JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (52) ‒ POLÍTICOS

Mais conversas, hoje só com políticos e afins, em livro que estou escrevendo (título da coluna). Estamos bem perto do fim, volto a dizer. E ando já com saudades, ao perder esse encontro mensal com o leitor neste espaço.

DINARTE MARIZ, governador do RN. Em Jucurutu, era promotor da cidade Nelson Queiroz, amigo do ministro do STJ Marcelo Navarro (que contou essa história). Dando-se que Nelson, no palanque, saudava o grande político potiguar:

‒ Dinarte, apesar de sequer ter concluído o curso primário, tornou-se grande empresário, senador da República e governador do Estado. Imaginem o que poderia ser?, caso tivesse estudado.

O velho achou que era demais e interrompeu sua fala dizendo, no microfone

‒ Eu seria promotor em Jucurutu.

ERNESTO SOUSA VILAÇA, comerciante, mais conhecido como Ernesto Babão. Indignado com os vereadores das cidades atendidas por seu posto de gasolina (que não pagavam as contas do combustível usado) e, no meio de uma carraspana, recitou versos que acabaram famosos na região:

‒ Jupi é terra de corno
Calçado de perdição
Já Lajedo é de viado
Canhotinho, de ladrão.

FLAVIO BIERRENBACH, ministro do STM. O governador (de SP) Franco Montoro era famoso por trocar o nome daqueles com quem conversava, e sempre o chamava de Flávio Bierrembrahms (que contou essa história). Até que, um dia, não aguentou:

‒ Governador, tem certeza de que meu nome é esse?

‒ Sim. Uma homenagem ao famoso compositor Johann Sebastian Brahms.

JOSÉ MÚCIO MONTEIRO, da Secretaria de Relações Institucionais, ministro do TCU e da Defesa. Candidato (1986) a governador de Pernambuco, em disputa com Miguel Arraes. Na cidade de Petrolina (ele próprio confirmou essa história), depois de comer buchada, precisou desesperadamente ir ao banheiro da casa. Estava ocupado. Um assessor bateu na porta e ouviu, dentro, voz feminina:

– Num tá vendo que tem gente?

– Saia logo que o governador precisa usar o sanitário.

– Dr. Arraia tá aí? – É o governador Zé Múcio.

– Agora é que eu num saio mermo daqui.

JOSÉ SARNEY, Presidente da República. Ao fazer 95 anos, mandou mensagem para o grupo de confrades na Academia (ABL):

‒ O segredo de viver muito é seguir um velho provérbio chinês: comer pouco, dormir muito e não discutir com a mulher.

MÁRIO SOARES, presidente de Portugal. Num jantar lembrei como Voltaire definia sua relação com Deus, “cumprimentamo-nos, mas não nos falamos”, e perguntei:

– Acredita em Deus?, presidente.

– Não.

– E como conseguiu ser eleito, num país tão conservador?

– É que dei uma explicação bem simples, na televisão, e os eleitores aceitaram. Disse que se Deus é onipotente, e quiser que eu acredite nele, basta estalar os dedos. Como não fez isso, acredito preferir que eu continue sem acreditar.

Dona RUTH CARDOSO, Primeira-Dama. Na Lagoa Azul, se dirigiu a Maria Lectícia:

‒ Belo chapéu, Lectícia.

‒ É seu, dona Ruth. Mas cuidado para que não se diga estar, a senhora, fazendo caridade com chapéu alheio.

TANCREDO NEVES, presidente da República. Perguntaram

‒ Quais as 10 melhores qualidades de um bom político?

‒ De 1 a 7, paciência.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

PAULINHA E SEUS DOIS MARIDOS

Como se fosse uma bomba, explodiu a notícia: Paulinha largou o marido e fugiu com seu “Personal Training”. Por mais de um mês foi o assunto nos salões de beleza, nas fofoqueiras de plantão, vizinhos, amigos e parentes. Como, uma jovem que nem Paulinha, bem educada, religiosa, prendada, teve essa insana atitude? Ninguém se conformava com o fato. Armando, bom marido, não merecia o chifre destampado em sua testa. Entretanto, ele parecia calmo, aceitou a fugida de Paulinha.

O pai de Paulinha, agora aposentado, foi um homem trabalhador, gerenciava uma usina de açúcar. Paulinha, filha única, teve todo carinho da família, estudou no Colégio Madalena Sofia, rígida educação social e religiosa. Como toda jovem da classe média, não teve problemas financeiros em sua educação. Conheceu Armando na Faculdade de Direito, formaram-se juntos, namoraram, casaram. O casamento navegava em águas mansas, em céus de brigadeiro, o único problema, não engravidar, os amigos de Armando zombavam. Entretanto, a falta de filho não impedia do casal se amar, ter respeito e carinho, um pelo outro. Armando do tipo caseiro, nunca prevaricou. Paulinha trabalhava no escritório de advocacia, curtia a vida com o marido, cuidava seu corpo toda noite numa academia de ginástica, aliás, corpo bonito, sensual.

