
Boa tarde, caro Berto
Amigo meu, pernambucano de quatro costados, hoje residente no Rio, me enviou este texto de recordações do “velho” Recife, com um roteiro que, acredito, muitas vezes foi cumprido por você e sua “gangue”.
Infelizmente, que não é esse amigo, o seu autor é casado com uma cascavel ainda aparentada com o Cel. Chico Heráclito ou com o Corisco e resolveu não correr o risco, pois talvez, se identificado, receberia uma passagem, só de ida, para a Ucrânia ou o Afeganistão.
Confesso que ainda peguei algumas poucas benesses aqui descritas, notadamente na Festa da Mocidade.
Reverências mís, Arael
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SAUDADES DA BOEMIA
Começo na Festa da Mocidade, no Parque Treze de Maio. Os shows de rebolado promovidos pelo grande ator Barreto Júnior, no “Teatro Marrocos”. A cervejinha gelada do “Cabana”; depois vamos ao “Torre de Londres”. Ali mesmo na Boa Vista podemos ir á “Canequinha”, “Cantina Star”, à “Botijinha”, ao “Bar Princesa Isabel”, a lanchonete “Simpatia”, ao “Mustang” e à boate “Aritana”, aonde as garçonetes não usavam sutiã. A “Cantina Boa Vista” é uma boa pedida. Depois, que tal a “Palhoça do Melo” ou a “Churrascaria Alvorada” onde Dr. Paivinha almoçava no intervalo dos plantões.
Vamos ao “Bar Sabiá”, num sítio da Madalena, dos irmãos Valença, compositores de “O teu cabelo não nega”. Agora é a “Imprensadinha” e seus múltiplos tiragostos. Do lado, a “Petisqueira Angolana”. O primeiro “Forró Cheiro do Povo”, na praça da Torre onde eu vi e ouvi Gonzagão e Gonzaguinha, cantando “A minha vida é andar por esse País”.. “Bar do Quiabo”, na rua da Lama. “O Cavalo de Aço”, no Prado. “O Chambaril da Várzea”, onde eu dizia que Frank Sinatra já estivera. Foi lá onde ele compôs o seu maior sucesso: “Chambaril You Love You”. “Bar da Tripa” na Cidade Universitária. E o “Bar do Espanhol”, no oitã o da Rádio Clube, onde tocava o violonista Ankito e cantavam os artistas da época de ouro do Rádio.