ALEXANDRE GARCIA

SEGURANÇA REDOBRADA

A organização da posse de Lula está tomando cuidados redobrados. O futuro ministro da Justiça recomendou que seja refeita a programação. O local está todo isolado já, ali na região da Praça dos Três Poderes, a parte final da Esplanada dos Ministérios. Fala-se até em Lula ir de carro blindado.

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Acampamentos ameaçados

Tudo isso depois que se descobriu esse George Washington cheio de munição e de armas, inclusive com bombas. Eu vi a audiência de custódia dele em que ele confirma isso. Inclusive, confirma que estava naquela tentativa de invasão da Polícia Federal outro dia e que frequentava o acampamento lá na frente QG, com isso ele respingou sobre o acampamento e querem tirar o acampamento à força a partir do dia 1º de janeiro.

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O papel de Bolsonaro e de Lula

Acampamentos e vigílias em todo o país na frente dos quartéis estão mostrando  a realidade, talvez, para o novo governo. O presidente Lula está agindo como se tivesse ganho a eleição por 80 a 20. E o presidente Bolsonaro está agindo como se tivesse perdido a eleição por 80 a 20. E o resultado da eleição, é bom que os dois tenham isso em mente, foi de 50,9% para um e 49,1% para o outro. Então foi praticamente um empate.

Os dois têm que agir como representantes de uma metade do país, um em uma oposição e o outro no governo. E tocar as suas funções. Se não fica errado, não representa a realidade e o povo sabe qual é a realidade. O povo sabe.

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Um acerto de Lula

Enquanto isso, um acerto, eu acho que é o primeiro acerto “na mosca” do novo presidente, na escolha do ministro da Agricultura. O senador Carlos Fávaro, de Mato Grosso, que já foi presidente da Pró-Soja, que é a maior entidade do agro, dos produtores de soja e milho, e foi presidente da cooperativa de Lucas do Rio Verde, que também é outra coisa gigantesca.

Foi vice-governador de Mato Grosso, foi secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, apoiou Lula na eleição ao lado de Blairo Maggi, que também foi o governador e foi ministro. E, como ministro, ele tem a mesma cabeça de Tereza Cristina, ex-ministra de Bolsonaro, de Mato Grosso do Sul, que se elegeu senadora. É de tecnologia, de modernidade, não tem mais aquela agricultura da enxada.

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Agro em alta
 
Ele vai sofrer bastante com a esquerda retrógrada que se autodenomina progressista. Não sei se vai sofrer com o Ministério do Meio Ambiente, com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Eu sei que o Roberto Rodrigues, quando foi ministro da Agricultura, de Lula, lá atrás, sofreu bastante por causa do atraso e a agricultura venceu, o agro venceu. Mas Lula está dando agora um sinal para o agro, dizendo “olha aqui o representante de vocês”. Acho que isso é muito importante.

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Uma cadeira para Tebet

E acabou também dando lugar para Simone Tebet (MDB), de Mato Grosso do Sul, que está terminando o mandato dela como senadora. Tem mais um mês de mandato. Vai ser ministra do Planejamento. Não precisava ter, tanto que estava dentro de uma Secretaria lá do Paulo Guedes. Mas a Secretaria do Planejamento vai perder alguns programas e algumas gestões. Ela entra já desmuniciada.

Mas, enfim, Lula precisa dizer para os que o apoiaram, que ele está também recebendo no seu governo os outros, embora o cerne, seja petista do novo governo. Mas tem que pensar muito e eu acho que, por exemplo, o ministro da Justiça não está pensando nisso, que foi quase empate, que o país está dividido de Brasília.

DEU NO JORNAL

ESTÃO DE VOLTA

A briga pelo controle dos bancos públicos derrubou as ações do Banco do Brasil.

A disputa entre Fernando Haddad e Simone Tebet sinalizou que a turma pode fazer uso político, portanto inescrupuloso, dos bancos.

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Essa nota aí de cima fala em “uso inescrupuloso” de bancos pelos ratos do PT.

Na verdade, o termo mais correto seria “uso criminoso”.

Já conhecemos esta história.

Afinal, é a volta da quadrilha lulaica ao poder.

DEU NO JORNAL

A CAMINHO DO BREJO

Cora Rónai

Um país não vai para o brejo de um momento para o outro – como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.

Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos.

Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.

A lista não acaba.

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas – e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém – e isso é aceito como normal por todo mundo.

Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.

Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.

Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.

Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais. Enquanto isso tem gente nas ruas estourando fogos pelos times de futebol!

PENINHA - DICA MUSICAL