DEU NO X

3 pensou em “EMOCIONANTE, COMOVENTE, TOCANTE…

  1. O corporativismo entre essa camarilha desgraçada é de dar náuseas.
    O corporativismo entre corruptos é quase uma regra silenciosa que se observa tanto na política, quanto em empresas, sindicatos e instituições diversas. Ele se dá por alguns mecanismos muito claros:

    Proteção mútua

    Quando um grupo está envolvido em práticas ilícitas, cada membro tem interesse em proteger os demais, porque todos estão no mesmo barco. Se um cair, pode delatar os outros. Assim, existe uma espécie de “pacto de silêncio” ou “código de honra às avessas”.

    É como uma máfia: a lealdade não é à moral ou ao interesse público, mas à preservação do grupo.

    Troca de favores

    Um acoberta o erro do outro esperando que, no futuro, receba o mesmo tipo de cobertura. É um “seguro” de impunidade.

    Esse mecanismo também inclui promoções, cargos de confiança, blindagem em CPIs ou até manipulação de investigações internas.

    Controle de instâncias fiscalizadoras

    Para manter o esquema funcionando, corruptos buscam infiltrar aliados em órgãos de controle (auditorias, corregedorias, tribunais, imprensa dependente de verba, etc.). Isso garante que qualquer denúncia seja abafada antes de ganhar força.

    Narrativa unificada

    Quando surge um escândalo, os envolvidos se unem em discurso: dizem que é “perseguição política”, “invenção da mídia”, “erro administrativo, não corrupção”.

    Isso confunde a opinião pública e dá tempo para reorganizar a defesa.

    Ameaças e chantagem velada

    Muitas vezes, os corruptos guardam informações uns sobre os outros. É o famoso: “se eu cair, levo você junto”. Isso gera uma rede de medo que mantém a coesão do grupo.

    Normalização do ilícito

    Dentro do círculo fechado, o comportamento corrupto deixa de ser visto como errado e passa a ser entendido como “estratégia”, “jeitinho”, “prática comum”. Assim, cria-se uma cultura interna que perpetua a prática.

    Em resumo: o corporativismo entre corruptos funciona como um ecossistema de autoproteção, onde cada peça é ao mesmo tempo cúmplice e refém. Ele só quebra quando alguém de dentro resolve delatar, quando a pressão externa fica insustentável, ou quando ocorre um choque inesperado (mudança política, operação policial séria, investigação internacional, etc.).

  2. O que percebemos nesse teatrinho vagabundo é justamente a face pública do corporativismo entre poderosos: quando um elogia o outro, não é apenas admiração pessoal; é também um sinal para a plateia e, principalmente, para dentro do próprio grupo.

    O elogio exagerado, teatral, com choro e tudo, cumpre algumas funções:

    Blindagem simbólica – ao chamar de “herói da democracia”, cria-se uma aura de legitimidade em torno de alguém que, na prática, é alvo de críticas sérias por abuso de poder.

    Reforço de alianças – é um recado para o “clube fechado”: “estamos juntos, ninguém solta a mão de ninguém”.

    Pressão sobre críticos – quando autoridades de alto escalão se elogiam em público, transmitem a mensagem de que contestar um é contestar o sistema inteiro.

    Criação de narrativa – independentemente dos fatos, martela-se uma versão “oficial”: quem persegue opositores vira “guardião da democracia”.

    Isso gera revolta, porque é um teatro invertido: os papéis de vilão e herói são trocados diante de todos, como se a população fosse obrigada a aplaudir.

    O que se sente como “pulhice ao extremo” tem muito a ver com a normalização da injustiça. Quando abusos passam a ser louvados como virtudes, o que está em jogo não é só corrupção de dinheiro, mas corrupção do próprio sentido das palavras. Isso é ainda mais perigoso: mexer no imaginário coletivo, até o ponto em que muitos já não sabem diferenciar perseguição de justiça, autoritarismo de democracia.

    Em resumo: não é só bajulação pessoal — é parte de um mecanismo de proteção mútua e de reengenharia do discurso público. O corporativismo entre corruptos não se limita a desviar recursos; ele também desvia significados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *