DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO – RECIFE-PE

Prezado Editodos,

em tempos passados, quando uma mulher perdia a virgindade, e o povo ficava sabendo, falava-se que “ela foi desonrada”.

Então, cabaré era um lugar sem honra, mas o Cabaré do Berto tem a honra de receber hoje uma poetisa extraordinária, que fez 69 com uma competência fora do comum: estamos falando de Dalinha Catunda, nossa colunista que nos brinda, semanalmente, com cordéis inteligentes e agora Dalinha deu (ops!) para convidar uma tuia de poetas para fazer desafios.

Recentemente ela e Xico Bizerra estavam “gemendo na rede”.

Pois bem, como tudo tem uma primeira vez, Dalinha Catunda vai inaugurar sua passagem por um Cabaré, vai perder “o andar de donzela”.

Vai ser fabuloso pelo talento que ela carrega (nas entranhas?) sem deixar de ser uma pessoa atenciosa, simples e com um espírito de humor que se botar na fronteira de Rússia e Ucrânia…acaba a guerra na hora.

Por favor, avise aos leitores do JBF e vamos espalhar o boato para convidar a todos para participar desse momento sublime.

Para acessar o cabaré é só clicar aqui.

Às 19h30, as portas do Cabaré estarão abertas. Abraços

R. O cabaré desta sexta-feira vai ser arretado!

Hoje à noite a escrotidão cabarezeira será pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

Uma palestra da nossa talentosa amiga Dalinha Catunda, inspirada poetisa e colunista do JBF, é simplesmente imperdível.

A partir das sete e meia da noite de hoje, a cambada fubânica estará reunida para mais um fraternal e divertido encontro.

Até lá!!!

A inspirada e talentosa cordelista Dalinha Catunda, um dos maiores nomes da cultura nordestina da atualidade

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Esta colunista e um mói de poetas trabalhando o meu mote:

Glosando sou saliente
Meto o sarrafo no mote.

* * *

Quando me ponho a glosar
Gloso com inspiração.
Com bom parceiro em ação,
Eu começo a incitar,
E vejo a glosa jorrar,
Com pares no mesmo bote.
Porém, sei dar meu pinote,
De maneira irreverente:
Glosando sou saliente
Meto o sarrafo no mote.

Dalinha Catunda

Busco o tema lá na lua
Ou colho no meu sertão
Que me dá inspiração
Com verdade nua e crua
Mas se alguém se insinua
Eu já digo que se bote
Vai pular feito caçote
Porque minha glosa é quente
Glosando sou saliente
Meto o sarrafo no mote

Rivamoura Teixeira

Gloso com muito querer
Quando o mote me desperta
Parece que a rima flerta
Faz meu ego florescer
A explosão do prazer
Arrepia o meu cangote
Fico feliz, dou pinote
Satisfeita e sorridente:
Glosando sou saliente
Meto o sarrafo no mote.

Lindicássia Nascimento

Efervescendo as entranhas,
Mexendo minha libido;
Jamais fico desprovido,
Te laço nas minhas manhas;
Pois tu sempre me assanhas,
Com charmes de fazer lote ;
Eu também tenho esse dote ;
Tô me sentindo caliente,
“Glosando sou saliente ;
Meto sarrafo no mote.”

Wellington Santiago

Nosso cordel é de fato
cultura e entretenimento,
pois, junta amor com talento
e tudo – num tempo exato –
vê-se harmonia e recato,
bom humor e raro dote,
d’um jeito qu’o leitor note
seu contexto inteligente…
“Glosando sou saliente,
Meto o sarrafo no mote.”

David Ferreira

Desde pequeno que eu gloso
Minha vida foi glosar
Quando saio a poetar
Eu encaro qualquer troço
Faço a rima que eu posso
Quando me pedem que bote
Me arrepia o cangote
Fico rindo, alegremente
Quando gloso sou saliente
Meto o pau em qualquer mote

Xico Bizerra

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COMENTÁRIO DO LEITOR

CARLITO LIMA, UM CABRA ARRETADO

Comentário sobre a postagem BLOCO DA NÊGA FULÔ

Carlito Lima:

Obrigado amigo Assuero.

Gostaria de trazê-lo para 4ª Festa Literária do Pontal da Barra (bairro periférico de Maceió) dias 30, 31 de março e 1 de abril.

Se você quiser é só me informar que arranjarei o que fazer.

Dou passagem, hospedagem, alimentação.

* * *

Nota do Editor:

Meu querido amigo Carlito Lima, colunista do JBF, escritor, carnavalesco, cronista e magistral figura humana, é um grande produtor cultural que agita a Nação Alagoana com suas promoções e eventos.

No comentário aí de cima, Carlito convida o também colunista fubânico Maurício Assuero para participar de sua mais recente criação, a Festa Literária do Pontal da Barra, em Maceió.

A convite de Carlito, eu  mesmo já participai da Festa Literária de Marechal Deodoro, a FLIMAR.

Ao lado de grandes figuras da literatura brasileira, como o escritor paulista Ignácio de Loyola Brandão, contista, romancista e membro da Academia Brasileira de Letras.

Este Editor com Ignácio de Loyola Brandão, numa palestra-debate em Marechal Deodoro-AL, durante a FLIMAR

Outra grande figura da literatura brasileira com quem participei de debates e conferências na FLIMAR foi o poeta Affonso Romano de Sant’Anna, marido da escritora Marina Colasanti.

Eu e Aline ficamos hospedados no mesmo hotel que eles, em Maceió, e batemos longos e agradáveis papos com o casal.

E, pra fechar a postagem, um pequeno vídeo da Festa Literária de Marechal Deodoro-AL, onde apareço debatendo com Ignácio de Loyola Brandão.

Foi em setembro de 2011.

Já lá se vão 11 anos…

DEU NO X

LÁGRIMAS, LÁGRIMAS, LÁGRIMAS

* * *

Quando a grande mídia banânica chega a publicar um negócio assim, eu fico a imaginar como é que está a situação real.

Fico pensando na tradução correta da frase “vantagem cada vez menor”, como está escrito na nota aí em cima.

Eu se alembro-me logo dos números do Data Povo, o instituto de pesquisas mais confiável que existe.

E que a gente vê todos os dias nas ruas.

As mesmas ruas onde Lula não aparece nem com a porra!!!!

Agora, aqui entre nós:

Confesso a vocês que estou morrendo de pena com a situação do sumido Lapa de Corrupto.

Chega me dói o peito quando penso na merda em que ele está mergulhado e meus olhos se enchem de lágrimas.

Choro copiosamente: xiuf, xiuf, xiuf, snif, snif, snif.

DEU NO JORNAL

PARECE QUE ESSE RACIOCINA…

O experimentado ex-presidente da Câmara e ex-ministro Aldo Rebelo acha correta a equidistância do Brasil na guerra na Ucrânia.

Sustenta que “não podemos internalizar conflito dos outros” e elogia a atitude da diplomacia brasileira de priorizar interesses do País, lembrando que a Rússia é maior fornecedor de fertilizantes do agronegócio.

Ex-PCdoB e ministro da Defesa do governo Lula, Rebelo realça que o Brasil “sempre foi parte da solução, não do problema”, na defesa de solução negociada.

“As pessoas no Brasil têm memória curta e seletiva”, disse ele à Rádio Bandeirantes, sobre críticas a Jair Bolsonaro por visitar a Rússia.

O ex-ministro também recordou que todos os ex-presidentes brasileiros, de FHC a Michel Temer, realizaram visitas oficiais à Rússia.

Aldo Rebelo testemunhou também que na invasão da Criméia o Brasil se comportou da mesma maneira, durante o governo Dilma Rousseff (PT).

* * *

Aldo Rebelo, um alagoano zisquerdista, ex-PCdoB e ex-ministro de gunverno petralha, me surpreendeu com as colocações que fez na sua entrevista à Rádio Bandeirantes.

Falou clara e corretamente.

Temos aqui uma curiosa exceção: um zisquerdista que raciocina.

Aldo disse que Bolsonaro está certo e agindo corretamente.

Podem acreditar: num é feiqui não.

