ALEXANDRE GARCIA

APOSTADOR QUER INDENIZAÇÃO DE INFLUENCIADORES APÓS TER PERDIDO TUDO

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Apostador quer ser indenizado por influenciadores após ter perdido tudo com bets

Há uma ação na Justiça em Campinas (SP) contra três influenciadores que fazem ou faziam propaganda de apostas eletrônicas – que chamamos de “bet”, que significa “aposta” em inglês. O apostador está pedindo R$ 100 mil de indenização por danos morais para Deolane Bezerra (que está presa), Virgínia Fonseca e Carlinhos Maia. Segundo a defesa dele, os influenciadores prometiam renda com apostas eletrônicas, e o sujeito caiu. Diz que ficou viciado, que pensou em acabar com a vida ou em fugir do Brasil porque estava devendo muito, que foi enganado, que perdeu o emprego, que perdeu tudo, porque eles insistiram na propaganda enganosa.

Achei um levantamento feito por um jornal, dizendo que desde 2023 há pouco mais de 10 mil processos semelhantes no Brasil, tendo as bets como eixo. Das que já foram julgadas, 60% tiveram decisão a favor do apostador, vítima do seu próprio erro, do seu mau julgamento. Os outros 40% não levaram, provavelmente porque a banca de apostas demonstrou que a pessoa apostou porque quis – assim como o sujeito que fuma e depois processa a fábrica de cigarros; fumou porque quis, é maior de idade, e não faltou aviso no maço de cigarros.

Aí eu vejo uma notícia, na agência oficial, dizendo que “a cidade do Rio de Janeiro” proibiu publicidade e propaganda de apostas em lugares públicos. A “cidade” é uma aglomeração urbana; não é pessoa jurídica, não pode proibir nada. Claro que estava falando da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, que é um ente do direito público, como o governo estadual e a União. Mas hoje temos gente que entra no jornalismo e não sabe a diferença imensa entre “cidade” e “município”. Talvez lá no Rio de Janeiro haja alguma confusão porque em certa época, durante muito tempo, Distrito Federal (uma entidade do direito público) e a cidade do Rio de Janeiro eram a mesma coisa.

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Promotora que chamou poema religioso de “inconstitucional” não conhece a Constituição

Em uma reunião de conselheiros e ex-conselheiros tutelares em Duque de Caxias (RJ), uma integrante do Ministério Público, a promotora de Justiça Elayne Christina da Silva Rodrigues, sentada à mesa diretora dos trabalhos, protestou veementemente quando uma pessoa leu um poema de cunho religioso. Ela se disse “assolapada por uma oração evangélica” (na verdade era um poema), e afirmou que aquilo era “inconstitucional” e que “a fé é um direito privado e não deve ser estendida a outras pessoas em evento público”. A associação dos promotores manifestou solidariedade à promotora em nota; a associação dos Conselhos Tutelares pediu abertura de inquérito administrativo para saber se não houve abuso de autoridade.

A associação de promotores invocou a “laicidade do Estado”. No entanto, o plenário do Supremo Tribunal Federal tem um crucifixo de 55 por 52 centímetros, feito por Alfredo Ceschiatti – o mesmo que fez a estátua da Justiça, da deusa Têmis, onde a cabeleireira Débora escreveu com batom “perdeu, mané”; os anjos que estão pendurados na catedral de Brasília; a Guanabara; as Iaras que estão no Palácio da Alvorada; e O Abraço, que está no Jardim da Pampulha, em Belo Horizonte.

O crucifixo está no STF, uma obra de arte representando uma parte da cultura brasileira. Foi assim que decidiu o Conselho Nacional de Justiça em 2007, e o próprio Supremo em 2024, dizendo que o crucifixo simboliza uma das tradições religiosas brasileiras, e não é nada inconstitucional. Lamento imaginar isso, mas talvez a promotora não esteja muito familiarizada com a Constituição, porque o seu preâmbulo começa assim: “Nós, representantes do povo brasileiro, (…) promulgamos sob a proteção de Deus a seguinte Constituição”. O artigo 5.º, que é cláusula pétrea, diz nos incisos VII e VIII: “é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva”, e “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa”.

A laicidade aparece no artigo 19, que diz o seguinte: “é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los ou embaraçar-lhes o funcionamento”. E, se a promotora for dar uma olhada no artigo 226, sobre a família, vai ver que “a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado”, que “o casamento civil é gratuito”, e que “o casamento religioso tem efeito civil”. Para encerrar, será que ela nunca viu as notas de dinheiro brasileiras? Está escrito aqui: “Deus seja louvado”. O Estado é laico; os brasileiros não são.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

HAVEREI DE TE AMAR A VIDA INTEIRA – Ronaldo Cunha Lima

Haverei de te amar a vida inteira.
Mesmo unilateral o bem querer,
é forma diferente de se ter,
sem nada se exigir da companheira.

