Caros Amigos,
Segue uma singela homenagem ao rio Capibaribe de Pernambuco.
E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui.
Obrigado, muita saúde, um forte abraço a todos e até a próxima.
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Jorge pontual na Globo News falando sobre o telegram. Certeza que foi chamado no RH logo depois 😂😂😂 pic.twitter.com/ypiD7lqdDy
— Willian (@willian67494582) March 20, 2022
Cajueiro pequenino,
Carregadinho de flor,
À sombra das tuas folhas
Venho cantar meu amor,
Acompanhado somente
Da brisa pelo rumor,
Cajueiro pequenino,
Carregadinho de flor.
Tu és um sonho querido
De minha vida infantil,
Desde esse dia… me lembro…
Era uma aurora de abril,
Por entre verdes ervinhas
Nasceste todo gentil,
Cajueiro pequenino,
Meu lindo sonho infantil.
Que prazer quando encontrei-te
Nascendo junto ao meu lar!
– Este é meu, este defendo,
Ninguém mo venha arrancar –
Bradei e logo cuidadoso,
Contente fui te alimpar,
Cajueiro pequenino,
Meu companheiro do lar.
Cresceste… se eu te faltasse,
Que de ti seria, irmão?
Afogado nestes matos,
Morto à sede no verão…
Tu que foste sempre enfermo
Aqui neste ingrato chão!
Cajueiro pequenino,
Que de ti seria, irmão?
Cresceste… crescemos ambos,
Nossa amizade também;
Eras tu o meu enlevo,
O meu afeto o teu bem;
Se tu sofrias… eu, triste,
Chorava como… ninguém!
Cajueiro pequenino,
Por mim sofrias também!
Quando em casa me batiam,
Contava-te o meu penar;
Tu calado me escutavas,
Pois não podias falar;
Mas no teu semblante, amigo,
Mostravas grande pesar,
Cajueiro pequenino,
Nas horas do meu penar!
Após as dores… me vias
Brincando ledo e feliz
O-tempo-será e outros
Brinquedos que eu tanto quis!
Depois cismando a teu lado
Em muito verso que fiz…
Cajueiro pequenino,
Me vias brincar feliz!
Mas um dia… me ausentaram. .
Fui obrigado… parti!
Chorando beijei-te as folhas. . .
Quanta saudade senti!
Fui-me longe… muitos anos
Ausente pensei em ti…
Cajueiro pequenino,
Quando obrigado parti!
Agora volto, e te encontro
Carregadinho de flor!
Mas ainda tão pequeno,
Com muito mato ao redor…
Coitadinho, não cresceste
Por falta do meu amor,
Cajueiro pequenino,
Carregadinho de flor.

Juvenal Galeno da Costa e Silva, Fortaleza (1838-1931)
Paulo da Silva Prado nasceu em 20/5/1869, em São Paulo, SP. Advogado, empresário, historiador, escritor, ativista cultural e mecenas dos integrantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Grande incentivador da cultura e um dos fundadores da SPAM-Sociedade Pró-Arte Moderna, em 1932. É considerado um dos intérpretes do Brasil, com sua polêmica obra Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira (1928), um dos clássicos da historiografia nacional.
Descendente de uma influente família paulista, era o primogênito do conselheiro Antônio Prado, primeiro prefeito da cidade de São Paulo, e Maria Catarina da Costa Pinto e Silva. Em 1890, aos 21 anos, diplomou-se advogado e viajou para a Europa, onde passou alguns anos com o tio Eduardo Prado, que o levava para conversar com o português Eça de Queiroz e outros intelectuais e escritores deste quilate. Na companhia do tio, de Olavo Bilac e Domício da Gama, participou das homenagens ao 10º aniversário da morte de Gustave Flaubert, em Rouen. Durante a viagem de Paris a Rouen, dividiu o vagão na 1ª classe com Émile Zola, Edmond de Goncourt e Guy de Maupassant. Convivia também com alguns brasileiros que, de vez em quando, por lá flanavam, tais como Joaquim Nabuco e o Barão do Rio Branco. Só voltou em meados de 1910, a chamado do pai para cuidar dos negócios da família, que não eram poucos. Entre 1911 e 1924, foi gerente e presidente da exportadora de café Casa Prado, Chaves & Cia., a maior empresa brasileira no ramo. Seu envolvimento com a arte deu-se em 1919 ao promover a “Exposição de Pintura e Esculturas Francesas” no hall do Teatro Municipal e a montagem da peça O contratador de diamantes, de Afonso Arinos.
Sua importância na Semana de Arte Moderna de 1922 pode ser vista através do diálogo de seus organizadores, publicado na entrevista de um deles, Rubens Borba de Moraes:
– Mas, para fazer essa coisa, precisamos de dinheiro.
E aí alguém disse:
– Justamente com o dinheiro não tem importância. Nós vamos falar com o Paulo Prado.
O Paulo Prado era um grande senhor, um homem milionário, que ia todos os anos à Europa, tinha vivido em Paris, tinha conhecido Eça de Queiroz e estava a par do que você falasse sobre Picasso…de maneira que disse:
– Nós vamos fazer isso. Mas é preciso fazer o seguinte: vamos arranjar o dinheiro com os homens ricos de São Paulo, eu peço para eles, e eles dão esse dinheiro para fazer isso.
E organizamos a Semana de Arte Moderna, e esses milionários paulistas entraram com o dinheiro… e depois ficaram decepcionadas com as manifestações da Semana”. (clique aqui para ler). Após a “Semana”, começou a promover a emigração de alguns artistas modernistas à Paris, como Brecheret, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Villa Lobos, bem como a imigração do poeta Blaise Cendrars ao Brasil e a visita do arquiteto Le Corbusier, em 1929, para conferências em São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires.
Sua relevância no movimento modernista é confirmada através dos depoimentos de seus protagonistas Mário de Andrade: “Sem ser artista ou poeta, sem ser o propositor central dos padrões renovadores de expressão – embora fosse conhecedor e opinasse a respeito – Paulo Prado foi justamente quem deu expressão social ao Modernismo, o que significa dizer que deu o sentido de movimento às experiências até então isoladas dos modernistas” e Oswald de Andrade: “sem a inteligência e a compreensão de Paulo Prado, nada teria sido possível. Ele foi o agente de ligação entre o grupo que se formava e o medalhão Graça Aranha”. Seu nome não é apenas o primeiro a aparecer na lista dos financiadores da Semana. Encarregou-se também do programa, da divulgação e demais detalhes de evento. Mário de Andrade reitera que seu prestígio “abre a lista das contribuições e arrasta atrás de si os seus pares aristocratas e mais alguns que sua figura dominava”.
Suas atividades, além do poderio econômico, extrapolou para a política cultural, que vinha despontando desde muito antes ao negociar com o poeta Paul Claudel, Encarregado dos Negócios da França no Brasil, o estabelecimento do Convênio Franco-Brasileiro em 1917. Por tal feito recebeu a mais alta condecoração francesa: a medalha da Legião de Honra, instituida por Napoleão Bonaparte para recompensar os méritos militares ou civis à nação francesa. Mesmo após a “Semana de 1922” são lançadas diversas revistas de divulgação da produção modernista e seu mome aparece s associado à fundação e ao controle de boa parte dessas publicações. Assumiu o controle da Revista do Brasil, de grande repercussão e longevidade no início do século XX, a Revista do Brasil, editada de 1918 a 1925 por Monteiro Lobato. Devido ao sucesso da publicação, Lobato funda a editora “Monteiro Lobato & Cia”, que conta com sua colaboração financeira na montagem do parque gráfico, e revolucionou o mercado editorial brasileiro. Nesse período, entre 1923 e 1925, enquanto Lobato concentra seus esforços na editora, a Revista do Brasil passa a ser dirigida por Paulo Prado.
Como se viu, o empresário viveu entre duas épocas e dois mundos bem distintos: fins do século XIX e início do século XX, numa Europa que se modernizava e um Brasil que ainda não engatinhava no modernismo. Por esta razão é visto como uma figura de “transição”, representando o ponto de encontro de duas épocas, e duas mentalidades distintas. É também um período de transição da Monarquia à República, da escravidão negra à mão de-obra livre, do apogeu da exportação do café aos primórdios da industrialização. Em contatos com o historiador Capistrano de Abreu (1853-1927), passou a se interessar pela história e publicou dois livros: a história de São Paulo – Paulística (1925) – e a formação do Brasil – Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira (1928), que causou grande polêmica entre os intelectuais. A pedido de Capistrano, empreendeu parte do projeto inacabado de Eduardo Prado, financiando diversas obras raras sobre a história do Brasil. A coleção Eduardo Prado: para conhecer melhor o Brasil teve seus primeiros volumes iniciados em 1922.
