ALEXANDRE GARCIA

MAURO VIEIRA VAI TER DE EXPLICAR ASILO A NADINE HEREDIA

mauro vieira, lula, governo, peru, corrupção, lava jato, asilo, odebrecht

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira poderá ter de explicar asilo para ex-primeira dana do Peru

Hoje vai ser importante a reunião da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, porque pode ser examinado um pedido de convocação do ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, para explicar o tal asilo à corrupta ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, que recebia dinheiro vivo numa mochila do representante da Odebrecht, despejava num armário num apartamento padrão Gedel, lá no bairro Miraflores, em Lima, no Peru.

Segundo eu li no Globo, e eu vi na Globo News, uma jornalista do Globo dizendo que foi pedido de Lula a Odebrecht para dar esse dinheiro para ajudar a campanha eleitoral do marido dela, Nadine. E ela, a ex-primeira dama, é que sabia das coisas, ela é quem mandava na campanha, então ela era uma pessoa muito importante que sabia de muita coisa. E por isso está todo mundo curioso para saber por que o Brasil deu essa cobertura tão grande, essa proteção tão grande, acolhendo a ex-primeira-dama Nadine Heredia na embaixada no momento em que ela seria presa por ordem judicial, condenada por receber esse dinheiro da Odebrecht há 15 anos, tal como o marido que já está preso.

E ainda foi enviado um avião da Força Aérea Brasileira para resgatá-la, porque Nadine Heredia não podia sequer esperar um voo comercial normal que vai direto de Lima para Guarulhos. Aliás, ela foi para São Paulo – o avião da FAB a trouxe até Brasília e ela teve que pegar outro avião. Vai ser importante se o chanceler for convocado para depor sobre isso.

* * *

Funeral do papa

Amanhã, quinta-feira, todos os caminhos levam a Roma. Embarcam para Roma, a Cidade Eterna, para os funerais do papa Francisco, o presidente Lula, o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, o presidente da Câmara, Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e, certamente, muitos acompanhantes.

Claro que com Lula vai também a primeira-dama Janja. Eles vão para Roma na quinta-feira e voltam depois do sepultamento, que está marcado para o sábado, na Basílica de Santa Maria Maggiore. Também vão, claro, Milei e alguns ministros da Argentina, para o enterro do papa argentino. Trump também vai, Macron também, Zelensky também vai.

Claro que o Putin não vai, inclusive porque tem ordem de prisão contra ele. O rei Felipe VI da Espanha vai. Aí quando a gente fala em rei Felipe VI, a gente lembra que o ministro Alexandre de Moraes deu cinco dias para a representante da Espanha em Brasília se pronunciar porque que não devolvem o Oswaldo Eustáquio. O rei deve ir preocupadíssimo lá para Roma por conta disso. Já representando a realeza britânica, é o príncipe William que irá à cerimônia. O corpo chega nesta quarta-feira na Basílica, onde acontece, então, a visitação popular.

* * *

Fórum Econômico Mundial

Assim como se foi Francisco, foi-se também o alemão Karl Schwab. Ele presidiu, inventou o Fórum Econômico Mundial em 1971, que se realiza todos os anos lá em Davos, na Suíça. É dele essa pauta do “Great Reset” depois da pandemia, que serviria para uma reconstrução econômica, mas que acaba servindo para botar controle sobre todo o mundo, infiltração nos governos, globalização, influência nas big techs e na big pharma, e o povo que obedeça passivamente. Parece história de George Orwell. Se aproveitando do medo no coronavírus, do medo de mudança climática, do medo do carbono. Fez muitos estragos nas liberdades globais. Ele vai ser substituído interinamente, até que escolha outro, por um ex-presidente da Nestlé.

DEU NO X

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

A UNICAMP SE RENDE AO IDENTITARISMO “WOKE”

Editorial Gazeta do Povo

Unicamp cotas trans

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das principais instituições de ensino superior do país, aprovou, por unanimidade de seu Conselho Universitário, a adoção de cotas de ingresso nos cursos de graduação para travestis, transexuais e pessoas “não binárias”. Apesar de a decisão ter ocorrido em um 1.º de abril, estava longe de ser mentira: a universidade de fato se rendeu à militância identitária, implantando uma política que está mais para privilégio que para ação afirmativa.

