Coppola como sempre , espetacular! pic.twitter.com/vlkGpsRwWz
— Nanibarbosa (@RosaneBonoro) April 23, 2025
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Guilherme Fiuza

O legado de um Papa, assim como de qualquer estadista, sempre comportará múltiplas visões e interpretações. A chamada “verdade histórica” tem suas nuances – e é bom que seja assim.
Ninguém haverá de negar a importância de Winston Churchill na derrota do nazismo. Já o legado de Gorbachev, por exemplo – figura central na derrubada da chamada Cortina de Ferro – contém um pouco mais de controvérsia.
Há os que o veem como agente da história. E há os que enxergam nele mais uma peça usada para tentar salvar, pelo menos em parte, a propaganda socialista – diante da derrocada inevitável.
Com o legado do Papa Francisco não será diferente. É possível que se consolide algumas correntes de pensamento que, já há algum tempo, retratam o ciclo que agora se encerra como a busca de um caminho mais “progressista” para o Vaticano.
Em geral, “progressista” quer dizer libertadora de tabus ou algo no gênero – sendo obrigatório ressalvar que esse tipo de conceito é muito pouco específico, quando não deliberadamente vago.
Mas não há dúvida de que muitos historiadores se referirão a Francisco como o “papa progressista”, aí contida uma ideia de libertador e modernizador.
Outros provavelmente verão nessa conduta um certo afastamento do que deve ser o papel do líder máximo da Igreja Católica. Temos visto nos últimos 12 anos analistas considerando o Papa excessivamente “ideológico”. E aí talvez se inicie um ponto da controvérsia que merece um melhor esclarecimento.
Não há problema no fato de o Papa assumir um papel político. A rigor, ele nem precisa “assumir” esse papel: o posto já traz em si uma grande expressão política – e um dos símbolos mais fortes disso é o legado de João Paulo II na superação dos regimes totalitários de inspiração comunista. Sem proselitismo ou militância, ele foi sem dúvida um agente histórico na reconquista de liberdades perdidas. Pode-se dizer o mesmo do Papa Francisco?
Uns dirão que sim, outros dirão que não – e assim prosseguirá a roda da história, que também é feita de liberdade intelectual. A conduta do Papa Francisco sempre teve inegavelmente a marca do discurso libertador.
O século 21 tem sido um período delicado nesse aspecto, por uma certa banalização do discurso humanitário. Muitas forças políticas, e mesmo não intrinsecamente políticas – como nos meios jornalístico, artístico e empresarial – passaram a adotar mensagens de apelo humanitário que, frequentemente, se mostraram só truque propagandístico. A disseminação desse expediente deu uma confundida na opinião pública, pode-se dizer.
E aí, em relação ao Brasil, por exemplo, a mensagem política do Papa Francisco pareceu seguir uma orientação não muito segura. Partidos e mesmo movimentos de retórica “progressista” – como PT e MST – passaram aparentemente a influenciar o juízo do pontífice sobre a conjuntura do país. A ponto de manifestar preocupação com o impeachment de Dilma Rousseff – cancelando em seguida uma viagem ao Brasil. E recebendo Lula assim que ele saiu da prisão – com a anulação da sua condenação por corrupção – para uma reunião sobre a fome no mundo.
A interpretação do significado do legado do Papa Francisco começará com a sucessão dele – onde o Vaticano deverá emitir ao mundo os primeiros sinais do juízo feito sobre os últimos 12 anos. Com certeza será um elemento valioso para a compreensão do caminho que a humanidade irá seguir após esse enigmático primeiro quarto de século 21.
Eu nasci ouvindo os cantos
das aves de minha serra
e vendo os belos encantos
que a mata bonita encerra
foi ali que eu fui crescendo
fui vendo e fui aprendendo
no livro da natureza
onde Deus é mais visível
o coração mais sensível
e a vida tem mais pureza.
Sem poder fazer escolhas
de livro artificial
estudei nas lindas folhas
do meu livro natural
e, assim, longe da cidade
lendo nessa faculdade
que tem todos os sinais
com esses estudos meus
aprendi amar a Deus
na vida dos animais.
Quando canta o sabiá
Sem nunca ter tido estudo
eu vejo que Deus está
por dentro daquilo tudo
aquele pássaro amado
no seu gorjeio sagrado
nunca uma nota falhou
na sua canção amena
só canta o que Deus ordena
só diz o que Deus mandou.

Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, Assaré-CE (1909-2002)
O deputado Osmar Terra (MDB-RS) pergunta:
“Quando o presidente de um tribunal diz que não tem mais função só técnica, também terá função política e discursa dizendo ter vencido um líder político, ele é isento?”
* * *
Absolutamente isento, sinhô deputado.
Não esqueça que estamos no Brasil.
Pelos padrões da nossa republiqueta, este presidente de tribunal, com sua boca de veludo, está agindo conforme o padrão banânico.
Tudo dentro da normalidade.
O último levantamento do Paraná Pesquisas, instituto que mais acertou resultados na história recente das eleições brasileiras, trouxe registro preocupante para a turma de Lula: há 20 meses que o petista assiste à queda nas intenções de voto e o crescimento do principal adversário, Jair Bolsonaro.
Em um cenário com confronto direto, Lula registrou 48% das intenções de voto em agosto de 2023, número que derreteu para 40,4% em abril deste ano.
Bolsonaro disparou 7,5%: subiu de 38,5% para 46%.
A primeira virada de Bolsonaro sobre Lula ocorreu há 13 meses, em março de 2024.
O ex-presidente obteve 41,7%, Lula ficou com 41,6%.
* * *
Segundo a nota aí de cima, a primeira virada de Bolsonaro ocorreu há 13 meses.
Um número cabalístico.
Uma dezena assustadora.
Vôte!!!