DEU NO JORNAL

DISCURSOS VAZIOS NÃO COMBATEM VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Editorial Gazeta do Povo

Representantes dos poderes levaram suas mulheres

O lançamento do chamado Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio pelo governo federal nesta semana expõe, de forma quase didática, o descompasso entre o discurso político e a realidade das ações do governo federal voltadas para as mulheres. Anunciado durante evento em Brasília, com direito a discursos inflamados, o pacto simplesmente não traz nenhuma proposta concreta ou medida efetiva capaz de alterar, de maneira substantiva, o ambiente de impunidade que sustenta a violência contra a mulher no Brasil.

Nos últimos anos, a violência contra as mulheres só tem crescido. Em 2024, o país registrou 1.492 feminicídios; em 2025, o total subiu para 1.518 vítimas, o maior número desde a criação da lei que tipificou o crime. Isso significa que, em média, quatro mulheres brasileiras são assassinadas por dia. Houve crescimento também em outros crimes associados à violência contra as mulheres, como perseguição (stalking), violência psicológica, e crimes de violência sexual, como estupro.

Tudo isso sob a atual gestão federal, que fez da pauta feminina um de seus principais pilares retóricos durante a campanha eleitoral passada. Na prática, porém, pouco foi feito para alterar o cenário. Dados oficiais mostram que, em 2024, apenas 12% dos recursos previstos para ações de combate à violência contra a mulher foram efetivamente executados. Pactos, programas e campanhas sucessivas acumulam-se no discurso, mas não se traduzem em proteção real. A omissão administrativa, nesse caso, não é abstrata – tem consequências diretas, mensuráveis e, como demonstram os números, é paga com vidas.

Violência contra a mulher não se combate com comissões, slogans, declarações genéricas de compromisso ou frases populistas, como a de Lula afirmando que “vai meter a colher”. Combate-se com polícia presente, investigação eficiente e rápida, fiscalização rigorosa de medidas protetivas, penas proporcionais à gravidade dos crimes e um sistema de Justiça que funcione como fator de dissuasão, não como estímulo indireto à reincidência.

O caso de Sérgio Nahas, preso recentemente 22 anos após assassinar a própria esposa, ilustra de forma exemplar o colapso desse sistema. Não se trata de exceção exótica, mas de sintoma estrutural: a demora judicial, a fragilidade da persecução penal e a incapacidade do Estado de oferecer resposta proporcional à violência praticada. As mulheres brasileiras não pedem discursos vazios; pedem segurança. Querem que criminosos sejam presos, julgados e punidos em tempo razoável – antes que a reincidência produza novas vítimas.

A hipocrisia do governo se torna ainda mais evidente quando se observa sua atuação política. Historicamente, o petismo resistiu sistematicamente a propostas de endurecimento penal e de maior responsabilização de agressores, sempre sob o argumento abstrato da proteção de garantias fundamentais – invariavelmente as do agressor, raramente as da vítima. No Congresso, parlamentares do partido votam contra projetos que exigem maior cumprimento de pena para crimes hediondos, como estupro e homicídio, enquanto o discurso oficial insiste em proclamar uma suposta “guerra” contra o feminicídio.

Não é irrelevante, tampouco, a forma como o tema é tratado no plano eleitoral. Nas comemorações recentes do aniversário do PT, em Salvador, dirigentes partidários trataram as mulheres como eleitorado estratégico, essencial para projetos de reeleição. A linguagem é reveladora: mulheres aparecem como segmento a ser mobilizado simbolicamente, alvo de promessas e discursos inflamados, mas não como destinatárias de políticas públicas eficazes, capazes de garantir segurança concreta no cotidiano.

Enquanto governos insistirem em tratar a violência contra a mulher como peça retórica, o número de vítimas continuará a crescer. Pactos sem execução, discursos vazios e promessas sem consequência não alteram a realidade – apenas a disfarçam. A violência contra a mulher não persiste por falta de diagnósticos, mas por ausência de decisões. E cada vez que o Estado escolhe a encenação em lugar da ação, o preço é pago pelas mulheres.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

GRANDEZAS E PENÚRIAS

Na sociedade brasileira atual, onde um individualismo perverso está asfixiando uma sadia convivialidade social, assusta muito demonstrar solidariedade, manifestar sensações fraternais, condoer-se com os menos favorecidos, ser ombro amigo. Melhor ser solidário à distância, sensibilizar-se com as crianças da Bósnia, horrorizar-se com os massacrados pelos israelitas em Gaza, sair em passeata em prol do cachorro Orelha ou protestar contra o atual quase ruminante Sistema Político Brasileiro.

