SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
DEU NO X
UM SÁBADO BONITO!
A dança do ventre é uma arte milenar originária do Oriente Médio e Egito, caracterizada por movimentos sinuosos de quadril, tronco e abdômen. A prática é focada na feminilidade, fortalecimento corporal e expressão emocional. pic.twitter.com/AoExfmsjpa
— Paulo de Tarso (@paulodetarsog) April 10, 2026
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
FORMOSA – Maciel Monteiro
Formosa, qual pincel em tela fina
Debuxar jamais pode ou nunca ousara;
Formosa, qual jamais desabrochara
Na primavera a rosa purpurina;
Formosa, qual se a própria mão divina
Lhe alinhara o contorno e a forma rara;
Formosa, qual jamais no céu brilhara
Astro gentil, estrela peregrina;
Formosa, qual se a natureza e a arte,
Dando as mãos em seus dons, em seus lavores
jamais soube imitar no todo ou parte;
Mulher celeste, oh! anjo de primores!
Quem pode ver-te, sem querer amar-te?
Quem pode amar-te, sem morrer de amores?!

Antônio Peregrino Maciel Monteiro, Recife-PE (1804-1868)
DEU NO JORNAL
O PACACÍDIO
Luciano Trigo

A paca se transforma em símbolo de resistência ambiental, e o casal passa a protagonizar um dos “maiores escândalos ecológicos do país”
Imagine, leitor, a seguinte cena: estamos em 2021, é uma noite de sábado em Brasília. A primeira-dama Michelle Bolsonaro liga a câmera do celular na cozinha do Palácio da Alvorada. Sorridente, ela mostra um pedaço suculento de paca na panela de pressão, com molho de açaí e farofa de mandioca como acompanhamento. “Meu amor, olha o que eu preparei para você!”, diz ela, de forma carinhosa.
O vídeo é postado nas redes sociais com a legenda: “Jantar raiz para o meu presidente!” e a hashtag #CozinhandoComAmor. Em menos de duas horas, a postagem acumula quase 5 milhões de visualizações.
O que começou como conteúdo despretensioso logo ganha contornos explosivos. Como se sabe, a paca (Cuniculus paca) é um animal protegido pela legislação ambiental, que proíbe sua caça, perseguição, captura e comercialização – exceto quando proveniente de criadouros autorizados pelo IBAMA ou órgãos estaduais, com documentação comprobatória.
Quase imediatamente, perfis de ativistas de direito ambiental apontam as restrições legais ao consumo irregular de carne de paca: “Pode configurar crime, com penas de detenção de seis meses a um ano, além de multa!”, afirma um especialista.
No dia seguinte, o episódio se transforma no “Pacacídio”, termo cunhado por um colunista da grande mídia que acumula milhões de menções no X (antigo Twitter).
A reação institucional também é rápida. O Ibama abre procedimento para investigar a origem da carne. Em tempo recorde, fiscais com colete laranja chegam ao Palácio da Alvorada, munidos de mandado judicial. Michelle é multada em R$ 22 milhões, por “captura, abate e consumo de espécime da fauna silvestre nativa sem licença”.
O laudo técnico, divulgado em poucas horas, informa que o animal assassinado e devorado pesava 8,4 kg e apresentava sinais de estresse térmico pré-abate. Bolsonaro, que aparece no vídeo lambendo os dedos, é enquadrado como coautor moral do crime. Um importante ministro do STF declara em entrevista: “Não é só uma paca, é um símbolo da biodiversidade amazônica”.
ONGs não tardam a entrar em cena. Ainda antes do meio-dia, o Greenpeace publica uma nota de três páginas intitulada, em letras garrafais, “PACACÍDIO: UM ATAQUE DIRETO À AMAZÔNIA”. O texto acusa o casal presidencial de banalizar a violência contra a fauna e naturalizar o consumo de espécies protegidas – isso em um momento no qual o Brasil lidera rankings de desmatamento e queimadas.
A nota termina com um apelo de boicote internacional a produtos brasileiros e as hashtags #SomosTodosPaca e #PacaLivesMatter. Uma deputada do PSOL retuita a publicação, com o comentário: “Enquanto o Ibama multa pobres por caçar para comer, a primeira-dama faz churrasco de paca no Alvorada. Hipocrisia tem nome”.
A grande mídia transforma o caso em um escândalo de primeira grandeza, com manchetes como “Pacacídio choca o país”. Em um telejornal de grande audiência, o âncora lê a notícia em tom grave, citando especialistas que estimam um aumento de 47% no abate ilegal de pacas desde 2019.
Programas de variedades exibem reportagens sobre o habitat natural das pacas, com imagens em câmera lenta e trilhas sonoras melancólicas. Crianças traumatizadas com as imagens fortes do cadáver do animal indefeso na panela aparecem chorando. O debate se amplia para temas como cultura alimentar, legislação ambiental e a urgência da regulação das redes sociais.
No campo cultural, a resposta é igualmente forte. Artistas lançam um clipe musical em defesa das pacas. A letra de “Salve a Paca” traz versos como “A paca não é prato, a paca é nosso parente/ Matem o preconceito, não matem o bicho inocente”. Filmado na Amazônia, o vídeo, que mostra uma paca bebê correndo alegremente entre os artistas, bate 18 milhões de visualizações em poucas horas. Um cantor famoso posta: “Bolsonaro come paca, a Amazônia morre. Simples assim. Ou não”.
Influenciadores digitais convertem o episódio em movimento. Uma influenciadora adota simbolicamente uma filhote órfã chamada “Paquita” e transmite ao vivo o momento da mamadeira de leite de aveia orgânica, declarando: “Ela agora é minha filha”. Outra lança a campanha “Adote uma paca”, que em poucos dias registra centenas de adoções virtuais, com certificado digital.
O impacto político é fulminante. A oposição protocola pedido de impeachment do presidente por crime de responsabilidade. O PSOL pede a instauração da CPI da Paca e é prontamente atendido pelo presidente do Senado. No plenário da Câmara, deputados do PT exibem fotos da carne cozida em plenário, com discursos como: “Enquanto o povo passa fome, eles comem paca gourmet”.
A repercussão internacional consolida o escândalo. O termo “PacaGate” chega ao topo do X. A BBC fala em “The Paca Scandal”. O “New York Times” publica um editorial criticando o “Brasil de Bolsonaro, onde até o jantar vira uma arma contra a natureza”. Greta Thumberg lança um abaixo-assinado pedindo que Michelle adote o veganismo e reúne milhões de assinaturas em poucos dias. Leonardo DiCaprio posta no Instagram a foto de uma paca com a legenda “Protect the paca”.
Pois é. A conclusão fica por conta do leitor.
DEU NO JORNAL
PESQUISA
A pesquisa é do Veritá (registro nº BR-02476/2026):
Flávio Bolsonaro (PL) lidera as intenções de voto para presidente.
O levantamento aponta que o senador tem 35,9%.
Lula (PT) aparece atrás, com 33,2%.
* * *
Interessante essa pesquisa…
Quer dizer que Lula ainda tem mais de 33% de intenção de voto?
Que coisa esquisita…
Só em Banânia mesmo.
PROMOÇÕES E EVENTOS
PARA OS LEITORES DE BRASÍLIA – CONSULTOR IMOBILIÁRIO
DEU NO X
COITADINHOS… TENTARAM ASSALTAR UMA POLICIAL…
Os caras foram tentar assaltar logo uma mulher policial armada! pic.twitter.com/AXswvWJ7lP
— PÁTRIA MAMADA 🤣 (@patriamamada) April 11, 2026
DEU NO JORNAL
BRASIL ATRASADO NA ERA DA IA E DA AUTOMAÇÃO
Luiz Philippe Orleans e Bragança

Demissões por IA expõem crise do trabalho e risco ao consumo; no Brasil, leis e burocracia podem travar inovação e condenar o país ao atraso
É, no mínimo, estarrecedor observar o volume de empresas que, nos Estados Unidos, vêm efetuando demissões em massa sob o pretexto da Inteligência Artificial. A alegação recorrente é a de que a tecnologia está tornando diversos cargos redundantes, o que coloca em xeque não apenas o mercado de trabalho atual, mas o próprio equilíbrio do mercado consumidor. Afinal, como ficaremos? Quais serão os empregos do futuro e em que atividades o ser humano poderá empregar seu tempo e suas energias?
Enquanto Elon Musk define que o grande desafio será descobrir o nosso significado em um mundo automatizado, outros adotam uma visão mais pragmática: ainda existem trabalhos manuais que os robôs não conseguem suplantar.
* * *
A queda do colarinho branco e o fim da opressão
Contudo, o impacto inicial da IA é inegável nos mais altos níveis administrativos — os chamados empregos de colarinho branco. São esses que têm mais a perder no curto prazo. Serviços bancários, advocatícios, contábeis e a burocracia corporativa em geral estão na linha de frente.
Embora a humanidade possa ganhar com mais eficiência e menores custos, resta a questão: quem irá consumir se os empregos desaparecerem? Estamos vivendo um período de transição que pode ser muito mais célere do que os anteriores.
Nos anos 90, vimos uma transição profunda com a popularização dos computadores via DOS e Basic. Naquela época, profissões como a de datilógrafo deixaram de existir, mas o mercado se preservou ao se transformar. Os empregos voltaram-se para aplicações mais sofisticadas, exigindo maior preparo. A diferença é que a revolução atual é geral.
Com a robotização aliada à IA, não apenas o burocrata sofre, mas também o trabalho braçal e intelectual caminham para uma mecanização total. Surge, então, a proposta de uma “saída holística”: os criadores da IA sugerem desde uma renda mínima universal, via taxação das empresas, até a possibilidade de os trabalhadores possuírem participação nessas companhias, recebendo dividendos em vez de salários.
* * *
O mito marxista e o peso do estamento burocrático
O curioso é que essa mudança joga por terra o dogma marxista de que o empresário contrata apenas para oprimir e lucrar sobre essa opressão. Ironicamente, a IA pode ser o mecanismo que aniquila a opressão do homem pelo homem.
Recentemente, o New York Times publicou matéria sobre a Medvi, empresa de dois irmãos que trabalham sozinhos, com ferramentas de IA, e atingiram faturamento de 1,8 bilhão de dólares. A Medvi intermedeia telemedicina ao público que demanda canetas emagrecedoras, assunto em alta no momento. Uma empresa concorrente com faturamento semelhante, a Hims & Hers, possui 2.442 funcionários. E se ela resolvesse seguir pelo mesmo caminho?
Mas, e o Brasil nessa história? Por aqui, o debate ainda engatinha. Embora existam empresas ganhando eficiência com variações de IA, não vemos o impacto no mercado de trabalho como ocorre em economias mais livres. O motivo é claro: nossa regulamentação petrifica as alternativas e inviabiliza as mudanças necessárias.
É óbvio que esses momentos geram desconforto e atrito social, mas, sem atrito, não há evolução. Ao tentarmos criar um marco regulatório para a IA sem sequer entendermos seus impactos, estamos apenas criando empecilhos que darão mais controle ao estamento burocrático e aos corruptos em Brasília, sob o falso pretexto de preservar empregos.
* * *
A “jabuticaba” e o risco da obsolescência
Vejo dois cenários claros para o nosso futuro. No primeiro, ficaremos extremamente atrasados e deficientes, com empresas deixando de existir porque as leis as impedem de evoluir. No segundo, a economia que busca a IA irá simplesmente driblar as regulamentações nacionais, tornando-as irrelevantes por meio da “pejotização” e de novas estruturas de negócio, nas quais o trabalhador já não se sujeita ao crivo do atraso estatal.
O grande desafio é entender que o governo, no Brasil, é o preponderante. Ele se sente ameaçado porque a IA substitui a própria necessidade de muitos serviços prestados pelo Estado e elimina burocracias. Para preservar sua “integridade arcaica”, o estamento burocrático se protege, atrasando toda a evolução social.
Enquanto outras sociedades buscam uma solução completa e enfrentam os ajustes necessários, o Brasil se isola do debate e acaba criando uma “jabuticaba” — um modelo que não funciona nem para manter o passado, nem para abraçar o futuro. Se não enfrentarmos o cerne do problema, que é o nosso ordenamento jurídico, ficaremos, por mais algumas gerações, a ver navios.
COMENTÁRIO DO LEITOR
DIVAGAÇÕES SOBRE O CHIFRE
Comentário sobre a postagem SEXTA-FEIRA, 10 !!!
Maurino Júnior:
O chifre ali em cima não é decoração — é logo oficial da experiência.
Não é bar, não é clube… é instituição de acolhimento emocional coletivo.
Ali não tem julgamento — só confirmação.
O cara entra triste e sai… rindo da própria desgraça.
E o melhor: quem entra já sabe o motivo. Transparência total!
Aqui não se esconde nada — nem a dor, nem os chifres.
Fidelidade pode falhar, mas o humor… jamais.
Não é derrota — é associação.
Uns pagam terapia… outros entram pra confraria.
O sujeito não perdeu tudo — ainda ganhou um título honorário.
Isso aí é o Brasil na sua forma mais genial: transforma tragédia em piada e ainda pendura na parede com orgulho.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS
DEFLAÇÃO
É atribuída a Henry Ford a frase “Se um dia as pessoas entendessem o sistema monetário, uma revolução começaria na manhã seguinte”.
Se as pessoas não entendem, isso certamente não é acidental. É necessário para que banqueiros e políticos possam continuar fazendo o que fazem, e existe todo um sistema encarregado de manter essa situação, do qual fazem parte a imprensa, a escola, o mundo acadêmico e as celebridades em geral. Esse sistema substitui idéias por dogmas e coloca narrativas no lugar dos fatos.
Uma destas narrativas, e uma das mais prejudiciais, gira em torno das palavras “inflação” e “deflação”. A segunda é vista como um perigo assustador. A primeira, como um perigo menor, que não traz grandes males se for pequena e controlada pelo governo.
Isso é totalmente falso. O governo é a causa da inflação, não a cura. Ao criar dinheiro do nada, o que eles não deveriam ter permissão para fazer, os governos desequilibram a relação oferta-demanda da moeda e causam a sua desvalorização. É o mais perverso dos impostos: de um lado criam uma fonte quase infinita de dinheiro para gastar, de outro lado desvalorizam as contas que devem pagar ao mesmo tempo em que valorizam os impostos que arrecadam e que são calculados pelo preço de mercado. A inflação é tão boa para os políticos que praticamente nenhum país vive mais sem ela. Alguns ainda mantém a “produção” de dinheiro em níveis baixos, o que os faz menos errados mais ainda assim errados. Outros já perderam a vergonha e inflacionam o quanto lhes dá na telha, geralmente de forma cíclica em função das conveniências eleitorais.
A ironia nisso tudo é que para tornar a inflação menos assustadora aos olhos do povo, a máquina de propaganda decidiu dizer que o contrário, a deflação, é um perigo maior e que deve ser evitado a qualquer custo. As pessoas acreditam sem questionar e se sentem seguras ao ouvir o governo dizer que está se esforçando para “manter a inflação dentro da meta”, como se fosse moralmente possível ter uma meta de inflação que não seja de 0,00 %.
Desde que a humanidade descobriu o poder da tecnologia e os ganhos de eficiência possíveis com a divisão do trabalho e a especialização, a diminuição de preços tornou-se algo natural. O progresso consiste basicamente em produzir mais por preço menor. Coisas que eram artigos de luxo no passado, privilégio dos mais ricos, hoje são acessíveis a todos.
Dados do governo dos EUA mostram que nas três décadas entre 1870 e 1900 os preços ao consumidor caíram 47% e a economia cresceu em média 4,5% ao ano, o que mostra que deflação não tem nada a ver com recessão ou crise. Claro que naquela época o governo não inflacionava o dinheiro, que tinha valor fixo em ouro (e um grama de ouro custava menos de um dólar, enquanto hoje custa mais de 150).
Ainda sobre ouro, uma curiosidade: em 1926 um Ford modelo T custava 360 dólares, o que equivalia a 540 gramas de ouro. Hoje, 540 gramas valem 80.000 dólares, o que dá para comprar (lá nos EUA) três Honda Civic zero km. Ou seja, em ouro, o preço dos carros deflacionou bastante nos últimos cem anos, mesmo com os carros de hoje sendo muito mais sofisticados que um modelo T. Nos inflacionados dólares, o preço subiu 7000%. No Brasil, apenas de 1980 para cá a inflação já acumulou 97.498.392.029.617,90%, segundo o site do IBGE.
Do mesmo jeito que a linguagem politicamente correta finge solucionar um problema chamando favela de “comunidade” e mendigo de “morador de rua”, o economês diz que o Banco Central faz “política monetária” quando na verdade o que ele faz é pura e simplesmente imprimir mais dinheiro e causar mais inflação. É curioso que mesmo jornalistas sérios acreditam (ou fingem acreditar) que o BC é um remédio quando na verdade ele é a origem da doença. É verdade que sem um BC o governo pode inflacionar a moeda do mesmo jeito, é só uma questão de organograma.
Em resumo, se voltássemos a ter moeda não-inflacionada como no passado, o progresso tecnológico se encarregaria de fazer os preços baixarem continuamente. No sistema econômico de hoje, o governo se apropria desses ganhos através da desvalorização proposital da moeda, enquanto o povo acredita que ele nos protege de ver as coisas ficarem mais baratas.