Até que, numa noite apareceu um novo treinador na academia, o sangue de Paulinha ferveu, disparou seu coração ao ver Estevão, bem perto ele fazia as correções dos exercícios, não era bonito, nem feio, tinha uma cara máscula, sensual, ossos do rosto sobressaídos. Estevão passou algum tempo corrigindo falhas de posturas, quando tocava seu corpo dava uma sensação de volúpia em nossa amiga. Paulinha saia meio trêmula da ginástica. Durante a noite sonhou correndo na esteira, de repente apareceu por trás um cavalo com cara de homem e a agarrou. Acordou-se molhada. Acontece que, Estevão, também ficou impressionado com Paulinha, fazia força para tirá-la do pensamento ao lembrar a aliança no dedo. Certa noite na academia foi animada para os dois, conversaram bastante. Assim se passaram os dias. Paulinha pensava em Estevão e vice-versa. Até que, numa noite, depois de um banho na academia, ao entrar no carro num local afastado, Paulinha ouviu por trás de seu ouvido, “-Me dá uma carona”? Ela se assustou e sorriu, Estevão entrou no carro estacionado em local ermo, se abraçaram, se beijaram, ali mesmo fizeram amor.

– Que loucura, que loucura, eu amo meu marido! Mas quero você, quero você, seu filho de uma puta!

Gritava Paulinha enquanto beijava e abraçava o novo amor.

Passaram mais dois meses, até que Paulinha resolveu contar tudo a Armando, dor na consciência. Ele teve a reação esperada, quebrou o que havia na sala, feriu a perna ao dar um pontapé na televisão. Passaram o fim de semana discutindo, ela enfática, reafirmava que lhe amava, entretanto, não podia viver sem Estevão.

Na segunda-feira Paulinha resolveu sair de casa, foi morar no apartamento do treinador. Armando aceitou a separação. O tempo é o senhor da razão, já dizia o Presidente, e da conformação, entretanto, a gostosa Paulinha nunca deixou de encontrar-se com o ex-marido, na verdade ela realmente amava os dois. Nutria o amor bem comportado de seu amado de juventude, seu marido.

Dois anos se passaram, com muita habilidade Paulinha aproximou Armando de Estevão, se deram bem, hoje bebem juntos uma cervejinha na praia. Porém Armando continuou a morar sozinho em seu apartamento.

Em história de amor tudo pode acontecer, as más línguas afirmam convictas que Estevão, um bom coração, permite a mulher se encontra com Armando no seu apartamento para uma rodada de amor. Paulinha barbarizou, bigamizou, tem dois maridos.

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

INIMIGAS POLÍTICAS

Antigamente (décadas de 50 e 60), as cidades do interior do Rio Grande do Norte, no período eleitoral, viviam um clima inflamado, com “brigas de comadres” no meio da rua, em defesa dos candidatos da UDN ou do PSD, e às vezes, terminavam indo às vias de fato ou à delegacia de Polícia.

Dona Anália e Dona Izabel eram adversárias políticas ferrenhas e briguentas, uma da UDN e a outra do PSD. Através de insultos mútuos que as duas protagonizavam em suas calçadas, ambas mandavam bananas uma para a outra (através de gestos, o que, naquela época, significava indecência. Além dessa troca de bananas, que na época se usava nas brigas, havia coisa pior: Uma das comadres agredia a adversária, levantando o rabo do gato, acintosamente, e exibindo – o para o lado dela, que estava na calçada. Isso era considerado uma grande ofensa.

Os insultos entre adversárias políticas eram de baixo nível, chegando a insinuações, contra o decoro e a moral das distintas comadres. Às vezes, as discussões chegavam às vias de fato, com empurrões e troca de tapas, que só terminavam com a interferência dos maridos. A baixaria invadia as ruas, predominando, entretanto, o “envio de bananas”, através de gestos.

Havia brigas hilárias entre candidatas a cargos eletivos, adversárias políticas, esposas de candidatos, amigas ou simpatizantes políticas. A baixaria era grande. Só diminuía se os maridos aparecessem para acabar com o furdunço. Até aplausos tinha para a briguenta que mais baixasse o nível da briga.

Certa vez, em plena campanha política para Prefeito e Vice-Prefeito, duas mulheres da sociedade novacruzense, em plena luz do dia, adversárias políticas, uma, candidata à reeleição de um cargo eletivo, a outra, uma professora muito respeitada, trocaram farpas e insultos, em defesa dos seus respectivos candidatos, e acusando os candidatos adversários de serem comunistas e corruptos.