A sociedade nossa foi edificada a partir do ego. Mas a sabedoria popular ensina que “quanto mais se verga o arco, mais longe voará a flecha, quebrando-se o arco se a curvatura for excessiva”. As promessas de vida fácil, com muito dinheiro posto em Bets, estão multiplicando os otários compulsivos masterizados, a compulsão deles bem mais elevada que o apenas racional. E se o idiotizado é honestamente advertido, o otário sente-se ressentido, como se o mundo inteirinho estivesse tentando destruir seu projeto de enriquecimento acelerado.

O florentino Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe, permanente fonte de consulta para pensantes de todos os calibres, dividiu os cérebros em três categorias: a dos que pensam por si mesmo, a dos que discernem a partir do entendimento dos outros e a dos que não entendem nada, nem a partir de si nem a partir dos outros. Na categoria última certamente se inscrevem os que perderam sua individualidade através de uma manada mórbida, os fins valendo todos os meios.

Na primeira das categorias de Maquiavel, sem qualquer dúvida se posicionou a figura sábia do mestre Harbans Lal Arora, serenamente a entender que “para se melhorar a situação presente, o melhor caminho é estar bem consciente de sua enorme dificuldade”. Possuindo a alegria de servir, Harbans era despido das pedanterias academicistas dos que costumam se idolatrar por ausência de discípulos. Harbans assimilava cotidianamente a imorredoura lição de Spinoza, explicitada na sua Ética: “A alegria é a passagem de um homem de uma perfeição menor para uma perfeição maior”.

Saibamos, apesar de todos os senões existenciais do momento, ser radicalmente humanizados, fiéis seguidores dos “mandamentos” abaixo:

1. Que a produção atenda às reais necessidades do povo, jamais servindo apenas às exigências do sistema econômico;

2. Que a relação entre as pessoas seja de colaboração, nunca de exploração;

3. Que o antagonismo obcecado dê vez à solidariedade persistente;

4. Que se empenhe pelo consumo adequado, nunca supérfluo;

5. Que as organizações sociais tenham por objetivo o bem-estar humano;

6. Que todos sejam, na vida social, participantes ativos, sempre de espíritos abertos.

Para ainda um início de ano, às vésperas de Momo, sempre esperando que a vaca tussa de modo mais generoso, recomendaria a leitura de dois textos que muito me impressionaram. O primeiro é Espelho do Ocidente – o nazismo e a civilização ocidental, Jéan-Louis Vullierme, RJ, Difel, 2019. 364 p. Onde se analisa, sob uma perspectiva incomum, as raízes do nazismo, muito mais amplas e profundas que o senso comum que postula que o fenômeno é produto de uma geração espontânea, fruto de mentes doentias alicerçadas numa ideologia antissemita. O livro é fruto de ampla pesquisa, resultado de uma preocupação que atualmente reina no mundo contemporâneo: uma inevitabilidade histórica que pode resultar em maldades já tidas como exclusas da história dos amanhãs.

A segunda leitura é complementar à primeira: A Coragem da Desesperança: crônicas de um ano em que agimos perigosamente, Slavoj Zizek, Rio de Janeiro, Zahar, 2019, 364 p. Um pensador de análises fecundantes, por vezes bastante inquietantes, sobre as luzes de um fim de túnel que nada mais é que o farol de um trem acelerado vindo em nossa direção. E só quando admitirmos que a situação é absolutamente irremediável e sem esperanças, as mudanças serão quiçá possíveis. Slavoj é considerado o filósofo mais perigoso do Ocidente, segundo o The Guadian. Leitura para os desbundamolizados éticos de nível superior.

DEU NO JORNAL

AUTORITARISMO

Leandro Ruschel

R$ 12 milhões de dinheiro público para uma escola de samba fazer propaganda eleitoral para o Descondenado…

Quantas centenas de milhões a mais estão sendo pagos aos grandes grupos de comunicação, como a Globo?

Além disso, quanto está sendo pago à milícia digital esquerdista nas redes?

Lembre: a partir de 2020, a “justiça” brasileira censurou e perseguiu dezenas de produtores de conteúdo conservadores.

A redação do Terça Livre, por exemplo, foi empastelada pelo regime sob a acusação de produzir “fake news” a favor de Bolsonaro. E, até hoje, não foi provado o repasse de um único real do governo da época ao canal…

A Revista Oeste também foi alvo de assédio judicial. Quando o chefe da censura da Justiça Eleitoral disse ao seu superior que não havia encontrado nenhuma irregularidade no conteúdo produzido pela revista, o superior — braço direito de Moraes — ordenou: “seja criativo”.

Nas eleições, centenas de posts foram censurados; e até mesmo um documentário sobre a facada em Bolsonaro foi impedido de ir ao ar.

Um vídeo com uma colagem de casos de corrupção durante os governos petistas foi censurado sob a acusação de “desordem informacional”, nas palavras do então ministro Lewandowski.

Após a vitória de Lula, ele foi escolhido para ser ministro da Justiça do Descondenado. Saiu de fininho do ministério, antes que fosse revelado que o escritório de advocacia de sua família recebeu R$ 2,5 milhões do Banco Master….

Eis a realidade do regime brasileiro: recursos infinitos para propaganda a favor do regime; censura e perseguição para os opositores. É assim que opera qualquer regime autoritário.

PENINHA - DICA MUSICAL

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DEU NO JORNAL

ABAFA-ABAFA

A oposição articula convocação de Sidônio Palmeira (Comunicação) na CPMI do INSS.

Coronel Chrisóstomo (PL-RO) acusa o ministro de Lula de gastar rios de dinheiro em publicidade para abafar a gatunagem.

* * *

“Abafar a gatunagem”.

Uma expressão que se casa com perfeição com as práticas do atual gunverno petralha.

Esconder roubalheira é parte integrante da rotina administrativa do bando.

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DESMONTE

Karina Michelin

O clima interno no IBGE entrou em estado de rebelião aberta. O que está em curso é um desmonte técnico, com forte contorno político, às vésperas da divulgação do dado mais sensível da economia brasileira: o PIB.

Desde que o petista Márcio Pochmann assumiu a presidência do Instituto, servidores de carreira vêm alertando para a erosão da independência técnica do órgão responsável pelas estatísticas oficiais do país. Em 2024, técnicos redigiram uma carta formal manifestando preocupação com o rumo do IBGE, endossada por ex-presidentes da instituição. O alerta foi ignorado.

Agora, o risco se materializou.

Em 19 de janeiro, de forma silenciosa, foi exonerada Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais há 11 anos e referência técnica no cálculo do PIB. A decisão desencadeou uma debandada inédita: Cristiano Martins, coordenador da área de bens e serviços, deixou o cargo; Cláudia Dionísio, responsável pelas contas trimestrais, saiu em seguida; Amanda Tavares, do mesmo núcleo estratégico, também foi afastada.

Na prática, o núcleo técnico responsável pelo PIB foi esvaziado semanas antes da divulgação oficial, marcada para 3 de março. Um órgão de Estado ficou subitamente órfão de seus quadros mais experientes, sem explicações públicas e sem transição transparente.

A substituição ocorreu internamente, mas o problema não é o nome – é o método. Exonerações em série, no apagar das luzes, em um instituto cuja credibilidade é seu principal ativo, às vésperas da divulgação de números que são marcadores fundamentais para o Brasil, são escandalosas.

Dados econômicos só têm valor quando são confiáveis. O mercado, investidores e agentes econômicos não precificam discurso político; precificam confiança. E essa confiança, assim como a credibilidade, acaba de ser colocada em xeque.

O IBGE não é instrumento de governo, nem trincheira ideológica. Transformá-lo em um pardieiro aparelhado compromete não apenas um número, mas a credibilidade do país inteiro.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO