Ué… @GloboNews, @gleisi@LulaOficial, @JanjaLula @Haddad_Fernando, @simonetebetbr, @JoaquinTeixeira a economia não estava bombando? pic.twitter.com/hvNp8zd64w
— @BrunoZambelli (@BrunoZambelli3) December 5, 2024
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Antigamente, era comum pessoas de Nova – Cruz irem, de trem, às compras em Guarabira – PB, onde o comércio primava pela excelente qualidade de produtos de cama, mesa e banho, com preços módicos. Era o comércio ideal para se comprar enxoval de noivas, coisa fora de moda nos dias de hoje, quando se encontra tudo do bom e do melhor em grandes lojas e armazéns da capital e até em cidades do interior, com a facilidade dos cartões de crédito.
No final da década de 60, quando chegou minha vez de comprar o meu enxoval de noiva, fomos eu e minha mãe a Guarabira (PB), no trem das dez horas, que vinha de Natal, para passarmos o dia fazendo compras, e regressarmos à noite, no trem de Recife.
Quando o trem chegou a Guarabira, minha mãe, de braço comigo, certa de que conhecia bem a cidade, pisou firme no chão à procura da rua do comércio, onde ficavam as lojas principais. Andamos a pé mais de uma hora, e nada de chegarmos ao comércio de Guarabira. Mamãe desconfiou de que estávamos perdidas, sem acertar andar naquela progressiva cidade, onde ela já tinha ido anos atrás, comigo mesma e a amiga Alzira Carneiro. Quando se convenceu de que tínhamos nos perdido, minha mãe pediu informações a um transeunte, que respondeu:
– Senhora, aqui é a zona do “baixo meretrício”. O comércio a que a senhora se refere é bem longe daqui, exatamente no lugar oposto a este. Vocês fizeram o caminho ao contrário. O comércio fica bem pra lá da Estação Ferroviária, voltando. E o ambiente aqui é “carregado.” É o comércio da prostituição.
Minha mãe, desapontada e com vergonha, agradeceu a informação e nós duas, apressadamente, iniciamos o caminho de volta. Demoramos quase uma hora para chegarmos à tão falada rua do comércio de Guarabira, onde se podia comprar enxovais de noivas por preços módicos.
Se arrependimento desse febre, naquela hora, estaríamos, minha mãe e eu, com mais de 40 graus.
Ao chegarmos ao bairro onde ficava o comércio, nossos ânimos serenaram aliviados, e imaginamos a cara aborrecida do meu pai, quando soubesse que a sua esposa e a filha de 17 anos foram “passear” na “zona” de Guarabira. Não paramos de rir.
Em Nova-Cruz (RN), a zona do baixo meretrício se chama “Rua do Sapo”, cujo acesso é um beco estreito, que fica na rua principal. Meu pai não permitia que passássemos nem pela calçada que dá acesso ao tal beco. I
Imaginei o semblante contrariado dele, quando soubesse que a esposa e a filha noiva, perdidas em Guarabira, foram bater na “zona do baixo meretrício”.
Minha mãe, muito católica, desabafou:
– Misericórdia, meu Deus! Que ideia infeliz a minha, de vir comprar o enxoval da minha filha aqui em Guarabira, podendo ter ido comprar em Natal!!!
A compra foi maravilhosa: Colchas de cama requintadas, guarnições completas de cama, mesa e banho, lençóis avulsos, além do tecido de cetim branco e brocado, para o meu vestido de noiva, que foi confeccionado por minha mãe. Juntando-se todas as compras, daria para se montar uma lojinha em Nova-Cruz… rsrs. Foi coisa demais.
Realmente, o comércio de Guarabira (PB), naquela época, era de dar gosto. O comércio de Nova – Cruz “não amarrava a chuteira”. Se bem que, hoje, as duas cidades se equivalem no que se refere ao progresso.
Nova – Cruz (RN) faz fronteira com a Paraíba, e há uma rua depois do Catolé (Bairro), onde a metade é RN e a outra é Paraíba. Dá gosto de ver.
Nessa viagem, para fazer compras em Guarabira, o estresse tirou nosso apetite. Não almoçamos e somente depois das compras, tomamos um sorvete.
Foi um alívio, ao chegarmos à Estação Ferroviária, para aguardar o trem de Recife para voltarmos a Nova -Cruz, onde só chegamos às nove horas da noite.
Seu Francisco, meu pai, estava a nos esperar na estação. Chegando em casa, minha mãe contou-lhe a nossa “odisseia” em Guarabira, onde nos vimos perdidas, sem saber andar na cidade. Minha mãe contou ao meu pai, que tínhamos nos perdido em Guarabira, indo parar na “zona do baixo meretrício”.
Meu pai, muito sisudo, disse: Muito bonito pra minha cara, Lia. Minha mulher e minha filha noiva, serem vistas na “zona” de Guarabira!!! E minha mãe, rindo, respondeu:
– Mas, Chico, foi sem querer… A gente se distraiu. Nem imaginava que aquilo fosse a zona. Não tinha nenhuma placa avisando! Eu não podia imaginar uma coisa dessa!
Só pode ter sido obra de Satanás!!!
Mas, graças a Deus, estamos aqui, sãs e salvas. Maior do que Deus, ninguém!
Mais conversas, hoje só os cemitérios e afins, em livro que estou escrevendo (título da coluna).
BLAISE PASCAL, filósofo. Cristão assumido, no leito de morte, um amigo disse
‒ Você, finalmente, irá encontrar o Pai.
‒ E tomara que eu esteja certo.
EÇA DE QUEIROZ, escritor. Em Túmulos, disse
‒ Durante a vida o egípcio tendo por pensamento, por consciência, por fim supremo do ser a ideia da morte, construía casas de barro e túmulos de granito!
FELIPA ALMEIDA MENDONÇA, jornalista. Começou entrevista, ao jornal Público, dizendo
‒ O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem.
O que lembra belo soneto do frei António das Chagas (António Fonseca Soares), no Século XII, Conta e tempo
‒ Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas como dar, sem tempo, tanta conta
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.
Oh vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.
Pois aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo…
FERNANDO PESSOA, poeta. Em caderno de viagem (hoje guardado com zelo) está texto inédito seu que começa dizendo
‒ Cada palavra dita é a voz de um morto.
* * *
E, em O marinheiro, disse
‒ Por que é que se morre?
Talvez por não se sonhar bastante.
GEORGES CLEMENCEAU, presidente do Conselho da França na Primeira Guerra. Um jornal belga noticiou sua morte. Clemeceau respondeu, a seu editor,
‒ Li no jornal, que Vossa Excelência tão superiormente dirige, a notícia de minha morte. Como é uma fonte geralmente bem informada, tenho de concluir que deve ser verdade. Sendo assim, e estando agora no outro mundo, não necessito mais da leitura de seu conceituado jornal e por isso peço-lhes a fineza de riscar meu nome da sua lista de assinantes.
HENRIQUE DE RESENDE, advogado. No Cemitério de Cataguazes (MG) está esse epitáfio, em seu túmulo, escrito pelo próprio
‒ Contra sua vontade, bem se entende,
Sempre amando a vida como outrora
Aqui repousa Henrique de Resende
Que preferia repousar lá fora.
INSCRIÇÕES TUMULARES. Seguem algumas de pessoas famosas
* CONAN DOYLE. No Cemitério de Minstead (Inglaterra)
‒ Verdadeiro aço. Lâmina afiada.
* DOROTHY PARKER, atriz americana. Disse à revista Vanity Fair, em 1925, qual seria seu epitáfio
‒ Desculpe a minha poeira (o meu pó).
* EDGAR ALLAN POE. Na parte de trás do cemitério de Westminster (Estados Unidos), uma referência a seu mais famoso poema
‒ Disse o corvo, nunca mais.
* EVITA PERON. No cemitério da Ricoleta (Buenos Aires), longa citação que começa dizendo
‒ Não chores por mim.
* FRANK SINATRA. No Desert Memorial Park da Califórnia (Estados Unidos)
‒ O melhor ainda está por vir.
* KARL MARX. No Cemitério de Highgate (Londres)
‒ Os filósofos têm interpretado o mundo de várias maneiras. O ponto, contudo, é mudá-lo.
* STHENDHAL. No Cemitério de Montmarte, Paris (França), está o que escreveu para ser posto em seu epitáfio
‒ Escreveu, amou, viveu.
Na verdade queria também que constasse, e não foi atendido, “adorava Cimarosa, Mozart e Shakespeare”.
* WILLIAM SHAKESPEARE. Na Igreja da Santíssima Trindade, em sua cidade natal Strafford-upon-Avon (Inglaterra)
‒ Abençoado seja o homem que poupar essas pedras e maldito o que mover meus ossos.
Por fim, não está no seu túmulo mas foi a última frase que disse HUMPHREY BOGART,
‒ Nunca deveria ter trocado scotch por martini.
LULA ARRAES, médico (e filho do governador Miguel Arraes). Anotou esse epitáfio escrito por um poeta de Timbaúba (Pernambuco)
‒ Aqui jaz
Para seu deleite
Sebastião Uchoa Leite.
MANUEL BANDEIRA, poeta. Escreveu esse Último poema
‒ Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
E a paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Comentário sobre a postagem PREJUÍZO BILIONÁRIO
João Francisco:
Impressionante a diferença nos Correios em tão pouco tempo.
Em 2022 os serviços eram prestados com rapidez, eficiência e havia lucros no caixa da empresa estatal.
Apenas 2 anos depois a coisa mudou radicalmente.
O quê teria acontecido?
Pago um jantar romântico à luz de velas em um Motel, com a Jandira Fegali (pode trocar pela Benedita) , para quem responder esta pergunta.
Editorial Gazeta do Povo

O presidente argentino, Javier Milei, completa um ano de mandato em 10 de dezembro
Prestes a completar um ano na Casa Rosada, Javier Milei está começando a colher os frutos de sua “motosserra” na forma de indicadores econômicos que até pouco tempo atrás pareciam impensáveis para a realidade da Argentina. A inflação de outubro ficou em 2,7%, o resultado mais baixo desde novembro de 2021 – a título de comparação, em dezembro de 2023, mês da posse de Milei, o índice oficial foi de 25,5%. Também em outubro, o país conseguiu o décimo mês consecutivo de superávit primário – e, mais que isso, o resultado mais recente indica que a Argentina passou a ter superávit nominal em 2024, ou seja, mesmo depois de pagar os juros de sua dívida o resultado fiscal continuou positivo, o que é inédito na história recente do país.
Tudo isso tem sido conseguido sem os terraplanismos econômicos de seus antecessores, que insistiam em controlar a inflação por meio de congelamentos de preços e outros tipos de intervenção pesada sobre a economia. Mesmo tendo patinado para conseguir apoio parlamentar no começo de seu mandato, o presidente libertário soube negociar e implantou um programa radical de corte de gastos públicos. No hay plata – “não há dinheiro” – se tornou a resposta padrão para bancar a redução de despesas do inchadíssimo Estado argentino (bem mais hipertrofiado que o brasileiro). O corte, além de profundo, foi célere: a experiência liberal anterior, de Maurício Macri, fracassou em grande parte porque o presidente que governou entre 2015 e 2019 preferiu ajustes graduais, ineficientes para o grau da crise argentina. Javier Milei optou pelo choque intenso, aproveitando a popularidade que todo presidente eleito tem no início de mandato.
O ajuste tem sido bastante doloroso para a sociedade argentina, que viu o número de pobres subir: segundo o Indec, órgão oficial de estatísticas do país, 52,9% das pessoas estavam abaixo da linha de pobreza no primeiro semestre deste ano, contra 41,7% na segunda metade do ano passado. O PIB argentino, que já vinha de queda de 1,6% em 2023, deve cair ainda mais neste ano, com previsão de -3,5% – o que, em parte, também demonstra o tamanho da despesa pública como motor da economia argentina e como o consumo das famílias era turbinado pelos subsídios agora cortados. Nessas circunstâncias, qualquer outro presidente já teria sido escorraçado da Casa Rosada pela população, mas Javier Milei continua tendo o voto de confiança dos argentinos, de quem ele não escondeu que a situação ainda pioraria antes de melhorar. A questão é quanto tempo ainda vai levar para que alguns bons indicadores passem a ter consequências práticas na vida da população, e se ela está disposta a seguir prestigiando Milei até que a vida comece a melhorar.
Para isso, 2025 será crucial. A expectativa do Banco Mundial é de crescimento de 5% no PIB – um número robusto, mas construído sobre uma base bastante deprimida. A inflação, ainda que hoje seja bem menor que nos anos do peronismo esquerdista gastador, precisará seguir caindo. E a confiança do investidor estrangeiro terá de ser finalmente reconquistada depois de a Argentina ter conquistado fama de caloteira. Em novembro, a agência Fitch elevou a nota da Argentina, deixando-a a um passo de sair da categoria de “alto risco” para o “grau especulativo”. A política cambial do governo está levando a uma valorização do peso, que pode ajudar o país a recuperar suas reservas cambiais – com o efeito colateral de encarecer a Argentina para o turista estrangeiro, fenômeno demonstrado relatos de torcedores de Botafogo e Atlético Mineiro que estiveram recentemente em Buenos Aires para a final da Copa Libertadores da América.
A Argentina é uma lição para o Brasil em muitos aspectos. A história argentina das últimas décadas demonstra o tamanho do buraco em que se enfia um país que não controla o gasto público; os últimos anos ensinam que, quanto mais profunda é a crise, mais radical e doloroso é o tratamento para sair dela; e os meses recentes comprovam que, enquanto na Argentina surgiu um líder com a disposição para fazer o que tem de ser feito, no governo brasileiro parece não haver ninguém com a coragem de promover um ajuste muito mais brando que o argentino.