MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

DE ARMAS EM PUNHO

Nos velhos filmes de faroeste, uma das cenas mais comuns eram os grandes duelos. As divergências eram resolvidas na hora e o mais rápido no gatilho, o vencedor. Os duelos, atualmente, deveriam ser mais intensos no campo das ideias e não das armas porque é complicado quando uma pessoa busca defender uma ideia, de forma clara, democrática, e se depara com uma arma na mão de outra pessoa que tem divergência. Ter divergência não significa, necessariamente, ter razão.

Nos Estados Unidos é bastante comum o uso de armas para calar ideais. Lincoln (1865), por exemplo, foi assassinado por John Booths tendo por motivação o extremismo sulista após a guerra civil americana. James Garfield (1881) foi assassinado por Charles Guiteau por conta das suas frustações com sistema de patronagem, ou seja, o homem – um advogado medíocre, fracassado – escreveu um discurso em apoio à candidatura de Garfield e esperava, com isso, obter algum cargo na administração e por não conseguir, tomou a decisão de assassinar o presidente em 1901.

O caso de Kennedy (1963) vive cercado de controvérsias com um forte enredo de conspiração, dentre algumas, a que o próprio governo acobertou o assassinato, que havia mais de um atirador, que era por conta da invasão da Baía dos Porcos e que havia ligação entre Lee Oswald e Fidel Castro etc. Mais recentemente, uma bala de fuzil passou zunindo a orelha de Trump.

Outros casos envolvendo atentados, mas que as vítimas sobreviveram também são encontrados nos Estados Unidos. Há alguns bem esquisitos como o caso de Andrew Jackson (1835) que a arma falhou duas vezes e Gerald Ford que foi ameaçado por duas mulheres. Theodore Roosevelt (1912) e Ronald Reagan (1981) foram atingidos por armas de fogo. O primeiro, apesar de baleado, continuou o discurso.

No Brasil, os casos mais notórios envolvem Arnon de Mello que foi atirar num adversário, no senado, e atingiu outro que “pagou o pato” e, evidentemente, o caso de Bolsonaro que levou uma facada durante a campanha. Há, certamente, outros casos conhecidos, mas fiquemos com estes que foram citados. A questão dessas citações, está associada com o assassinato de um jovem de 31 anos que defendia o ideal de direita americana. Na Colômbia, durante a campanha presidente, um candidato da direita morreu em consequência dos tiros disparados um por jovem de 14 anos.

É sabido que a esquerda, de um modo amplo o socialismo, tem regras bem nítidas de implantação do seu sistema mundo a fora. Milhões de pessoas morreram sob o domínio de Lênin, não se sabe quantos se calam pelo regime da Coreia do Norte, mas é sabido as atrocidades cometidas por Che Guevara na, chamada, revolução cubana. O medo é uma forma natural de imposição. É por conta do medo que acontecem muitos abusos sexuais de crianças, por exemplo. Parece algo, infinitamente, paradoxal se falar de democracia, mas não se permitir que pensamentos contrários sejam ditos, defendidos ou pronunciados.

Não se pode calar um pensamento contrário à bala. A tentativa de silenciar pela força o que diverge de nossas crenças é não apenas um erro ético, mas uma afronta direta à ideia mais fundamental da democracia: a convivência entre os diferentes. A bala é a negação da palavra. Quando se abandona o argumento e se opta pela arma, decreta-se o fracasso do diálogo.

A democracia não é um lugar de unanimidades forçadas, mas um palco de debates vigorosos, onde o dissenso é não só permitido, mas necessário. É na pluralidade de vozes que se constrói o bem comum. E nenhuma sociedade pode dizer-se justa se não for capaz de proteger aqueles que pensam diferente. A história está repleta de exemplos de regimes que tentaram apagar pensamentos com pólvora. Mas ideias não sangram, não morrem, ao contrário: quando reprimidas, tendem a crescer com ainda mais força. Quem deseja calar o outro com violência, revela não apenas intolerância, mas medo. Medo da palavra, medo da mudança, medo do confronto civilizado.

Respeitar o pensamento contrário é um ato de coragem democrática. Significa aceitar que a verdade pode ter várias faces, que não somos donos do mundo nem da razão. E é justamente esse respeito que diferencia uma sociedade autoritária de uma sociedade livre. Portanto, que nunca se normalize o silêncio imposto pela violência. Que nunca se tolere o discurso que legitima o ódio contra quem discorda. Que nunca se esqueça: numa democracia, o embate se dá com ideias, não com balas. E é no ruído saudável dos argumentos, e não no estrondo de tiros, que se constrói um futuro verdadeiramente humano.

O abuso político pode levar a consequências extremas como o que acontece atualmente no Nepal. Confesso que não se o Brasil tem um termômetro que mostre a real temperatura. Ao que parece, não.

DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

NO AR O SEU “REPÓRTER ESSO”!

Chafariz em Porangabussu

A seca ficara humanamente insuportável. Era o ano de 1950. A solução mais facilmente encontrada, foi o êxodo. Os avós (João e Raimunda Buretama) decidiram ficar, pois já sabiam que “tudo passa”, mas, sempre de acordo com a vontade de Deus.

Nós, três dos sete filhos, sem destino nem objetivo e horizonte resolvemos procurar água noutro lugar. Não dava mais para continuar comendo iguanas que, de tão sem alimentação ficaram cinzentos, cassacos (mucuras) e, às vezes, até cobras.

Caminhão fretado no crédito confiado por um amigo. Poucas tralhas, cachorro solto em meio a pequena bagagem e, junto apenas a esperança de encontrar um lugar onde pudéssemos sonhar acordados.

Em meio às dificuldades chegamos ao Pirambu – outro Piranbu, muito diferente do atual. Construímos um barraco sem paredes, tudo de palha. Montamos trempes (três pedras para apoiar a panela que viera na bagagem – para cozinhar, apenas feijão e sal) e fizemos fogo. Feijão com nada, mas com sal, foi a primeira refeição no novo lar – o barraco tinha apenas a cobertura, feita de palhas de coqueiro cortadas na orla marítima. Foi um tempo difícil.

Papai fizera amizades que ajudaram a conquistar um emprego. Era o início da certeza de que “tudo passa”. O barraco ficou para trás e fomos “morar” numa casa sem portas e sem janelas – estava em construção e pertencia a um amigo do papai. Era, convenhamos, um avanço.

Dias e meses se passaram. Um ano, dois anos e as melhorias batendo à porta. Mais uma mudança, agora para uma casa alugada no Porangabussu. Era o ano de 1954, lembro bem e tenho certeza.

A seca enfrentada no interior deixara sequelas. Ainda não tínhamos estrutura, mas lutávamos para enfrentar a vida. A matrícula nas escolas, a compra de objetos para atender as necessidades domésticas.

Eis que surgiu a primeira novidade. Era Prefeito de Fortaleza, Paulo Cabral de Araújo, aliado de Assis Chateaubriand. Foi eleito Acrísio Moreira da Rocha. O Governador era Paulo Sarasate.

Os bairros da capital também enfrentavam os problemas causados pela seca, refletidos no agronegócio – eis que surgiu a ideia da construção de chafarizes para facilitar o abastecimento e o consumo da população castigada pelas intempéries.

A água era o “pão”. Havia a necessidade do “circo”. Muitos não reuniam condições financeiras para adquirir um televisor. O “circo” foi dado com a colocação de televisores públicos instalados nos chafarizes.

Eis que o advento da televisão, agora de domínio público (hoje já existe a televisão paga – e isso “eu” não considero progresso, porque a publicidade veiculada já paga tudo) começou a reunir pessoas, na maioria das vezes no horário noturno, após mais um dia de trabalho.

Veio o “Seu Repórter Esso”. Na TV Tupy. Era o ano de 1952, em São Paulo, quando Ruy Rezende e Dalmácio Jordão com suas vozes poderosas nos apresentavam (e ao Brasil, como um todo) o noticioso televisivo. Essa dupla foi substituída depois pelos lendários Heron Domingues, Luiz Jatobá, Kalil Filho e Gontijo Teodoro – esse último, viria a ser meu professor na Universidade no Rio de Janeiro.

Instalada em definitivo e recebendo o apoio do público, a televisão contratou profissionais que estabeleceram uma grade voltada para a diversão e o entretenimento. Chegaram as novelas, com destaque para o “Meu trágico destino”, escrita por J. Silvestre antes de assumir e se consagrar com âncora dos programas vespertinos.

Aquelas novelas mudaram a cultura brasileira. Antes, o cinema e os teatros viviam superlotados, mas a televisão com sua programação “roubou” a parte do público que, financeiramente, não tinha acesso ao teatro.

Vieram depois, “A cabana do pai Tomás”, o sucesso consagrador que foi “Beto Rockfeller” nos revelando atores e atrizes como Lima Duarte, Luís Gustavo, Irene Ravache, Plínio Marcos, Bete Mendes, Débora Duarte e tantos outros que, por anos nos divertiram.

Surgiram depois a TV Globo, a TV Record, a TV Manchete e a concorrência diversionista foi definitivamente instalada.

Mas, como nada dura para sempre, os governos municipais resolveram que a água precisava ser paga pelo consumidor. Acabaram com os chafarizes públicos e levaram junto os aparelhos de televisão ainda em preto-e-branco.

O chafariz atual já sem o serviço da água gratuita

O tempo caminhava célere. Mas as dificuldades cresceram no mesmo percentual. As concepções políticas mudaram com o suicídio de Getúlio Vargas. Surgiram Carlos Lacerda, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Miguel Arraes e tantos outros.

Não ouso afirmar que, o Brasil cresceu. Mas, sei e comprovo, que nunca mais levei aquela banquinho para sentar diante da televisão preto-e-branco mostrada pela extinta TV Tupy.

Hoje, a água tem consumo pago, embora ninguém garanta que ela é convenientemente tratada para o consumo humano.

Sem pretender parecer saudoso ou masoquista, lembro em lágrimas, a mudança sobre aquele caminhão fretado a um amigo da família que nos conduziu ao barraco sem paredes erguido na orla marítima do Pirambu.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

VIAGEM

A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Mote deste colunista

Graças a Deus tive sorte
Tenho muita inspiração
Que parte do coração
A mente é o transporte
Quero tê-la até a morte
Ela em minha companhia
Para falar todo dia
Do mar, da onda e da areia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Poeta Nascimento

Claro que tenho defeito
Mas não me falta amor
Não sou de guardar rancor
Nem raiva dentro do peito
Mesmo assim não sou perfeito
Mas meu Deus me auxilia
Com sua mão Ele me guia
Se faltar luz Ele clareia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Ronaldo Barbosa

De tudo faço memória
Com ternura e emoção
Guardadas no coração
As marcas da minha história
O tempo revela a glória
De cada nova alegria
Que surge na travessia
Qual luz que sempre clareia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Leo Brasil

Viajo feito um condor
A espreitar quase tudo,
Sou pequeno, não me iludo,
Mas um grande sonhador.
Faço versos por amor,
Nada tanto me vicia.
Inspiro-me todo dia,
Desde que o céu clareia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Melchior SEZEFREDO Machado

A minha mente traquinas
Nem carece de passagem
Pra que eu faça uma viagem
Por fazendas e usinas
Destas terras nordestinas
Onde o tropeiro fazia
Seu trajeto e conduzia
A cachaça de *Areia.
A minha mente passeia
Nas asas da poesia.

Wellington Vicente

*Cidade do brejo paraibano, grande produtora de cachaça.

DEU NO JORNAL

QUE DIFERENÇA…

A pena imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo tal “golpe”, 27 anos e 3 meses, que contou com uma tropa de aposentadas, supera a de Elize Matsunaga, que esquartejou o marido (16 anos e 3 meses).

* * *

É isso mesmo: “golpe” entre aspas, conforme consta na nota aí de cima.

Quanto à comparação entre as duas penas, a de Bolsonaro e a de Elize, isto é cagado e cuspido a cara da Republiqueta Banânica nestes tempos surreais.

Que os céus se apiedem deste nosso malsinado país.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Ferreira Gullar

José Ribamar Ferreira nasceu em 10/9/1930, em São Luis, MA. Poeta, escritor, crítico de arte, dramaturgo, tradutor, memorialista e ensaísta. É reconhecido como um dos mais importantes poetas brasileiros da segunda metade do século XX. Durante 60 anos de produção artística, particpou de todos os acontecimentos mais importantes da poesia brasileira.

Filho de Alzira Ribeiro Goulart e Newton Ferreira, inventou seu nome utilizando o Ferreira do pai e Gullar da mãe, modificando a grafia. “Como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e como a vida é inventada, eu inventei meu nome”. Integrou um um movimento literário difundido através da revista que lançou o modernismo no Maranhão, A Ilha, da qual foi um dos criadores. Seu envolvimento com a poesia deu-se através de Carlos Drummond de Andrade.

No Rio de Janeiro, participou do movimento da poesia concreta como um inovador, gravando seus poemas em placas de madeira. Em 1954 ganhou notoriedade nacional com a publicação de A Luta Corporal, um livro de poemas experimentais, explorando o caráter gráfico. Em 1956 participou da exposição concretista e se afastou em 1959, criando junto com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o “Neoconcretismo”, que valoriza a expressão e a subjetividade. Mesmo mantendo o concretismo como base, os neoconcretistas acreditavam que a objetividade e os princípios matemáticos por si só não poderiam cumprir o objetivo concretista de criar uma linguagem visual transcendental.

No ano seguinte se afastou desse grupo, por achar que estava abandonando vínculo entre a palavra e a poesia e passou a encarar a poesia engajada, envolvendo-se com os Centros Populares de Cultura (CPC). Na década de 1960, filiou-se ao Partido Comunista, protestou contra a ditadura militar e passou a dedicar-se à poesia lírica e social, com poemas marcantes como Traduzir-se, Dois e dois: quatro, Homem Comum e Não há vagas. Na década seguinte, foi perseguido politicamente e exilou-se. Viveu no Chile, Argentina e União Soviética, onde segundo ele mesmo “bachalerou-se em subversão”.

Porém foi aí mesmo que desencantou-se com socialismo.

Em 1975 escreveu o Poema Sujo, enquanto vivia em Buenos Aires. Trata-se de sua “magnum opus”, com mais de 100 páginas, versando sobre o exílio e misturando todas a fases de sua obra. Retornou ao Brasil em 1977 e expandiu suas atividades com ensaios, biografia, crítica política e tornou-se crítico do socialismo. Em 2014 declarou que “o socialismo não fazia mais sentido, pois fracassou, embora [achasse] a desigualdade social inaceitável e [torcesse] para que essa desigualdade social [fosse] corrigida o tanto quanto possível”.

Foi casado durantes anos com a atriz Theresa Aragão, com quem viveu até seu falecimento, em 1992. Em seguida, casou-se com a poeta gaúcha Claudia Ahinsa. Gullar teve 3 filhos: Luciana, Marcos e Paulo. Estes dois últimos foram diagnósticados com esquizofrenia, o que levou-o a falar das doenças mentais e do despreparo dos profissinais brasileiros para com a doença em sua coluna na Folha de São Paulo.

Em outubro de 2010 recebeu um tefonema de Estocolmo pedindo-lhe que ficasse próximo ao telefone, sem deixar que ninguém o usasse, a partir das 17 hs. Pouco depois, ligou um jornasta pedindo sua opinião sobre o escritor Vargas Llosa, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2010. Só aí percebeu que estava concorrendo e por pouco não foi o laureado daquele ano. Esta história me foi contada por José Paulo Cavalcanti Filho, jurista pernambucano, colunista deste JBF e biógrafo de Fernando Pessoa, que ouviu do próprio Ferreira Gullar.

Foi premiado diversas vezes a partir de 1950, quando venceu o concurso de poesia promovido pelo Jornal de Letras, com o poema O Galo. Em seguida ganhou os prêmios Molière e Saci e outros prêmios do teatro com a peça Se correr o biho pega, se ficar o bicho come, em 1966. Foi indicado por autores dos EUA, Portugal e Brasil, ao Prêmio Nobel de Literatura, em 2002. Seu livro Resmungos, ganhou o Prêmio Jabuti em 2007. Foi conisderado pela revista Época, um dos 100 brasileiros mais influentes, em 2009. No ano seguinte foi agraciado com o Prêmio Camões, a maior premiação literária da língua portuguesa. Em 2011 ganhou mais um Prêmio Jabuti com o livro Em alguma parte alguma, considerado “O Livro do Ano” de ficção.

O Estado onde nasceu também soube reconhecer o poeta. Em Imperatriz, foi homenageado com o Teatro Ferreira Gullar e em 1999 foi inaugurada em São Luís a Avenida Ferreira Gullar. Ingressou na Academia Brasileira de Letras, em 2014, e faleceu pouco depois em 4/12/2016, vitimado por uma pneumonia. Sua última crônica publicada na Folha de São Paulo tratou sobre a solidariedade. Em determinado ponto ele pergunta: “Para que alguém necessita de ter à sua disposição milhões e milhões de dólares? Para jantar à tripa forra”.

DEU NO JORNAL

UNIVERSIDADES SITIADAS PELA INTOLERÂNCIA

Editorial Gazeta do Povo

Estudantes expulsam Jeffrey Chiquini e Guilherme Kilter da UFPR; evento é cancelado após ação da polícia

O advogado Jeffrey Chiquini e o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo-PR) estavam na UFPR para um evento do curso de Direito

A Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, uma das instituições mais tradicionais do país, tornou-se palco de episódios que atentam contra os fundamentos da liberdade de expressão e do debate acadêmico. O mais recente deles ocorreu nesta semana, com a expulsão de três convidados que falariam sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal a estudantes da universidade. O episódio evidencia, de maneira inegável, como o ativismo militante tem corroído o espaço universitário, transformando o que deveria ser um bastião do pensamento livre em território de hostilidade e intimidação.

Participariam do evento o advogado Jeffrey Chiquini, que representa Filipe Martins, e os vereadores Guilherme Kilter e Rodrigo Marcial, ambos do partido Novo. Assim que chegaram à universidade, no centro da capital paranaense, foram hostilizados por estudantes e ativistas, que, aos gritos de “recua, fascista”, empurraram e agrediram os convidados e pessoas que os acompanhavam. Para escapar da violência, o grupo precisou ser isolado em uma sala de professores e, posteriormente, evacuado com o apoio da Polícia Militar. O evento foi cancelado, deixando claro que grupos militantes podem impor suas agendas por meio da intimidação.

É absolutamente inadmissível que atos dessa natureza ocorram dentro de uma universidade. O espaço acadêmico deve ser o local de confronto de ideias, inclusive das mais controversas. Impedir o debate, seja por gritaria, intimidação ou agressão, representa uma afronta direta aos princípios democráticos e à missão educativa da instituição. A UFPR, que se proclama plural e comprometida com o Estado Democrático de Direito, precisa traduzir esse compromisso em ações concretas, garantindo segurança e direito de fala a todos os participantes.

As universidades, como pilares do conhecimento e do debate, têm a responsabilidade indelegável de proteger o contraditório e garantir um ambiente seguro para o diálogo. Mas a reação institucional à expulsão de Chiquini, Kilter e Marcial, que deveria ter sido uma defesa enérgica da liberdade de expressão e da pluralidade de ideias, foi pífia. Embora a Reitoria da UFPR tenha alegado alertar sobre “riscos à integridade física”, não houve mobilização prévia de segurança. Posteriormente, a atuação da polícia foi criticada, em vez de a universidade repudiar de forma inequívoca a violência sofrida pelos palestrantes. Essa postura ambígua sugere, infelizmente, uma tolerância tácita à intimidação e ao fechamento do espaço de debate.

E não se trata de um caso isolado. Em novembro de 2023, a UFPR cancelou uma palestra de Deltan Dallagnol após pressão estudantil, celebrada pelo Diretório Central dos Estudantes como vitória. Esse padrão recorrente evidencia que a intolerância política vem corroendo o debate saudável de ideias, transformando a universidade em palco de militâncias movidas pelo ódio, que, incapazes de debater civilizadamente, apelam para violência e tentativa de calar ou suprimir o oponente.

O cerne da questão é inegociável: não pode existir democracia quando vozes discordantes são silenciadas – e é exatamente isso o que temos visto acontecer com frequência, não apenas nas universidades. Seja por ações arbitrárias de instituições ou pela militância organizada movida pelo ódio, jamais a força pode substituir o argumento, nem a intimidação suplantar o diálogo. Sem debate livre e contraditório, a pluralidade de pensamento, pedra angular da democracia, se dissolve, e o espaço público, inclusive o universitário, encolhe diante da coerção.

Mais do que um chamado à defesa da liberdade acadêmica, os episódios na UFPR revelam um desafio civilizatório: a capacidade de uma sociedade lidar com o dissenso sem recorrer à força ou à intimidação. A universidade não pode permitir que o medo substitua a razão, contribuindo para o acirramento de uma cultura política marcada pela intolerância e pela polarização. Proteger o debate e acolher o contraditório dentro das universidades não é apenas uma questão institucional, mas um exercício de maturidade democrática.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

KARDEC PARA O 21

Parabenizo o atuante Movimento Espírita Brasileiro pela busca incessante de ressaltar a Filosofia Espírita sob ângulos contemporâneos, sempre de conformidade com os balizamentos estruturados por Allan Kardec. E uma das personalidades da área mais aplaudidas do cenário pátrio atual chama-se Dora Incontri, que acaba de lançar um estudo de alto relevo pós-moderno, de feroz combate aos anseios fundamentalistas últimos surgidos, reafirmando enfaticamente que o Espiritismo é uma Filosofia aberta e sempre em contínua evolução analítica, sem jamais resvalar para revisionismos apressados ou modistas, sempre buscando superar os eurocentrismos que marcou a obra de Kardec no século XIX.

