Essa é uma entrevista com o senador e ex-candidato à presidência dos EUA, Ron Paul, realizada em 2012:
Qual o problema com o Banco Central?
Um banco central tenta fazer algo que é impossível de ser feito. Portanto, não se trata de culpar uma única pessoa. O culpado não é apenas o atual presidente ou o presidente anterior. O principal problema é a suposição de que os burocratas podem saber exatamente qual deve ser a taxa de juros do momento e qual deve ser a oferta monetária, ou a suposição de que é possível ter preços estáveis ao mesmo tempo em que se imprime dinheiro. Há ainda o grande problema de se imaginar que o desemprego pode ser solucionado pela simples manipulação da oferta monetária.
O país estaria melhor sem um Banco Central?
É claro. É melhor que não tenhamos depressões, inflação, caos econômico e todos os outros problemas por que passamos. Não teríamos esse sistema furtivo de financiamento de programas de um estado gigante. Seria impossível o estado financiar suas guerras e seus vários programas assistencialistas, coisas que apenas fazem com que o estado cresça ainda mais e torne as pessoas – ricos e pobres – dependentes do assistencialismo. Nada disso pode acontecer sem um banco central.
O que o senhor acha da medida do Fed de injetar US$ 600 bilhões de dólares na economia americana na esperança de estimular a recuperação por meio da compra de títulos de longo prazo em posse dos bancos?
É terrível. Eles nos jogaram nessa encrenca porque houve um afrouxamento monetário excessivo. Foi a contínua inflação da oferta monetária e taxas de juros artificialmente baixas que levaram os EUA à sua atual situação econômica – isso nos deu todas as bolhas por que passamos e você não pode resolver todos os problemas causados pela inflação simplesmente gerando mais inflação. Já tivemos a primeira rodada de afrouxamento monetário; estamos agora na segunda. Porém, dessa vez será sob a orquestra de Bernanke. Eles não falaram que houve afrouxamento monetário sob o comando de Greenspan, mas essencialmente houve a mesma coisa – uma maciça inflação da oferta monetária, com taxas de juros muito abaixo das que prevaleceriam no livre mercado.
Vivemos em um mundo que é impulsionado cada vez menos por idéias e cada vez mais por palavras de ordem e discursos emocionados. Ao lado da “democracia”, da “igualdade” e da “empatia”, despontou nas últimas semanas a “soberania”. Como de costume, pouca gente se dá ao trabalho de entender do que realmente estamos falando.
O que Trump está fazendo não é nada diferente daquilo que o Brasil têm feito desde que existe: fechar-se ao comércio com outros países a pretexto de “fortalecer a indústria nacional”, o que nos discursos dos políticos se mistura com a tal “soberania”. Aliás, o Brasil em muitas ocasiões já cobrou tarifas de importação bem maiores que os 50% do Trump – sem resultado, claro.
“Quem defende o protecionismo para o seu país fala em “soberania nacional”, “setores estratégicos” e outras expressões ufanistas. Mas quando os outros países fazem o mesmo, aí eles são “imperialistas”, “arrogantes”, “agressivos”. Não é ilógico (e hipócrita) achar que uma coisa é boa quando nós fazemos com os outros mas é ruim quando os outros fazem com a gente?”
Muita gente está protestando por “soberania” simplesmente porque enxerga o mundo girando ao redor do seu umbigo, e portanto acham que o direito de fazer o que quer é apenas nosso, e não dos outros. Ou seja, não conseguem enxergar que o Trump também tem a soberania dele, e ela inclui cobrar impostos de importação quando achar conveniente, e quem têm que gostar ou não são os eleitores dele. Bom notar que muita gente nem sequer entendeu do que se trata e acha que quem vai pagar 50% são os brasileiros.
Os atuais protestos por soberania misturam diversos conceitos: Também há quem se preocupe com antigas noções militares de “independência”, sonhos de um país que seja auto-suficiente e não dependa de ninguém (o Brasil está tão perto dessa independência quanto eu estou perto de vencer a maratona nas próximas olimpíadas). Nunca chegamos a ser um “país industrializado”, no sentido comum do termo. Na Europa do século 19 os países competiam em número de siderúrgicas e em produção de aço, enquanto nós, deitados em berço esplêndido, só fomos ter uma em 1941. Somos totalmente dependentes dos outros países em coisas básicas como medicamentos, computadores e automóveis. Exportamos petróleo bruto mas importamos diesel porque não temos capacidade de refinar tudo que consumimos. Nosso agro negócio cantado em prosa e verso depende não só desse diesel para mover suas máquinas mas também de fertilizantes importados. E por aí afora.
