DEU NO JORNAL

OS CINCO SENTIDOS TORTOS

Luís Ernesto Lacombe

jornalistas

O jornalista médio de hoje só vê, cheira e ouve o que quer, e não o que é real

Eles criaram sentidos tortos. Todos os cinco – visão, audição, olfato, paladar e tato – foram sendo retorcidos, empenados… Os sentidos deixaram de fazer sentido, passaram a ser seletivos e treinados para inverter, corromper e perverter todos os impulsos. Aquele grupo precisava criar um lugar à parte, parar de interagir com o mundo existente. Então, a turminha inventou olhos que não veem, mas podem criar imagens de delírios, absolutamente fictícias. Concebeu ouvidos que desprezam a verdade, os sons reais, as palavras, as frases. Perdeu deliberadamente o olfato e o paladar. Mergulhou na anosmia e na ageusia… Nenhum deles podia ficar exposto aos alertas do cheiro e do gosto, quase sempre indisfarçáveis. Eles deixaram de tatear a realidade, nada concreto se atreviam a tocar, o factual desapareceu.

O cérebro, já embotado, sem as informações corretas dos cinco sentidos, não tinha impulsos nervosos para interpretar. Assim, aquela gente passou a viver no faz de conta, sem a boa intenção das crianças, dos escritores mágicos, dos artistas corretos, das “fadas”. E o mundo que foi criado parece surgido das profundezas, do fogo. Sofrimento, caos, destruição… Mesmo assim, todos acham que está tudo normal. Pior: todos acreditam que são como super-heróis, ou ajudantes de super-heróis. Pior: essa gangue arrasta uma enorme quantidade de pessoas, que vão também perdendo os cinco sentidos, comprometendo o funcionamento cerebral, do coração… E o país se enterra profundamente.

Se o político discursa em defesa de bandidos, de facções criminosas, se defende terroristas e, mesmo assim, jura que é um defensor da legalidade, está tudo bem. Se o político protesta contra o autoritarismo, o culto à violência devastadora, a exaltação da ignorância, sendo ele próprio um autoritário, um violento sem causa nobre, um ignorante proposital, ninguém vê nada de errado. Se defende a liberdade a sufocando, ele está certo. Se jura advogar pela liberdade, pela proteção às instituições democráticas, enquanto as destrói diariamente e sumariamente, ele é quase um ser humano perfeito, uma alma essencialmente honesta.

Há também os juízes que não são juízes. Podem rasgar, interpretar e criar leis ao bel prazer. As provas de seus abusos, arbítrios e suas ilegalidades se acumulam às toneladas, mas, num mundo em que os sentidos foram adulterados, eles merecem a proteção, os elogios e os agradecimentos daqueles sobre os quais falei no início… E quem são esses? Ora, os que já foram chamados de jornalistas. Os que despedaçaram os sentidos e os princípios fundamentais de sua profissão. Não querem mais saber das histórias reais e em movimento, das mais relevantes, da curiosidade, da desconfiança, das perguntas. São pautados pela fraude incomensurável. E todos – jornalistas que não são jornalistas, políticos que não são políticos, juízes que não são juízes – pagarão, um dia, por tudo o que têm feito nessa marcha cruel, covarde e sem sentido.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

DEU NO JORNAL

DEU NO X

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

PASSADAS DO TEMPO

Vejo as pernas do tempo correndo apressadas
Não esperam por nada, nem cansam jamais,
São velozes, constantes, não correm p’ra trás,
Estão firmes, perfeitas, em suas passadas.

Maratonas eternas de muitas chegadas
Cada dia parece que até correm mais
Não se sabe ao certo os destinos finais
É chegando e partindo em outras largadas.

Do segundo seguinte também não se sabe
Ou aonde o tempo pretende chegar
Só sabemos que tudo possui seu favor.

Mas, bem antes que o tempo com o tempo acabe
Necessário se faz que possamos sonhar
E vivamos – sem pressa! – o bom do amor.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

É SÓ ALOURAR

Denúncia de “racismo” inaugura a bizarrice na Câmara de Municipal de Joinville.

O problema foi com as garrafas de café, etiquetadas com “preto amargo” e “preto doce”.

Virou queixa na Ouvidoria da Casa.

* * *

Simples de resolver: é só fazer um café branco!

Lourinho e transparente, de modo que se enxergue o fundo da xícara.

É phoda!!!

Quando a gente pensa que a babaquice chegou ao limite máximo, os tabacudos sempre arranjam um jeito de superar.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

CANTIGA PARA NÃO MORRER – Ferreira Gullar

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento

José Ribamar Ferreira, o  Ferreira Gullar, São Luís-MA, (1930-2016)

COMENTÁRIO DO LEITOR

CORREÇÃO

Comentário sobre a postagem MINHA QUERIDA DOUTORA E AMIGA

Peninha:

Aqui se faz necessária uma correção:

Dércio Marques não é o autor da música

“Disco voador” ele a regravou em seu Lp de 1983 “Fulejo”.

Esta música foi composta por Diogo Mulero, o Palmeira da dupla Palmeira e Biá, que em 1955 a gravaram em disco de 78 rotações.

A seguir, o vídeo com a versão original: