Boa tarde, nobre amigo.
Escrevi este soneto em resposta à obra “Soneto ao Filho” de Diniz Vitorino.
SONETO AO FILHO – Diniz Vitorino
Filho meu nunca faças o que eu fiz
E o que eu fiz não procure nem saber
Veja bem meu semblante que ele diz
O que eu tenho vergonha de dizer
Não matei, não feri, porque não quis
Ceifar vidas humanas pra viver
Meu mau foi cantar pra ser feliz
Tendo dor pra chorar até morrer
Que loucura meu filho, é ser poeta
Fingir que é filosofo, que é profeta
Sem reunir multidões pregar a esmo
Aos espaços mandar cantos fingidos
Procurar consolar os oprimidos
Quando o mais oprimido sou eu mesmo.
* * *
Em resposta a este, eu disse:
Ô meu pai eu tentei, mas eu falhei
Em seguir teus conselhos de amigo
Para ser o que sou, não procurei
Foi a arte quem quis viver comigo.
Mesmo ouvindo o teu pranto de castigo
Não temi tua cruz, a carreguei
Fiz da dor que era tua o meu abrigo
E nos textos mais tristes me achei.
Me tornei o teu passo e o teu canto
Pelo rastro do bem de um homem santo
Fui igual ao senhor até na veste.
Ser poeta, meu pai, foi teu lamento
Mas segui por amor, não por talento
E hoje sei que fiz tudo o que tu fizeste.