DEU NO JORNAL

FACÇÕES CRIMINOSAS

Martin De Luca

O argumento de que a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos “ameaça a soberania brasileira” inverte completamente o problema.

A ameaça à soberania brasileira não vem dos EUA reconhecer a realidade. A ameaça à soberania brasileira vem de facções criminosas que controlam territórios, impõem regras paralelas, aterrorizam populações civis, corrompem agentes públicos, lavam bilhões, traficam drogas e armas através de fronteiras e projetam sua atuação para além do Brasil.

Soberania é a capacidade efetiva do Estado de controlar seu território, proteger sua população e impedir que organizações criminosas substituam o poder público.

O argumento de que PCC e CV não poderiam ser tratados como organizações terroristas porque “não têm bandeira política” é juridicamente estreito e empiricamente ingênuo. Essas organizações talvez não publiquem manifestos ideológicos como grupos revolucionários clássicos. Mas exercem poder político no sentido mais concreto possível porque controlam comunidades, intimidam autoridades, influenciam eleições, paralisam cidades, impõem toque de recolher, ordenam ataques contra agentes públicos e usam violência sistemática contra civis para preservar domínio territorial e econômico.

A designação americana não transforma o Brasil em alvo. Ela mira organizações criminosas específicas que representam ameaça transnacional. Também não autoriza automaticamente intervenção militar em território brasileiro. Esse espantalho serve mais para criar pânico político do que para explicar o direito aplicável. O efeito concreto da designação é ampliar ferramentas contra financiamento, logística, facilitadores, lavagem de dinheiro, movimentação internacional, apoio material e redes de suporte. Ou seja onde essas facções são mais vulneráveis.

Também é curioso ouvir preocupações abstratas com soberania quando as principais vítimas da perda de soberania são os brasileiros que vivem sob domínio criminoso. Para a mãe que não pode sair de casa porque uma facção decretou toque de recolher, para o comerciante extorquido, para a família atingida por guerra territorial, para o policial assassinado e para a comunidade abandonada à governança criminal, a soberania brasileira já foi violada há muito tempo — não por uma designação americana, mas pelo poder armado das facções.

A pergunta correta é por que o Estado brasileiro permitiu que essas organizações crescessem a ponto de se tornarem uma ameaça hemisférica. Se o Brasil tivesse desmantelado sua infraestrutura financeira, contido sua expansão internacional, protegido suas fronteiras, impedido sua infiltração institucional e recuperado os territórios dominados por facções, talvez EUA não tivesse sentido necessidade de agir.

Isso não é uma medida anti-Brasil. É uma medida contra o PCC e o Comando Vermelho. O verdadeiro ato pró-Brasil é reconhecer que o povo brasileiro é a primeira e maior vítima dessas organizações e que a cooperação internacional contra elas deve ser bem-vinda, não tratada como ofensa nacional.

O Brasil deveria responder não com indignação performática, mas com cooperação, inteligência financeira, extradições, bloqueio de ativos, repressão à lavagem de dinheiro e uma estratégia nacional séria para recuperar territórios dominados pelo crime organizado.

A soberania brasileira não será protegida defendendo a sensibilidade diplomática de facções criminosas. Será protegida destruindo o poder delas.

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (52) ‒ POLÍTICOS

Mais conversas, hoje só com políticos e afins, em livro que estou escrevendo (título da coluna). Estamos bem perto do fim, volto a dizer. E ando já com saudades, ao perder esse encontro mensal com o leitor neste espaço.

DINARTE MARIZ, governador do RN. Em Jucurutu, era promotor da cidade Nelson Queiroz, amigo do ministro do STJ Marcelo Navarro (que contou essa história). Dando-se que Nelson, no palanque, saudava o grande político potiguar:

‒ Dinarte, apesar de sequer ter concluído o curso primário, tornou-se grande empresário, senador da República e governador do Estado. Imaginem o que poderia ser?, caso tivesse estudado.

O velho achou que era demais e interrompeu sua fala dizendo, no microfone

‒ Eu seria promotor em Jucurutu.

ERNESTO SOUSA VILAÇA, comerciante, mais conhecido como Ernesto Babão. Indignado com os vereadores das cidades atendidas por seu posto de gasolina (que não pagavam as contas do combustível usado) e, no meio de uma carraspana, recitou versos que acabaram famosos na região:

‒ Jupi é terra de corno
Calçado de perdição
Já Lajedo é de viado
Canhotinho, de ladrão.

FLAVIO BIERRENBACH, ministro do STM. O governador (de SP) Franco Montoro era famoso por trocar o nome daqueles com quem conversava, e sempre o chamava de Flávio Bierrembrahms (que contou essa história). Até que, um dia, não aguentou:

‒ Governador, tem certeza de que meu nome é esse?

‒ Sim. Uma homenagem ao famoso compositor Johann Sebastian Brahms.

JOSÉ MÚCIO MONTEIRO, da Secretaria de Relações Institucionais, ministro do TCU e da Defesa. Candidato (1986) a governador de Pernambuco, em disputa com Miguel Arraes. Na cidade de Petrolina (ele próprio confirmou essa história), depois de comer buchada, precisou desesperadamente ir ao banheiro da casa. Estava ocupado. Um assessor bateu na porta e ouviu, dentro, voz feminina:

– Num tá vendo que tem gente?

– Saia logo que o governador precisa usar o sanitário.

– Dr. Arraia tá aí? – É o governador Zé Múcio.

– Agora é que eu num saio mermo daqui.

JOSÉ SARNEY, Presidente da República. Ao fazer 95 anos, mandou mensagem para o grupo de confrades na Academia (ABL):

‒ O segredo de viver muito é seguir um velho provérbio chinês: comer pouco, dormir muito e não discutir com a mulher.

MÁRIO SOARES, presidente de Portugal. Num jantar lembrei como Voltaire definia sua relação com Deus, “cumprimentamo-nos, mas não nos falamos”, e perguntei:

– Acredita em Deus?, presidente.

– Não.

– E como conseguiu ser eleito, num país tão conservador?

– É que dei uma explicação bem simples, na televisão, e os eleitores aceitaram. Disse que se Deus é onipotente, e quiser que eu acredite nele, basta estalar os dedos. Como não fez isso, acredito preferir que eu continue sem acreditar.

Dona RUTH CARDOSO, Primeira-Dama. Na Lagoa Azul, se dirigiu a Maria Lectícia:

‒ Belo chapéu, Lectícia.

‒ É seu, dona Ruth. Mas cuidado para que não se diga estar, a senhora, fazendo caridade com chapéu alheio.

TANCREDO NEVES, presidente da República. Perguntaram

‒ Quais as 10 melhores qualidades de um bom político?

‒ De 1 a 7, paciência.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

PAULINHA E SEUS DOIS MARIDOS

Como se fosse uma bomba, explodiu a notícia: Paulinha largou o marido e fugiu com seu “Personal Training”. Por mais de um mês foi o assunto nos salões de beleza, nas fofoqueiras de plantão, vizinhos, amigos e parentes. Como, uma jovem que nem Paulinha, bem educada, religiosa, prendada, teve essa insana atitude? Ninguém se conformava com o fato. Armando, bom marido, não merecia o chifre destampado em sua testa. Entretanto, ele parecia calmo, aceitou a fugida de Paulinha.

O pai de Paulinha, agora aposentado, foi um homem trabalhador, gerenciava uma usina de açúcar. Paulinha, filha única, teve todo carinho da família, estudou no Colégio Madalena Sofia, rígida educação social e religiosa. Como toda jovem da classe média, não teve problemas financeiros em sua educação. Conheceu Armando na Faculdade de Direito, formaram-se juntos, namoraram, casaram. O casamento navegava em águas mansas, em céus de brigadeiro, o único problema, não engravidar, os amigos de Armando zombavam. Entretanto, a falta de filho não impedia do casal se amar, ter respeito e carinho, um pelo outro. Armando do tipo caseiro, nunca prevaricou. Paulinha trabalhava no escritório de advocacia, curtia a vida com o marido, cuidava seu corpo toda noite numa academia de ginástica, aliás, corpo bonito, sensual.

Até que, numa noite apareceu um novo treinador na academia, o sangue de Paulinha ferveu, disparou seu coração ao ver Estevão, bem perto ele fazia as correções dos exercícios, não era bonito, nem feio, tinha uma cara máscula, sensual, ossos do rosto sobressaídos. Estevão passou algum tempo corrigindo falhas de posturas, quando tocava seu corpo dava uma sensação de volúpia em nossa amiga. Paulinha saia meio trêmula da ginástica. Durante a noite sonhou correndo na esteira, de repente apareceu por trás um cavalo com cara de homem e a agarrou. Acordou-se molhada. Acontece que, Estevão, também ficou impressionado com Paulinha, fazia força para tirá-la do pensamento ao lembrar a aliança no dedo. Certa noite na academia foi animada para os dois, conversaram bastante. Assim se passaram os dias. Paulinha pensava em Estevão e vice-versa. Até que, numa noite, depois de um banho na academia, ao entrar no carro num local afastado, Paulinha ouviu por trás de seu ouvido, “-Me dá uma carona”? Ela se assustou e sorriu, Estevão entrou no carro estacionado em local ermo, se abraçaram, se beijaram, ali mesmo fizeram amor.

