A guerra do passado era uma questão de poder e ego: os poderosos brigavam entre si e obrigavam o povo a participar. Eles, os poderosos, iam para as batalhas junto com seus comandados, então pelo menos podemos dizer que eles “colocavam o deles na reta”.
Hoje, a guerra é uma questão de economia e política. É feita para dar lucro e criar oportunidades, como disse um assessor do ex-presidente Obama: “Nunca devemos desperdiçar uma crise. Na crise, podemos fazer aquilo que normalmente não poderíamos”. E como Orwell ensinou em “1984”, não há crise melhor e mais eficiente do que uma guerra contra um inimigo externo a quem podem ser atribuídos todos os males do mundo.
Se o objetivo das pessoas comuns, no mundo todo, é construir coisas, o objetivo dos senhores da guerra é gastar dinheiro em uma coisa que vai se auto-destruir destruindo outras coisas junto com ela. Nos dias de hoje, quanto mais riqueza destruída melhor. Generais, políticos e empresas de defesa adoram brinquedos caros de alta tecnologia.
Uma comparação rápida: o P-51, o caça mais eficaz da 2ª Guerra Mundial, foi de um papel em branco para a linha de produção em seis meses, e cada um custava cinquenta mil dólares. Hoje, os mesmos EUA têm o caça F-35 que ficou sendo projetado durante 10 anos e custa algo entre cem e duzentos milhões de dólares, dependendo de como se olhe uma contabilidade feita para não ser entendida e para ocultar os desvios, desperdícios e propinas que fazem parte do custo. Já foram fabricados 1200 deles, e após esse gasto de mais de um trilhão, eles não servem para nada porque hoje se usam drones, e um caça de cem milhões é inútil contra um drone de dez mil. (vale lembrar que isso ocorre em praticamente todo o mundo: o Brasil, por exemplo, também está gastando bilhões em caças suecos para se defender sabe-se lá de quem ou do quê)
Então, nos últimos sessenta ou setenta anos, as guerras existem para justificar o gasto de enormes quantias de dinheiro. Um exemplo mais recente: No mês passado, depois que Israel atacou o Irã, este respondeu lançando montes de foguetes em direção a Israel. Para interceptá-los, foram usados entre 60 e 80 mísseis THAAD, cada um custando quinze milhões de dólares. Em uma única noite, um bilhão de dólares virou fumaça. Os políticos adoraram. Um deputado não pensa em termos de eficácia das armas, ele pensa apenas em quantos dólares serão gastos e quantos empregos serão criados na região que é sua base eleitoral se uma indústria de equipamentos militares se instalar lá.
O mais irônico é que os trilhões gastos em equipamentos sofisticados não se destinam a enfrentar países que usam equipamentos similares. A arma preferida dos supostos inimigos é um estoque inesgotável de adolescentes semi-analfabetos e fanáticos o suficiente para sacrificar a própria vida em atentados terroristas. São “armas” baratas e muito mais eficazes do que mísseis e aviões bilionários. Se realmente os tais “inimigos da democracia e da liberdade” quisessem atacar os EUA ou os países da OTAN, estas armas, isto é, estes adolescentes, já estão instalados aos milhares dentro dos países-alvo, apenas aguardando uma ordem de agir. E as modalidades de ataque são inúmeras, além das primitivas (mas ainda assim eficientes) bombas: ataques químicos, biológicos, cibernéticos, destruição de infra-estrutura.
Mas nada disso interessa muito aos senhores da guerra. O que importa é manter a máquina funcionando, manter o dinheiro fluindo, e manter o cidadão comum quieto e confiante de que o governo está zelando por ele.