As duas terminaram se agredindo fisicamente, trocando bofetes e empurrões, o que provocou a intervenção de dois fiscais da Mesa de Rendas, que conseguiram, com muita dificuldade, apartar a briga, puxando cada uma delas pela cintura. Os insultos trocados ainda continuaram sendo ouvidos durante alguns minutos, uma chamando a outra de rapariga, o que, naquela época, era a maior ofensa que se podia dizer com uma senhora casada.

A rua ficou cheia de gente, e a briga se espalhou de boca em boca, sendo a melhor notícia do dia, numa época em que ainda não havia televisão nem telefone na cidade.

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL

COMENTÁRIO DO LEITOR

TRANSFERÊNCIA VENÉREA

Comentário sobre a postagem SIGAM O CONSELHO DELE

Monteiro:

Um gravíssimo caso de Efeito Dunning-Kruger…

O mané, que se julga estar exudando conhecimento e sabedoria por todos os orifícios, sempre foi muito fraco das ideias.

Mas parece que piorou bastante depois de “ter juntado os trapos”, por assim dizer, com uma “socióloga”, “cientista social”, sei lá, algo dessa natureza.

Vai ver pode estar havendo uma tranferência venérea de conceitos sociais e o gajo agora se acha capaz de instruir a macacada como votar.

Vai saber…

RODRIGO CONSTANTINO

A POLÍTICA FLUMINENSE

Cláudio Castro

Oitava fase da Op. Compliance Zero apura influência de Castro na aplicação de recursos da previdência fluminense em papéis podres do Master

Mensagens trocadas entre o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro levaram a Polícia Federal a mapear uma série de encontros entre eles em datas próximas aos aportes do Rioprevidência no Banco Master, que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões. Foram oito ocasiões em que os dois estiveram juntos no Rio, em São Paulo e em Nova York, de maio de 2023 a maio de 2024. Os agentes concluíram, a partir do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, que os investigados mantinham “laços de amizade”.

O material, revelado ontem pela GloboNews e obtido pelo Globo, mostra que Vorcaro convidou Castro, em 14 de maio de 2024, para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York. Segundo a PF, o evento, restrito a dez pessoas, custou US$ 1,013 milhão, o equivalente a mais de R$ 5 milhões na cotação atual. No dia seguinte, o Rioprevidência adquiriu R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master.

Se Cláudio Castro acabar preso, será apenas mais um ex-governador do Rio a seguir esse caminho, que já virou uma sina a ponto de Eduardo Paes brincar que se não for preso após um eventual futuro governo já seria uma vitória.

O Rio de Janeiro tem um histórico notório de ex-governadores envolvidos em escândalos de corrupção, especialmente a partir da Operação Lava Jato e outras investigações da Polícia Federal. Sergio Cabral foi preso em 2016, após ser condenado a mais de 400 anos de prisão. Ficou preso, porém, por cerca de 6 anos apenas.

Pezão foi preso em 2018 por lavagem de dinheiro, o único preso em exercício do mandato. Garotinho foi preso ao menos cinco vezes entre 2016 e 2019, e sua esposa Rosinha também foi presa envolvida em investigações de corrupção e fraudes eleitorais. Moreira Franco foi preso em 2019. Nenhum deles continua preso, mostrando que o crime compensa e a impunidade é a regra.

Wilson Witzel não chegou a ser preso, mas teve o mandato cassado por impeachment. Entre os governadores eleitos nas últimas décadas, quase todos enfrentaram prisão, cassação ou inelegibilidade. E isso para focar apenas nos governadores. É do Rio também a família Brazão. Domingos Inácio Brazão (ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) foi preso em março de 2024, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em março de 2018.

No caso das movimentações suspeitas que o Coaf apontou, que deu destaque à “rachadinha” no gabinete de Flavio Bolsonaro, o primeiro da lista era André Luiz Ceciliano, um político do PT com longa trajetória na política fluminense. Ele tinha movimentado quase cinquenta milhões de reais! Ele é uma figura influente na Baixada Fluminense e na ALERJ, com forte articulação política. Este ano, seu nome chegou a ser cotado para candidato a governador tampão caso houvesse eleição indireta na Assembleia.

Muito mais poderia ser dito, mas o leitor já pegou o jeitão da coisa. O Rio é um experimento social fracassado. Como “carioca da gema”, posso dizer isso com convicção. Há malandro demais para otário de menos no meu saudoso estado. Se há corrupção em todo lugar, no Rio já virou algo totalmente endêmico. O grande risco do Brasil é virar um enorme Rio de Janeiro, um narcoestado dominado por bandidos e com território dividido entre traficantes e milicianos.

Que, neste ambiente tóxico, Jair Bolsonaro tenha participado da política fluminense por décadas sem envolvimento em qualquer escândalo mostra que realmente esse parece um caso raro de honestidade em meio a uma multidão de picaretas. É um mérito que ninguém pode negar…

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA