A serpe, que adornando várias cores, com passos mais oblíquos, que serenos, entre belos jardins, prados amenos, é maio errante de torcidas flores;
se quer matar da sede os desfavores, os cristais bebe com a peçonha menos, por que não morra com os mortais venenos, se acaso gosta dos vitais licores.
Assim também meu coração queixoso, na sede ardente do feliz cuidado bebe c’os olhos teu cristal formoso;
Pois para não morrer no gosto amado, depõe logo o tormento venenoso, se acaso gosta o cristalino agrado.
Manuel Botelho de Oliveira, Salvador-BA (1636-1711)
A lógica de que o sindicato existe para proteger o empregado do patrão é falsa: não é patrão contra empregado.
Os sindicatos só existem para “proteger” os empregados dos desempregados; criam barreiras à entrada no mercado de trabalho como piso salarial e outros benefícios.
Então, um desempregado que se disporia a trabalhar por menos que o piso estabelecido (seria bom para ele e para o empregador) não pode entrar naquele mercado de trabalho. Esta é uma das causas de tanta informalidade no Brasil.
Outro ponto importante é que os sindicatos sempre viveram às custas do trabalhador brasileiro, subsidiados pelo estado amigo através do indecente imposto sindical. Então os sindicatos viram que era melhor servir aos partidos de esquerda (defensores do tal imposto) do que servir aos trabalhadores.
Tudo que eles querem hoje é agradar aos partidos de esquerda, manobrando para a volta do imposto.
O trabalhador? Eles estão se lixando: vendo como suas finanças desmoronaram com o fim do imposto sindical, dá para ver que não têm como se sustentar com as contribuições de trabalhadores sindicalizados, ou seja: os trabalhadores não estão nem aí para os sindicatos (com exceção dos funcionários públicos, que não deveriam ter sindicatos – ter estabilidade no emprego e poder fazer greve é uma tremenda aberração).
De qualquer modo trabalhar CONTRA um aumento de salários, só para fazer oposição ao Presidente da República, para mim é inédito.