O ministro do STF Flávio Dino suspendeu com uma canetada regra da Reforma da Previdência aprovada pelo Congresso em 2019 e derrubou a equiparação no tempo de contribuição de delegados e delegadas.
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Deixa eu ler de novo pra ver se intendi…
Um ministro do Poder Judiciário suspende, com uma canetada, uma regra aprovada pelo Poder Legislativo.
É isso mesmo, gente?
Ou eu lí errado?
Os constitucionalistas fubânicos me expliquem, por favor.
Enfim chegamos ao estado de arte em que a Bananolândia, Botocúndia para os menos achegados, ou Pindorama, mas também conhecido como Brasil apontava chegar, depois daquela aula sobre a pedagogia do cu em uma universidade na Capitania Hereditária do Maranhão. Apesar dos gritos da malta ignara de Gomorra sobre o escândalo, eu fiquei-se-me pensando sobre a profundidade da pedagogia do cu que aquele traveco quis ensinar. Diga-se, de passagem, um traveco até bem apanhado.
Em certo momento o cu pode mesmo ser pedagógico. Veja, ato mais natural, tanto na matemática, quanto do abecedário é ensinar a escrever a letra O, ou o número zero sentado na areia molhada. Dizem que na areia seca é mais complicado porque acaba escorrendo areia para dentro e aí fica difícil andar, pois lixa tudo.
O cu também ensina a pessoa que ele e o órgão mais importante de toda a anatomia e fisiologia humana. Alguns botocudos vão dizer que estou contando sandices, que a minha invencionice não se ampara nas ditas autoridades citadas. Falso. Vejamos. Vá lá, numas dessas curvas da vida o cu se zangar e trancar a porta de descarga. Não tem cérebro, coração, rim, ou fígado que dê conta do recado. O desespero é geral.
Outro fato, também importante é que o cu, para as frutas, gamos, corças, cervídeos bípedes, ou popularmente conhecidos como viados, é o centro e o objeto de paixão. Nada de coração. O centro do amor para essas pessoas fica mais embaixo, não toma sol e quase nunca sente a brisa de um ar matutino.
Trata-se de uma pedagogia revolucionária, diga-se de passagem, pois tem que unir malabarismo, destreza, sensibilidade e extremo controle muscular. Fazer a letra O, ou o número zero até é fácil, o negócio complicado será fazer aquelas assinaturas estilizadas em papel de alto luxo, que é muito a gosto dos ditos “amaneirados” das cidades.
Também é um órgão filosófico, pois até a sabedoria popular diz que, quem tem cu tem medo. Levei tempo para entender esse ditado, mas hoje concordo plenamente com ele. Na horado perigo, quando a centelha da coragem falha, não tem cristão que não dê aquela piscadela forte nas pregadas do bufante. Seja diante de uma diarreia, de um falso peido, ou mesmo de uma situação que está fora do controle do indivíduo, enfim, quem tem cu, tem medo.
Mas também é um corolário de expressões do cotidiano que indicam, de forma direta o estado emocional, uma expressão interjetiva, uma declarativa e por aí vai. Quem nunca ouvir as seguintes expressões “Meu cu”, ou seja, o que eu tenho a ver com isso?, ou “só se eu der o cu”, para dizer, estou sem um centavo no bolso, ou ainda “ de cair o cu da bunda”, para dizer que está espantado com a situação. Como os demais membros da taba podem ver, a dita senhora lá que esfregou o cu na cara de universitários espinhentos não estava de toda errada.
Em um país em que as cagadas do nosso amado líder Mulamed Ladron são aplaudidas “de pé” e não “em pé”, na boa língua de Camões e Padre Vieira, arvorar para o cu uma posição ´pedagógica calha bem com o espírito de lixeira de banheiro em que se transformou nosso torrão natal.
Uso de celular em sala de aula pode ser proibido em 2025
Tudo indica que ano que vem haverá a proibição do celular nas salas de aula. Há um acordo pacífico entre governistas e oposicionistas no Congresso Nacional.
Todo mundo concorda, inclusive o presidente Senado, o presidente da Câmara. O Ministério da Educação diz que tem a iniciativa, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que é o presidente da Comissão de Educação da Câmara, diz que a iniciativa é dele, mas enfim, é um fato muito bom.
Os pais com quem eu tenho conversado reclamam que não entendem a letra dos filhos, os filhos não escrevem mais, estão perdendo a capacidade de manuscrever. E isso é algo que exercita o cérebro também, o movimento das mãos. Um movimento mais elementar é apertar a tecla. Um movimento mais sofisticado é fazer as curvas de uma letra e estimular a leitura também. Está sendo a volta a um aprendizado que mexe muito com o cérebro e não apenas vem com as coisas prontas.
Eu, por exemplo, prefiro o livro à televisão. Porque o livro exige que eu imagine as imagens daquilo que estou lendo, as cores, os cheiros, os lugares. A minha imaginação tem que traduzir o que está escrito. Na televisão a pessoa fica simplesmente passiva, recebendo tudo pronto, não exercita nada no cérebro.
Bom, então, ano que vem vamos ter proibição de celular nas escolas, que já era proibido nas boas escolas.
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STF quer acabar com revista íntima nos presídios
O Supremo Tribunal Federal, por 6 a 4, falta um voto, o voto de Moraes, está sendo contra a chamada revista íntima em visitas a presídio. Isso estava no julgamento a distância.
Aí Morais pediu vistas. Ele está sendo coerente porque teve uma cruel revista íntima no domicílio de uma menina adolescente que usava o celular para defender o pai. E houve ordem da Polícia Federal de retirar o celular dela. Estavam procurando o celular. Meu Deus do céu.
Moraes discorda desses 6 a 4. Enfim vamos esperar o resultado disso. Eu queria apenas registrar esse julgamento porque são direitos das pessoas, mas também é a proteção da lei. Imagina levar para o preso uma arma, um explosivo, uma ferramenta, droga, bateria de celular celular, como se descobre tantas vezes.
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Atentado estranho em Taboão da Serra
Por falar nisso, estranho esse atentado contra o prefeito de Taboão da Serra. Atiraram contra o carro dele, cinco tiros no mínimo, de um carro blindado. Ele saiu do primeiro turno perdendo por 26 a 49. Ele vai para o segundo turno agora e atiraram contra o carro dele.
E a gente tem que fazer a clássica pergunta que vem lá do direito romano: a quem interessa esse atentado? Eu acho que não interessa ao adversário que está ganhando. Que só valorizaria o atual prefeito, como vítima.
Ele se feriu. Um ferimento no ombro, segundo a notícia, embora o carro fosse blindado. Mas é algo que está ainda está demandando esclarecimentos. Eu vi no noticiário que já identificaram um suspeito. Sim, alguém atirou, claro. Agora, resta saber atirou por que e a mando de quem? Enfim, são coisas da política brasileira, tem de tudo.
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Faltam informações sobre o tombo de Lula
Agora mesmo o presidente Lula caiu em casa, deu pontos, foi impedido de viajar pelo médico e a gente, pelo menos até esse momento que eu estou gravando, não sabe qual foi a circunstância.
Ele caiu por quê? Ele caiu como? Caiu onde? Saiu uma nota que não é completa, porque certamente fizeram tomografia no Hospital Sírio-Libanês. Até esse momento da gravação não saiu nada a respeito de informações sobre tomografia.
Foi um ferimento contuso e cortante. Então, na batida, o impacto cortou o couro cabeludo. Então foi um impacto forte. E certamente fizeram a tomografia para saber as consequências intracranianas. Ele não foi viajar porque dentro do avião a pressão é diferente. Dependendo da pressão externa, a circulação sanguínea nos vasos está mais liberada ou não. Vamos esperar.
Boicote nazista à loja Kaufhaus N. Israel, em Berlim, em abril de 1933. O cartaz diz “Alemães, defendam-se! Não comprem de judeus”
Fazer um alerta, para que a história não se repetisse… Era esse o meu principal objetivo quando decidi escrever o livro Cartas de Elise – uma história brasileira sobre o nazismo, que narra os dramas enfrentados pela parte alemã e judia da minha família. Elise era minha bisavó, mãe do meu avô paterno, Ernst, que foi morar no Brasil em 1934. Ele foi o primeiro da família a perceber o risco real que o nazismo representava, e não hesitou em deixar a Alemanha. Sua mãe tentou se enganar por muito tempo, desconsiderou a ameaça, ou achou que não seria atingida, graças às suas condições sociais e financeiras privilegiadas. Quando a perseguição e a segregação aos judeus chegaram até Elise, ela, finalmente, descreveu em carta ao filho já no Brasil o que estava acontecendo. E o que sentia não era exatamente revolta, raiva, era vergonha… Por isso, a carta terminava com um pedido ao filho e à nora: “Não contem para ninguém”.
A desorientação da minha bisavó era doída. E eu só podia entender a última frase daquela primeira carta dela com relatos sobre os horrores nazistas de uma maneira: “Contem para todo mundo!” Hoje, amanhã, sempre, é preciso falar do período mais tenebroso da história da humanidade. É o melhor caminho para evitar que aquilo se repita. Durante muito tempo, tive mesmo a impressão de que estávamos livres da doença antissemita, de que o preconceito, o ódio e a selvageria contra um povo estariam limitados a um grupo pequeno de estúpidos, já que eles sempre existirão. E, de repente, na Europa, nos Estados Unidos e, o mais assustador para mim, no Brasil, os ataques aos judeus ganham força, o movimento insano pelo fim do Estado de Israel se espalha.
Lula e a diplomacia do PT têm demonstrado sem qualquer constrangimento de que lado estão. E não há surpresa: estão do lado errado. E quase não há reação a isso. A maior parte dos políticos aceita, a imprensa aceita. Parece até normal que o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, confesse que uma empresa de Israel venceu uma licitação para a compra pelo Brasil de veículos militares e que o processo foi barrado: “Houve agora uma concorrência. Venceram os judeus, o povo de Israel, mas, por questões da guerra, o Hamas, os grupos políticos, nós estamos com essa licitação pronta, mas, por questões ideológicas, não podemos aprovar”. Ninguém se revolta ao saber que o governo do PT tentou dar a vitória ao segundo colocado na licitação, o que o TCU não permitiu. Ninguém se revolta contra um governo que se atira no preconceito, na xenofobia, no antissemitismo, no racismo.
O Estadão Verifica chegou a publicar que Múcio não quis dizer o que disse… A “agência de checagem” alega que assessores da Presidência, “na verdade”, avaliaram que a aquisição dos blindados israelenses, por quase R$ 1 bilhão, poderia financiar ataques a palestinos. Um “especialista” ouvido pelo Verifica – um professor de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – afirmou que “os entraves relacionados à licitação não representam um caso de antissemitismo por parte do Estado brasileiro”. E, se uma agência de checagem, baseada na opinião de um sociólogo e de “assessores da Presidência”, disse, não há o que discutir.
O nazismo na Alemanha foi assim, começou com o boicote a estabelecimentos de judeus. Em 1.º de abril de 1933, foi feita a primeira ação coordenada do regime. “Arianos” não poderiam comprar nada, nem ir a consultórios ou escritórios de profissionais judeus. Os nazistas marcaram os estabelecimentos com a Estrela de Davi e a palavra “Judeu”, e espalharam cartazes com os seguintes dizeres: “Alemães, defendam-se! Não comprem de judeus”. Houve violência e até mortes. Depois, veio a Noite dos Cristais, vieram leis que simplesmente afastaram da sociedade alemã aqueles que os “arianos” diziam que tinham influência demais na economia e eram os culpados pela devastação econômica causada pela Primeira Guerra Mundial e pela Grande Depressão.
Minha bisavó Elise sofreu isso tudo. Teve de vender obrigatoriamente a arianos seus imóveis, e sempre por preços irrisórios. Para se sustentar, acabou alugando cômodos de sua casa e trabalhando como acompanhante de idosos. O sobrinho dela, brilhante estudante de Direito, foi obrigado a se transferir para a Universidade de Oxford, na Inglaterra, já que não podia mais frequentar a faculdade em Berlim. O enteado da Elise teve seu escritório de advocacia fechado e foi morar na Palestina, que ainda era um protetorado britânico. E só piorou, só piorou, até a solução final, a execução em massa de judeus nos campos de concentração e extermínio. Quem garante que não estamos caminhando para algo assim, mais uma vez? Políticos desprezíveis e “agências checadoras de fatos”, que se baseiam na própria opinião descabida e na opinião de quem está abraçado a terroristas e insiste em enxergar no Estado de Israel o maior mal de todos os males.
Rosa morava num cubículo apelidado de apartamento na praia de Boa Viagem. Modesto lugar, mas nunca deixou que ali faltasse uma flor sobre a penteadeira. Era onde passava o dia, boa parte dele dormindo, a preparar-se para a noitada no velho Recife, num dos cabarés dali.
Menina nova, era, por sua beleza e meiguice, a preferida de muitos dos marinheiros que pelo Recife passavam quando de suas estadas na cidade. Um japonês por ela apaixonou-se loucamente, prometendo-lhe boa vida se a ele se juntasse e fosse morar em Osaka. Ela resistiu o quanto pôde aos apelos orientais até que, convencida de que longe daqui sua vida seria melhor, entregou-se aos apelos do nipônico.
Dele, nunca tive qualquer notícia. Dela, através de um amigo que gozava de sua estima e amizade, soube que é uma ainda jovem senhora num subúrbio de Ozaka, mãe de três japonesinhos, liberta de sua vida anterior e feliz da vida com o destino que lhe foi reservado. O cabaré que ela frequentava hoje não mais existe.
Foi embora sem cor, sem perfume, sem flor, sem nada. Talvez haja uma flor sobre uma penteadeira na distante ilha japonesa de Honshu, onde fica sua casa. Hoje, disse-me seu amigo, Rosa cuida de três crianças de olhos repuxados, muito parecidos com o pai que um belo dia por ela se apaixonou num puteiro do Recife antigo. Sorte dela, as crianças desta Rosa não são mudas, telepáticas, cegas ou inexatas como aquelas outras de Hiroshima que Vinícius um dia poetizou protestando sobre as bombas atômicas ali derramadas.