Também está se falando em soberania em outro sentido: a soberania do judiciário. Aí trata-se apenas da nossa secular subserviência, nossa tradicional postura de endeusar a autoridade. Porque, em uma análise mais fria, o judiciário não tem soberania alguma. Alguns poderiam falar em soberania do governo, do qual o judiciário é apenas uma parte, que deveria ser “independente e harmônica” com as demais. Mesmo assim não estaria correto, soberano é o povo, a não ser que o artigo 1º da constituição está lá só para enfeitar. Mas para um país onde já se disse “autonomia não é soberania”, discutir isso parece preciosismo, e não muda o fato de que muita gente acha mesmo que o judiciário está acima da sociedade e pode fazer o que lhe dá na telha. Na verdade, ele até tem mesmo feito o que lhe dá na telha, mas tudo na vida tem consequências, incluindo o campo das relações internacionais.
A guerra do passado era uma questão de poder e ego: os poderosos brigavam entre si e obrigavam o povo a participar. Eles, os poderosos, iam para as batalhas junto com seus comandados, então pelo menos podemos dizer que eles “colocavam o deles na reta”.
Hoje, a guerra é uma questão de economia e política. É feita para dar lucro e criar oportunidades, como disse um assessor do ex-presidente Obama: “Nunca devemos desperdiçar uma crise. Na crise, podemos fazer aquilo que normalmente não poderíamos”. E como Orwell ensinou em “1984”, não há crise melhor e mais eficiente do que uma guerra contra um inimigo externo a quem podem ser atribuídos todos os males do mundo.
Se o objetivo das pessoas comuns, no mundo todo, é construir coisas, o objetivo dos senhores da guerra é gastar dinheiro em uma coisa que vai se auto-destruir destruindo outras coisas junto com ela. Nos dias de hoje, quanto mais riqueza destruída melhor. Generais, políticos e empresas de defesa adoram brinquedos caros de alta tecnologia.
Uma comparação rápida: o P-51, o caça mais eficaz da 2ª Guerra Mundial, foi de um papel em branco para a linha de produção em seis meses, e cada um custava cinquenta mil dólares. Hoje, os mesmos EUA têm o caça F-35 que ficou sendo projetado durante 10 anos e custa algo entre cem e duzentos milhões de dólares, dependendo de como se olhe uma contabilidade feita para não ser entendida e para ocultar os desvios, desperdícios e propinas que fazem parte do custo. Já foram fabricados 1200 deles, e após esse gasto de mais de um trilhão, eles não servem para nada porque hoje se usam drones, e um caça de cem milhões é inútil contra um drone de dez mil. (vale lembrar que isso ocorre em praticamente todo o mundo: o Brasil, por exemplo, também está gastando bilhões em caças suecos para se defender sabe-se lá de quem ou do quê)
Então, nos últimos sessenta ou setenta anos, as guerras existem para justificar o gasto de enormes quantias de dinheiro. Um exemplo mais recente: No mês passado, depois que Israel atacou o Irã, este respondeu lançando montes de foguetes em direção a Israel. Para interceptá-los, foram usados entre 60 e 80 mísseis THAAD, cada um custando quinze milhões de dólares. Em uma única noite, um bilhão de dólares virou fumaça. Os políticos adoraram. Um deputado não pensa em termos de eficácia das armas, ele pensa apenas em quantos dólares serão gastos e quantos empregos serão criados na região que é sua base eleitoral se uma indústria de equipamentos militares se instalar lá.
O mais irônico é que os trilhões gastos em equipamentos sofisticados não se destinam a enfrentar países que usam equipamentos similares. A arma preferida dos supostos inimigos é um estoque inesgotável de adolescentes semi-analfabetos e fanáticos o suficiente para sacrificar a própria vida em atentados terroristas. São “armas” baratas e muito mais eficazes do que mísseis e aviões bilionários. Se realmente os tais “inimigos da democracia e da liberdade” quisessem atacar os EUA ou os países da OTAN, estas armas, isto é, estes adolescentes, já estão instalados aos milhares dentro dos países-alvo, apenas aguardando uma ordem de agir. E as modalidades de ataque são inúmeras, além das primitivas (mas ainda assim eficientes) bombas: ataques químicos, biológicos, cibernéticos, destruição de infra-estrutura.
Mas nada disso interessa muito aos senhores da guerra. O que importa é manter a máquina funcionando, manter o dinheiro fluindo, e manter o cidadão comum quieto e confiante de que o governo está zelando por ele.
No Ranking Mundial de Competitividade 2025, recentemente divulgado, o Brasil ficou em 58º lugar entre 69 países, logo acima de Botswana e atrás de Quênia e Bulgária. Conseguimos a proeza de ficar em penúltimo no item Eficiência Governamental e em último no sub-item Finanças Públicas. Na área de educação, ficamos em último em Habilidades Linguísticas, penúltimo em Educação Primária e Secundária e antepenúltimo em Educação em Gestão. Para quem ficou curioso, os primeiros do ranking são os de sempre: Suíça, Cingapura e Hong-Kong.
Nosso judiciário continua sendo um dos mais caros do mundo. Provavelmente é um dos mais morosos também, mas não se pode ter certeza porque isso não é considerado importante para ser medido ou divulgado.
