PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O “ADEUS” DE TERESA – Castro Alves

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala…

E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

Uma noite… entreabriu-se um reposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa…

E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”

Passaram tempos… sec’los de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
…Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — “Voltarei! … descansa! …”
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

Quando voltei… era o palácio em festa! …
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! … Ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa! …

E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

Antônio Frederico de Castro Alves, Bahia (1847-1871)

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

EM OUTRAS ÉPOCAS, SENADO TERIA SIDO MUITO MAIS FIRME

Marcos do Val

Senador foi alvo de medidas cautelares impostas por Alexandre de Moraes após retornar dos EUA

De repente, o ministro Alexandre de Moraes mandou tirar a tornozeleira do senador Marcos Do Val, desbloqueou seu contracheque, retirou as medidas cautelares, só ficou com o passaporte. Fui procurar a explicação nos jornais, e a justificativa era de que agora ele está no Brasil, e as cautelares eram para o caso de ele estar nos Estados Unidos. Eu não entendi nada, porque a tornozeleira foi posta quando ele chegou ao Brasil, de volta da Flórida, para onde ele tinha viajado com passaporte diplomático vermelho, ao qual ele tem direito como senador.

Algumas pessoas estão achando que este já é algum sinal de recuo. Duvido muito. Agora, que saudade dos tempos em que Antônio Carlos Magalhães e Jarbas Passarinho eram presidentes do Senado. Na época deles isso não teria acontecido com um senador, porque está no artigo 53 da Constituição que deputados e senadores são “invioláveis por quaisquer palavras”. Marcos do Val não está condenado, não foi denunciado, não é réu, ao menos até onde se sabe. E, de repente, tudo isso lhe é imposto porque ele fala. Eu não acho que ele use a modulação correta para um senador, mas esse é um problema do Conselho de Ética do Senado, não é justificative para reprimir e calar um senador que está falando em nome do estado do Espírito Santo.

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Envolvidos no roubo do INSS já foram até identificados, mas seguem livres

A CPMI do INSS ouviu, em sessão sigilosa, um delegado que falou sobre as apurações, os inquéritos que o ministro Dias Toffoli tinha pedido para ver e suspendeu, e que agora têm como relator o ministro André Mendonça – que já acertou com a CPI o compartilhamento de dados, porque os representantes do povo estão investigando para saber como o dinheiro do povo foi usado neste crime gigantesco, que roubou R$ 6 bilhões de 3,2 milhões de idosos, no mínimo.

E presidente da comissão, o senador Carlos Viana, disse, depois dessa sessão, que está estranhando muito: como é que essas pessoas não foram presas ainda, se já foram identificadas? O “careca do INSS” continua circulando por aí – eu até acho que ele pode ser um novo Marcos Valério do mensalão, se resolver contar tudo.

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STF acaba de livrar mais um envolvido na Lava Jato

O Supremo terminou uma votação que limpou a barra de Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento e ex-marido de Gleisi Hoffmann. Os votos contrários foram de André Mendonça e de Edson Fachin – ele justificou que não se pode simplesmente aplicar um carimbo em tudo, do tipo “Sergio Moro exagerou, então não vale mais nada”, e que era preciso investigar cada caso em separado. Mas o relator Dias Toffoli teve o apoio, na segunda turma, de Cármen Lúcia e de Gilmar Mendes, e por 3 a 2 Paulo Bernardo ficou livre da Operação Pixuleco, que todos acompanharam.

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Bolívia certamente irá para a direita, e o Chile está no mesmo caminho

Em 19 de outubro teremos o segundo turno da eleição na Bolívia, com dois candidatos de direita. Então, a Bolívia certamente terá um governo de direita. E o Estadão já está mostrando que o próximo presidente do Chile também será de direita: José Antonio Kast, que já foi candidato em eleições anteriores. Isso tudo deve ter influência na eleição do ano que vem aqui, no Brasil – aliás, estão todos falando nessa eleição como se o atual governo já tivesse acabado…

DEU NO X

DEU NO X

XICO COM X, BIZERRA COM I

UM QUASE POETA – Xico Bizerra

O olhar dela, tão singelo,
terno e belo, é tudo de bom.
Eu, vate inventado,
tudo a dizer-lhe, nada a falar,
calo, foge-me o som:
sou muito menor que qualquer Drumond …

Atrevo-me a fazer verso,
inspiração passageira …
Tão ambicioso,
tudo a dizer-lhe, nada a falar,
bobageio asneira:
distante de todo e qualquer Bandeira …

E há tão pouca rima
em minha não-poesia
que ao pretenso esteta
que há em mim
resta a certeza, aí sim,
de ser nenhum poeta,
tudo a dizer-lhe, nada a falar.
Meu grito preso não ecoa,
é voz calada em cena muda,
muito apartado de qualquer Neruda,
sou falso Bardo, um nunca Pessoa,
fingidor poeta de versos à toa …

DEU NO JORNAL

VERSÃO FINAL DO PL DA ADULTIZAÇÃO REDUZ RISCOS, MAS MANTÉM LACUNAS

Editorial Gazeta do Povo

PL da Adultização Senado Felca

Plenário do Senado: A apreciação do PL da Adultização aconteceu semanas após a temática ganhar visibilidade nacional

Depois de uma tramitação apressada, motivada pela comoção nacional decorrente de um vídeo do influenciador Felca, a impressão que fica ao ler o texto final do “PL da Adultização”, aprovado pelo Senado em votação final simbólica na quarta-feira e enviado para a sanção presidencial, é a de que o resultado poderia ter sido muito pior, mas que ainda há lacunas sérias deixadas para regulamentação posterior. As intenções podem ser nobres, o projeto pode ter contemplado situações que não existiam quando da aprovação de leis anteriores sobre a internet ou sobre a proteção de crianças e adolescentes, mas os meios encontrados ainda podem dar margem a interferências políticas no funcionamento da internet.

O que havia de interessante no projeto foi mantido, com novas obrigações a provedores, redes sociais e outros produtos on-line usados por crianças e adolescentes para que adotem medidas de prevenção a possíveis situações de violação de direitos. Ainda que a grande preocupação seja com os casos de exploração sexual e exposição a conteúdos inadequados para menores, como a pornografia, o PL da Adultização acertava ao tratar também de plataformas como jogos on-line, que têm mecanismos potencialmente viciantes, como certos tipos de recompensas. De forma inédita, o texto impõe transparência às redes sociais na moderação de conteúdo, obrigando-as a informar usuários que tenham publicações removidas a respeito, explicitando a postagem apagada, o motivo da moderação e oferecendo uma chance de contestar a decisão. Além disso, o PL afirma claramente que é obrigação dos pais e responsáveis estar atentos ao que as crianças e adolescentes fazem na internet.

A grande dúvida a respeito da aplicação do PL da Adultização, no entanto, permanece: o texto não excluiu a criação de mais uma estrutura burocrática, chamada no texto de “autoridade administrativa”, que “ficará responsável por fiscalizar o cumprimento desta lei em todo o território nacional e poderá editar normas complementares para regulamentar os seus dispositivos”. Como ela funcionará? Quem indicará seus membros? Por que os órgãos já existentes não são capazes de realizar esse trabalho? Para essas perguntas não há respostas. Chegou-se a divulgar que os integrantes precisariam passar por sabatina no Senado, mas o texto aprovado não traz nada desse teor. Em outras palavras, persiste o risco da criação de um colegiado sujeito a interferências políticas, o que é ainda mais arriscado com um governo tão propenso a impor a censura nas redes sociais.

Felizmente, na versão final essa nova “autoridade nacional” perdeu dois de seus superpoderes. Em versões anteriores do PL, ela poderia decidir, administrativamente, pela suspensão temporária de um provedor ou até mesmo pela proibição de suas atividades. O texto que aguarda sanção deixou ao novo órgão a possibilidade de aplicar advertências e multas, com as duas punições mais graves reservadas exclusivamente ao Judiciário – uma melhoria que só não é tranquilizadora porque o pendor do atual Judiciário também é altamente favorável à censura. No estágio final da tramitação, outra ameaça à liberdade de expressão foi bastante mitigada, com as denúncias de conteúdos potencialmente violadores de direitos sendo reservadas apenas à vítima, a seus representantes, ao Ministério Público e a entidades representativas de defesa dos direitos de crianças e de adolescentes; além disso, os provedores devem criar formas de identificar e punir o uso abusivo das ferramentas de denúncia – se tudo isso haverá de funcionar como deve, é algo que só a prática haverá de mostrar.

À parte os pontos positivos e negativos do PL da Adultização, fato é que as redes que exploram a imagem de crianças e adolescentes na internet nunca se deixaram intimidar pelo Código Penal ou pelo ECA; não foi por falta de leis que esse tipo de crime se expandiu, mas pela ineficácia de órgãos investigativos e pela leniência de magistrados (como ocorre, aliás, como todo crime), bem como pelo descuido de pais e responsáveis totalmente desinteressados pelo que os filhos fazem na internet. Se isso não mudar, acreditar que o mero fato de haver uma nova lei protegerá as crianças e adolescentes nos ambientes on-line é ilusão pura.

PENINHA - DICA MUSICAL