Parabéns @JovemPanNews @OsPingosJP por esclarecer os fatos de hoje! pic.twitter.com/JBXFNlU81F
— John Wick (@Cristhi83146157) December 13, 2022
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Comentário sobre a postagem LULA BEBE ÁGUA DURANTE O HINO NACIONAL
Álvaro Simões:
Mestre Berto,
o Neguinho, cachaceiro emérito aqui do bairro onde moro ficou bravo pela crítica que fizeram ao ladrão de nove dedos, que estava bebendo água na hora em que era cantado o Hino Nacional Brasileiro durante a cerimônia de sua “depromação” como Presidente.
Só nessa nossa infeliz republiqueta bananífera um sujeitinho desclassificado que não deve ter nem o “deproma” do jardim de infância pode ser “depromado” três vezes como presidente da “res pública”.
Voltando ao Neguinho, eis a íntegra de seu discurso em defesa do cachaceiro descondenado:
“Essa cambada de fidaputa que fala mal do colega nem imagina o que é uma ressaca desse veneno que nois bebe direto da boca da granadinha “prástica”. É uma sede monstra, que resseca a garganta, passando pelas tripa e acabando no “olho de porco”, que fica mais seco que gravatá no sertão nordestino. Com uma sede dessa, o vivente não tem força nem para olhar mulher pelada, quanto mais prestar atenção em hino.”
* * *


Retrato semelhante ao de Vovó Dinda do Bundão, com seus peitos fartos e pontudos
Vovó Dinda do Bundão, ex-escrava e ex-amante de um coronel afamado da Zona da Mata Sul Carpinense, com quem “ficou” por alguns anos, depois de ter sido alforriada das amarras do escravismo da região canavieira, que se negava a enxergar nela a grande mulher guerreira, que se casou na Igreja com vovô Amaro De Melo, que lhe dava conta do fogo abrasado que ela sentia a qualquer hora do dia ou da noite.
Vovó era uma negra bonita, pernas grossas, torneadas, corpo escultural, bunda enorme, peitos fartos. Apesar de não existirem pasta nem escova de dente na época, como mulher inteligente e avançada que era, não se entregava ao desleixo dentário. Por isso era muito cobiçada pelos senhores de engenhos da época, que viam nela não só o corpo sensual e pujante. Enxergavam nela a mulher forte, guerreira, corajosa, decidida, trabalhadeira e disposta a brigar em batalhas rurais para defender sua dignidade. Esses seus atributos e caráter não eram ignorados pelos homens de poderes da Zona da Mata da época.
– Gosto de homem, sim! Quanto mais homens, melhor! Não pedi para nascer com esse fogo na bacurinha! – dizia ela quando questionada pelos netos ávidos por ouvir os segredos de alcova dela. Gostaria de ter nascido em Palmeira dos Índios e ter conhecido Maria Pé na Tábua, a mulher que topou deitar-se com o negão africano da parreira que amarrava no joelho, como conta o meu amigo Liêdinho, o sociólogo das putas do Mercado São José. Eita mulher corajosa danada, dizia ela, dando uma risada que estalava na sala de casa, mostrando os dentes brancos sem cáries para os meninos.
– Já fiz amor no canavial com os capatazes que me protegiam das sanhas furiosas dos patrões, de noite, de tarde, de dia, fugindo dos cachorros das senzalas, das picadas das formigas, das cobras, dos insetos, das urtigas, mas nunca me arrependo. Só me arrependo daquilo que não fiz – dizia ela com os olhos brilhando de saudade dos “tempos idos e vividos.”
– Até hoje eu me pergunto como fui me apaixonar e ser leal ao avô de vocês. Eu não acreditava em feitiço não, mas até hoje eu só tenho uma explicação para dar por ter largado tudo para me juntar a Amaro: foi algum feitiço feito por uma dessas ciganas que andavam em rebanho sem paradeiro certo, que me pediu um anel de ouro que tenho e eu não dei. Só pode ser – repetia ela nas conversas descontraídas com os adolescentes.
– Meus netinhos lindos – murmurava ela, com mamãe a recriminando lá no fundo da cozinha do casarão onde ficava preparando a janta –, o vovô de vocês era homem macho na cama! Não me deixava suspirar! Eu gostava da sacanagem dele; ele também da minha; a gente era pareia certa um para o outro. Foi por isso que eu larguei tudo para viver com Amaro. Eita homem cabra de peia na cama! – dizia ela bem baixinho, sem mamãe ouvir.
Nunca haverá uma mulher mais feliz do que vovô Dinda do Bundão: Negra alforriada, cobiçada pelos homens ricos da região, mas que nunca se aproveitou dos atributos sexuais para tirar proveito com os senhores de engenhos; para estar no bem bom das fazendas. Ao contrário, casou-se na igreja com vovô Amaro De Melo. Com ele foi feliz até se encantar, porque tudo que ela o queria ele lhe dava em dobro: o prazer de ser feliz e ser amada sem restrições, mesmo na simplicidade do interior em fim do século XIX e começo do XX.