Arquivo diários:30 de agosto de 2026
DEU NO JORNAL
JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO
DOAÇÃO
O encontro
Alta noite, sem que eu saiba se ainda era ontem, ou, já era hoje.
Combinamos um encontro. Encontro de doação. De conluio.
Naquele instante, uma chuva fina chegou.
Começou a cair insistente. Não parava nem amainava.
A temperatura da noite, entre 25 e 20 graus caiu mais.
E, quem enfrentou coisa parecida, sabe que o aconchego dos corpos protege mais que os edredons.
E, sugere, doação. Doação em conluio e prazer.
E a chuva fina e insistente continuava caindo.
A doação total
Edredons no chão.
Corpos desnudos e doação.
Nos demos mutuamente. Por completo. Mais de uma vez.
La fora, a chuva fina continuava caindo louvando a doação.
Talvez. Provavelmente. Com certeza.
Até a garantia da arrebentação das sementes semeadas.
Uma vez. Duas vezes. Três vezes.
E a chuva fina caindo.
Criando e se espraiando em raízes.
O êxtase
Pela réstia, a claridade que entrava pela janela, percebemos que a chuva fina cessara.
Doação completa. Satisfeita.
Doação transformadora. Doação total. Um novo dia. Uma nova vida.
Antes, dois corpos.
A doação transformou dois corpos num só.
DEU NO JORNAL
HERDEIRO TALENTOSO
Enquanto se multiplicam no noticiário policial e até no Supremo Tribunal Federal as denúncias envolvendo falcatruas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a Câmara acumula requerimentos da oposição que tentam avançar contra o filho do presidente da República.
Tem de tudo: pedidos de informação, solicitação de acesso a dados que ministros de Lula escondem a sete chaves, tentativas de convocação de auxiliares do petista e acesso a informações financeiras de Lulinha.
Parlamentares tentam acesso aos registros de acesso à Telebras. Suspeitam de atuação de Lulinha em negociatas por lá.
Gustavo Gayer (PL-GO) cobra de Wellington César Lima e Silva (Justiça) explicações sobre estranha reunião com advogados do filho do petista.
Há ainda dúvidas sobre contratos, de mais de R$ 53 milhões, envolvendo a 3Structure, que implica Lulinha em suposto tráfico de influência.
* * *
Um filhote brilhante e talentoso, que não nega a sua origem.
Tá no sangue, tá no DNA.
O filhinho é um mamador incansável, que segue com muito orgulho os passos do papai.
JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL
OS BRASILEIROS: Sobral Pinto
Heráclito Fontoura Sobral Pinto nasceu em Barbacena, MG, em 5/11/1893. Advogado, Jurista e defensor dos Direitos Humanos. Enfrentou a ditadura do “Estado Novo”, com Vargas em 1937-1945 e a ditadura militar instaurada com o golpe militar de 1964. Um dos nomes mais relevantes na formação do Estado de Direito no Brasil.
Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito, hoje incorporada a UFRJ-Universidade Federal do Rio de Janeiro. Começou atuando na área de Direito Privado, mas ficou notabilizado como brilhante criminalista e defensor de perseguidos políticos. Defendeu o político Luiz Carlos Prestes, preso após o levante comunista de 1935, entre outros.
Defendeu, também, o militante comunista Arthur Ernest Ewert, mais conhecido pelo nome clandestino Harry Berger. O “Alemão” foi um dos fundadores da ANL- Aliança Nacional Libertadora e atuante na “intentona comunista” de 1935 ao lado de Prestes. Preso, foi torturado severamente e Sobral Pinto foi convocado a defende-lo. Antes de tudo, exigiu do Governo a aplicação do artigo 14 da Lei de Proteção aos Animais ao prisioneiro, fato inusitado na área da defesa dos direitos humanos.
Outra causa que lhe garantiu renome foi a defesa do Hotel Copacabana Palace, na sua inauguração, em 1922, no Centenário da Independência do Brasil. Mas, devido a um atraso foi inaugurado em 1924. Nesse meio tempo, o Governo tentou boicotar os jogos de azar dos cassinos. A família Guinle, dona do hotel, que investiu uma fortuna no casino, gastou mais um pouco na contratação de Sobral Pinto para defender sua causa e teve a licença prorrogada.
Como prolongamento da causa Prestes, conseguiu salvar sua filha Anita Leocádia Prestes, nascida num campo de concentração nazista. Conseguiu o reconhecimento da paternidade da criança e a documentação necessária para seu retorno ao Brasil, enfrentando as imposições alemãs da Gestapo. Ao fim da carreira, recusou um convite do presidente Juscelino Kubitschek para assumir o cargo de ministro do STF-Supremo Tribunal Federal, alegando que não queria que supusessem que sua defesa da posse do presidente tinha sido movida por interesse pessoal.
