
Oitava fase da Op. Compliance Zero apura influência de Castro na aplicação de recursos da previdência fluminense em papéis podres do Master
Mensagens trocadas entre o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro levaram a Polícia Federal a mapear uma série de encontros entre eles em datas próximas aos aportes do Rioprevidência no Banco Master, que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões. Foram oito ocasiões em que os dois estiveram juntos no Rio, em São Paulo e em Nova York, de maio de 2023 a maio de 2024. Os agentes concluíram, a partir do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, que os investigados mantinham “laços de amizade”.
O material, revelado ontem pela GloboNews e obtido pelo Globo, mostra que Vorcaro convidou Castro, em 14 de maio de 2024, para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York. Segundo a PF, o evento, restrito a dez pessoas, custou US$ 1,013 milhão, o equivalente a mais de R$ 5 milhões na cotação atual. No dia seguinte, o Rioprevidência adquiriu R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master.
Se Cláudio Castro acabar preso, será apenas mais um ex-governador do Rio a seguir esse caminho, que já virou uma sina a ponto de Eduardo Paes brincar que se não for preso após um eventual futuro governo já seria uma vitória.
O Rio de Janeiro tem um histórico notório de ex-governadores envolvidos em escândalos de corrupção, especialmente a partir da Operação Lava Jato e outras investigações da Polícia Federal. Sergio Cabral foi preso em 2016, após ser condenado a mais de 400 anos de prisão. Ficou preso, porém, por cerca de 6 anos apenas.
Pezão foi preso em 2018 por lavagem de dinheiro, o único preso em exercício do mandato. Garotinho foi preso ao menos cinco vezes entre 2016 e 2019, e sua esposa Rosinha também foi presa envolvida em investigações de corrupção e fraudes eleitorais. Moreira Franco foi preso em 2019. Nenhum deles continua preso, mostrando que o crime compensa e a impunidade é a regra.
Wilson Witzel não chegou a ser preso, mas teve o mandato cassado por impeachment. Entre os governadores eleitos nas últimas décadas, quase todos enfrentaram prisão, cassação ou inelegibilidade. E isso para focar apenas nos governadores. É do Rio também a família Brazão. Domingos Inácio Brazão (ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) foi preso em março de 2024, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em março de 2018.
No caso das movimentações suspeitas que o Coaf apontou, que deu destaque à “rachadinha” no gabinete de Flavio Bolsonaro, o primeiro da lista era André Luiz Ceciliano, um político do PT com longa trajetória na política fluminense. Ele tinha movimentado quase cinquenta milhões de reais! Ele é uma figura influente na Baixada Fluminense e na ALERJ, com forte articulação política. Este ano, seu nome chegou a ser cotado para candidato a governador tampão caso houvesse eleição indireta na Assembleia.
Muito mais poderia ser dito, mas o leitor já pegou o jeitão da coisa. O Rio é um experimento social fracassado. Como “carioca da gema”, posso dizer isso com convicção. Há malandro demais para otário de menos no meu saudoso estado. Se há corrupção em todo lugar, no Rio já virou algo totalmente endêmico. O grande risco do Brasil é virar um enorme Rio de Janeiro, um narcoestado dominado por bandidos e com território dividido entre traficantes e milicianos.
Que, neste ambiente tóxico, Jair Bolsonaro tenha participado da política fluminense por décadas sem envolvimento em qualquer escândalo mostra que realmente esse parece um caso raro de honestidade em meio a uma multidão de picaretas. É um mérito que ninguém pode negar…