A notável Dora Incontri explicita em seu novo livro – KARDEC PARA O SÉCULO 21, em colaboração com Alessandro Cesar Bighetto, prefácio de Allyson Leandro Mascaro, Bragança Paulista SP, Editora Comenius, 2025, 267 p. – conceitos sempre estruturantes da filosofia espírita, consolidados sob duas vertentes: a mediunidade e a reencarnação, contribuindo com muita valia para efetivas reestruturações históricas passadas, embasadas numa libertação do ser humano a partir de uma Educação Crítico-Libertadora.

Segundo Márcio Sales Saraiva, PhD em Psicosociologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, “o exposto pela Dora Incontri não é um livro acadêmico frio, monótono e descritivo; pelo contrário, é uma defesa, racional e apaixonada do legado kardecista e de suas potencialidades ainda não totalmente exploradas. É importante destacar que Dora Incontri valoriza o diálogo inter-religioso, participa dos debates contemporâneos sobre paz e ecumenismo, mas não abre a mão do ‘aspecto cristão’ do espiritismo kardecista.” E Sales foi mais além, quando declara ser Dora “pouco simpática ao pensamento pós-moderno ou pós-estruturalista, pois utiliza uma linguagem simples e direta para esclarecer aspectos revolucionários, nebulosos ou já ultrapassados do espiritismo, sem hesitar em sua fé.”

O livro da Dora Incontri responde sem eruditês 15 questões contemporâneas. Ei-las:

1. O que é o Espiritismo?
2. O espiritismo pode ser revisto, mudado e alterado?
3. Como se constitui o espiritismo?
4. Como ler Kardec?
5. O espiritismo tem evidências científicas?
6. O espiritismo tem consistência filosófica?
7. O espiritismo é uma religião?
8. Há uma teologia espírita?
9. O espiritismo explica a totalidade do real?
10. Existe uma pedagogia espírita?
11. O espiritismo tem uma proposta social?
12. O espiritismo dialoga com o pensamento decolonial?
13. Qual a validade das obras básicas de Kardec?
14. Qual a missão de médiuns, intelectuais e pesquisadores no espiritismo?
15. O que o Espiritismo tema dizer ao século 21?

O notável livro da Dora Incontri se destina a todos os públicos, especificamente a dois: os espiritistas não atualizados e aos espiritualistas não-espiritistas que buscam compreender melhor os balizamentos de Allan Kardec.

Eu diria mais: o livro da Incontri deve ser lido e analisado por todos aqueles que, sem crenças mas racionais, de há muito já vêm intuindo que há muito mais coisas além do apenas aqui e agora, do outro lado da Vida.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Estou anestesiada. Sempre com tanto a dizer e hoje sem palavras.

Milhões nas ruas em manifestações sempre que convocados.

Diante da condenação de Bolsonaro o silêncio é ensurdecedor. É dolorido. É inacreditável.

Não precisaríamos de protestos tal qual aconteceu no Nepal?

Protestos são diferentes de “manifestações”.

“Um filho teu não foge a luta”.

Palavras…afinal, estamos no Brasil. Futebol, Carnaval, Cachaça (a começar pelo ser que ocupa a preferência) e memória curta.

O povo está aceitando e dando aval a todos os desmandos que nos aproxima cada vez mais de uma ditadura. Um caminho sem volta.

Algo inimaginável para um país como o Brasil.

Todos nós “de direita” estamos corroborando para que o mal fique cada vez mais forte.

Não existe vitória sem luta, sem algum sacrifício. Só que o brasileiro não é aguerrido. Não quando pode ter que parar de olhar para “seu próprio umbigo”.

E lá está, condenado, um homem que acordou um país inteiro. E lá estão tantos inocentes presos do tal “8 de janeiro”. Não temos Congresso. Não temos nada a não ser nós mesmos. Só que sem coragem.

Quanta tristeza! Quanta decepção!

“Gigante pela própria natureza”. Isso mesmo, gigante em território e recursos porque de homens e mulheres de verdade deixa muito a desejar.

Guardemos nossas camisetas verde e amarela. Continuemos nossa marcha desenfreada rumo ao comunismo. Continuemos esperando (implorando) por ajuda externa por não termos capacidade de reagir de verdade. Depois do leite derramado não vai adianta chorar.

Eu peço perdão pelo silêncio diante de sua injusta condenação senhor presidente!

Nem esperança tenho mais.

Hoje gostaria que Adonis estivesse presente com sua coluna. Quanta saudade “Touro Indomável”

Um ótimo (se que é possível) domingo a todos.

Clique aqui e veja um vídeo.