ALEXANDRE GARCIA

LULA TENTA SE APROXIMAR DO AGRO, É VAIADO E DIZ BOBAGEM OUTRA VEZ

Lula tenta se aproximar do agro, é vaiado e diz bobagem outra vez

Presidente Lula foi a uma feira do agro em Luís Eduardo Magalhães, que é a parte mais pujante da Bahia, o oeste baiano, onde despertou o agro. E foi recebido com vaias, né? Ficou com alguns adjetivos que todo mundo conhece. Ele levou o ministro da Agricultura, que anunciou R$ 4 bilhões do plano Safra, e foi junto com ele o ex-governador da Bahia, hoje ministro da Casa Civil, que anteontem foi chamado de idiota completo pelo governador de Brasília, do MDB, porque ele falou mal de Brasília.

E o presidente Lula compareceu, talvez para tentar fazer as pazes com o agro, setor que ele chamou de fascista, de negacionistas, só que não adiantou, foi vaiado. E piorou a situação porque ele fez um discurso péssimo, horroroso. Imagina o que ele disse, vejam só. Foi de uma infelicidade incrível. Ele disse: “Para a gente que semeia suor, aduba com suor, rega com suor, trabalha dia e noite, e tá levando o Brasil neste ano a ser o maior exportador de grãos do planeta Terra”. Isso significa impostos, divisas, balança comercial, balanço de pagamentos, capacidade de importar. Tudo isso. É a atividade mais dinâmica do Brasil hoje. E Lula ainda diz: “Todo mundo precisa do governo, pequeno, médio e grande. Se não é o estado a colocar dinheiro, o agronegócio não estaria do tamanho que está. Com financiamento para máquinas, safras e exportações”. Uau! Que infelicidade!

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Deltan Dallagnol

Mudando de assunto, a mesa da Câmara, isto é, os diretores da Câmara, os sete deputados diretores da Câmara, unanimemente – claro, que devem ter combinado para ninguém discordar – concordaram com o TSE que legislou usurpando prerrogativa do legislativo, inventando uma lei em que não podia dar registro para o Deltan Dallagnol porque ele podia, no futuro, ter um processo administrativo disciplinar.

É a vida imitando a arte, no caso a sétima arte. O filme “Minority Report – a nova lei”, com Tom Cruise, do Spielberg, trata de um crime no futuro. Mas, enfim, os sete não tiveram coragem de entregar isso ao plenário. Aqueles 513 deputados representam todos os brasileiros, é de onde emana todo o poder. Eles são 513 mandatários de 212 milhões de mandantes, ou de 150 milhões de eleitores mandantes, mas não perguntaram a eles, surpreenderam a todos, baixaram a cabeça, dobraram a coluna vertebral mais uma vez. A primeira vez foi com Daniel Silveira, e agora entregaram Deltan aos leões. Arthur Lira, Marcos Pereira, do Republicanos, Sóstenes Scavalcante, do PL, Luciano Bivar, do União Brasil, Maria do Rosário, do PT, Júlio César, do PSD e Beto Pereira, do PSDB. Coincidentemente, no mesmo dia, a primeira turma do Supremo mandou arquivar uma denúncia contra Arthur Lira, de modo unânime.

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Marco temporal

Bom, só para lembrar, a partir de hoje está agendado para o Supremo voltar ao julgamento do marco temporal. Tem dois votos só. O voto do Fachin, em outras palavras, diz que o marco temporal que está escrito na Constituição é inconstitucional. Vocês vão achar que é o absurdo do absurdo, é o nonsense. O que está escrito na Constituição é inconstitucional, porque está lá escrito, que pertencem aos indígenas as terras que tradicionalmente ocupam – ocupam, no presente do indicativo – no dia da promulgação da Constituição.

Pronto, esse é o mar, onde vocês estão é de vocês. Onde vocês vierem a estar, onde vocês já estiveram, isso é outra coisa, a menos que esteja em litígio. O outro voto é de André Mendonça, que argumenta o seguinte: se ficar solto isso, se não houver um marco, é tudo desde 1500, é tudo inseguro. É a insegurança fundiária. O imóvel rural ou urbano está absolutamente inseguro se for por esse caminho. Por isso é que está lá no Senado, projeto de lei que já passou pela Câmara ajustando isso, deixando bem claro o que está escrito na Constituição. Portanto, vamos esperar pra ver o que acontece no Senado e no Supremo.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

A COVARDIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Editorial Gazeta do Povo

Dallagnol

O Brasil, o Brasil profundo, o Brasil democrático, o Brasil verdadeiro está de luto. Num gesto equivocado, a mesa diretora da Câmara dos Deputados optou, nesta terça-feira (6), por não contestar a decisão gravemente inconstitucional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de cassar a candidatura de Deltan Dallagnol, deputado federal mais votado pelo estado do Paraná. Em vez de entrar para a história como legítima e corajosa defensora dos interesses dos cidadãos e do próprio Estado Democrático de Direito, os membros da mesa optaram pela cegueira e pela conivência.

