MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

A GUERRA QUE NÃO É GUERRA

Trump anunciou que vai mudar o nome do Departamento de Defesa dos EUA para Departamento da Guerra, como era até 1947. Guerra nunca é boa notícia, mas pelo menos é uma hipocrisia que deixa de existir.

Guerras sempre existiram, parece ser uma “falha de projeto” do ser humano. Ao longo do tempo, a guerra tornou-se algo burocratizado, como tudo que envolve o governo. Exige uma declaração formal e é sujeita a regras e convenções. Mas o desejo humano de brigar fala mais forte, e então o mundo moderno inventou uma novidade: fazer guerra sem dizer que é guerra. De preferência, no país dos outros.

Isso é muito vantajoso para os políticos, especialmente quando se trata de controlar um fator cada vez mais importante: a opinião pública. Governo e mídia convencem o telespectador a acreditar na sua narrativa, e consequentemente acreditar que o governo está sempre do lado da verdade, da justiça, da paz, das criancinhas e dos ursinhos carinhosos. Na prática, a propaganda de guerra consegue eliminar dos telespectadores os princípios éticos, e transformá-los em criaturas animalescas que comemoram a morte de seres humanos como quem comemora um gol do seu time. E não é preciso dizer que essa irracionalidade continuará na hora de votar.

Vamos pegar apenas um exemplo: Estados Unidos, o país mais poderoso e influente do mundo moderno. Desde a Segunda Guerra Mundial, que foi uma guerra devidamente formalizada com todos os carimbos e assinaturas necessárias, não houve um único ano na história em que os EUA não estivessem envolvidos em algum conflito em algum lugar do mundo. Mas nenhum desses conflitos foi formalizado como “guerra”. Falamos em “Guerra da Coréia”, “Guerra do Vietnam”, “Guerra do Golfo” e “Guerra da Ucrânia”, mas em nenhuma delas a burocracia foi cumprida. Houve apenas o discurso apontando alguém como “inimigo”, e pronto: mais uma guerra que não é guerra.

O mais antigo dos “inimigos” provavelmente é o Irã. Entrou para a lista em 1951 com a eleição de Mohammad Mossadegh para primeiro-ministro. Mossadegh prejudicou os interesses das empresas de petróleo e por isso foi derrubado em 1953, em um golpe organizado e pago pela CIA (os arquivos secretos da época já foram liberados para o público após o prazo de sigilo). O golpe transformou o rei Reza Pahlevi, aliado dos EUA, em ditador absoluto, situação que perdurou até 1979 quando Pahlevi, muito doente, abandonou o país. O Irã transformou-se em uma ditadura islâmica, cujo primeiro líder foi o Aiatolah Khomeini. Disposto a não permitir o fortalecimento do Irã, os EUA incitaram uma guerra com o Iraque, então governado por Saddam Hussein. A guerra durou quase toda a década de 1980 e terminou sem vencedor, mas com altos lucros para as indústrias bélicas dos Estados Unidos.

Desde o fim da guerra com o Iraque, o Irã nunca mais atacou ninguém, o que não o salvou de ser atacado várias vezes por EUA e Israel. A alegação tende a ser sempre a mesma: o país estaria a “poucas semanas” ou “poucos dias” de enriquecer urânio em quantidade suficiente para construir bombas atômicas. Sob essa alegação, instalações de pesquisa, laboratórios e prédios do governo foram bombardeados, e pessoas, muitas delas civis, foram mortas.

Uma informação curiosa para os telespectadores que recebem e aceitam sem questionar a questão do urânio enriquecido: nenhum país constrói bombas atômicas com urânio desde os anos 1950. Embora tenha sido usada em Hiroshima, bombas de urânio são consideradas primitivas em comparação com as de plutônio, como a usada em Nagasaki. Um dos motivos é justamente o enriquecimento do urânio, que é caro e demorado. Bombas de plutônio não necessitam de processos de enriquecimento. Então, ou os cientistas iranianos são tão burros que decidiram construir bombas atômicas de pior qualidade e mais difíceis de produzir, ou todo o argumento justificando os ataques ao Irã é falso.

Outro exemplo é o Afeganistão. O país foi ocupado pela União Soviética em 1980, e os EUA forneceram armas para grupos de oposição, como mostrado no filme Rambo III. Houve mais de um milhão de mortes nesta década. Após o fim da URSS, estes grupos tomaram o poder sob o nome Taliban. Após o 11 de setembro, os Estados Unidos ocuparam o Afeganistão e lá permaneceram por vinte anos. Depois de outro milhão de mortes e mais de um trilhão de dólares de gasto, os EUA e a OTAN se retiraram completamente em 2021. Quem passou a mandar no Afeganistão? O Taliban.

Após o 11 de setembro, os EUA também atacaram o Iraque sob a alegação de que o país protegia a Al-Qaeda, embora até os camelos soubessem que isso era mentira. Em 2003 Saddam foi deposto e o Iraque mergulhou na anarquia, o que permitiu à Al-Qaeda se instalar no norte do país e criar o Estado Islâmico em 2013, que durante cinco anos assassinou e destruiu tudo que pôde dentro de seus domínios.

Também há a Síria. Suas fronteiras foram desenhadas pelas empresas de petróleo depois da Primeira Guerra Mundial e do fim do Império Otomano. Formalmente independente desde 1936, viveu em tumulto até 1970, quando os militares liderados por Hafez Al-Assad impuseram um regime ditatorial que aos poucos pacificou o país. Hafez foi sucedido por seu filho Bashar, e no início deste século a situação parecia estar se normalizando, especialmente porque Bashar Al-Assad havia conseguido diminuir a influência do radicalismo religioso muçulmano, em especial a Al-Qaeda.

Mas, por algum motivo, o ocidente decidiu que era necessário derrubar Assad. Por anos, os noticiários ocidentais falaram em “grupos moderados” que se “opunham” ao regime. Na verdade, os tais moderados eram radicais sunitas da Al-Qaeda e sua derivada Al-Nusra, que recebiam dinheiro e armas do ocidente em grande quantidade. A guerra ficou um tempo em banho-maria até que, aproveitando que os telespectadores estavam prestando atenção na Ucrânia, um golpe final derrubou Assad. Abu Mohammad al-Jolani, conhecido líder da Al-Nusra, de um dia para outro trocou a roupa de guerrilheiro por um elegante terno, cortou a barba, colocou no pulso um relógio Patek Philippe de US$ 90.000 e se declarou presidente.

O nome de Al-Jolani ainda estava em várias listas de terroristas procurados pelo mundo (até mesmo na embaixada dos EUA em Damasco) quando o presidente Trump o chamou de “um cara durão, um lutador, com um histórico muito forte. Ele tem muito potencial, ele é um verdadeiro líder.” Ou seja, o governo da Síria, que era inimigo da Al-Qaeda, foi derrubado com o pretexto de combater a Al-Qaeda, e substituído por um aliado da Al-Qaeda. Os jornalistas e os telespectadores ocidentais se emocionaram com a volta à Síria da “democracia”. O número de mortos é estimado em meio milhão nos últimos quinze anos, e as perseguições religiosas têm aumentado.

Para contar a história completa do Oriente Médio, seria necessário falar do aliado local dos EUA, Israel, outro especialista em atacar os outros sem declarar guerra. Mas o pitaco já está bastante longo, então fica para outro dia. Boa noite aos telespectadores.

DEU NO JORNAL

EXISTE NÃO…

Ainda que tenha de votar em ação sobre a anistia, o ministro do STF Gilmar Mendes já antecipou sua opinião, chamando a proposta de “inconstitucional” sem informar onde isso está na Constituição.

* * *

Num intendi essa nota aí de cima…

Constituição???

E isso ainda existe???

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

ERA UMA VEZ NO OESTE (1968)

Era Uma Vez no Oeste foi mais uma obra-prima do proeminente diretor Sergio Leone. Só não superou a si mesmo devido ao insuperável O Bom, O Mau e o Feio (Três Homens em Conflito-1966), último filme da Magna Trilogia dos Dólares. Mas sem dúvida esse é um clássico do faroeste superlativo, e por que não do cinema como um todo. Superou filmes que à época eram endeusados por muitos “críticos” como melhores do gênero western, como Rio Bravo (1959) – Onde Começa o Inferno e Matar ou Morrer (1952)…

Era Uma Vez no Oeste mostra a realidade nua e crua do oeste, com homens cruéis lutando para sobreviver a ermo, utilizando-se de métodos torpes. Para quem gosta de cinema essa obra-prima é insuperável. Fica a dica, para quem não assistiu O Bom, O Mau e o Feio, também assisti-lo, pois se trata de uma magna obra superior, de importância cinematográfica superlativa, épica.

Era uma Vez no Oeste é muito mais do que um dos maiores faroestes já feitos. Essa obra-prima de Sergio Leone transcende qualquer categorização por gêneros ou subgêneros e alcança facilmente o panteão dos melhores filmes que já sagraram as telonas. É, talvez, o ponto alto da carreira do diretor, que demonstra uma impressionante maturidade de temas, fotografia, cenografia, montagem, trilha sonora e um controle absoluto de seu elenco, para alcançar um resultado de se aplaudir de pé.

E olha que Sergio Leone nem mesmo precisou se distanciar muito da estrutura que lhe deu todo o renome que tinha quando ele, tentando fugir das ofertas da United Artists e outros estúdios para dirigir mais westerns, não conseguiu recusar o orçamento generoso da Paramount, que vinha encabeçado pela oferta dele trabalhar com Henry Fonda, seu ator preferido e que era sua escolha original para o papel que consagrou Clint Eastwood na Trilogia dos Dólares. Novamente preso ao gênero do qual queria fugir, Leone não se fez de rogado e arregimentou a ajuda de Dario Argento e Bernardo Bertolucci (ambos, à época, críticos de cinema e roteiristas ainda em começo de carreira, com Bertolucci já tendo dirigido, mas nada relevante) para criar a linha narrativa de Era uma Vez no Oeste.

Essa trinca colaborativa foi extremamente importante para o sucesso que o filme alcançaria e, também, para a atemporalidade dessa fantástica obra (sim, essa fita é merecedora de hipérboles!), pois Leone, Argento e Bertolucci extraíram a essência dos faroestes americanos de grande sucesso à época e trabalharam na inserção desses elementos representativos ao longo de toda a narrativa, mas sem se esquecer dos elementos característicos do faroeste característico do próprio Leone, como o misterioso personagem sem nome, (no caso “Harmônica”), vivido por Charles Bronson) e o passo desacelerado, que ganhou contornos próprios em Era uma Vez no Oeste que, logo em sua longa abertura, nos apresenta as aventuras de uma mosca sobrevoando pistoleiros sujos e suados.

Com a narrativa pronta e uma versão do roteiro já escrita, Leone chamou Sergio Donati, que trabalhara com ele, sem receber créditos, em Por um Punhado de Dólares e outros, para fazer a sintonia que durara um ano. Donati, então, focou em destilar Era uma Vez no Oeste para sua essência, com o objetivo de tornar o filme o mais hollywoodiano possível, mas ao mesmo sem perder a alma do western spaghetti. São de Donati os diálogos marcantes da projeção, além de ter sido ele o responsável por impedir que o filme, depois, fosse muito mutilado para lançamentos em mercados diferentes, ainda que as versões feitas tivessem oscilado entre 145 e 175 minutos, mas nenhuma delas realmente se sobrepondo de maneira relevante sobre a outra.

Uma grande vitória, sem dúvida. Trabalhando duas narrativas a princípio separadas sobre o conflito gerado com a chegada dos trens e outra uma típica história de vingança, que se misturam com as mais clássicas histórias de bandidos e histórias envolvendo ameaças às terras de alguém.

Sergio Leone constrói, sempre com seu passo preciso, detalhista e lento de um western spaghetti, uma rede de tramas envolvendo Harmonica, o herói silencioso que caça o pistoleiro Frank (Henry Fonda) que, por sua vez, assassina a família McBain para abrir espaço para a chegada da ferrovia e coloca a culpa em Cheyenne (Jason Robards), que se une à Harmonica para salvar Jill McBain (a estonteante Claudia Cardinale), ex-prostituta e herdeira da fazenda dos McBain da sana assassina de Frank. Reparem na circularidade do roteiro, que não deixa pontas soltas e encaixa uma narrativa aparentemente solta à outra, demonstrando o excelente trabalho na confecção da história e o cuidado na redação do roteiro.

E Leone não tem pressa em fazer revelações. Não sabemos bem quem é o misterioso homem que toca gaita, que é perseguido por três assassinos no começo, não entendemos exatamente as intenções de Frank ainda que sintamos um certo temor ao ver aquela figura de olhos azuis penetrantes e demoramos a perceber o exato papel de Cheyenne e de Jill na trama. Tudo é mostrado e pouco é dito, mas o desenrolar e a convergência das linhas narrativas são cadenciados à perfeição de forma que diálogos se tornam supérfluos. Os olhares, com os famosos planos detalhes de Leone, contrastados com tomadas em plano geral, dizem tudo.

Somos tragados para a história naturalmente e a longa duração do filme parece passar em alguns instantes, tamanha é nossa fixação na tela. E, permeando o embate, há, mais uma vez, a trilha sonora de Ennio Morricone, um de seus mais impressionantes trabalhos. Desde a gaita narrativa coroando o leitmotif de Harmonica, passando pela música mais forte que caracteriza Frank, até o belo vocal de Edda Dell’Orso, que empresta nobreza e força à Jill McBain.

Talvez não tão memorável quanto à trilha de Três Homens em Conflito, a composição de Morricone para Era uma Vez no Oeste parece, por outro lado, ainda mais integrada à narrativa que no filme com Clint Eastwood e isso talvez se deva ao fato que Leone, em um movimento raro, pediu para Morricone compor a trilha antes das filmagens começarem, de maneira que o diretor pudesse tocá-la durante a fotografia principal, em atitude, hoje em dia, mimetizada por Quentin Tarantino, com suas músicas pop que escolhe pessoalmente e toca nas filmagens.

Com isso, talvez, a música de Era uma Vez no Oeste tenha influenciado as atuações e não o contrário como é o usual, resultando em uma mescla que pouco se vê por aí. Ainda falando em som, o trabalho do espectro sonoro em Era uma Vez no Oeste é perfeito, desde a edição de som até sua mixagem, com o uso de sons inspirados pelos westerns usados como referência aliado a um orçamento mais alto, que permitiu um trabalho melhor na finalização, especialmente se comparado com a Trilogia dos Dólares. A união da trilha sonora com os sons do filme e, em vários momentos, com a substituição da trilha pelos sons, aumenta a sensação de imersão que a fita proporciona, envolvendo-nos ainda mais profundamente na história da trinca principal de personagens. Era uma Vez no Oeste é um grande triunfo cinematográfico, merecendo figurar em todas as listas dos melhores filmes já feitos. Sergio Leone merece todos os nossos agradecimentos profundos e uma eterna salva de palmas.

Era uma Vez no Oeste é o melhor filme de faroeste de todos os tempos!

a) Trailler oficial de Era Uma Vez no Oeste

b) Porque você precisa assistir Era Uma Vez no Oeste

c) Curiosidades sobre o filme Era Uma Vez no Oeste e o que aconteceu com o elenco principal.

Clique aqui para acessar o vídeo

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

CHARLIE KIRK: O TIRO QUE ATINGIU A TODOS NÓS

Adolfo Sachsida

Charlie Kirk

A morte de Charlie Kirk me atingiu de uma forma inesperada. Confesso: eu não o conhecia, ouvi seu nome pela primeira vez no vídeo brutal de seu assassinato. A cena me causou repulsa imediata: um homem, de peito aberto, em pleno debate de ideias, é covardemente assassinado. O ato em si, a frieza do ataque, já era chocante. No entanto, o que veio depois, a forma como a imprensa noticiou o fato, me chocou ainda mais profundamente.

Manchetes como “Influenciador radical de extrema direita é baleado” ou “Extremista envolvido na invasão do Capitólio baleado” inundaram as mídias. Era como se o “radical” e o “extremista” fossem a vítima — e não o autor do disparo. Mais curioso ainda: a palavra “assassinato” não apareceu nas reportagens.

Aos poucos, percebi o motivo dessa notícia me abalar tanto. Ao ver vídeos de Kirk com sua família, professando sua fé e defendendo suas ideias, entendi que o tiro nele, de certa forma, foi um tiro em todos nós. Somos todos Charlie Kirk. Se você defende ideias conservadoras, você é Charlie Kirk. Se você é cristão ou judeu, você é Charlie Kirk. Somos todos Charlie Kirk quando buscamos o diálogo com pessoas de espectros políticos diferentes, quando ousamos ir a universidades repletas de militantes de esquerda, debater ideias de forma honesta e respeitosa, com a convicção de que o debate livre e honesto é a base de uma sociedade saudável. Por mais moderadas que sejam nossas ideias e posições, para a grande mídia, somos todos “radicais de extrema direita” por defender a liberdade de expressão, por acreditar nos valores de Deus, pátria, família, vida e liberdade.

Eu sou Charlie Kirk quando cultivo amizades à direita, à esquerda e ao centro, conversando com todos, respeitando ideias das quais discordo. Porque acredito que o debate livre e honesto é o caminho para o progresso da sociedade. Por isso, sua morte me atingiu tão fundo. Charlie Kirk foi assassinado de forma covarde. Mas, de certa maneira, todos nós fomos baleados com ele. Para os progressistas de esquerda — que a mídia nunca chama de radicais — nós somos Charlie Kirk.

Essa morte me atingiu fundo porque, aos olhos de muitos, a vítima não foi um homem, mas sim uma ideologia. A morte de Charlie Kirk não foi vista como uma tragédia humana, mas como um incidente político, quase como se o rótulo que lhe impuseram justificasse o ódio e a violência. E é aqui que reside o perigo: quando nos acostumamos a desumanizar o outro por suas crenças, estamos pavimentando o caminho para a violência.

E me pergunto: qual teria sido a manchete se a vítima fosse eu? Não é difícil prever, e deixo ao leitor a resposta. Influenciadores de esquerda que pregam “amor” fariam piadas, artistas dariam aquele sorriso maroto de satisfação, e o principal telejornal do país diria que “a violência política precisa acabar” — apenas para, logo em seguida, continuar a nos desumanizar. Minha família choraria minha ausência, enquanto abutres da mídia tentariam difamar minha memória, fingindo não ter responsabilidade no crescimento da violência contra conservadores, cristãos e judeus.

A verdade é clara: o que a mídia chama, de forma covarde, de “violência política” é, na realidade, a violência praticada por grupos progressistas contra conservadores, cristãos e judeus — sempre com o apoio da grande imprensa e de intelectuais engajados em nos rotular como “radicais de extrema direita”, “ultraconservadores” e termos semelhantes. Essa rotulagem não é inocente: serve para justificar, no presente, a narrativa que legitimará a violência contra nós no futuro.

DEU NO JORNAL

OS CORREIOS À BEIRA DO ABISMO E O PREÇO DO ESTATISMO

Editorial Gazeta do Povo

O prejuízo recorde dos Correios, de R$ 4,3 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, superando os R$ 2,6 bilhões de todo o ano de 2024 e os R$ 633 milhões de 2023, é um retrato eloquente da má gestão estatal e das escolhas equivocadas do governo lulopetista. A escalada do rombo revela uma crise estrutural, alimentada por decisões políticas que desprezam a lógica econômica e sacrificam o interesse coletivo em nome de um estatismo ideológico datado e fadado ao fracasso, com o agravante de que a conta recai invariavelmente sobre os contribuintes.

A situação da estatal é de profunda crise financeira. Apenas no segundo trimestre de 2025, as perdas somaram R$ 2,6 bilhões, quase cinco vezes mais que no mesmo período do ano anterior. O primeiro trimestre já havia sido desastroso, com prejuízo de R$ 1,7 bilhão, o pior início de ano desde 2017. Para a empresa, os números negativos refletem fatores como reajustes salariais, aumento de precatórios e, crucialmente, a queda nas encomendas internacionais, efeito direto da chamada “taxa das blusinhas”, criada pelo governo para aumentar a arrecadação.

A taxação, que prevê imposto de 20% para compras internacionais de até US$ 50 e de 60% para valores superiores, provocou retração dramática no segmento internacional dos Correios. A receita despencou de R$ 2,1 bilhões entre janeiro e junho de 2024 para apenas R$ 815 milhões no mesmo período de 2025, uma queda de quase 62%. A ganância do governo transformou-se em asfixia para a empresa pública, corroendo receitas vitais e reduzindo sua competitividade. Mas o problema vai muito além da taxa das blusinhas.

Formados a partir da cartilha petista, na qual a estatização é um dos principais mantras, os integrantes do governo Lula são incapazes de encontrar solução para a crise. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por exemplo, tentou explicar o desastre afirmando que os Correios ficariam “com o osso”, entregando cartas em regiões remotas, enquanto empresas privadas abocanhariam “o filé mignon e a picanha”. O argumento não resiste à realidade: não há monopólio, e empresas privadas atuam há décadas no setor. O ônus da universalização jamais justificaria um déficit equivalente a mais da metade do faturamento da estatal; trata-se de uma cortina de fumaça.

Igualmente alheia à realidade tem sido a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, que, no início do ano, chegou a defender a ideia de que estatais nunca apresentam déficit, apenas lucro, e que os rombos nas empresas públicas seriam “investimento”. Mais recentemente, Dweck admitiu a necessidade de cortes e aumento de receitas nos Correios, algo óbvio, ao mesmo tempo em que se apega a soluções mágicas, como permitir que estatais dependentes do Tesouro saiam do Orçamento Federal, ou recorrer a um empréstimo de R$ 3,9 bilhões junto ao Banco do Brics, presidido pela companheira petista Dilma Rousseff. Tal expediente, além de insuficiente para cobrir a magnitude do rombo, nada resolveria a origem da crise, apenas transferiria o peso para os ombros do contribuinte, expandindo a dívida pública e retardando o inevitável: a necessidade de repensar o modelo de gestão da estatal.

O que nem Haddad nem Dweck admitem é que a derrocada financeira dos Correios é fruto direto do lulopetismo, sempre disposto a usar a máquina pública em proveito próprio. Submetidas a interesses político-partidários, loteamento de cargos e disputas internas, estatais como os Correios estão fadadas ao vexame. Sintomático disso é a indefinição sobre a presidência da empresa: Fabiano Silva dos Santos entregou sua carta de demissão em julho, mas permanece no cargo, atualmente em “disputa” pelo PT e o União Brasil, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Ao insistir em manter sob domínio direto do Estado uma empresa cada vez mais deficitária, o governo impõe à sociedade um custo elevado. Muito mais racional seria permitir que a empresa seguisse o caminho da privatização. A transferência à iniciativa privada, preservando a universalidade do serviço postal ou mesmo fragmentando os serviços, seria viável para recuperar a estatal e aliviar as contas públicas. Afinal, se a iniciativa privada pode oferecer determinados produtos ou serviços, deve ser ela, e não o Estado, a fazê-lo.

Para o cidadão, pouco importa se a empresa é pública ou privada. Para o lulopetismo, porém, interessa manter os Correios presos ao estatismo ideológico, transformando a estatal, que já foi motivo de orgulho nacional, em instrumento de barganha política. Os Correios estão à beira do precipício, e o governo petista não medirá esforços para empurrá-los cada vez mais rumo ao colapso.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

RODRIGO CONSTANTINO

A VOZ DE CHARLIE KIRK ECOA

Manifestantes exibem bandeiras e foto de Charlie Kirk durante o ato Unite the Kingdom, em Londres, neste sábado (13)

Quem matou Charlie Kirk provavelmente desejava calar sua voz, mas o tiro saiu pela culatra. O assassinato bárbaro gerou tanta comoção que muito mais gente está vendo vídeos antigos do conservador e entrando em contato com sua visão de mundo. Quando mais e mais gente faz isso, percebe o quanto o rótulo de “extremista” é descabido. Kirk era um moderado defensor dos valores tradicionais do Ocidente. O problema é que cada vez mais esquerdistas radicais são ensinados a odiar esse legado.

Num belo texto chamado “Who killed Charlie Kirk”, Liel Leibovitz mostra como essa guerra cultural promovida pelos “progressistas” tem produzido um ambiente propício a mais jovens se tornarem assassinos. “Charlie Kirk foi baleado porque grandes forças passaram décadas reformulando normas sociais e instituições, criando vastos grupos de americanos prontos para cometer grande violência contra qualquer um que fossem levados a acreditar ser seu inimigo”, explica o autor.

Tem método! A ideologia woke, o movimento transgênero, a “reforma criminal” que solta marginais perigosos (vide o caso de Decarlos Brown Jr, que matou a ucraniana Iryna Zarutska e tinha 14 passagens pela polícia), tudo isso vem esgarçando o tecido social no país. A inversão de valores segue a todo vapor. Leibovitz explica:

Vamos ser claros: Nenhum membro progressista do Congresso, líder sindical ou professor assistente de antropologia em qualquer lugar jamais disse a alguém para ir em frente e atirar em Charlie Kirk, Donald Trump ou qualquer outra pessoa. Mas o ponto central é que eles não precisavam dizer a parte silenciosa em voz alta. Tudo o que precisavam fazer era construir uma sociedade repleta de jovens homens e mulheres doutrinados que odeiam a si mesmos, odeiam os corpos em que nasceram, odeiam sua nação, sua fé e suas famílias, e seguem instruções de uma infraestrutura política de cima para baixo que lhes diz o que pensar e quando. É exatamente o tipo de ambiente que facilmente gera atiradores.

Finalmente está havendo uma reação mais forte dos cidadãos normais, daqueles cansados de tanta inversão. E há medidas disponíveis para reagir, para defender o legado de nossa civilização. A administração Trump vem fazendo justamente isso, com os instrumentos disponíveis, como o corte de fundos federais para universidades que se deixaram levar pela ideologia woke. Trump mencionou também George Soros, um dos principais financiadores deste radicalismo.

A morte de Charlie Kirk não será em vão. Muitos jovens se reaproximam da igreja, vários democratas percebem finalmente o nível de loucura que tomou conta da base do partido, e os insanos que justificam o assassinato de um jovem pai de família por discordar de suas ideias políticas estão expostos em praça pública. Se Deus quiser haverá um fortalecimento dos valores que Kirk defendia. Nossa civilização depende deles.

DEU NO JORNAL