Ele falou mesmo isto.

Tempos felizes: Lapa de Ladrão fazendo campanha pro cumpanhero

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

SOMENTE CINZAS

Terminou o feriadão do Carnaval, e só restaram as cinzas. O tempo não parou para ver a “Banda” passar. Simplesmente, a Banda, mais uma vez, foi proibida de passar.

Saudade da composição de Chico Buarque de Holanda A Banda:

A “minha gente sofrida” ainda não pôde se despedir da dor, “pra ver a Banda passar, cantando coisas de amor.. “

“O homem sério que contava dinheiro” não parou; “o faroleiro que contava vantagem” não parou; “a namorada que contava as estrelas” também não parou, para ver, ouvir e dar passagem à Banda, que mais uma vez, neste carnaval, foi proibida de sair às ruas.

“A moça triste que vivia calada” não teve motivos para sorrir…”A rosa triste que vivia fechada” não se abriu…

“A meninada” nem ao menos se assanhou, pois não havia banda a passar, tocando coisas de amor.

“O velho fraco” não se esqueceu do cansaço, nem pensou que ainda era moço pra sair no terraço e dançar…

“A moça feia” não se debruçou na janela, pensando que a banda tocava pra ela, pois, simplesmente, não havia banda.

“A marcha alegre” não se espalhou na avenida, nem “a lua cheia”, que vivia escondida, surgiu.

E a minha cidade não se enfeitou, pois não havia banda a passar, cantando coisas de amor.

O carnaval do fatídico mês 2 do ano de 2022 foi um desencanto total e “a Banda”, mais uma vez, não passou.

Há mais de dois anos, o povo não sabe o que é alegria nem liberdade de brincar o Carnaval. Nada mudou de lugar, nem a banda passou cantando coisas de amor.

Lembrei-me do personagem de Carlos Heitor Cony, na crônica “Cinzas e Nada Mais”. Trata-se de um religioso, que atendia pelo nome de Monsenhor Cinzas, como fora apelidado. Ao contrário do que o apelido sugeria, não era incolor nem apático, e sim um homem sanguíneo, dono de inúmeras frustrações e revoltado contra as pessoas bem sucedidas. Um pasto de “imensas cóleras contra a iniquidade do homem”.

Não tinha nada de cinzento, a não ser a alma.

Seu comportamento amargo afastava as pessoas que dele se aproximavam. Destruía as amizades, com sua curiosidade mórbida e sua inveja gritante. Sua revolta e seu mau humor deram origem ao apelido, que o acompanhou por toda a sua vida.

O apelido vinha do fato dele sempre gostar de lembrar que tudo na “humana lida” termina em cinzas.

Seu dia glorioso, seu grande dia, portanto, era a Quarta-feira de Cinzas (sua “finest hour”). “Cinzas e Nada Mais” era o seu bordão.

Ele passava o ano todo se lembrando de que toda a glória, toda a exultação e toda a formosura, mais cedo ou mais tarde, sem metáforas nem ressentimentos, acabam em um punhado de cinzas. E só se sentia feliz, quando tinha oportunidade de gritar o seu bordão: “Cinzas e Nada Mais”. Queria entristecer as pessoas que lhe ouviam e acabar com a alegria de viver de todos.

Contam os memorialistas que “quando o Fluminense foi tricampeão em 1938, Monsenhor Cinzas, que era Botafogo, invadiu a festa das Laranjeiras e ficou gritando: “Cinzas e Nada Mais!” Como quem diz: “Um dia, isto se acaba”…

Sua ferocidade era destruidora e desarticulava a alegria de quem estivesse feliz. Conta-se que ele agrediu um folião na terça-feira do Carnaval de 1944, que no bonde, cantava alto nos ouvidos dos passageiros:

“É hoje só, amanhã não tem mais! É hoje só, amanhã não tem mais!”

Deu-lhe um bofetão e ameaçou os demais passageiros, gritando:

“Cinzas e Nada Mais! Cinzas e Nada Mais!”