– Que loucura, que loucura, eu amo meu marido! Mas quero você, quero você, seu filho de uma puta!

Gritava Paulinha enquanto beijava e abraçava o novo amor.

Passaram mais dois meses, até que Paulinha resolveu contar tudo a Armando, dor na consciência. Ele teve a reação esperada, quebrou o que havia na sala, feriu a perna ao dar um pontapé na televisão. Passaram o fim de semana discutindo, ela enfática, reafirmava que lhe amava, entretanto, não podia viver sem Estevão.

Na segunda-feira Paulinha resolveu sair de casa, foi morar no apartamento do treinador. Armando aceitou a separação. O tempo é o senhor da razão, já dizia o Presidente, e da conformação, entretanto, a gostosa Paulinha nunca deixou de encontrar-se com o ex-marido, na verdade ela realmente amava os dois. Nutria o amor bem comportado de seu amado de juventude, seu marido.

Dois anos se passaram, com muita habilidade Paulinha aproximou Armando de Estevão, se deram bem, hoje bebem juntos uma cervejinha na praia. Porém Armando continuou a morar sozinho em seu apartamento.

Em história de amor tudo pode acontecer, as más línguas afirmam convictas que Estevão, um bom coração, permite a mulher se encontra com Armando no seu apartamento para uma rodada de amor. Paulinha barbarizou, bigamizou, tem dois maridos.

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

INIMIGAS POLÍTICAS

Antigamente (décadas de 50 e 60), as cidades do interior do Rio Grande do Norte, no período eleitoral, viviam um clima inflamado, com “brigas de comadres” no meio da rua, em defesa dos candidatos da UDN ou do PSD, e às vezes, terminavam indo às vias de fato ou à delegacia de Polícia.

Dona Anália e Dona Izabel eram adversárias políticas ferrenhas e briguentas, uma da UDN e a outra do PSD. Através de insultos mútuos que as duas protagonizavam em suas calçadas, ambas mandavam bananas uma para a outra (através de gestos, o que, naquela época, significava indecência. Além dessa troca de bananas, que na época se usava nas brigas, havia coisa pior: Uma das comadres agredia a adversária, levantando o rabo do gato, acintosamente, e exibindo – o para o lado dela, que estava na calçada. Isso era considerado uma grande ofensa.

Os insultos entre adversárias políticas eram de baixo nível, chegando a insinuações, contra o decoro e a moral das distintas comadres. Às vezes, as discussões chegavam às vias de fato, com empurrões e troca de tapas, que só terminavam com a interferência dos maridos. A baixaria invadia as ruas, predominando, entretanto, o “envio de bananas”, através de gestos.

Havia brigas hilárias entre candidatas a cargos eletivos, adversárias políticas, esposas de candidatos, amigas ou simpatizantes políticas. A baixaria era grande. Só diminuía se os maridos aparecessem para acabar com o furdunço. Até aplausos tinha para a briguenta que mais baixasse o nível da briga.

Certa vez, em plena campanha política para Prefeito e Vice-Prefeito, duas mulheres da sociedade novacruzense, em plena luz do dia, adversárias políticas, uma, candidata à reeleição de um cargo eletivo, a outra, uma professora muito respeitada, trocaram farpas e insultos, em defesa dos seus respectivos candidatos, e acusando os candidatos adversários de serem comunistas e corruptos.

As duas terminaram se agredindo fisicamente, trocando bofetes e empurrões, o que provocou a intervenção de dois fiscais da Mesa de Rendas, que conseguiram, com muita dificuldade, apartar a briga, puxando cada uma delas pela cintura. Os insultos trocados ainda continuaram sendo ouvidos durante alguns minutos, uma chamando a outra de rapariga, o que, naquela época, era a maior ofensa que se podia dizer com uma senhora casada.

A rua ficou cheia de gente, e a briga se espalhou de boca em boca, sendo a melhor notícia do dia, numa época em que ainda não havia televisão nem telefone na cidade.

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL

COMENTÁRIO DO LEITOR

TRANSFERÊNCIA VENÉREA

Comentário sobre a postagem SIGAM O CONSELHO DELE

Monteiro:

Um gravíssimo caso de Efeito Dunning-Kruger…

O mané, que se julga estar exudando conhecimento e sabedoria por todos os orifícios, sempre foi muito fraco das ideias.

Mas parece que piorou bastante depois de “ter juntado os trapos”, por assim dizer, com uma “socióloga”, “cientista social”, sei lá, algo dessa natureza.

Vai ver pode estar havendo uma tranferência venérea de conceitos sociais e o gajo agora se acha capaz de instruir a macacada como votar.

Vai saber…