CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

40 ANOS DE SAUDADES

Passavam das cinco tarde quando Emílio Aguiar entrou na Academia de Ginástica. Vestido de sunga, touca e óculos, mergulhou na piscina iniciando suas primeiras braçadas; ao completar 200 metros segurou na borda; um pequeno descanso. Ao perceber a nadadora da última raia teve uma estranha sensação que a conhecia; a touca e os óculos cobriam parte de seu rosto, porém, o nariz e a boca lhes eram familiares. Continuou nadando, observando a nadadora, até que ela subiu a escada da piscina, retirou a touca e os óculos. O coração setentão de Emilio bateu mais forte ao reconhecer, Penélope Xanthopoulos, namorada nos velhos tempos da juventude. Num impulso subiu à beira da piscina. Aproximou-se da amiga. Penélope, logo o reconheceu. Deram um abraço afetuoso e alegre.

– Minha querida grega, como você está em forma, bonita, o tempo foi bondoso com você.

– Emílio, sempre gentil. Uma mulher para se conservar aos 60 e poucos anos, precisa muita força de vontade, natação, musculação, fechar a boca, passar um bisturi. Você está bem, um galã, como a gente dizia. Um pão. – Deu uma gargalhada.

– Sou um idoso com disposição de trabalhar, cuido da saúde. E você? Como vai o marido fazendeiro de Minas Gerais?

– Estou solteira. Uma velha divorciada. Já imaginou?

Naquele momento ouviu-se a voz de uma jovem na entrada da Academia.

– Vovó, vovó, está na minha hora da aula de inglês, vamos embora.

– Sou escrava das netas. Tenho de ir. Vou ficar dois meses aqui na terrinha, aproveitar esse verão maravilhoso.

– Quero lhe ver. Precisamos conversar. Lembrar o passado louco, nossa bela juventude. Vai fazer bem para nós dois. Vamos tomar um café hoje à noite? Às 8 horas em frente ao Iate Pajuçara, está bem? Bater um papo agradável.

– Será um prazer conversar com um amigo depois de tanto tempo.

Em um bar discreto, bem decorado, à meia luz, o garçom trouxe duas doses de uísque, eles brindaram. Penélope esguia, elegante num vestido preto, beleza discreta e sensual, coroa conservada.

– Estou feliz em vê-la. Tenho todo tempo do mundo essa noite. Conte sua vida.

– Minha vida andou encrencada. Depois de mais 40 anos o casamento simplesmente desmoronou. O meu vaqueiro arranjou uma namorada. Eu soube, discuti com ele várias vezes, sou mulher de um homem só. Numa noite de tensa discussão ele, bêbado, deu tapas em minha cara, me bateu. Imperdoável. Acabamos nos separando, ele estava apaixonada pela jovem. Que fazer? Não posso ser mais jovem. E você? Acompanhei sua tragédia, de longe.

– Tragédia mesmo. Casei-me com Mariana, tivemos dois filhos, Matheus e Thiago. Lindos e fortes. Aos 10 anos foi descoberto um problema no coração de Matheus. Mariana dedicou sua vida a Matheus, ele necessitava cuidados especiais. Adolescente Matheus, meu querido filho, morreu em um desastre de carro após uma noitada, por ironia da vida. Mariana enlouqueceu inconformada em dedicar sua vida à doença de um filho e ele morrer num desastre de carro; apagou-se para vida. Não cuida de Thiago, nem de mim, nem da casa. Hoje ela vive apática. Não teve terapia que desse jeito. O mundo acabou-se para ela; envelheceu. Thiago casou-se cedo, mora perto, todo dia vai ver a mãe. Também não quero falar sobre tragédia nessa noite inesperada de alegria.

Depois das confissões, entraram nas recordações de juventude, da Faculdade, dos bailes, dos carnavais. Da loucura dos dois em pleno carnaval à noite, enquanto rolava o frevo na Rua do Comércio com blocos e corso, eles se desgarravam da turma, desciam à praia e tomavam banho de mar, nus, na Avenida da Paz. Lembraram-se dos movimentos políticos. Emílio foi preso distribuindo panfleto contra a ditadura. Passou uma semana trancafiado no DOPS, ela visitava-o todos os dias. Um amor lindo entre aqueles dois jovens.
Emílio, no escurinho do bar à beira mar, segurou a mão de Penélope, olhou nos seus olhos que faiscavam, beijou-lhe a boca.

– Minha querida grega. O destino, às vezes, é cruel, nos separou, mas nunca lhe esqueci. Você foi o grande amor de minha vida. Não somos mais jovens, vamos aproveitar o resto do tempo que nos falta.

Saíram do bar.

No motel delicadamente foram se ajudando a se despirem. Beijos lentos, calmos, preguiçosos por todo corpo, despertou a libido, o desejo. Emílio, discretamente, havia engolido, ainda no bar, a pílula azul. Fizeram amor, amor maduro, amor carinho, amor de bocas, dedos e corpos se misturando, num êxtase de mais de 40 anos de saudades.

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O MODISMO

Com o passar do tempo, os costumes se modificam, no que tange aos hábitos de alimentação, vestuário e vocabulário, abrangendo agora o gênero não binário. A intenção é se introduzir na língua portuguesa novos vocábulos quem nem todas as pessoas aceitam. Trata-se da linguagem neutra usada em eventos do atual governo.

Em algumas cerimônias de posse de novos ministros, foram utilizadas expressões neutras para que pessoas não binárias (que não se identificam nem com o gênero masculino nem com o feminino) ou intersexo, se sintam representadas..

Oradores e comunicadores adotaram a mania de iniciar suas falas com a saudação “brasileiros e brasileiras”. Mas nas reuniões especializadas, a expressão muda para “doutoras e doutores”, acadêmicos e acadêmicas, professores e professoras, eleitores e eleitoras, etc.

As feministas não aceitam ser saudadas implicitamente pelas expressões masculinas tradicionais.

A novidade, agora, é a saudação “Todos, todas e todes”, que, francamente, incomoda aos ouvidos. Um exagero na nossa língua.

Os políticos tem modificado a forma de se iniciar um discurso.

Desde criança, gosto de circo e até hoje sou fã da inteligente saudação circense, “Respeitável Público!”

Bonita e cordial, essa expressão abrange a todos que estiverem presentes ao espetáculo. Com a sabedoria da tradição, a expressão junta homens e mulheres no mesmo saco, colocando-os no mesmo pé de igualdade. Ninguém se sente diminuído, e todos de consideram respeitáveis.

Ao que tudo indica, um importante político brasileiro, José Sarney, foi o primeiro a usar a expressão “brasileiros e brasileiras” para iniciar um discurso. A moda pegou, e hoje todos usam, nos discursos, a saudação com distinção de gênero, como se a humanidade fosse composta de dois seres especiais. Esqueceram que a raiz do homem e da mulher é uma só. A humanidade é uma só.

No nosso País, somente na saudação Circense, “Respeitável Público” o homem e a mulher se encontram no mesmo patamar, sendo respeitado o princípio constitucional da igualdade, contida no Art. 5º da Constituição Federal.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

OS DEMOCRATAS DE ARAQUE

lula democracia reuniao onu

O presidente Lula durante o evento “Em defesa da democracia, combatendo extremismos”, realizado na ONU paralelamente à Assembleia Geral

Lula, que fundou o Foro de SP com Fidel Castro, fez um discurso na reunião dos “democratas” na ONU, questionando onde a esquerda errou ao dar tanto espaço para a “extrema direita”. O presidente reclamou que a esquerda vence, mas precisa ceder a pressões da imprensa, do mercado e do Congresso.

A concepção de democracia do Lula é um tanto esquisita: para o petista, não pode haver concessões a outras forças políticas na busca pela governabilidade. O ideal “democrata” de Lula seria vencer e poder ignorar o “mercado”, e atender apenas aos anseios da base esquerdista radical.

Para Lula, quando a “extrema direita” vence, não há mais democracia. Ou seja, dentro da visão peculiar lulista, alternância de poder não faz parte da democracia. Só há democracia real quando vence a esquerda! É o monopólio das virtudes, para não ter de discutir os melhores meios para fins nobres.

Esperar o que de quem se diz democrata, mas adora bajular as piores tiranias do mundo? Lula é um “democrata” de araque mesmo: sempre idolatrou o regime cubano, defendeu a ditadura venezuelana e tentou aproximar o Brasil do modelo chinês. São “democratas” da boca para fora.

Mas palavras o vento leva. Até a Coreia do Norte se diz uma “república democrática”, como fazia a Alemanha Oriental, que ergueu um muro para impedir a saída do próprio povo. Esses autoritários acreditam que, ao repetirem mil vezes a mentira de que são pela democracia, isso se tornará verdade – ao menos para o público. É puro engodo.

No mais, como defende Jacques Maritain em Christianity and Democracy, só há democracia de verdade quando os valores cristãos são respeitados, quando partimos da premissa de que cada um foi criado à imagem e semelhança de Deus. “Não apenas o estado de espírito democrático provém da inspiração do Evangelho, mas ele não pode existir sem ela”, diz o filósofo.

Comunistas nunca podem ser democratas de verdade: “Vejo no comunismo o estágio final da destruição interna do princípio democrático devido à rejeição do princípio cristão. […] O comunismo não é apenas um sistema econômico, mas uma filosofia de vida baseada na rejeição coerente e absoluta da transcendência divina, uma disciplina de vida e uma mística do materialismo revolucionário integral”.

Democracia e comunismo são como água e óleo: não se misturam. Não por acaso a democracia sempre morreu onde os comunistas lograram êxito em seu projeto de poder. Lula, ao lado de outros comunistas, tem tanta moral para defender a democracia quanto um alcoólatra de falar de abstinência. Democrata fã de Fidel Castro é uma bizarrice que só mesmo a velha imprensa finge acreditar…

DEU NO JORNAL

RESUMO PERFEITO

Para o senador Márcio Bittar (União-AC), Lula não “arregou” do encontro com Trump e sim fugiu porque as sanções o favorecem.

“Para o PT, quanto pior para o Brasil, melhor,” diz.

“Precisam de um inimigo externo”.

* * *

O slogan “quanto pior, melhor” é um resumo perfeito da gunvernice lulo-petralha.

Acertou em cheio!

Não precisa acrescentar mais nada.

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X