O Retrato do Brasil busca explicar as origens do atraso econômico e cultural do País e dos vícios crônicos dos regimes políticos, através do processo de formação racial e cultural da nacionalidade. Segundo alguns estudiosos, apresenta “uma noção racista de superioridade do povo branco paulista e uma concepção do negro como uma raça inferior e corruptora no seio das famílias”. Ou seja, uma noção contraposta a suas ideias de ruptura com o passado, expostas na Semana de Arte Moderna. Tal contradição, levou seu amigo Gilberto Freyre a descrevê-lo como “um dos casos mais curiosos de Dr. Jekyll e Mr. Hyde que já houve no Brasil”, exagerando na comparação.
No entanto, trata-se de um livro que vem sendo reeditado até hoje e considerado básico para o entendimento de algumas peculiaridades na formação do povo brasileiro. Em 2012 o pesquisador Carlos Augusto Calil organizou uma nova edição pela Companhia das Letras, revista e ampliada incluindo a seção “Outros retratos do Brasil” com textos dispersos do autor. Tal lançamento e a repercussão causada certificam que “o apelo veemente à modernização do Brasil e a denúncia dos males da política ainda hão de reverberar como questões candentes (e irresolutas) ao leitor de hoje”. Segundo o historiador Francisco Iglésias, o ensaio de Paulo Prado “é um livro muito errado, mas fundamental e brilhante que se lê com muito prazer”. Para o historiador Boris Fausto, trata-se de “uma tentativa de fazer uma psicologia coletiva, ao passo que as análises de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque têm uma amplitude muito maior e dão mais atenção à vida material. Nesse sentido, Retrato do Brasil seria, isso sim, um precursor da tendência que seria depois chamada de história das mentalidades”.
Não contamos ainda com uma biografia p.p. dita do empresário paulista, mas um apanhado de seu envolvimento com a cultura brasileira pode ser visto no bem intitulado artigo – A face oculta e visionária da Semana de Arte Moderna de 1922 – à disposição na Internet (clique aqui para ler) o que se aproxima mais de uma biografia pode ser visto no livro de Carlos Eduardo Ornelas Berriel – Tietê, Tejo, Sena; a obra de Paulo Prado – lançado pela editora Papiros, em 2000.

O balé do Louva-Deus
As estradas da vida já nos mostraram tantas coisas, mas tantas coisas que, uma única culminância não serviria de somatório.
Vimos, outrora, o poético sopro do vento desenhando ondas imaginárias nas águas paradas do açude; vimos o nascimento da rosa que há segundos, minutos, horas e dias era um botão; e, parafraseando o sertanejo, vimos até o casamento da raposa quando chovia e fazia sol ao mesmo tempo.
Vimos, a vida humana desabrochando em ser, transformando uma vagina num buquê de rosas que sangrava e mostrava ao mesmo tempo, o quão bela e ao mesmo tempo perfeita a Natureza divina. Vimos, também, a morte num adeus solene de quem parte – e tendo consciência disso! – acenando com as mãos como a dizer: nos encontraremos brevemente!
Vimos o semear do milho e do feijão – e isso dá um sabor diferente na hora da mastigação. É, com certeza, o ciclo da vida e de tudo.
Pois, certa noite, mal chegada, tivemos a feliz premiação de ver, também, uma fina neblina tangida pelo fraco vento que, pela nossa posição, transformava um grosso galho de acácia num palco natural da vida.
Um desenho que não foi feito por nós: ao fundo, a lua de agosto, redonda e límpida, nos trazia a silhueta de um provável casal de Louva-Deus em cópula, garantindo a preservação da espécie.
Mas, aos olhos curiosos e profanos do amor em transe, e na retina da nossa experiência, o que vimos (ou o que queríamos ver mesmo) foi um verdadeiro balé transformado num autêntico, perfeito, PAS DE DEUX.
Mote de Pedro Silva:
Eu sei quando o verso presta,
Só não sei como é que faz!
Li Rogaciano Leite,
As letras de Marcolino,
Ao ler Diniz Vitorino
Senti enorme deleite.
Versos repletos de enfeite
Com rimas tão magistrais
Que já não se ouvem mais
Em cantoria ou seresta.
Eu sei quando o verso presta,
Só não sei como é que faz!
Eu já li Pedro Fernandes,
O mestre Zé Adalberto,
Sei que não passo nem perto
Dos versos dos vates grandes.
Já visitei os estandes
De inúmeros festivais:
Braz Costa, Dudu Morais
Poetas que vêm à testa.
Eu sei quando o verso presta,
Só não sei como é que faz!
Não tenho como citar
Poetas que admiro.
Por isso mesmo, prefiro
Neste momento louvar
A quem vive a cultivar
Poemas sentimentais
Enumerando o que faz
A vida ser uma festa.
Eu sei quando o verso presta,
Só não sei como é que faz!