Pelo o amor de Deus, outro choro de falsidade!! pic.twitter.com/5qMjEyBQM2
— Pavão Misterious 🇧🇷 (@misteriouspavao) September 25, 2025
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O poeta cearense Geraldo Amâncio, um dos maiores nomes da cantoria de improviso da atualidade
* * *
O mundo se encontra bastante avançado
A ciência alcança progresso sem soma
Na grande pesquisa que fez do genoma
Todo o corpo humano já foi mapeado
No mapeamento foi tudo contado
Oitenta mil genes se podem contar
A ciência faz chover e molhar
Faz clone de ovelha, faz cópia completa
Duvido a ciência fazer um poeta
Cantando galope na beira do mar.
* * *
Olho a tela do tempo e me torturo
Vejo o filme do meu inconsciente,
Meu passado maior que o meu presente
Meu presente menor que o meu futuro;
Se a velhice é doença eu não me curo,
Que os três males que atacam um ancião:
São carência, desprezo e solidão,
E é difícil escapar dessa trindade;
Se eu pudesse comprava a mocidade
Nem que fosse pagando a prestação.
* * *
Registrando o passado e o presente,
Para tudo o cordel tem sempre espaço:
Pra amor, pra política, pra cangaço,
Romaria, promessa e penitente,
Retirante, romeiro, presidente,
Seca, fome, fartura, inundação.
Qualquer um que quiser informação,
Nele encontra o melhor documentário,
O cordel completou um centenário
Viajando nas asas do pavão.
* * *
Entre os Dez Mandamentos dos sermões,
Respeitar pai e mãe é o primeiro,
O defeito de um filho é ser grosseiro;
A virtude dos pais é serem bons.
Todo filho tem três obrigações:
Escutar, respeitar e obedecer;
Respeitar pai e mãe é um dever;
Esquecer mãe e pai é grosseria,
Se não fossem meus pais, eu não teria
O direito sagrado de viver.
* * *
Com pintura e poesia
Nossa festa está completa;
Não tem quase diferença
Do pintor para o poeta:
Eu trago a imagem abstrata,
E ele a imagem concreta.
* * *
Itapetim és a pista
De Louro, Otacílio e Dimas
Aonde o carro das rimas
Obedece ao motorista
Que cada página é revista
Escrita em diversas cores
És do Pajeú das Flores
A mais poética cidade
Itapetim, faculdade
Que diploma cantadores.
* * *
Monteiro berço divino
De povo alegre e feliz,
De Pinto, de Jansen Filho,
De Heleno e de Diniz;
O chão que deu quatro estrelas
Não foi céu porque não quis.
* * *
Quem não cantar do meu tanto
Não acompanha o meu passo,
Não tem a força que eu tenho,
Quando manejo o meu braço,
Não planta a roça que eu planto
Nem faz verso que eu faço.
* * *
Na vida de Michael Jackson
Eu digo o que aconteceu
Não tinha fama arranjou
Era pobre enriqueceu
Era preto ficou branco
Mudou de cor e morreu.
* * *
Eu sei que Jesus do céu me conhece,
Gosta do meu verso, dessa propaganda.
Se eu peço um repente, o Cristo me manda,
Me manda ligeiro, pois lá do céu desce.
Depois, na cabeça, o verso aparece,
Me desce pra boca pr’eu pronunciar.
Inda tem um anjo para me ajudar.
E tem uma máquina nesse meu juízo:
Não faz outra coisa, só faz improviso
Nos dez de galope na beira do mar.
Lisboa. Seguem mais conversas, hoje só com jornalistas e afins, em livro que estou escrevendo (título da coluna).
BARBOSA LIMA SOBRINHO, presidente da Associação Brasileira de Imprensa. Sempre que nos encontrávamos, o diálogo era
– Como vai?, dr. Barbosa.
– Como um velho, meu filho, desejando que todos os órgãos envelheçam ao mesmo tempo.
CARLOS ALBERTO SARDENBERG, jornalista. No Clube dos Ingleses (São Paulo), depois do tênis, os jogadores conversavam. Ele
– O homem precisa de mulher para tudo.
Betina, do grupo, completou
– Até pra ser corno.
DIÁRIO DE IGUAÇU (Paraná). Em 03/05/2016 deu essa manchete, na capa de sua edição,
‒ Gerência de Saúde afirma que não vai faltar vagina.
Calma, leitor amigo; que, segundo a gerência, não vai faltar.
DUDA GUENNES, filósofo. Numa entrevista, sobre Pernambuco (onde nasceu) e o Brasil, declarou que
1. Está poeticamente provado que o Mundo começa em Pernambuco, depois é que principia o resto da Geografia.
2. O Brasil é a melhor de todas as invenções portuguesas, incluindo aí o bacalhau da Noruega.
3. O Brasil é o melhor País do Mundo pra sentir saudade.
* * *
Inauguração do supermercado Pingo Doce, no Rato, pertinho de seu apartamento na Rua da Alegria. Foi cobrir o evento, como jornalista de A Bola, e o diretor do estabelecimento
– O que está a achar?
– Muito bom, porque tem tudo que não preciso.
EVALDO COSTA, jornalista. Clonaram seu celular. E soube disso quando recebeu mensagem, no zap,
– Favor mandar 500 reais que estou precisando. Ass., Gustavo Dubeux.
Respondeu
– Agora não posso, que acabei de emprestar 50 mil a João Carlos Paes Mendonça.
FERNANDO MENEZES, jornalista. Anotou, em Lisboa, grafite comparando António Salazar com Santo António de Lisboa (e de Pádua)
– Lisboa cidade bela
Que dois Antónios disputa
Um é o filho da fé
O outro… não é.
* * *
Na fila preferencial do Bradesco, esperava sua vez. Até que uma jovem, descabelada e com olhos arregalados, entrou na sua frente com um monte de boletos para pagar. Fernando, educadamente, perguntou
‒ Idosa, vejo que a senhora não é. Por acaso está grávida?
‒ Sim. Estou. Não sei quem é o pai. E, se não me der sua vez, vou causar aqui um escândalo.
Ele, cauteloso, preferiu esperar mais um pouco.
* * *
Praia da Piedade. Conversava, na frente de nossa casa, com o jornalista Garibaldi Sá. Chega um jovem e pergunta
– O senhor é o gordinho que sabe nadar?
– Acho que sou.
– Aquele ali (Menezes) mandou buscar nosso amigo que está morrendo afogado.
Olhei, o rapaz estava bem longe da praia, tinha feito isso já duas vezes antes e sabia qual a técnica. Meia hora depois, afinal, cheguei de volta com o jovem quase morto (mas ainda vivo), depois de beber meio mar. E Fernando, com água na cintura (que nem nadar sabe),
– Agora, deixe comigo.
Pôs os braços do quase afogado no pescoço dele e o arrastou até a areia da praia. Uma pequena multidão bateu palmas. Agradeceu, acenando com as mãos, parecia candidato a prefeito. Corpo no chão fez massagem, braços e pernas, afinal o rapaz reviveu. Levantou e abraçou, comovido, seu salvador. Mais palmas. Após o que Fernando voltou, satisfeito, para o mar (onde permaneci). Ao chegar
– Ainda bem que salvamos uma vida.
– Salvamos?
– Foi. Se não mandasse, você não ia pegar ele.
– Tá certo.
– Melhor de tudo é que o rapaz pediu meu nome e prometeu que, até morrer, iria rezar por mim todas as noites.
– Muito bem, mas por acaso disse que houve mais alguém no salvamento?
– Esqueci. Mas, quando ele rezar, fica implícito que você está incluído.
Pois é.
GERMANO SILVA, jornalista do Porto (Portugal). No Jornal de Notícias, redigiu matéria de homem esfaqueado por dama que atuava na Rua do Souto, famosa por suas casas de meretrício. Pediu na redação, para ilustrar a matéria, uma foto qualquer da responsável por aquela tentativa de assassinato. Assim se deu. E nem se preocupou em conferir. Dia seguinte foi publicada, tal foto, com essa dedicatória
‒ Ao querido Alfredo, que tanto me consolou da cinta para baixo.
IMPRENSA PORTUGUESA. Algumas manchetes estranhas, só uns poucos exemplos
No Jornal de Notícias
‒ Carro capota com quatro pessoas e uma mulher.
‒ Morreram 430 mortos nas estradas portuguesas.
Legendas na televisão CMTV
‒ Acidente na A1, três viaturas feridas.
‒ Dois mortos em fuga.
Na CMTV, essa notícia
– “Português em Braga engravidou a esposa e a sogra”.
Comentário, na matéria, de um telespectador
– Foda-se!!! Ele agora vai ser pai, avô, marido, genro e sogro!
Também nela, para encerrar, esse comentário
– Portugueses, a pedidos de muitas famílias preocupadas, decidem estender a lista de palavrões oficialmente proibidos, passando a incluir: breca, caga-foices, caraças, coa, credo, cruzes, cuncatano, fónix, macacos me mordam, raios e coriscos, trambelóquio, Naturalmente essas regras não se aplicam ao Norte do país, onde podem continuar a dizer que caralho vos apetecer.
JORNAL DO COMMERCIO do Rio de Janeiro, edição de 18/03/1931, pág. 4. Num tempo em que falsear a verdade valia dinheiro
‒ Fugiu no dia 17 do corrente, da chácara da Barreira, no caminho da Glória, ao pé do chafariz, um molecote de nação monjolo, por nome Digue, acostumado a vender quitanda da chácara; é espigado, magro, anda ordinariamente com a boca aberta e mostra os dentes, que são grandes e muito brancos; é muito ladino, fala e mente perfeitamente.
JOSÉ NÊUMANNE PINTO, jornalista, do Penn Club. Chegou para conversar com o paraibano (como ele) José Amer… Aqui um problema, que todos se referem a esse grande escritor apenas como Zé 3 Pancadas, dado que pronunciar seu nome completo é prenúncio de catástrofe. Toda gente conhece a praga. Se o amigo leitor ainda não sabe de quem se trata basta procurar, na internet, o autor de A bagaceira. Nêumanne
‒ Como nasceu essa relação entre você e o azar?
‒ Acho até graça. O avião caiu no mar e eu já quase cego, e aleijado, fiquei sentadinho na asa. Enquanto Antenor Navarro, campeão de natação, afundou (na verdade nadou, na direção contrária à praia, sem que seu corpo tenha sido jamais encontrado). E o povo diz, ainda, que sou azarado…
‒ Não, Zé, dizem que você dá é azar aos outros.
‒ Aí pode ser.
MARIA LUIZA BORGES, jornalista. No Vaticano, sala Paulo VI, ela e a mãe, a grande Marieta Borges (em sua cadeira de rodas). Para ver Francisco. Um funcionário da Cúria informou que os cadeirantes iriam para a primeira fila. Seus acompanhantes receberiam laços vermelhos e ficariam de lado. Dando-se que o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco apossou-se da cadeira de Marieta e disparou, até a frente, na esperança de bater foto com o Papa. Foi quando Maria Luiza saiu desesperada correndo atrás dele, aos berros,
– Devolva minha mãe!, devolva minha mãe!!
Condessa MAURINA DUNSHEE DE ABRANCHES PEREIRA CARNEIRO, dona do Jornal do Brasil (depois da morte do marido, em 1954, o conde papal pernambucano Ernesto Pereira Carneiro). No Campo das Princesas o comendador Jordão Emerenciano, secretário do Governo (Cordeiro de Farias), tentava adular a grande dama da imprensa brasileira. Quase um tonel e horrorosa, bom lembrar. Com aquela voz dele, bem fininha, começou
‒ Que fazeis, divina Condessa, para manter tanta formosura?
Ela, irada com o que considerou fosse gozação, não contemporizou
‒ Três coisas, senhor comendador: beber todo uísque do mundo, não deixar merda azedar e manter escovado o bucetão.
Perdão, amigo leitor, mas foram precisamente essas as palavras – a partir do depoimento de muitos que presenciaram a cena.
NELSON CUNHA, jornalista. Na praia, foi testemunha da cena. Criança, com mais ou menos cinco anos, pergunta a um salva-vidas
– O senhor não viu por aí uma mulher gorda sem uma menina como eu de lado?
OLBIANO SILVEIRA, jornalista e editor. Seu avô, Vicente Januário, tinha uma bodega na periferia de Mossoró (RGN), especializada em fumo de rolo. Certo dia chegou por lá dona Etelvina, cliente antiga,
– Seu Vicente, o sinhô tem fumo dos forte?
O velho entregou um pedacinho para ela provar
– Descurpe, tem mais forte?
Outro
Só que, depois de mastigar, soltou um pum daqueles históricos, monumentais. Como se não fosse a responsável, continuou
– Será que tem ainda mais forte?
– Não, senhora, o de cagar já acabou.
Segundo o Portal da Transparência, o governo Lula já gastou R$ 3,77 trilhões, este ano.
A ferramenta Gasto Brasil, da Confederação das Associações Comerciais, aponta um número maior: R$ 3,83 trilhões.
* * *
Gastou com que? Com quem? Onde?
A Primeira Cuidadora tem alguma coisa a ver com esses esbanjanjamento trilionário?
Fiquei curioso…
Os bem informados leitores desta gazeta bem que poderiam nos esclarecer essa fantástica tritrizada.
Passavam das cinco tarde quando Emílio Aguiar entrou na Academia de Ginástica. Vestido de sunga, touca e óculos, mergulhou na piscina iniciando suas primeiras braçadas; ao completar 200 metros segurou na borda; um pequeno descanso. Ao perceber a nadadora da última raia teve uma estranha sensação que a conhecia; a touca e os óculos cobriam parte de seu rosto, porém, o nariz e a boca lhes eram familiares. Continuou nadando, observando a nadadora, até que ela subiu a escada da piscina, retirou a touca e os óculos. O coração setentão de Emilio bateu mais forte ao reconhecer, Penélope Xanthopoulos, namorada nos velhos tempos da juventude. Num impulso subiu à beira da piscina. Aproximou-se da amiga. Penélope, logo o reconheceu. Deram um abraço afetuoso e alegre.
– Minha querida grega, como você está em forma, bonita, o tempo foi bondoso com você.
– Emílio, sempre gentil. Uma mulher para se conservar aos 60 e poucos anos, precisa muita força de vontade, natação, musculação, fechar a boca, passar um bisturi. Você está bem, um galã, como a gente dizia. Um pão. – Deu uma gargalhada.
– Sou um idoso com disposição de trabalhar, cuido da saúde. E você? Como vai o marido fazendeiro de Minas Gerais?
– Estou solteira. Uma velha divorciada. Já imaginou?
Naquele momento ouviu-se a voz de uma jovem na entrada da Academia.
– Vovó, vovó, está na minha hora da aula de inglês, vamos embora.
– Sou escrava das netas. Tenho de ir. Vou ficar dois meses aqui na terrinha, aproveitar esse verão maravilhoso.
– Quero lhe ver. Precisamos conversar. Lembrar o passado louco, nossa bela juventude. Vai fazer bem para nós dois. Vamos tomar um café hoje à noite? Às 8 horas em frente ao Iate Pajuçara, está bem? Bater um papo agradável.
– Será um prazer conversar com um amigo depois de tanto tempo.
Em um bar discreto, bem decorado, à meia luz, o garçom trouxe duas doses de uísque, eles brindaram. Penélope esguia, elegante num vestido preto, beleza discreta e sensual, coroa conservada.
– Estou feliz em vê-la. Tenho todo tempo do mundo essa noite. Conte sua vida.
– Minha vida andou encrencada. Depois de mais 40 anos o casamento simplesmente desmoronou. O meu vaqueiro arranjou uma namorada. Eu soube, discuti com ele várias vezes, sou mulher de um homem só. Numa noite de tensa discussão ele, bêbado, deu tapas em minha cara, me bateu. Imperdoável. Acabamos nos separando, ele estava apaixonada pela jovem. Que fazer? Não posso ser mais jovem. E você? Acompanhei sua tragédia, de longe.