Haverei de te amar a vida inteira,
(não precisa aceitar, basta saber),
pois amor que faz bem e dá prazer
a gente vive de qualquer maneira.

Eu viverei de sonhos e utopias,
realizando as minhas fantasias,
tornando cada qual mais verdadeira.

Eu te farei presente em meus instantes.
Supondo que seremos sempre amantes,
haverei de te amar a vida inteira.

Ronaldo José da Cunha Lima, Guarabira-PB (1936-2012)

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

O TURISTA

Ao criticar os jogadores da Seleção Brasileira, que não voltaram ao País após a Copa do Mundo, Lula perdeu a chance de explicar as viagens que fez aos 71 destinos mundo afora apenas neste terceiro mandato.

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Fiquei bestinha com esse número: 71.

71 avuamentos pelo mundo.

Isso é que é gostar de fazer turismo!

E tudo pago pelos contribuintes.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO JORNAL

IRÃ E ESTADOS UNIDOS RETOMAM A GUERRA

Editorial Gazeta do Povo

guerra estados unidos irã

O frágil “memorando de entendimento” assinado semanas atrás entre Estados Unidos e Irã descarrilou de vez nos últimos dias. Na quarta-feira passada, o presidente norte-americano, Donald Trump, havia dito durante a cúpula da Otan que era “perda de tempo negociar com eles [iranianos]”; àquela altura, os dois países já vinham trocando agressões na região estratégica do Estreito de Ormuz, que já tinha tomado o lugar do programa nuclear iraniano como o principal ponto de discórdia. O fim de semana também foi marcado por ataques mútuos, com a Guarda Revolucionária Iraniana anunciando um novo bloqueio da passagem marítima, o que os Estados Unidos negam.

O memorando assinado em junho, reconheça-se, era frustrante, e foi muito criticado mesmo entre aliados de Trump por entregar ao Irã muito mais do que o regime dos aiatolás fazia por merecer naquele momento. O texto prometia apenas a continuação das discussões sobre o programa nuclear do regime islâmico, do qual Teerã já havia dito que não abriria mão – a promessa de não produzir uma bomba atômica até constava do memorando, mas também já tinha sido feita no passado, o que não impediu os aiatolás de seguir enriquecendo urânio a níveis muito superiores aos necessários para uso pacífico. Sanções seriam levantadas, fundos iranianos no exterior seriam descongelados, enquanto não se dizia absolutamente nada sobre o financiamento iraniano ao terrorismo internacional, ou sobre o reconhecimento do direito de Israel à existência.

As concessões norte-americanas, as pouquíssimas contrapartidas iranianas, e a “descoberta”, por parte de Teerã, de que poderia usar o Estreito de Ormuz para levar o caos ao mercado internacional de energia podem ter sido vistas pelos iranianos como uma combinação propícia à retomada das hostilidades – até porque os norte-americanos não parecem interessados em provocar uma troca de regime, ao contrário do que havia insinuado Trump nas primeiras horas após o primeiro ataque ao Irã, no fim de fevereiro. Imagens de satélite dão a entender que os iranianos também aproveitaram o tempo passado desde a assinatura do memorando para iniciar a reconstrução de ao menos uma de suas instalações nucleares.

Paralelamente, segue em curso uma guerra retórica: Trump afirma que os iranianos estão levando “uma surra”, enquanto o líder supremo Mojtaba Khamenei afirma que em breve aplicará sua “vingança” pela morte de seu pai, Ali Khamenei, ocorrida no primeiro ataque norte-americano e israelense. E, na reviravolta discursiva mais recente, agora é Trump quem promete cobrar taxas pela passagem de navios por Ormuz. “Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como ‘O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ’, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados ​​com uma taxa de 20% sobre toda carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”, escreveu o presidente nas mídias sociais, com seu habitual uso de letras maiúsculas. A cobrança, quando havia sido anunciada pelo Irã, havia sido veementemente criticada pelo norte-americano.

O presidente que se elegeu duas vezes prometendo reduzir o envolvimento militar norte-americano no exterior se vê, mais uma vez, em uma encruzilhada. Os Estados Unidos podem até ter entrado na guerra com um objetivo definido, mas em algum momento essa clareza se perdeu e já não se sabe ao certo o que pretendem. Os termos do memorando agora abandonado deixaram subentendido que, embora tendo menos poderio militar e sofrendo com os ataques norte-americanos, o Irã tem uma vantagem estratégica que pretende explorar até o limite. Um Oriente Médio de fato seguro requer o fim do programa nuclear iraniano e do terrorismo patrocinado pelo Irã, e o retorno da navegação livre, mas as perspectivas de que isso ocorra vão se tornando cada vez menores.

PENINHA - DICA MUSICAL

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA