Lula é fake em tudo, em popularidade e em humildade. No mesmo vídeo, você vê o seu “apoio popular” (invasores do MST) e sua revolta por ser recebido num palanque pequeno. Tem mais arrogância nesse vídeo do que apoio popular. pic.twitter.com/x9okMvQLvH
Semana passada recebi, via correios, um magnífico presente do colunista fubânico José Paulo Cavalcanti, o mais novo membro da Academia Brasileira de Letras, eleito que foi em novembro último.
Pois José Paulo me mandou um volume autografado de sua mais recente obra, intitulada “Gamão Para Iniciantes“.
Um verdadeiro tratado sobre o Gamão, um jogo disputado no tabuleiro que é tradicional aqui no nordeste e que eu sempre gostei de jogar desde os meus tempos de juventude.
Fiquei espantado e boquiaberto com as informações contidas logo na abertura do livro:
Danô-se!!!
Dessas eu não sabia e fiquei completamente abestalhado com estas revelações.
O meu querido Gamão, que joguei tanto em passado recente, vem desde os tempos antes de Cristo, segundo o estudo de José Paulo.
Gamão é um jogo de tabuleiro para dois jogadores, realizado num caminho unidimensional, no qual os adversários movem suas peças em sentidos contrários, à medida que jogam os dados e estes determinam quantas “casas” serão avançadas, sendo vitorioso aquele que conseguir retirar todas as peças primeiro (de onde pode ser tido como sendo também um “jogo de corrida” ou “de percurso”).
Mas o que eu quero ressaltar é o seguinte:
Neste seu livro, José Paulo cita o meu nome e se refere a um fato acontecido comigo e que relatei numa crônica que escrevi nos anos 80. Uma crônica que José Paulo tem em seus arquivos.
Este fato citado por José Paulo, os sonetos “psicografados”, foi uma presepada aprontada pelo meu saudoso amigo Orlando Tejo.
Uma presepada que relatei na crônica que está transcrita a seguir.
* * *
O CASO DOS SONETOS PSICOGRAFADOS
Eram umas reuniões que nós fazíamos lá em casa e que costumavam varar as noites. Em geral, as noites de sábado para o domingo. A vastidão do mundo era o nosso pequeno território de domínio e sobre ele discursávamos com a segurança de viventes calejados e experimentados no ofício de esquadrinhar a vida. Teve uma noite em que meu compadre Tira-Teima, cantador de ofício e rudemente alfabetizado nas letras da vida, fez uma conferência sobre a enormidade de incestos, traições, concubinatos, amasiamentos e mais um sem-número de sem-vergonhices contidas no Velho Testamento que deixou boquiaberto o Prof. Salim Sidhartta, este doutor formado e com mestrado em Lingüística. E fez sua palestra, conforme afirmou então, escudado na sua condição de ex-crente Batista e, principalmente, na sua autoridade de cantador obrigado, por dever de ofício, a ser conhecedor do texto sagrado.
Conversava-se muito miolo-de-pote e a garrafa de aguardente ficava correndo na roda, sempre temperada por um tira-gosto que eu mesmo preparava. Era um tempo adorável e, no íntimo, cada um de nós sabia que um dia ainda sentiríamos muita falta daquilo. Glória, mulher de Salim, viajou antes do combinado e deixou uma lacuna que envolvia a gente pelos quatro cantos. Meu compadre Tira-Teima também partiu para o infinito numa noite de lua e o silêncio de sua fala estridente me perturba até hoje. Orlando Tejo voltou para o Nordeste e a nossa roda acabou-se aos poucos, restando apenas a lembrança dessas besteiras que tento narrar agora.