Monsenhor Cinzas terminou velho, desbotado e cinzento. Sofreu um AVC, sobreviveu, mas, mesmo assim, continuou revivendo “sua glória”, quando chegava a Quarta-Feira de Cinzas. Esse dia era para ele, ao mesmo tempo, a epifania, o Natal, a Páscoa e o triunfo. Era o dia das cinzas!!! Sua glória!

Ele era o verdadeiro “Corvo”, de Alan Poe. Uma figura macabra.

Foi professor de vários idiomas, mas a única frase que deixou gravada na memória dos alunos foi:

“Cinzas e Nada Mais!”

Pesquisando as marchinhas antigas, da coleção (Anos 30 a 84),organizada pelo produtor musical natalense, meu amigo José dias, encontrei essa bonita e significativa marchinha de Carnaval dos anos 30, “Rasguei Minha Fantasia”, do grande compositor brasileiro, Lamartine Babo: (Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 1904 — Rio de Janeiro, 16 de junho de 1963).

DEU NO JORNAL

O PAÍS DO CARNAVAL

Luís Ernesto Lacombe

O país do carnaval

Aquele carnaval que passou, o de 2020, foi “contagiante”. O governador de São Paulo estava animadíssimo… “Tanto riso. Oh! Quanta alegria”. E não vou atravessar o samba, entrar em especulações, discutir se teria sido melhor cancelar a folia dois anos atrás, se foi melhor mesmo cancelar a festa no ano passado, este ano. O que poderia ter sido, o contrafactual não vale muito, talvez nem o verso curto de um samba, uma rima apenas de um estribilho chiclete.

A Universidade Johns Hopkins, que não é escola de samba, que não vive no mundo da fantasia, disse que, nesse enredo de combate à covid, a adoção do lockdown foi uma bobagem. Grande parte da imprensa, um Pierrô apaixonado pela Colombina, pelo “fica em casa”, pelo “fecha tudo”, ignorou o estudo. Uma matéria curta quase oculta, uma notinha no jornal, confete sem plural, coisa pouca, nada que entregasse o amor sem sentido de outrora.

Os jornalistas também podem ser ruins da cabeça, doentes do pé… São como aqueles presidentes ou patronos de escola de samba, aqueles que ninguém pode contrariar, contradizer. Um surdo de marcação no compasso errado, e a gente da imprensa relativiza o que é aglomeração. Tem seus próprios conceitos, sua verdade própria, e sempre o mesmo culpado por tudo, das mortes por Covid à guerra, passando pela falta e pelo excesso de chuva.

Os governantes proibiram os blocos, mas teve bloco, bloquinho, festa privada lotada. Teve bateria completa e feijoada nas quadras, minidesfiles de escolas de samba, um mundo de gente, milhares de foliões empolgados, “livres, leves e soltos”. Os jornais descreveram: “foi um carnaval improvisado e inusitado”, feito por quem “não suportava mais os dois anos de jejum momesco”. Pela cobertura empática e fofinha da imprensa, acabou a pandemia (o que é ótimo!), mas vai o Bolsonaro dizer isso, vai o Bolsonaro aparecer na praia… Genocida é a fantasia que lhe vestem.

Então, entre para o arrastão do “Bloco Acorda pra Vida”! “Estamos em uma democracia”, disse o prefeito de uma capital, você não soube? A bateria deu uma virada, mudou o andamento… Ninguém mais vai humilhar o povo, impedir a circulação das pessoas, ninguém mais vai nos impedir de trabalhar. Se tentarem de novo, vamos fingir que estamos festejando. Um tambor e um abadá resolvem, não importa a época do ano… E criança na escola de verdade, agora e sempre, é como criança na escola de samba, no carnaval, não precisa usar máscara contra vírus nenhum.

O dia vai clarear, e todos entenderão que a vida não pode mesmo ser um carnaval de ilusões, tem alegorias e fantasias, mas tem realidade, tem verdades. Tem adereços e tem o que a pode enfear, desalinhar, desguarnecer. Vamos evoluir, no tempo necessário, sem o enredo da hipocrisia, que, ao contrário do samba, precisa ter hora para acabar. E a hora é agora! Ou talvez nunca mais parecerá positivo, de novo, ser o país do carnaval.