Durante a ditadura militar, foi homenageado na Câmara dos Vereadores de São Paulo pelo Instituto dos Advogados de São Paulo, em outubro de 1976. Em seu discurso de agradecimento, esclareceu definitivamente a dúvida sobre o golpe de 1964:
“Golpe militar. Não foi Revolução. Não havia naquele movimento nenhuma ideia superior; não havia naquele movimento nenhum propósito de realmente trabalhar para a cultura e o progresso do País”.
Na década de 1980, participou ativamente do movimento das “Diretas Já”. Em 1984, foi aplaudido efusivamente ao participar do Comício da Candelária, defendendo o reestabelecimento das eleições diretas. Atuou na OAB-Ordem dos Advogados do Brasil como conselheiro federal. Foi integrante de um grupo de intelectuais católicos, vindo a presidir o Centro Dom Vital durante 20 anos (1971-1991), criado em 1922 para reunir os intelectuais atuantes do catolicismo brasileiro.
Faleceu em 30/11/1991, aos 98 anos e vem sendo homenageado como um dos maiores juristas brasileiros Em 2013, foi lançada sua biografia no documentário Sobral: O Homem que não tinha preço, dirigido por Paula Fiuza. A biografia p.p. dita foi escrita pelo historiador brasilianista John W.F. Dulles: Sobral Pinto: a consciência do Brasil, publicada pela Editora Nova Fronteira, em 2002. Um título que dá a dimensão exata de sua grandeza.
COMENTÁRIO DO LEITOR
CAMINHANDO PARA A PERDIÇÃO
Comentário sobre a postagem O PAÍS ENTREGUE ÀS MENTIRAS
Tota de Dona Biga:
Fontes fidedignas confirmaram que ontem no Seminário Santa Terezinha, na cidade de Mossoró, os seminaristas se reuniram em uníssono diante da televisão.
Organizados pelos Padres Cornélio e Crisanto puxaram o coro “Lula-lá, brilha uma estrela/Lula-lá” e um outro jingle que não merece ser citado nas páginas dessa gazeta escrota.
A cada afirmação (mentira) do larápio, uma explosão de palmas e vivas.
Animados com tantas “ilações”, padres e seminaristas regozijavam-se e batiam palmas.
Uma chamada de vídeo feita por Dom Limacedo veio coroar a noite, relembrando o pacto das catacumbas e a pessoa de Dom Helder Câmara.
A reunião terminou regada a um bom vinho canônico e com a certeza por parte daqueles bons clérigos que seu ídolo novamente estará na cadeira presencial por mais quatro anos.
Crêem piamente que o Brasil caminha a passos largos, embora desconheçam que é justamente para a perdição.
WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO
NÃO POSSO MAIS SER VAQUEIRO
Em 1983, a dupla de aboiadores Vavá Machado & Arlindo Marcolino, gravou a toada “NÃO POSSO MAIS SER VAQUEIRO”, de autoria do meu saudoso pai, poeta Zé Vicente da Paraíba.
Um dia perguntei como havia surgido a inspiração para esta composição e ele me falou que estava numa cantoria pelo sertão baiano e alguém pediu um mote que retratava a vida do campo.
Terminada a cantoria, aproximou-se um senhor, elogiou a dupla e contou a sua história de vida nas fazendas da região, finalizando com a lamentaçao:
– Pena que hoje não posso mais ser vaqueiro.
Da lavra de Zé Vicente
Ficou eterno o legado
Na voz dos grandes intérpretes
Zé ficou eternizado
Seus poemas e Repentes
O fizeram perpetuado.
Severino Damasceno
Arlindo e Vavá Machado
Amantes da poesia
Gravaram a composição
Que José fez na Bahia
Ouvindo um velho vaqueiro
Repleto de nostalgia.
Wellington Vicente
DEU NO X
TÁ GAGÁ MESMO…
Lula não tem CONDIÇÕES mentais NENHUMA de ser presidente.
O cara não sabe NEM quem é a esposa dele pic.twitter.com/LPRgdT7ola
— hayy⚡️ (@hbb1701) August 29, 2026
DEU NO JORNAL
A APROXIMAÇÃO ENTRE BRASIL E CHINA
Editorial Gazeta do Povo

Lula e Xi Jinping durante cerimônia de assinatura de acordos em Brasília, em 2024
Sendo a China praticamente o principal parceiro comercial do Brasil em termos de valores de importação e exportação, e considerando que nos últimos tempos os capitais chineses vêm fazendo relevantes investimentos em empresas e negócios no território brasileiro, torna-se necessário que governo, autoridades, políticos e empresários conheçam aspectos históricos daquele país e, principalmente, como governo e investidores chineses costumam se relacionar com o resto do mundo. Para situar os dois países em termos de seu tamanho e relevância econômica, o Brasil tem 215,3 milhões de habitantes, enquanto a China atualmente está com 1,405 bilhão, em função da redução de 7,7 milhões de habitantes entre 2021 e 2025, após ter atingido 1,413 bilhão.
O principal desafio diário da China é como garantir oferta de alimentos em quantidades suficientes para atender a uma população dessa magnitude (17% da população mundial), razão pela qual o governo chinês tem interesse e necessidade de estabelecer relações comerciais pacíficas e amistosas com países de elevado potencial como fornecedores de produtos alimentícios ao mercado chinês. Foi por isso que o Brasil se tornou um dos principais parceiros comerciais da China, cuja história tem um dos casos de maior sofrimento derivado da fome. Após o fim da guerra com o Japão e a rendição japonesa em 1945, a China padeceu anos terríveis de pobreza e fome, que ajudaram a criar tensões políticas e a implantação do comunismo em 1949, sob a liderança de Mao Tsé-tung.
Mao instaurou uma ditadura comunista truculenta e feroz, marcada por repressão e por novos episódios de fome generalizada. Estimativas confiáveis afirmam que, no período de 1958 a 1961, mais de 45 milhões de pessoas morreram de fome e 70 milhões de vidas foram exterminadas pelo regime comunista, com destaque para a execução de mais de 2 milhões de proprietários rurais. O período de Mao Tsé-tung durou até sua morte, em 1976, e foi responsável pela superpopulação do país, com a duplicação do número de habitantes, atingindo perto de 950 milhões de pessoas. Dois anos após a morte de Mao, em 1978, Deng Xiaoping assumiu a liderança da China e deu uma guinada na linha do governo, começando reformas que introduziram instrumentos capitalistas, como o direito de propriedade privada, liberdade de mercado e direito de lucro.
Nos anos seguintes, o governo chinês impôs rigoroso controle populacional, principalmente pela decretação, em 1981, da “política de filho único”, sem abandonar a ditadura comunista que, no campo político e das liberdades individuais, continuou submetendo a população aos rigores do governo comunista – foi Deng quem ordenou o Massacre da Praça da Paz Celestial, em junho de 1989. A mistura complexa que caracterizou o governo Deng aplicou, na economia, um choque de capitalismo, com estímulo à iniciativa individual, reconhecimento da meritocracia (que permitia aos mais capazes rendas e lucros mais altos), com estímulos às pessoas para a busca do enriquecimento.
Nessa mesma época, a China iniciou um tempo em que a legislação se tornou favorável ao aumento da produção e ao enriquecimento pessoal, estratégia essa que tinha como objetivo aumentar a arrecadação de tributos, sob o argumento de usar o dinheiro para programas sociais de transferência de renda e combate à pobreza. Uma curiosidade histórica interessante e útil à compreensão da realidade mundial é que, ao introduzir estruturas capitalistas dentro de um pais comunista ditatorial, a China se viu obrigada a adotar uma política econômica apropriada típica de país capitalista, como equilíbrio nas contas do governo, controle da moeda nacional e do meio circulante para impedir o aumento da inflação, vinculação dos salários à produtividade e política cambial realista para dar suporte ao comércio exterior e à sobrevivência das empresas exportadoras.
Se há algo que o Brasil pode aprender com a China é que as políticas econômicas e as medidas adotadas pelo regime chinês não são uma invenção dos capitalistas nem dos neoliberais; são instrumentos de gestão macroeconômica determinados pela realidade e pela lógica do sistema de produção, circulação, consumo, investimentos e fluxos financeiros. Ou seja, a realidade do sistema econômico e seus componentes financeiros, cambiais, tributários e monetários têm caráter técnico e aspectos científicos que determinam as medidas e as políticas econômicas, seja numa economia de mercado sob uma democracia, ou numa economia socialista sob uma ditadura política. Nas ocasiões em que o dirigismo estatal se sobrepõe ao respeito às regras básicas da economia, o resultado aparece em episódios como a bolha do setor imobiliário chinês, que resultou no surgimento de enormes cidades fantasmas.
Quando Lula declara que admira o sistema chinês, que os livros de economia estão superados, que um pouco mais de déficit público não é importante, e que uma inflação um pouco maior não é problema, ele está dizendo que admira algo e também o seu contrário, numa demonstração de que, no fundo, ele não entende do que está falando, ou está apenas sendo um grande demagogo. Foi o respeito a certas regras da economia capitalista que permitiram à China, em menos de meio século, retirar milhões de pessoas da pobreza absoluta e começar a reduzir a fome que matou tanta gente no passado, ainda que sem eliminar totalmente o problema da subnutrição.
Conhecer a história da China é importante tanto para o Brasil saber como negociar com aquele país como para se defender da tática quase invasiva de ocupação de espaços dentro do Brasil, com destaque para a implantação de empresas chinesas por aqui e a compra de terras brasileiras para a produção de alimentos. Em outros países, a China tem trabalhado para criar dependência e comprar lealdade por meio de investimentos massivos em infraestrutura, dentro do projeto chamado de “Nova Rota da Seda”.
Que as autoridades e a sociedade não se enganem: a China não tem amigos; ela tem parceiros e aliados submetidos aos interesses chineses. Por tudo isso, não há nada mais perigoso para o futuro do Brasil do que provocar os Estados Unidos e ameaçar rompimento com os norte-americanos sob ameaça de que o Brasil se aproximará da China, pois os EUA são uma democracia política e uma economia capitalista de livre mercado, que se submete a eleições livres periodicamente, enquanto a China é uma ditadura truculenta, sem liberdade de opinião e expressão, e longe de qualquer marca democrática.
DEU NO JORNAL
SEGUNDA NATUREZA
FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS
NOTAS SILVÍNICAS
Em tarde meio chuvosa, enfezado pelos resultados obtidos pelos clubes pernambucanos no Campeonato Brasileiros, vítimas de péssimos planejamentos estratégicos, com dirigentes, técnicos e atletas mais falastrões que competentes, recebo a visita do meu companheiro de viagem terrestre João Silvino da Conceição, sempre acompanhado das suas anotações pessoais.
Com sua devida licença, transcrevo abaixo as que mais me sensibilizaram:
a. Sou plenamente favorável à redução da idade mínima criminal para 14 anos, bem como à castração física integral, além de longo cumprimento de pena em regime fechado e sem saidinhas, dos que violentam sexualmente ou matam crianças, adolescentes e adultos.
b. Os fatos do cotidiano da vida costumam ser neutros; são as nossas crenças que afetam nossas formas de pensar, sentir, julgar e agir.
c. Em todos os momentos da vida, devemos nos comunicar com autenticidade, basta apenas sermos nós mesmos.
d. Saibamos sempre dominar nossos egos, jamais desejando ser estrelas, mas buscando ser produtores de estrelas.
e. As indecisões e os temores são os verdadeiros inimigos de um desenvolvimento profissional.
f. Encare o fracasso como um aprendizado, sem jamais deixar de tentar novamente.
g. Os humanismos solidários jamais devem ser confundidos com pieguismos paspalhões, que conservam inúmeros numa fé analfabética do tipo agora-a-coisa-vai.
h. Sou contrário ao funcionamento de BETS em todo território brasileiro. Elas são perniciosas para milhões de ansiosos que buscam a todo instante um enriquecimento instantâneo.
i. Os negativistas, atualmente uma seita bastante crescida, são sempre pouco amados, possuem uma estupidificante cultura egolátrica, ampliada pelos bens adquiridos.
j. A única coisa permanente no mundo é a mudança. Não podemos esperar que os tempos se modifiquem e que nós nos modifiquemos juntos com eles através de uma evolução sem causa que nos arrebate.
k. Muito perigoso é um pouco de conhecimento, trágico sendo nenhum.
l. O boato é a primeira etapa comportamental de um recalcado, o escoamento de uma agressividade criminosa premeditada.
m. De que nos serve entender legislação, se com ela nos tornamos mais covardes, menos éticos civicamente?
n. Alguns candidatos nas eleições comportam-se com arrogâncias, postando-se com vulgar interesse pelos destinos nacionais, apenas interessados em folgas, falácias e patifarias.
o. Quando criança, minha saudosa mãe me ensinou dois balizamentos: 1. “Orar é estar disposto a perder tempo, sem nada temer.” 2. “A oração só acontece quando se está convicto, sem qualquer esforço mental, da presença infinita de Deus.”
p. A prática da leitura afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a fofoca. Quem não gosta de ler, termina chorando sempre sobre o leite derramado.
Ficando para ver comigo o eclipse da lua, o João Silvino ainda levou de presente um livro por mim recebido em dobro: AS ARMADILHAS DO ENGANO, Equipe Teológica Penkal, 2025. Páginas que fazem o leitor identificar as ciladas que afastam o ser humano de Deus, provocando ilusões descabidas e múltiplas desesperanças no existir aqui e no além.




