DEU NO JORNAL

LULA PROMETEU PICANHA E ENTREGOU JEJUM

Nikolas Ferreira

Diante a inflação, Lula pede ao consumidor: “Se o produto está caro, você não compra”

A comunicação é nova, mas obviamente os problemas são os mesmos. Na última quinta-feira, 6, Lula deu uma entrevista a uma rádio da Bahia e proferiu as seguintes palavras: “Uma das coisas mais importantes para que a gente possa controlar o preço é o próprio povo. Se você vai ao supermercado em Salvador e você desconfia que tal produto está caro, você não compra.’’

A declaração no mínimo infeliz não parou por aí, complementando a primeira frase, o petista continuou: “Olha, se todo mundo tiver essa consciência de não comprar aquilo que acha que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar para vender porque senão vai estragar. […] Isso é da sabedoria do ser humano: eu não posso comprar aquilo que eu acho que está sendo exagerado o preço, então vou deixar na prateleira, não vou comprar, compro amanhã, compro outra coisa, compro um similar. É um processo educacional…’’

Sim, a mesma pessoa que em campanha estava prometendo picanha e cervejinha, depois afirmou que era apenas figura de linguagem, agora está pedindo para você deixar de comprar as coisas, adquiri-las em outro dia ou optar por algum produto “parecido’’. Mais um exemplo, dentre vários, de que Lula não está cumprindo absolutamente nada que prometeu.

Alguns poderiam até imaginar que isso seria um fato isolado, mas a própria gestão esquerdista mostra que este pensamento desastroso já foi replicado por ministros governistas. Inclusive já citei em textos anteriores, como quando o ministro Luiz Marinho defendeu a substituição da alface pela chicória, e o ministro Rui Costa orientando a população a trocar a laranja por outra fruta, ambos os casos devido ao alto preço dos alimentos.

Há outro vexame nacional e que repercutiu extremamente mal: postei um vídeo ironizando o quão patético foi a fala do “descondenado’’, e o resultado foi 48 milhões de visualizações somente no Instagram em menos de um dia, utilizando frases simples como “se a água está cara, é só não tomar banho” ou “se a passagem está cara, é só ficar em casa”.

Não foi preciso nenhum marqueteiro para traduzir a revolta da população com um chefe de uma nação que pede para você não comprar comida cara, mas usa uma gravata da Louis Vuitton avaliada em R$ 1,6 mil.

Não sei se Lula é um fã da série “Todo mundo odeia o Chris’’ assim como eu, mas seu plano de governo parece ter muita inspiração no personagem Julius com sua famosa fala “Se eu não comprar nada, o desconto é maior’’. 

A diferença é que Julius é engraçado e somente um personagem, já Lula é real, sem graça e faz os brasileiros de palhaços todos os dias. Te prometeram picanha e entregaram jejum.

DEU NO X

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

PERMISSÕES

A data de 9 de novembro de 1942 provavelmente não é lembrada ou mesmo mencionada em nossas universidades. Mas mereceria ser, porque criou uma mudança que afetou todo o mundo e persiste até hoje.

A Grande Depressão, nos EUA, serviu de desculpa para o governo federal de lá se intrometer e regulamentar praticamente tudo. Uma das maluquices que os políticos inventaram na época foi chamado de Ato de Ajuste da Agricultura, que estabelecia limites para a área que os agricultores podiam plantar. Sim, em uma época em que um quarto dos cidadãos passava fome, o governo fez uma lei para diminuir a produção de alimentos, porque segundo as suas teorias, comida mais abundante e mais barata seria ruim para a economia.

Em 1940, fiscais do governo multaram Roscoe Filburn, um agricultor de Ohio, por ter plantado trigo em uma área maior do que a lei determinava e por ter colhido seis toneladas a mais do que o permitido. Filburn não se conformou e procurou um advogado para contestar a multa. O argumento era simples: a constituição dos EUA dizia, na chamada “cláusula do comércio”, que o congresso tinha o poder de “legislar sobre o comércio com outros países e entre os estados”. Filburn não vendeu o trigo que colheu, ele o usou para alimentar seus animais; portanto, não havia comércio nisso, muito menos comércio interestadual ou internacional, e os políticos não tinham poder constitucional para determinar quanto ele podia ou não plantar.

O caso acabou na suprema corte, que no tal dia 9 de novembro de 1942 proferiu sua decisão sobre o caso: o governo estava certo. O raciocínio era o seguinte: se Roscoe não plantasse trigo para seus animais, ele teria que comprar alguma coisa para eles comerem. Ao comprar, ele alteraria a relação oferta/demanda na sua cidade. Isso poderia alterar o preço, o que poderia afetar o comércio da sua cidade com outras cidades, e até mesmo com cidades de outros estados. Está feita a mágica! O comércio entre Ohio e os outros estados poderia ser afetado pelas seis toneladas de trigo que Roscoe deu para seus animais, e portanto o governo federal tinha todo o direito de “regulamentar” o que ele podia ou não plantar em sua própria fazenda.