– Tragédia mesmo. Casei-me com Mariana, tivemos dois filhos, Matheus e Thiago. Lindos e fortes. Aos 10 anos foi descoberto um problema no coração de Matheus. Mariana dedicou sua vida a Matheus, ele necessitava cuidados especiais. Adolescente Matheus, meu querido filho, morreu em um desastre de carro após uma noitada, por ironia da vida. Mariana enlouqueceu inconformada em dedicar sua vida à doença de um filho e ele morrer num desastre de carro; apagou-se para vida. Não cuida de Thiago, nem de mim, nem da casa. Hoje ela vive apática. Não teve terapia que desse jeito. O mundo acabou-se para ela; envelheceu. Thiago casou-se cedo, mora perto, todo dia vai ver a mãe. Também não quero falar sobre tragédia nessa noite inesperada de alegria.
Depois das confissões, entraram nas recordações de juventude, da Faculdade, dos bailes, dos carnavais. Da loucura dos dois em pleno carnaval à noite, enquanto rolava o frevo na Rua do Comércio com blocos e corso, eles se desgarravam da turma, desciam à praia e tomavam banho de mar, nus, na Avenida da Paz. Lembraram-se dos movimentos políticos. Emílio foi preso distribuindo panfleto contra a ditadura. Passou uma semana trancafiado no DOPS, ela visitava-o todos os dias. Um amor lindo entre aqueles dois jovens.
Emílio, no escurinho do bar à beira mar, segurou a mão de Penélope, olhou nos seus olhos que faiscavam, beijou-lhe a boca.
– Minha querida grega. O destino, às vezes, é cruel, nos separou, mas nunca lhe esqueci. Você foi o grande amor de minha vida. Não somos mais jovens, vamos aproveitar o resto do tempo que nos falta.
Saíram do bar.
No motel delicadamente foram se ajudando a se despirem. Beijos lentos, calmos, preguiçosos por todo corpo, despertou a libido, o desejo. Emílio, discretamente, havia engolido, ainda no bar, a pílula azul. Fizeram amor, amor maduro, amor carinho, amor de bocas, dedos e corpos se misturando, num êxtase de mais de 40 anos de saudades.
Com o passar do tempo, os costumes se modificam, no que tange aos hábitos de alimentação, vestuário e vocabulário, abrangendo agora o gênero não binário. A intenção é se introduzir na língua portuguesa novos vocábulos quem nem todas as pessoas aceitam. Trata-se da linguagem neutra usada em eventos do atual governo.
Em algumas cerimônias de posse de novos ministros, foram utilizadas expressões neutras para que pessoas não binárias (que não se identificam nem com o gênero masculino nem com o feminino) ou intersexo, se sintam representadas..
Oradores e comunicadores adotaram a mania de iniciar suas falas com a saudação “brasileiros e brasileiras”. Mas nas reuniões especializadas, a expressão muda para “doutoras e doutores”, acadêmicos e acadêmicas, professores e professoras, eleitores e eleitoras, etc.
As feministas não aceitam ser saudadas implicitamente pelas expressões masculinas tradicionais.
A novidade, agora, é a saudação “Todos, todas e todes”, que, francamente, incomoda aos ouvidos. Um exagero na nossa língua.
Os políticos tem modificado a forma de se iniciar um discurso.
Desde criança, gosto de circo e até hoje sou fã da inteligente saudação circense, “Respeitável Público!”
Bonita e cordial, essa expressão abrange a todos que estiverem presentes ao espetáculo. Com a sabedoria da tradição, a expressão junta homens e mulheres no mesmo saco, colocando-os no mesmo pé de igualdade. Ninguém se sente diminuído, e todos de consideram respeitáveis.
Ao que tudo indica, um importante político brasileiro, José Sarney, foi o primeiro a usar a expressão “brasileiros e brasileiras” para iniciar um discurso. A moda pegou, e hoje todos usam, nos discursos, a saudação com distinção de gênero, como se a humanidade fosse composta de dois seres especiais. Esqueceram que a raiz do homem e da mulher é uma só. A humanidade é uma só.
No nosso País, somente na saudação Circense, “Respeitável Público” o homem e a mulher se encontram no mesmo patamar, sendo respeitado o princípio constitucional da igualdade, contida no Art. 5º da Constituição Federal.