Segundo as novas regras, cursos com até 30 vagas deverão oferecer uma vaga para este grupo, que pode ser tanto uma vaga adicional quanto retirada da concorrência geral. Cursos com mais de 30 vagas terão de oferecer dois lugares para essa população. Os novos cotistas só poderão ingressar por meio da nota do Enem, não pelo vestibular da instituição. A Unicamp afirmou que a implantação das novas cotas faz parte de um acordo para encerrar uma “greve de estudantes” ocorrida em 2023 – uma situação em si mesma surreal, já que, a rigor, quem poderia fazer greve em uma universidade são os professores e funcionários, não os alunos, que, recusando-se a assistir às aulas, nada mais fazem que desperdiçar o dinheiro dos contribuintes paulistas, que bancam sua formação, pois a Unicamp é uma universidade estadual.

Trata-se de medida atabalhoada e incoerente, por vários motivos. A própria Unicamp afirma não haver dados oficiais sobre a porcentagem da população brasileira que se identifica como trans, travesti ou não binária. O Grupo de Trabalho formado pela universidade para montar a nova política de cotas (formado por 15 integrantes, 7 dos quais se definem como transexuais) citou um estudo de 2021 afirmando que 1,9% dos brasileiros seriam trans, travestis ou não binários; no entanto, a reserva de vagas pode representar uma proporção muito maior que isso, pois há cursos da universidade que oferecem menos de dez vagas no total. Nesta situação, uma única vaga reservada já representaria ao menos 10% dos calouros, ou cinco vezes mais que a alegada participação desse grupo no total da população.

Além disso, não há nenhuma evidência apontando que pessoas trans, travestis ou não binárias tenham algum tipo de dificuldade no acesso ao ensino superior que precise ser compensada por meio de ações afirmativas. Isso distorce o sentido original da ação afirmativa, pois não basta a um grupo ser discriminado ou enfrentar dificuldades cotidianas (como é o caso inegável da população LGBT) para se ver contemplado por cotas universitárias; é preciso que haja uma situação comprovada de injustiça no acesso ao ensino superior público – é o caso, por exemplo, dos egressos de escolas públicas, cujo ensino é notoriamente mais deficiente que o dos colégios privados, deixando-os em situação de desvantagem nos processos seletivos.

Por fim, um detalhe específico pode dar margem a arbitrariedades na seleção desses calouros. Assim como já ocorre em outras universidades que aceitam cotistas transexuais, travestis ou não binários, não bastará a autodeclaração: o candidato terá de escrever um “relato de vida”, que será analisado por uma comissão de verificação. Esse relato servirá só para desclassificar candidatos que a comissão considere não se encaixar no perfil? Nesse caso, que critérios serão levados em conta? Ou o texto também terá peso no processo seletivo ao lado da nota no Enem? E que peso seria esse? Um candidato que descreva mais dificuldades ou situações de preconceito pode ser selecionado em detrimento de outro que tenha tido nota maior no Enem, mas cujo relato não seja tão candente? Simplesmente não se sabe, ou ao menos a Unicamp não deu nenhuma informação a esse respeito.

Quando surgiram as primeiras políticas de ação afirmativa, já se dizia que elas deveriam ser uma solução temporária e paliativa para facilitar o acesso imediato ao ensino superior público de grupos que, especialmente por fatores socioeconômicos, se viam privados dessa oportunidade. Ao mesmo tempo, a prioridade deveria ser melhorar o ensino médio para que, no fim, todos pudessem competir em condições de igualdade no Enem e nos vestibulares. Nada disso aconteceu – pelo contrário: o Novo Ensino Médio está destinado a ter ainda mais ideologia identitária –, e as cotas passaram de temporárias a permanentes, abrangendo cada vez mais grupos, a ponto de tornarem-se, em casos como o da Unicamp, quase um privilégio. A Constituição afirma, no caput do seu artigo 5.º, que “todos são iguais perante a lei”; e, no inciso I do artigo 206, que deve haver “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”; mas esses preceitos constitucionais estão sendo, aos poucos, minados pelo identitarismo.

PENINHA - DICA MUSICAL