Nosso ministério público também continua sendo um dos mais caros do mundo. E também continua sendo um caso único de um órgão cuja função é “representar o povo” não ter um único integrante escolhido pelo povo e não ter absolutamente nenhum mecanismo onde o povo possa opinar se está sendo bem representado ou não.
Nossa educação pública custa mais caro (5,5% do PIB) do que as da Suíça (5,0%), Coréia do Sul (4,9%), Canadá (4,7%), China (4%) e Japão (3,3%), e praticamente empata com Holanda, Estados Unidos e França. Não é preciso dizer que nossos resultados são absurdamente piores do que os destes países. Mesmo assim, tudo que sabemos dizer sobre os problemas da educação é “o governo precisa investir mais”.
29% dos brasileiros acima de 15 anos são considerados analfabetos funcionais, e mais 61% estão no nível “elementar” ou “intermediário”. Apenas 10% da população é considerada “proficiente”. Além disso, entre os brasileiros com curso superior completo, 12% são analfabetos funcionais e mais 27% têm alfabetização elementar. O paradoxo de existirem analfabetos portadores de diploma universitário não parece ser algo que preocupe a sociedade brasileira.
A dívida pública total (federal e estadual) acaba de atingir dez trilhões de reais. Isso significa que cada bebê brasileiro já nasce devendo cinquenta mil reais. Claro que essa dívida também é uma das mais caras do mundo, com taxas de juro reais acima de 10% ao ano. Como o sistema educacional, comentado acima, produz cidadãos absolutamente ignorantes em economia e também em matemática, o povo em geral acredita que isso é uma questão política e que é o governo (ou o banco central) quem decide quanto pagar de juros.
Todos estes fatos são coisa de décadas, mas os brasileiros, a imprensa e as redes sociais estão divididos entre os fãs de um grupo político e os fãs de outro grupo político, ambos plenamente convencidos de que todos os problemas acima são culpa do grupo adversário.
Enquanto tudo isso persiste, os brasileiros acompanham a mais recente briga entre o ministro e o deputado, torcem, como se estivessem em um jogo de futebol, pela vitória do partido X ou do partido Y em cada “disputa” inventada pela mídia, e debatem diariamente (como nas mesas-redondas do futebol) os prognósticos da próxima eleição, onde finalmente um Salvador da Pátria fará aquilo que os dez ou doze Salvadores da Pátria anteriores não fizeram.
Antigamente havia reis, e os reis mandavam em tudo. Para manter o povo sob controle, os reis usavam a força e o medo. Funcionava, mas dava muito trabalho. Então um sistema mais eficaz foi inventado, e tem sido constantemente aperfeiçoado. Ele mantém o povo quieto e permite que o governo faça o que quiser sem que o povo reclame. O nome foi emprestado de um sistema que existiu na Grécia antiga: Democracia.
A característica básica da democracia é a existência de políticos e de eleições. As eleições servem para dar ao povo a ilusão de ter algum poder ou algum controle sobre suas vidas, enquanto o verdadeiro poder continua mandando e se fortalecendo ainda mais.
A fórmula mais importante para isso dar certo é dividir os políticos em dois campos opostos. Cada um dos lados passa o tempo garantindo que é o lado certo, que o outro partido é o lado errado, e que só ele é capaz de trazer paz, progresso, prosperidade… (a lista de promessas é longa).
As divergências entre os dois partidos devem parecer profundas para o eleitor, embora possam ser na verdade coisas completamente irrelevantes. Coisas do tipo “qual banheiro cada um deve usar” funcionam bem, e cumprem a missão de levar o eleitorado a uma escolha passional e intransigente de um dos lados. O ser humano se empolga mais facilmente pelo ódio do que pela lógica, e assim os integrantes de ambos os lados verão o “outro” lado como algo a ser atacado e se possível destruído. Ao mesmo tempo, a polarização afaga o ego do eleitor com a certeza de que ele está do lado “certo”, do lado “justo”.
Nesse processo, o eleitor passa a acreditar que os políticos do “seu” lado são necessários e indispensáveis para resolver qualquer problema do universo. Tudo passa a ser uma questão política. O eleitor acredita do fundo do seu coração que sua vida e seu futuro dependem do resultado da próxima eleição.
Quando o sistema é bem implantado, as pessoas se dividem entre os dois grupos de forma mais ou menos igual. O ideal é que as eleições sejam vencidas por um lado e por outro, alternadamente, e por uma diferença pequena. A alternância mantém no lado que perdeu a esperança de ganhar na próxima vez, e não deixa o lado que ganhou ficar muito confiante. Relembrando: a chave é manter os dois lados se odiando mutuamente – derrotar o adversário deve ser uma obsessão na vida do eleitor. Dessa forma, o verdadeiro poder pode fazer o que bem entende: o lado que venceu as últimas eleições apoiará tudo que os “seus” políticos decidiram, e o lado perdedor redobrará sua esperança de que na próxima eleição tudo será revertido.
Existem vários métodos para implantar essa democracia. Manter o controle das escolas, por exemplo, é fundamental. Antes de uma criança chegar à idade de tomar decisões, ela já terá passado vários anos ouvindo que o governo é sempre bom, é sempre necessário, é sempre indispensável e nunca deve ser questionado. Também terá passado por anos de treinamento andando em fila, sendo chamada por um número e fazendo aquilo que mandam sem perguntar porquê. Terá aprendido que pensar igual a todo mundo é bom, e que pensar por si mesma é ruim, porque pode levar a pensar diferente da maioria, o que é péssimo.
Também é importante manter o controle dos candidatos. Para isso, organizam-se Partidos Políticos, cuja função é impedir que pessoas que não atendam os interesses do sistema possam chegar às eleições. Como a vitória nas eleições garante bons salários e muitos privilégios, não faltarão candidatos, ainda que todos eles saibam que a vitória não lhes trará nenhum poder real. O candidato ideal ama os holofotes, tem talento para fazer discursos vazios mas cheios de promessas, e sabe ser leal àqueles que financiaram sua entrada no “sistema”.
A chamada “grande mídia” também desempenha um papel importante. Os noticiários devem tratar os políticos como celebridades, noticiar cada passo e cada fala, e tratar cada divergência (real ou fictícia) como um assunto da maior importância. Devem divulgar pesquisas de opinião e prognósticos para a próxima eleição como quem fala de um campeonato de futebol, mantendo ambas as torcidas motivadas na torcida, entupindo as redes sociais de memes, vídeos com declarações bombásticas e impropérios variados contra o lado contrário.
O maravilhoso desse sistema é que ele próprio transforma o defeito em virtude. Frequentemente o poder cria problemas para lucrar com eles. Então os políticos são chamados a mostrar que o problema deve ser enfrentado com “vontade política” e “espírito republicano”, buscando “soluções pactuadas” e “políticas públicas”. Então o governo apresentará uma pretensa solução que não resolve o problema, mas que traz ainda mais lucros. Por mais surreal que possa parecer, o povo ficará feliz, cada lado culpando o outro por tudo e alimentando a ilusão de que o seu lado não deixaria isso acontecer se tivesse o poder absoluto e não houvesse oposição para atrapalhar.
Sim, porque no fundo todo esse sistema se fundamenta nessa faceta da personalidade humana: o desejo de mandar. A idéia de um sistema onde as pessoas possam ser livres para discordar umas das outras é algo impensável para a grande maioria. Como na imagem popular da cenoura pendurada à frente do burro, elas preferem manter a ilusão de que a próxima eleição colocará no poder as pessoas “certas” e todos os males desaparecerão.
Alaa al-Najjar é uma pediatra que trabalha no hospital al-Tahrir, em Gaza. Na semana passada, ela estava trabalhando enquanto seu marido, também médico, e seus dez filhos, com idades entre um e doze anos, estavam em casa. Então ela recebeu a notícia de que sua casa havia sido atingida por uma bomba incendiária durante um ataque israelense. Logo depois, chegaram ao hospital os corpos carbonizados de nove de seus filhos. Apenas seu marido e um de seus filhos sobreviveram, gravemente feridos. (Clique aqui para ler a matéria)
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Eu não me espanto com a existência de políticos que fomemtam guerras. Como diz um velho bordão, todo poder corrompe e o poder absoluto corrompe de forma absoluta. Políticos são famintos por poder e dinheiro, e guerras são uma forma excelente de conseguir os dois.
Mas ainda me espanto em constatar como tantas pessoas podem ser convencidas, e com facilidade, de que uma guerra pode ser “justa” e que um dos lados é bonzinho e coberto de razão. Me espanto em constatar como jornalistas, geralmente tão ciosos de sua responsabilidade e de sua sagrada missão de informar, aceitam o papel de meninos de recado dos políticos da vez. Me espanto em constatar como pessoas inteligentes, chamadas de “intelectuais”, transformam-se em torcida organizada destes mesmos políticos.
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Sobre isso, eu acabei de ler um artigo da jornalista e escritora Caitlin Johnstone, com uma idéia interessante sobre o assunto. (tradução não-literal minha):
“Se você é de esquerda e se considera humanitário e progressista, existe uma narrativa falando como os judeus foram perseguidos e discriminados ao longo da história e porque você deve sentir pena deles e apoiá-los em tudo que fizerem.
Se você é de direita e se considera conservador, existe uma narrativa falando como todos os muçulmanos são terroristas perigosos e porque você deve apoiar os esforços de Israel em defender a civilização ocidental desta terrível ameaça.
Se você é um religioso fundamentalista, existe uma narrativa falando como Israel tem o direito de expulsar os palestinos da maneira que quiser porque essa é a vontade de Deus.
