

Os dez municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e que têm os maiores índices de homicídios estão no Nordeste
Em ano eleitoral – e as convenções já estão começando –, é bom lembrarmos da responsabilidade dos partidos em algo muito importante. Saiu o Anuário de Segurança Pública, e a região mais insegura do Brasil é o Nordeste. Os dez municípios mais violentos, entre os que têm mais de 100 mil habitantes, estão no Nordeste: cinco na Bahia, três no Ceará, um em Pernambuco e um na Paraíba. Por coincidência, Bahia e Ceará são governados pelo PT. A segurança pública será o assunto principal dos governadores em campanha, dos candidatos a deputado, senador e também a presidente da República. Todos sentem isso.
Há um candidato que zerou o crime no estado dele; não vou dar nome nem o estado, porque pode parecer campanha eleitoral, mas esse vai ser um fator muito importante: saber quem está disposto a fornecer segurança pública, porque é a responsabilidade dos estados federados, se bem que crimes federais já estão na área federal. Hoje o poder está centralizado em Brasília; “República Federativa do Brasil” é só no papel, só na Constituição, porque na prática, é “República Unitária do Brasil”, com governo central e províncias, em vez de estados. Afinal, se o governo central detém a maior parte dos impostos e define a distribuição do dinheiro, detém o poder também.
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Retaliação só vai piorar a vida do brasileiro que depende de produtos americanos
Lula está fazendo declarações eleitoreiras a respeito de comércio exterior, prometendo retaliar os Estados Unidos por causa das tarifas. O engraçado é que ele não diz isso para a China. As próximas importações chinesas de carne brasileira vão estar com 67% de sobretaxa – a taxa normal é 12%, e vão aplicar mais 55% sobre o que estiver acima da cota. E Lula não diz nada. A Europa também resolveu dizer que o Brasil está descumprindo normas sanitárias da União Europeia, que está aplicando antimicrobiano para engordar a carne, e por causa disso, a partir de setembro, não entra mais carne brasileira por lá. E se o Brasil quiser fazer uma campanha contra os produtos que aplica, se deixar de aplicar o antimicrobiano no gado jovem, vai demorar quanto? Trinta meses até engordar e poder vender. São mais de dois anos.
E, se o Brasil retaliar mesmo os EUA, qual será a consequência? Não é deixar Trump mais ou menos bravo. É prejudicar o brasileiro: a empresa brasileira que depende de máquinas americanas; o brasileiro que depende de remédios que vêm dos Estados Unidos; os laboratórios e as indústrias que dependem de produtos químicos norte-americanos; o produtor rural que precisa de certas máquinas que só são fabricadas nos EUA. Esses é que vão ficar furiosos, porque terão de pagar mais, já que o Brasil vai aplicar sobretaxa sobre tudo isso. Esse revide é coisa de quem esqueceu que tem cérebro.
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Governo que não cuida dos rios e que adultera combustível não respeita o cidadão
Vou insistir em duas questões rápidas, que já mencionei aqui muitas vezes, mas que precisamos repetir. Primeiro, que não dragaram os rios do Rio Grande do Sul e as calhas dos rios estão entupidas; qualquer chuvinha faz transbordar tudo outra vez. E de quem é a culpa? Dos governos omissos. Segundo, vi aqui no PetroNotícias que o Brasil é o maior adulterador de gasolina do mundo. A partir de agosto, aplicará 32% de álcool na gasolina. Isso não existe em nenhum outro lugar; o resto do mundo só vai até 10%, porque sabe que 11% é o limite. A exceção é a Índia, que aplica 20%, mas a Índia tem 1,4 bilhão de habitantes e problemas que ultrapassam o bom senso; já os nossos problemas ultrapassam o respeito que o Estado deveria ter pelo cidadão e pelos 40 milhões de proprietários de veículos a gasolina, contando motos e automóveis.
Todos os números da dívida pública brasileira dispararam nos primeiros seis meses de 2026.
Desde 1º de janeiro do quarto ano do governo Lula (PT), tanto a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), quanto a Dívida Pública Federal (DPF), interna e externa, explodiram.
A DBGG aumentou em R$ 950 bilhões, 2,4% a mais.
Até o início deste ano, esse buraco equivalia a 78,7% do PIB e em 1º de julho já representava 81,1%.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ultrapassou – pela primeira vez na História – a marca dos R$ 10,6 trilhões.
A DPF, que é a dívida emitida pelo Tesouro Nacional, passou de R$ 8,3 trilhões no início de 2026 para R$ 8,68 trilhões após apenas seis meses.
Isso quer dizer que o governo do PT emitiu R$ 404 bilhões em títulos do Tesouro brasileiro, que precisam ser pagos dentro de alguns anos.
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É bilhão e trilhão que só a peste!!!
Chega fiquei zonzo de ler estas quantias piramidais.
Isso é cagado e cuspido a cara do gunverno lulo-petralha.
Leonardo Coutinho

Ortega enterrou oficialmente um regime que há anos sobrevivia apenas como fachada eleitoral
O gerontocrata Daniel Ortega anunciou que não haverá mais eleições na Nicarágua. Ele disse isso com a serenidade de quem comunica a criação de um feriado nacional. Segundo Ortega, o voto não poderá voltar a servir de caminho para que partidos “apoiados pelos ianques” tomem o governo e interrompam a revolução (ou seja, ele próprio e sua mulher, Rosario Murillo, que já foi vice do marido e agora exerce as funções de co-ditadora). O mundo reagiu como se tivesse presenciado um assassinato. Não presenciou. Ortega não matou a democracia diante das câmeras. Apenas mandou retirar do palco um cadáver que, há anos, estava insepulto.
Na Nicarágua, as eleições já não serviam para escolher governantes. Eram simulacros usados para produzir atas, percentuais e fotografias destinadas aos diplomatas que ainda precisavam fingir que havia institucionalidade no país centro-americano. Em 2021, sete possíveis candidatos presidenciais foram presos antes da votação. Outros opositores foram proibidos de concorrer, perseguidos ou empurrados para o exílio. Ortega disputou contra o vazio que ele mesmo produziu e chamou o resultado de vontade popular. A esquerda latino-americana celebrou a “festa da democracia” e saudou o companheiro vencedor.
É assim que as ditaduras modernas vêm sendo construídas. Raramente começam fechando o Congresso, queimando urnas e anunciando o fim da Constituição.
Quando já não resta ninguém autorizado a disputar o poder, mantêm-se as eleições por algum tempo. O ritual anestesia a opinião pública externa.
A Nicarágua atravessou essa sequência inteira. Em abril de 2018, manifestações contra uma reforma da Previdência se transformaram em revolta nacional. Em menos de uma semana, pelo menos 25 pessoas foram mortas pela polícia.
Ao longo de cerca de um mês de protestos, o número de mortos passou de 350, com mais de 2.000 feridos. Além da polícia, formalmente falando, foram acionados paramilitares e militantes sandinistas para massacrar os estudantes e manifestantes. Hospitais chegaram a receber ordens para negar atendimento aos feridos.
Depois vieram prisões em massa, fechamento de meios de comunicação e de milhares de organizações civis. Em 2023, 222 presos políticos foram colocados em um avião, enviados aos Estados Unidos e privados da nacionalidade nicaraguense. O regime também voltou sua artilharia contra a Igreja Católica. Bispos e padres foram presos, condenados, deportados ou impedidos de retornar. Mais de 200 religiosos foram forçados ao exílio, expulsos ou barrados desde outubro de 2023.
Nada disso aconteceu escondido. A democracia foi espancada, morta e esquartejada em praça pública. Muita gente não fez nada. Pelo contrário. Houve até quem batesse palmas. Em 2017, Gleisi Hoffmann, recém-eleita presidente do PT, participou do encontro do Foro de São Paulo, em Manágua, capital da Nicarágua, e de lá saudou os “triunfos eleitorais” de Daniel Ortega.
Um ano depois, quando os corpos ainda eram recolhidos das ruas, o PT voltou ao encontro do Foro, desta vez em Havana. O discurso oficial do partido celebrou a “rotunda vitória” de Nicolás Maduro e descreveu a reação sandinista como “resistência às tentativas de desestabilização”. A resolução do encontro chamou os opositores nicaraguenses de violentos, terroristas e golpistas e ofereceu respaldo político a Ortega.
Autocratas latino-americanos não sobreviveram apenas por causa da polícia, dos juízes domesticados ou dos serviços de inteligência. Sobreviveram porque construíram uma rede continental de legitimadores. Cada prisão podia ser explicada como defesa da soberania. Cada fraude, como reação ao imperialismo ou até mesmo como “defesa da democracia”. Cada massacre, como resposta a uma tentativa de golpe. A linguagem revolucionária funcionou como lavanderia moral para crimes cometidos à luz do dia.
O espanto atual, portanto, revela menos sobre Ortega do que sobre aqueles que insistiram em não enxergá-lo. O ditador não mudou. Apenas abandonou o eufemismo. Durante anos, o mundo aceitou chamar de eleição um processo sem oposição, de justiça uma máquina de perseguição e de governo popular uma ditadura familiar conduzida por Ortega. Até hoje há quem o chame de “presidente”. Agora, quando ele informa que nem o simulacro será mais necessário, surgem notas indignadas em defesa de uma democracia que poucos defenderam quando ainda havia nicaraguenses nas ruas tentando salvá-la.
Fico com a dúvida se líderes mundiais e organismos internacionais de fato defendem a democracia ou apenas a fachada democrática.
O que aconteceu nesta semana é o seguinte: Ortega não encerrou a democracia nicaraguense de repente. Apenas declarou encerrada a necessidade de continuar mentindo sobre ela. Ortega apenas decidiu fazer um funeral tardio para um cadáver há muito tempo insepulto.
Um vídeo que traduz a realidade dura do brasileiro:
O custo de vida aumentou absurdamente nesse desgoverno petistaO povo sente no bolso pic.twitter.com/FVgDxsHrm7
— Paula Zanelli (@paulazanelli) July 24, 2026
Começo essa conversa com uma história real que se deu na Rua Maria Ramos (Olinda). José (o interessado pediu para omitir seu nome) tentava viver noites calmas na casa que acabara de construir. Ocorre que vizinha, dona Mirian, era amante de gatos. Alimentando, regularmente, 20 deles.
Aqui, vênia para lembrar felinos que viviam na casa do mestre Edson Nery e ficavam enroscados em nossas pernas, quando íamos lá. Ou o amigo Fernando Pessoa que, inspirado em Bocage, escreveu poema (sem título, sem data) sobre eles, dizendo “Gato que brincas na rua/ Como se fosse na cama/ Invejo a sorte que é tua/ Porque nem sorte se chama”.
Recordo por fim os “Fortes gatos suaves”, como a eles se referia (em Flores do mal) um dos precursores do simbolismo, Charles Baudelaire. Curioso é que seu livro, assim que lançado, foi considerado “imoral”. Não era. Mas essa é outra história, com outros personagens, e fica para outro dia.
Certo é que, tão logo construída, passaram os gatos de dona Mirian a fazer Assembleia Geral no telhado da casa – uma placa de concreto, como o dessas casas modernosas – do referido José. E tão grande era o barulho da gatalhada que não dava para ninguém dormir.
Dona Miriam parada, não era problema dela. Assim pensava. E assim dizia, quando reclamavam. Foi quando os pedreiros Chico Muafa (de Passira) e Cleber (de Currais Novos) decidiram ajudar seu amigo e chegaram com a solução.
Em tigelas de plástico, puseram Sardinhas Coqueiro, molho de tomate e cuscuz, tudo misturado com cimento. Enquanto, nas outras, água. Espalharam no telhado, antes de chegarem os gatos. Resultado, no dia seguinte, morreram 19 deles (escapou só um que, adoentado, ficou preso em casa pela dona). Como se tivessem uma parede de concreto armado nas suas barrigas duras, coitados. Bem duras. E daí?, amigo leitor. Daí que crimes, se ocorridos, já prescreveram. José vendeu a casa e não mora mais por lá. Enquanto dona Miriam, ignora-se o que aconteceu com ela.
O episódio lembra nosso Brasil. Onde os escândalos se sucedem e fica tudo por isso mesmo. Como o Petrolão, que pôs muita gente ilustre na cadeia – tesoureiros de partidos, políticos (muito) influentes, ricos empresários. Até que o Supremo anulou tudo, com base em tecnicabilidades (muito) discutíveis. Difícil de entender esse tipo de proceder, uma espécie de prêmio para a corrupção. Devolvidos todos às ruas, proclamam agora terem sido “inocentados”. Só mesmo rindo…
Depois os aposentados, coitados, miseravelmente assaltados. Até um funcionário de nossa casa, Bigode; que sem sucesso reclamou dessa expropriação, por 9 meses, no INSS. Nem CPI o Sistema permitiu. Nenhum dirigente de Sindicato está sendo investigado. Nem parentes de políticos ilustres. A conta? Pagamos nós, com nossos impostos.
Depois o Master. Não morreu, ainda, só por conta do bravo ministro André Mendonça. Mas tudo conspira contra ele. Os poderosos do Brasil estão em ação, para encerrar o caso. Ministros do Supremo (alguns) à frente, claro. Assim, e por confiar no passado, Vorcaro nunca fará Colaboração Premiada. Confia no passado e espera ser solto, em breve, para se juntar a sua turma boa.
Voltando a nossa historinha, para encerrar. Se culpado houve, creio ser quem deveria cuidar dos gatos. E pena, mereciam melhor destino. Eles e hoje, permitam os leitores, todos nós brasileiros.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (com dados de 2025), divulgado nesta quinta-feira (23), reforça a percepção da dificuldade que governadores de esquerda têm no enfrentamento à violência.
O estudo revela que os piores resultados são do campo progressista quando o assunto é o cuidado à vida da mulher.
O Amapá, governado pelo esquerdista Clécio Luís (à época do Solidariedade, agora no União), registra a maior variação na taxa de feminicídio: alta de 347,7%.
O estado, que elegeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), também lidera taxa de homicídios de mulheres, subiu 198,5%.
Antes de se hospedar no União Brasil, Clécio Luís teve como lar o PT, por 16 anos; o Psol, outros 11 anos; e a Rede, mais 4 anos.
Governado por uma mulher petista, Fátima Bezerra, o Rio Grande do Norte é o 2º na lista: + 61,8% no número de homicídio de mulheres.
Observada a taxa de homicídios de mulheres, a cada 100 mil, o Ceará de Elmano Freitas (PT) lidera, com 6,2. Acima da média nacional de 3,2.
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Cadê as femineiras da isquerda???
Tão caladinhas, de bocas trancadas.
Até agora não se pronunciaram sobre esses números absurdos.
E num adiante esperar: vão continuar sem se manifestar sobre o assunto.
Cheguei à rodoviária do Recife faltando cinco minutos para quatro da tarde, rapidamente comprei a passagem, desci correndo a escada, fui o último passageiro a embarcar, coloquei a pequena valise em cima, no porta-malas. Acomodei-me na poltrona. Cumprimentei com um sorriso minha vizinha de viagem, o ônibus deu a partida, pegou a estrada rumo a Maceió. Aproveitando os últimos raios do sol, uma luminosidade razoável, comecei a ler o livro do Mário Vargas Llosa, “Elogio da Madrasta”. A vista cansou com o lusco-fusco do entardecer. Fechei o livro, arriei a poltrona, tempo de pensar no romance que escrevo em minha cabeça. Nesse momento a vizinha da poltrona tirou o fone do ouvido, puxou conversa.
– Eu lhe conheço, leio suas divertidas crônicas aos domingos, adoro.
Percebi que não era uma adolescente como havia imaginado, a vizinha de bordo devia estar na faixa de 25 anos. Morena, olhos e cabelos negros, uma moça bonita. Pelas roupas vestidas e maneira de falar calculei ser de família classe média. Respondi à companheira de viagem.
– Que bom você gostar do que escrevo. A maior alegria de um escritor é o reconhecimento, fico feliz em encontrar uma leitora como você.
– Agora me diga, como o senhor arranja tantas histórias todos os domingos, elas são verdadeiras?
– Olha menina, algumas são verdadeiras 100%, outras tem 80% de verdade, outras 40%, as que não são baseadas em fatos reais eu as inventei. Tenho uma fértil imaginação desde menino quando lia histórias em quadrinhos e assistia filmes de cowboy.
– Aquela história da loura tarada da praia da Jatiúca é hilária, e também aquela outra…
Minha companheira de viagem passou um bom tempo contando, às gargalhadas, várias das minhas histórias. Depois falou sobre meus livros, ela sabia de toda minha vida. Fiquei contente em ter uma leitora tão bem informada. Interrompi Michelle, era seu nome, perguntei o que fazia na vida. Ela não se fez de rogada.
– Estudo Direito, tenho certeza que serei uma boa advogada, gosto de falar. Sou dedicada, quero vencer na vida. Além de ser uma profissão fascinante, a advocacia tem mais chances de concursos públicos. Termino esse ano, minha meta é trabalhar e estudar sempre para concurso, quem sabe se não serei uma juíza ou desembargadora?
– Acho a profissão de advogado muito interessante, sou engenheiro.
– Eu sei, sei de muita coisa de sua vida. Casado, três filhos.
Deu uma gargalhada debochada.
– Uma amiga comum me disse que o senhor é um bom boêmio.
– Senhor não, me chame de você, Sou um menino no corpo de um coroa.
– Na minha Faculdade sou líder, reconheço minhas virtudes, depois de me formar quero trabalhar, trabalhar muito, aprender a profissão no dia a dia. Não me importa de viajar, enfrentar tribunais, sou despachada e corajosa.
Proseando passamos boa parte do percurso, conversas amenas, até política. A moça me impressionou pela vivacidade e inteligência. A viagem tornou-se rápida, logo o ônibus entrava em Maceió. Ao passar por Jacarecica, peguei minha valise, me preparei para descer na parada mais perto da Jatiúca. Ainda deu tempo de uma última pergunta à companheira de viagem. Onde trabalhava? Ela foi de uma franqueza espontânea.
– Não tenho emprego definido, sou recepcionista de casamento e festas, trabalho numa empresa sem carteira assinada, só ganho quando acontece o evento. Se o senhor tiver algum lançamento de livro, ou outros tipos de eventos, eu cobro barato. Preciso de ajuda, veja o que o senhor pode fazer por mim.
O ônibus parou, desci para pegar um táxi, dei um até logo com a mão vazia. Ainda percebi o sorriso simpático e maroto de minha companheira de viagem enquanto o ônibus, soltando fumaça, desaparecia na escuridão da noite. Eu queria lhe dar meu novo romance, nem peguei o telefone da minha simpática companheira de viagem.
A calçada da casa de praia na Barra do Cunhaú estava sempre animada. Sessão de conversas amenas em noites de verão.
Histórias do “Arco da Velha” vinham à tona. Lembranças e saudades das coisas de Nova-Cruz (RN) e dos nova-cruzenses que já se encontram no patamar da saudade.
A expressão “Arco da Velha” é uma forma reduzida de “arco da lei velha”, uma antiga denominação para o arco-íris. A associação com a “velha” faz referência ao Antigo Testamento (a “velha aliança” ou lei antiga): segundo o relato bíblico do livro de Gênesis, após o Dilúvio, Deus criou o arco-íris como sinal do pacto eterno com Noé e a humanidade.
As conversas envolviam muita saudade, de pessoas e de fatos.
Saudade do apito e do barulho do trem, quando a locomotiva Maria Fumaça fazia suas manobras em plena madrugada; saudade do toque do triângulo do vendedor de cavaco chinês; saudade de Seu Anísio, o vendedor de pão, gritando na porta da casa da minha avó, “Olha o pão, dona Júlia!”; saudade de quando o trem de recife parava na estação, e quando ecoava a voz do vendedor de “água doce, fria gelada, do Piquiri, servida num único copo de vidro grosso, com assepcia zero: “Olhe a água doce, fria, gelada, do Piquiri!!!”. Só havia um copo de vidro grosso, e a assepsia era zero.
Arco-da-velha é uma expressão usada, quando se quer referir a algo que existiu nos tempos antigos. Trata-se de uma forma reduzida de “Arco da lei velha”, com referência ao “Arco-íris”, que, segundo diz a Bíblia Sagrada, no Velho Testamento, Deus teria criado, em sinal da eterna aliança entre ele e os homens, após o dilúvio. O Arco-Iris era uma mensagem de esperança e de que tudo o que o dilúvio havia destruído iria renascer. Era uma visão de Fé, Esperança e Caridade. Era o renascimento da alma do homem, depois de tanto sofrimento.
Enquanto conversávamos animadamente, parou na calçada uma nativa muito desbocada, que foi logo puxando conversa:
– Feliz é a jabuticaba, que vive agarrada num pau e morre sendo chupada. Silêncio total…A nativa disse isso e passou, deixando-nos com ar de espanto, diante da sua saliência.
A Jabuticabeira é uma árvore brasileira, da família Myrtaceae. Originou-se no centro-sul do país, e depois tornou-se conhecida, passando a ser plantada em toda a América do Sul.
Aliás, a Jabuticabeira e o seu fruto fazem parte, agora, do anedotário político brasileiro, como metáfora, em relação ao crescimento econômico do País e à politicalha que se apoderou do Brasil há vários anos. Crescer igual a ela, somente a bandalheira e a ladroagem que se instalou no Brasil nos últimos anos.
Já existe até um ditado popular que diz:
“Se a coisa só existe no Brasil e não é jabuticaba, desconfie”. A jabuticabeira só existe no Brasil.
O economista Winston Fritsch, um dos formuladores do Real, em 1966, foi categórico ao dizer: “Quando falam que o Brasil tem alguma coisa diferente dos outros países, que não é jabuticaba, então é besteira.” A frase ilustra uma apropriação simbólica frequente da jabuticaba: se o país burlar os padrões do mundo globalizado, acabará mal.
Quando se diz que dois políticos são idênticos, é porque são iguais, e só sabem viver agarrados num tronco cheio de dinheiro. São farinha do mesmo saco. São cúmplices.
É característica da Jabuticabeira, o crescimento lento e a rápida velocidade com que da flor surge o fruto maduro (30 dias). Mas fenecem rapidamente. Tem vida curta.
Na feira de Nova-Cruz, jabuticaba se vendia em litro. Mas no quintal da casa da minha avó paterna, Dona Júlia, tínhamos jabuticabas à vontade, ao alcance das nossas mãos. Aliás, o suco de jabuticaba é maravilhoso.