Governos são sempre sedentos por poder, e a decisão do caso Roscoe Filburn foi recebida com festa. Com esse tipo de raciocínio, é possível justificar a intervenção estatal em qualquer coisa, porque sempre será possível encontrar uma suposta “influência sobre o mercado” em qualquer coisa que alguém pensar em fazer. E efetivamente o tal raciocínio da “influência” tornou-se cotidiano nas ações do governo.

Voltando para nossa realidade: a cidade de São Paulo tem vários grandes problemas a enfrentar, como enchentes e cracolândia, mas o seu prefeito está muito preocupado em proibir que pessoas prestem o serviço de moto-táxi, sob o argumento de que “estudos” mostrariam que isso seria “perigoso”. Vamos fingir que não sabemos que a permissão para a atividade de táxi é, inexplicavelmente, um privilégio concedido pelas prefeituras a um número limitado de pessoas, e que o moto-táxi é um concorrente desse restrito grupo. Vamos fingir também que não sabemos que muitos dos donos das concessões são pessoas com boas conexões políticas, tanto em São Paulo como em outras cidades. Vamos tentar analisar apenas o argumento:

É permitido andar de moto? Sim, é permitido em todo o território nacional. É permitido andar de moto levando alguém na garupa? Sim, é igualmente permitido. Por que, então, andar de moto levando alguém na garupa em troca de dez reais seria perigoso? E por que só no município de São Paulo, mas não em Guarulhos, São Bernardo do Campo ou Pindamonhangaba? Não há resposta. O governo só insiste em que é proibido porque é proibido, e tem colocado sua força policial para apreender as motos dos infratores (a Guarda Municipal tem autoridade para apreender veículos? Essa função não seria dos batalhões de trânsito da polícia militar?)

Nenhuma novidade, claro. Anos atrás, outro prefeito, na mesma cidade, disse “Governar é como cuidar do filho adolescente. Temos que fazer o que é bom para ele, não o que ele pede.” Na ocasião, ele estava falando da regulamentação de patinetes, mas poderia estar falando de qualquer coisa. Já é hábito dos políticos e funcionários do governo achar que eles têm, por alguma mágica, o dom de sempre saber o que é melhor para os outros. Não seria tão grave se não fosse o hábito de tantos brasileiros de achar que são mesmo incapazes de saber o que é melhor para si mesmos, e incluir os outros nessa opinião.

DEU NO JORNAL

A ARAPUCA DE LULA PARA A ECONOMIA

Editorial Gazeta do Povo

Diante a inflação, Lula pede ao consumidor: “Se o produto está caro, você não compra”

O agora ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, passou os dois primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouvindo, com uma paciência elogiável, acusações de que atuava como sabotador da economia. Isso aconteceu toda vez que o BC aumentou a taxa de juros e explicou que a decisão era necessária devido à ingerência do governo federal e à falta de comprometimento com as metas fiscais.

Nesta quinta-feira (6), Lula voltou ao ataque e afirmou que Campos Neto armou uma “arapuca”. “Tivemos um aumento do dólar porque tivemos um Banco Central totalmente irresponsável, que deixou uma ‘arapuca’ que não podemos desmontar de uma hora para outra”, disse Lula, falando sobre a alta dos preços dos alimentos em entrevista a rádios da Bahia. Obviamente, o problema nunca foi Campos Neto, mas sim a política econômica do governo. Se há alguém armando uma verdadeira arapuca para a economia brasileira, é o próprio Lula. Prova disso é a ata da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob o comando de Gabriel Galípolo.

Basicamente, o documento mantém o mesmo tom de alerta sobre os riscos da política fiscal do governo, utilizado nas atas da gestão de Campos Neto, e destaca a piora do cenário de inflação. Na semana passada, o colegiado – responsável pelas decisões de política monetária do Banco Central – elevou a Selic em 1 ponto percentual (pp), para 13,25% ao ano, conforme havia “prometido” em dezembro. A decisão foi unânime. A ata publicada na terça-feira (4) mantém a indicação de outro aumento de 1 pp na próxima reunião, em março, mas não apontou se o ciclo de alta deve continuar de maio em diante.

O texto mostra desconfiança quanto ao cumprimento das metas de inflação. O Copom observa que as expectativas de inflação subiram “de forma significativa em todos os prazos” e ficaram ainda mais distantes da meta perseguida pelo BC – que é de 3%, com tolerância até 4,5%. “A desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê e deve ser combatida”, afirma a ata.

A ata também traz um puxão de orelha pela falta de compromisso do governo em equilibrar as contas públicas. A política fiscal adotada até agora seria “expansionista”, voltada apenas ao crescimento econômico, e aponta que há “necessidade de políticas fiscal [a cargo do governo] e monetária [por parte do BC] harmoniosas” – coisa que o governo Lula tem se mostrado bem pouco disposto a realizar. Por fim, o documento avalia que, se as coisas continuarem como estão, com o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública”, nem mesmo a alta de juros vai dar conta de frear a inflação.

Um governo com um mínimo de seriedade veria a ata do Copom como um sinal de alerta, mas para Lula – cada vez mais tomado pelo clima de campanha eleitoral antecipada – são apenas palavras inúteis. O governo não está disposto a fazer nada além do que já foi proposto na área fiscal – e que já era muito pouco – como mostram as “prioridades” da área econômica entregues pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta semana ao novo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

São 25 pontos, sendo 15 dependentes da aprovação de projetos específicos por parte do Congresso – alguns dos projetos sequer foram protocolados. Em relação à política fiscal propriamente dita, a prioridade do governo é o “fortalecimento do arcabouço fiscal, para assegurar a expansão sustentável do PIB, desemprego e inflação baixos e estabilidade da dívida” – mas há poucas propostas que podem de fato “fortalecer” o já minguado arcabouço.

Sem apresentar nada realmente novo, o governo aposta na limitação dos supersalários, na reforma da previdência dos militares e na tributação sobre milionários, temas polêmicos que vão precisar ser aprovados no Congresso Nacional. É uma aposta arriscada. Não há qualquer garantia de que projetos como esses sejam de fato aprovados ou que a aprovação se dê a tempo de causar algum impacto nas contas do governo.

Por outro lado, o governo também listou como prioridade a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil – proposta que já havia sido anunciada no final do ano passado, junto com o pacote de gastos de Haddad, e que não contribui em nada para que o governo equilibre as contas; ao contrário, faz a arrecadação diminuir.

São prioridades pífias que, sozinhas, não vão conseguir melhorar as perspectivas para a economia nacional. Lula e Haddad parecem ter ficado muito animados por terem conseguido cumprir as metas fiscais em 2024, registrado alta no PIB e baixas taxas de desemprego, e contam com resultados parecidos na economia em 2025. No entanto, os prognósticos do mercado dizem o contrário.

Como mostrou o jornalista Fernando Jasper em sua coluna na Gazeta do Povo, o Bradesco, um dos maiores bancos do país, aponta um cenário nebuloso e instável para a economia em 2025, com projeção de inflação de 5,7%, bem acima do IPCA medido no ano passado (4,8%) e do teto da meta perseguida pelo Banco Central (4,5%). O banco aposta também em pelo menos mais duas altas nos juros, com a Selic chegando a 15,25%, um PIB menor, em torno de 1,9%, e recessão na economia no segundo semestre – o que pode aumentar o desemprego.

Se tal cenário se confirmar, Lula terá trabalho para vender a fantasia lulopetista de que a economia vai muito bem e de que o presidente trabalha “com muito afinco” para “colocar as coisas nos eixos” na questão econômica.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

ANDARILHO PARA A ETERNIDADE

Andando para a eternidade dos sonhos

Sou um andarilho de muitos dias percorridos e passageiro de inúmeras cenas oníricas. Tempos muitos já vivi e ainda procuro respostas nesse mistério psíquico.

Dos mundos por onde já estive, fui levado pelos sonhos, não pelos anseios de vida ou pelas realidades. Foram sonhos noturnos, diurnos e até sonecas. Vivi todos eles e os guardei.

Percorrendo pelos sonhos produzidos – não sei por quem nem porquê – alguns me apareceram compreensíveis e outros nem tanto.

O certo é que os meus compreenderes perambulam por caminhos ainda nebulosos, mas inigualáveis, onde me deparo com nuvens escuras e outras claras, mas abundantes de beleza.

Busco, avidamente, entender quem fez tudo isto: pessoas, animais, florestas, flores, frutos e a continuidade da vida além do corpo físico.

Ou seja, quem determina essa maravilhosa troca de comando, quando o corpo se torna receptivo aos misteres da alma, resultando em iniciativas físicas?

De dia, o corpo comanda nossas ações; de noite, ou durante qualquer soneca, é a alma que vive, livre e solta, na imensidão de mundos desconhecidos.

O que entendo é que a mente nos comanda e cria soluções para o infinito. Mas são os sonhos que deixam provas, permitindo-nos transitar por cenários incríveis, independente dos nossos quereres ou saberes.

Há alguém que me possa esclarecer quem produz tantas histórias, quando em estado de sonho?

Presumo que sejam companheiros da noite. Criaturas que nem conheço e nunca ouvi falar. Nem imagino quem sempre produz maravilhosas, que, em umas, sou espectador e em outras o ator principal.

O que posso entender é que sendo divindades, pretendem nos guiar durante a vivência física.

Algumas, dão recados à mente, para que possamos dar voltas, retornando, ou sigamos em frente, tomando como norte um determinado caminho, seguindo nossos destinos através da orientação contida nos sonhos.

São, geralmente, histórias breves, com cenários, atores e atrizes que se manifestam, interpretando temas que encantam e às vezes assustam, como os pesadelos. Mas se assemelham a peças de teatro que me oferecem audiência para cenas inesquecíveis.

Tenho passado por mundos vários; contraceno com atores conhecidos e desconhecidos. Histórias às vezes apresentadas como se fossem quadros de propaganda aparecendo num televisor. Breves, mas reais.

Quem as teria imaginado?

O que estou certo é que durante estes 32.120 dias vividos, quase em todos, sonhei.

E como não encontro respostas, até hoje, só sei que sou um andarilho rumo a um mundo chamado: Eternidade.

PENINHA - DICA MUSICAL