Se você é um fascista/nazista/racista ou simplesmente não gosta de árabes, existe uma narrativa feita sob medida para você.
E se por acaso você simpatiza com os palestinos e não acha justo o que está acontecendo, existem narrativas, políticas e planos de ação para que opiniões como a sua sejam caladas, estigmatizadas, ridicularizadas, odiadas e marginalizadas.”
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Naturalmente, pode-se construir frases semelhantes às da Caitlin defendendo o lado oposto. E é aí que mora o problema: transformar o que deveria ser uma questão ética em uma mera disputa de narrativas, uma competição de argumentos.
Minha opinião pode ser completamente irrelevante para o mundo, mas ainda é a minha opinião e eu não me envergonho de expô-la: Toda guerra é uma vergonha, não existe “guerra justa” e a única coisa que se deve desejar a respeito de qualquer guerra é que ela acabe o mais rápido possível.
Chamar o Brasil de “País do Futebol” é um lugar-comum há décadas. Usamos tanto a expressão que acabamos não percebendo que ela significa muito mais do que parece. Dizer que somos o país do futebol não significa apenas que gostamos de futebol. Isso pode ser dito de muitos outros países. Mas aqui o futebol não é apenas um jogo, é uma metáfora para nosso modo de vida e para nossa personalidade coletiva. Nós vemos o mundo da mesma forma que vemos o futebol.
E como isso é na prática? Para começar, o torcedor brasileiro é diferente dos torcedores do resto do mundo. Em outros lugares, ser torcedor é apoiar o time, vencendo ou perdendo. Aqui, o torcedor acha que o time tem obrigação de ganhar. Além disso, o torcedor dedica pouco esforço em apoiar o seu time e muito esforço em odiar os times adversários. Na verdade, ódio e rancor são praticamente a síntese do torcedor brasileiro.
Um exemplo aqui da minha cidade: o Coritiba em 2024 teve um ano péssimo: não chegou à final do estadual, eliminado pelo Maringá; foi eliminado da Copa do Brasil na primeira fase, pelo Águia de Marabá; e teve um desempenho pífio na série B do brasileiro, terminando em 12º lugar. Deveria ser um ano para ser esquecido, mas os torcedores do Coritiba terminaram o ano eufóricos, rindo de orelha a orelha. Por quê? Porque o maior rival, o Athlético, foi rebaixado.
Essa postura do “o bom não é ganhar, é ver o outro perder” se espalha do futebol para o restante da vida, juntamente com outras expressões futebolísticas como “ganhar roubado é mais gostoso”. “Virada de mesa” e “ganhar no tapetão” fazem parte do futebol e também da vida cotidiana do brasileiro, que só é contra quando isso não o favorece.
Um torcedor típico não lembra muito do jogo da semana retrasada, mas é capaz de discursar, com minúcia de detalhes, desqualificando os títulos e vitórias dos times adversários. Pergunte a um palmeirense sobre o título de 2000 do Corinthians, ou a um corintiano sobre o título de 1951 do Palmeiras, por exemplo. Uma característica dessas discussões é o apelo seletivo ao “oficial”: quando conveniente, a realidade deixa de ter importância diante da versão defendida pelas “autoridades”, geralmente a CBF e a FIFA. Da mesma forma, quando é conveniente a CBF e a FIFA passam a ser entidades corruptas e parciais, dirigidas por pessoas de má índole (o que certamente tem base na realidade).
Não posso afirmar que o amor do brasileiro pelo futebol se deve às regras dúbias, à arbitragem duvidosa e sujeita a “interpretações”, à cultura do improviso que faz com que até o passado seja duvidoso. Mas é provável que sim, já que esse mesmo amor se reflete no dia-a-dia da administração do país:
– No futebol, todos acham normal ter dirigentes e “cartolas” envolvidos em escândalos e problemas com a polícia. No governo, ocorre o mesmo com políticos e altos funcionários. Em ambos os casos, o torcedor jura com os pés juntinhos que o cartola em questão é inocente e tudo não passa de armação dos adversários.
– No futebol, todos acham normal que as regras sejam interpretadas de uma forma hoje e de outra forma amanhã. No governo, a mesma coisa.
– No futebol, todos acham que os juízes são parciais, incompetentes e mal-intencionados, mas não reclamam porque acham que isso pode ser útil. Quando se trata dos “outros” juízes, é a mesma coisa.
– O futebol é dirigido por uma confederação e 27 federações, comandadas por pessoas desconhecidas que ninguém sabe direito como chegaram lá, só sabe que é muito difícil tirá-las. Nos cargos do governo acontece a mesma coisa.
– No futebol, ninguém dá importância à frase “que vença o melhor”. Todo mundo quer que vença o seu time, seja de forma honesta ou não, seguindo as regras ou não. Se acontece alguma coisa que é contra as regras mas vai prejudicar o time adversário, o torcedor defende essa coisa com unhas e dentes. Na política, o torcedor defende qualquer coisa, por mais absurda que seja, se achar que isso vai prejudicar o adversário.
