emoção, como convém a quem ama. Sou obrigado a concordar com Pessoa também sobre este assunto. Burrice seria dele discordar. E eu sou apenas ridículo. De burro, não poderão me acusar. Nem de infeliz.

Pensando bem, infelizes são os que nunca escreveram cartas de amor. Estes, verdadeiramente ridículos, nunca souberam o que é estar apaixonado e desconhecem a dosagem do não-ridículo que há quando se ama.

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2 pensou em “RIDÍCULAS CARTAS DE AMOR

  1. Vão desaparecer, mestre Xico. Ninguém escreve mais. É Zap, pelo menos e-mail, as Velhas cartas vão se perder em nossas memórias. Belo texto..como sempre. Abraços.

  2. Já sumiram, meu caro Padre José Paulo. Memos mal que antigas cartas de amor jamais se perdiam nas ‘nuvens cibernéticas’ inventadas pelos ‘gênios’ da modernagem atual.

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