A futebolização da política está avançando, e nas redes sociais o que é chamado de “debate” virou na verdade uma briga de torcidas organizadas, cada uma defendendo o “seu” político e atacando o “outro”. Nessa briga, lógica, ética e verdade não têm a menor importância. O importante é repetir palavras de ordem e xingar muito. Já chegamos ao ponto de ver brasileiros (de todos os lados) comemorando más notícias, desde que possam botar a culpa no político adversário.
A idéia é simples e qualquer aluno de primeiro grau sabe repetí-la de cor, porque a escutou centenas de vezes de todos seus professores engajados e admiradores do socialismo: “câmbio valorizado é ruim, a moeda deve ser fraca para favorecer as exportações”. Alguns mais empolgados chegam a fixar valores: “com Ciro Gomes presidente, o dólar vai valer oito reais e o Brasil vai virar uma superpotência de tanto exportar.” Infelizmente, nossa história mostra o contrário: quando o dólar sobe, as exportações caem.
Na verdade, é quase instintivo pensar que moeda forte é bom. O governo se esforça para nos doutrinar, desde criancinhas, para conseguir que a maioria acredite no contrário. Por quê? Ora, porque é um hábito do governo dizer que faz o que é melhor para nós, enquanto faz o que é bom para ele e ruim para nós.
Basta uma simples olhada nos dados sobre comércio mundial para constatar que os países mais abertos são ricos, e os países mais fechados são pobres. Importante: país aberto é aquele que exporta e importa, não aquele que só exporta – esse quase sempre é pobre. Os economistas podem explicar isso de várias formas (e até mesmo negar os fatos, se forem partidários do Ciro Gomes), mas eu prefiro as explicações simples: um país que é aberto às importações pode ter tudo do melhor, sem ter que ser o melhor em tudo. Pode comprar computadores do Japão, smartphones da Coréia, automóveis da Alemanha, máquinas da Suíça. E ao exportar, tem que ser eficiente, porque está concorrendo com o mundo todo. E é mais fácil produzir algo bom se você pode importar as melhores máquinas e os melhores computadores.
O país fechado, por outro lado, não pode ter o melhor. Só pode ter o que o governo permite, que é o produto nacional. E como é difícil ser tão bom como o Japão, a Coréia, a Alemanha e a Suíça ao mesmo tempo, as pessoas só podem ter computadores ruins, smartphones ruins, automóveis ruins, máquinas ruins. Ruins e caras, porque se as empresas têm um mercado garantido, porque se esforçar?
Para participar do mercado global, há dois caminhos. O primeiro, o dos países bem-sucedidos, é ser bom em alguma coisa. Fazendo isso, o resto do mundo vai querer seus produtos. A Nova Zelândia é boa em produzir ovelhas. A Escócia, em uísque. A Coréia do Sul produz aparelhos eletrônicos. O Japão é bom em automóveis. O Chile produz vinhos e cobre. E por aí vai. Nenhum deles quer produzir tudo. A Nova Zelândia não tem fábricas de automóveis nem de eletrônicos: eles preferem comprar dos melhores (e veja que interessante: eles não importam automóveis nem computadores do Brasil).
O segundo caminho é seguido pelos que não querem ou não conseguem ser bons em nada: vender barato. O jeito mais fácil de fazer isso é justamente desvalorizando a moeda. Quanto mais “forte” for o dólar ou o euro, mais vantajoso parece ser o negócio. Parece, mas não é, porque exportar com câmbio desvalorizado é simplesmente trabalhar por mixaria. O que adianta ter um superavit comercial de trocentos bilhões de merrecas, se estes trocentos bilhões de merrecas não valem nada?
Isso não quer dizer que não podemos ser um grande exportador de soja ou minério de ferro. Podemos, mas desde que nossa competitividade venha da eficiência, da tecnologia, da produtividade. Produzindo com eficiência, não precisamos baixar o preço. A Escócia não precisa de moeda desvalorizada para vender uísque para o mundo todo. A Suíça tem uma moeda fortíssima e mesmo assim todos os países querem comprar seus produtos. E sempre é bom lembrar: não acredite na imprensa chapa-branca que diz que a China conquistou mercado desvalorizando a moeda. É mentira. Durante todo o período em que a China cresceu a passos de gigante, sua moeda se valorizou frente ao dólar (e nos últimos anos, quando sua economia desacelerou, a moeda voltou a cair). Aliás, na grande maioria dos países, a relação é sempre a mesma: economia crescendo, moeda valorizando; economia piorando, moeda desvalorizando. É quase inacreditável que economistas e jornalistas continuem repetindo que moeda desvalorizada é bom para a economia.
O presidente Donald Trump está metendo os pés pelas mãos na questão das tarifas, e isso é uma pena, porque pode acabar compromentendo as boas idéias que ele anunciou em outras áreas. Por exemplo, sua promessa de acabar com o Departamento de Educação, que é o ministério deles.
Aqui no Brasil, onde é costume achar que até o sol e a chuva só existem pela vontade do governo, uma idéia dessas parece absurda. Mas para entender do que se trata, é preciso lembrar um pouco como tudo começou.
Os Estados Unidos têm esse nome porque era exatamente isso que eles se propunham a ser: não um “país” no sentido usual da palavra, mas um “conjunto de estados livres e independentes”, “unidos” entre si em uma confederação. Após a independência, eles nem tiveram muita pressa em elaborar uma constituição, e alguns até achavam que seria desnecessário, porque cada estado já estava elaborando a sua. Só dez anos após a independência é que foi formado um comitê para elaborar uma constituição federal, que entrou oficialmente em vigor em março de 1789. Mas mesmo com a constituição, a idéia de uma confederação de estados soberanos persistia: a independência de cada estado era muito maior do que é hoje, com o governo federal sendo responsável basicamente pelas forças armadas e relações diplomáticas com outros países. Na época, o único imposto federal era o cobrado sobre importações, e cada estado tinha autonomia para definir seu próprio sistema tributário.
As intenções dos constituintes, gente como Thomas Jefferson, James Madison e Benjamin Franklin, eram as melhores. Eles sabiam que o governo deve ser pequeno e próximo do povo, e fizeram de tudo para mantê-lo assim. Não conseguiram. O governo federal começou a crescer e se intrometer na vida dos estados, privilegiando alguns em prejuízo de outros. A coisa acabou com sete estados decidindo se retirar da união, e o governo federal (representado pelo presidente Lincoln) iniciando uma guerra para impedi-los, em uma afronta ao espírito da confederação: se os estados aderiram à União voluntariamente, também poderiam retirar-se dela voluntariamente, e isso foi até explicitamente dito por três dos estados ao ratificarem a constituição.
Como todos sabem, o lado do presidente Lincoln venceu a guerra, impediu os estados do sul de criar uma nova confederação, enterrou o conceito “todo poder emana do povo” e transformou os Estados Unidos em mais um país como todos os outros haviam sido: um lugar onde o governo manda e o povo obedece. De passagem, a guerra serviu de pretexto para a criação do imposto de renda, que foi demagogicamente (ou seria melhor dizer cinicamente?) previsto para durar cinco anos com uma taxa máxima de 5%.
Depois que Lincoln “abriu a porteira”, o governo federal não parou mais de crescer. Como a constituição continuava dando autonomia para os estados, o governo adotou a tática do suborno: criava novos impostos federais, e usava o dinheiro para instituir “programas” onde esse dinheiro era usado para ajudar os estados, exigindo em troca que os estados concordassem com as políticas do governo central.
Um exemplo: segundo a constituição, quem constrói as estradas são os estados. Mas em 1916 um deputado propôs uma lei criando um fundo federal para construção de estradas, que foi aprovado com festa pelo então presidente Woodrow Wilson. Outro fundo foi criado em 1921. E em 1956 o presidente Eisenhower criou o Sistema de Rodovias Interestaduais, com uma verba que equivale hoje a mais de 200 bilhões de dólares. Os governadores gostaram da idéia de não precisar gastar seu dinheiro com a construção de estradas, deixando a despesa para Washington (a cidade, não o presidente). Mais tarde, nos anos 1970, quando o governo federal iniciou a famosa “guerra às drogas”, os estados que discordaram foram ameaçados com a suspensão das verbas federais para o setor rodoviário.
Mas vamos falar da educação: embora seja natural pensar que um ministério da educação sempre existiu, na verdade ele só foi criado em 1979, durante o governo Jimmy Carter. E seu método de ação seguiu a mesma receita: tirar dinheiro dos estados através de novos impostos federais e exigir a submissão dos estados em troca de devolver o dinheiro sob a forma de “verbas federais”.
A principal preocupação do departamento federal de educação, como sempre acontece, foi dar a impressão de que ele é necessário e indispensável, e sob esse pretexto aumentar de tamanho continuamente. Como se diz no popular, “criar dificuldades para vender facilidades”. Ou, no caso, criar problemas para criar novos departamentos que prometem resolver os problemas.
Talvez a parte mais escandalosa da atuação do departamento de educação em seus 45 anos de existência tenha sido a implantação de políticas raciais: O Distrito de Columbia definiu uma meta de aprovação nos testes de leitura de 94% para alunos brancos e de 71% para alunos negros. No Tennessee, a meta de aprovação nos cursos de Inglês III foi de 65,4% para estudantes brancos e de 47,6% para estudantes negros. Em Minnesota, a meta de proficiência em matemática do 11º ano foi definida em 82% para alunos brancos, 66% para alunos hispânicos e 62% para alunos negros. No Alabama, a meta era que 92% dos alunos brancos e 79% dos alunos negros do terceiro ano passassem em matemática. Tudo isso, claro, seguindo as diretrizes criadas pelo governo federal.
Claro que esse duplo padrão criou problemas, e o departamento de educação reagia aos problemas criando novos “programas”, novas “metas” e novas burocracias que eram enfiadas goela abaixo dos departamentos estaduais. Como resultado, o nível escolar do país caiu a níveis nunca antes vistos, o que resultou na desindustrialização que agora Trump quer resolver com tarifas de importação. A atual Secretária de Educação foi nomeada por Trump com a missão de extinguir o departamento e devolver o poder aos estados. Não se sabe se irá conseguir.
O caso do ensino nos EUA seria um excelente exemplo para nós e para qualquer país que esteja disposto a aprender com a história e com os fatos.
MILHARES DE UCRANIANOS MORRERAM EM VÃO – Ted Snider (colunista do The Libertarian Institute)
Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia. Não sendo suficiente para conquistar a Ucrânia, a força invasora foi suficiente para persuadir a Ucrânia a sentar-se à mesa de negociações. O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que esse era o objetivo original da operação militar: “As tropas estavam lá para pressionar o lado ucraniano a negociar”.
Quase funcionou. Em poucas semanas, em Istambul, uma paz negociada estava próxima. Mas os Estados Unidos, o Reino Unido, a Polônia e seus aliados da OTAN empurraram a Ucrânia para fora do caminho da diplomacia e para dentro do caminho contínuo da guerra. Putin mobilizou mais tropas e mais recursos.
Três anos depois, uma paz negociada semelhante será assinada, apenas ajustada à realidade atual. A Ucrânia poderia ter feito um acordo mantendo todo o seu território, exceto a Criméia. Centenas de milhares de soldados ucranianos morreram ou ficaram feridos em vão, em nome da fantasia dos Estados Unidos de uma OTAN sem limites e uma Rússia enfraquecida.
A Rússia foi para Istambul em uma posição mais fraca do que está hoje. Ela sobreviveu à guerra de sanções e isolamento e venceu a guerra contra as armas da OTAN no campo de batalha. A Rússia está disposta a um cessar-fogo, mas apenas se puder obter sem lutar tudo o que pode obter através de combates.
Depois de toda a perda de vidas, a Ucrânia abrirá mão de mais território e da adesão à OTAN. Eles não receberão uma garantia de segurança que envolva um compromisso militar dos EUA. Kursk se tornou um fracasso estratégico caro e as forças armadas ucranianas mal conseguem se manter em toda a extensão da frente de 1.600 quilômetros. A Rússia não vai parar a guerra sem garantir um acordo assinado pelos EUA e pela OTAN de que não haverá Ucrânia na OTAN nem OTAN na Ucrânia. E não vai parar a guerra sem a Criméia e pelo menos alguns dos quatro oblasts que anexaram e uma garantia na constituição ucraniana da proteção dos direitos dos russos étnicos no território que permanecer na Ucrânia.
Parece claro que, antes de os EUA pressionarem a Ucrânia a aceitar a proposta de um cessar-fogo imediato e provisório de 30 dias, eles já haviam lançado as bases discutindo com a Rússia, que pode continuar lutando para alcançar seus objetivos inegociáveis.
O secretário de estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou, por exemplo, que as negociações da Arábia Saudita com a Ucrânia incluíram discussões sobre “concessões territoriais”. Donald Trump disse que na próxima vez que falar com Putin, “falaremos sobre terra, falaremos sobre usinas de energia”. O secretário de defesa, Pete Hegseth, já disse que qualquer ideia de recuperar o território perdido da Ucrânia é “um objetivo irrealista” e uma “meta ilusória”.
E, o mais importante, Hegseth também estipulou que Trump “não apoia a adesão da Ucrânia à OTAN como parte de um plano de paz realista”. E Trump compartilhou esse veredicto com seus aliados da OTAN. Em 14 de março, quando o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, foi questionado se Trump havia retirado a adesão da Ucrânia da mesa de negociações, ele simplesmente respondeu: “Sim”.
Desde o momento em que a Ucrânia foi afastada das negociações em Istambul até o momento em que retornará à mesa de negociações, toda a perda de vidas e território foi em vão. Está definido que a Ucrânia não recuperará todo o seu território e está definido que eles não se tornarão membros da OTAN. Centenas de milhares de soldados ucranianos morreram por nada além da arrogância americana.
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P.S. Faço uma ressalva à análise de Ted. Não se deve descartar a possibilidade de Alemanha, França e Inglaterra convencerem Zelensky a continuar a guerra sob a promessa de que a União Européia irá garantir armas e dinheiro para a Ucrânia no lugar dos Estados Unidos. Nesse caso, é impossível prever como tudo terminará porque trata-se de uma situação completamente absurda e irracional. Ao contrário dos EUA, os países da Europa não têm de onde tirar centenas de bilhões de euros para bancar uma guerra. Se tentarem, estarão cavando sua própria derrota.