Na nota assinada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, e pelos demais membros da mesa diretora, os parlamentares adotaram o entendimento, mais conveniente para eles, de que não caberia à Câmara, ou a qualquer de seus órgãos, discutir o mérito da decisão da Justiça Eleitoral. É claro que isso não corresponde à melhor compreensão do espírito da Constituição. Havia base legal, sim, para questionar a decisão do TSE, que teve de inventar uma nova possibilidade de inelegibilidade para poder cassar a candidatura de Dallagnol. Esse argumento, inclusive, foi levado à corregedoria da Câmara pela defesa do deputado, mas nem sequer foi considerado. Como explicamos, além de defender o mandato de um deputado legitimamente eleito, cassado injustamente, a Câmara dos Deputados tinha o dever de defender as prerrogativas do próprio Poder Legislativo, que teve sua função de legislar usurpada pelo TSE.

Mas a Câmara simplesmente optou pelo caminho mais fácil: renunciar ao seu papel e se curvar à desorientação, jurídica e moral, e ao ativismo que caracterizam neste triste momento a atuação das altas cortes do país. A cassação de Dallagnol foi em si mesma, independentemente da consciência ou intenção de seus perpetradores, uma atrocidade inominável.

É vergonhoso que a Câmara dos Deputados, por meio de sua mesa diretora, opte por fechar os olhos ao terrível e inacreditável processo de inversão de valores que avança sobre o país, onde se reabilitam corruptos condenados, blindam-se aqueles ainda não descobertos e se busca desmoralizar quem luta contra a corrupção. É preciso estar muito míope – ou mesmo cego – para não se dar conta da bizarrice deplorável que consiste em ter como presidente da República o responsável pela maior rede de corrupção da história do país, ao mesmo tempo em que se assiste à injusta e implacável punição aos competentes e heroicos agentes que tentaram desarticular o esquema. Nada dessa conduta pusilânime, porém, apaga o legado e o brilho de Deltan Dallagnol. Ao contrário, temos certeza de que sua missão como liderança pública está apenas começando.

Não é sem razão que se diz que são as adversidades que forjam os grandes líderes. Com uma atuação corajosa e irretocável dentro dos âmbitos da Operação Lava Jato e durante sua breve permanência na Câmara, certamente Deltan Dallagnol ainda dará uma contribuição extraordinária para o país. Lembremos sempre que graças ao seu brilhante trabalho à frente da Operação Lava Jato, ao lado de colegas de grande envergadura técnica e moral, foi possível, pela primeira vez na história deste país, escancarar os meandros da corrupção asquerosa que tantos prejuízos trouxe à sociedade e punir aqueles que até então se achavam intocáveis.

Hoje vivemos um momento de profunda tristeza, sem dúvida, mas, ao mesmo tempo, o início de uma nova caminhada. Ainda que abandonado e traído por seus pares, que talvez não tenham tido a estatura necessária para compreender a gravidade do momento pelo que o país atravessa, Deltan tem o apoio de todo o cidadão brasileiro que não compactua com a corrupção e nem com os abusos contra o Estado Democrático de Direito. A abrupta interrupção da carreira política de Deltan Dallagnol é só momentânea, disso temos certeza.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

RES PÚBLICA

Certa vez, escrevi aqui no JBF – Jornal da Besta Fubana – que não faço exercício de futurologia. Sobre o passado sei contar muitas histórias, muitos “causos”, muita lorota, mas sempre com certa dose de preguiça e enfado. Disse e repito: sou caeté. Qualquer assunto que não seja o Sardinha me deixa enfarado, com uma lombeira e uma preguiça de pensar. Mas, mostre-me o contrafilé do honorável Bispo chiando sobre o braseiro que logo fico igual a cachorro novo quando vê cadela no cio.

No entanto, tenho ouvido e lido muita discurseira de todo tipo de gente que, por ser popular, ou ter seguidores no facebugre, ou outra rede social, que logo se alça à categoria de intelectual. Intelectual é Maurício Assuero, Neto Feitosa, Luiz Berto Filho, Maurino Junior, Tereza Noronha, Violante Pimentel, e também o saudoso Roberto Campos. O resto pode embrulhar e dar descarga. Não valem nem a água utilizada para tal fim. Mas, como dizia, há uma raça de ditos intelectuais, políticos, influenciadores, artistas, jornalistas, advogados, professores – que Deus me perdoe -, que se consideram no mesmo nível de um Spinoza, de um Wittgenstein, de um Hegel, ou Kant. Se bem que um Hegel, um Kant, um Spinoza daria um saboroso jantar. Esses outros, até pensar em assá-los, já repugna meu espírito caeté.

E, todo esse magote de gente adotou o mesmo discurso que certo ajuntamento de larápios, perigosíssimos chama de salvar a Democracia no Brasil. Livrar a democracia do fascismo, do autoritarismo, da ditadura personalista que foi incorporado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e todos aqueles que utilizam o cérebro, e não a porção final do intestino grosso para pensar. Hoje, qualquer discurso que não se amolda a esse tipo de “pensamento”, logo é chamado de “ódio”, de extremismo, de genocida, e por aí vai.

Mas o que, de fato precisa ser salvo no Brasil? Na verdade, o Brasil precisa ser salvo. Salvo de uma aberração que se travestiu de Democracia lá em 1988 quando passou a vigorar esse monstrengo que Ullysses Guimarães chamou de Constituição Cidadã. Ela é tão cidadã que o cidadão até hoje nunca se aproximou dela, e nunca teve a sua validade em pleno vigor. Quem acredita que a constituição de 1988 ainda existe, ou é besta, ou é safado. Já foram tantos remendos – os políticos chamam de emenda -, tantos pedaços extirpados e enxertados que o texto original não existe mais. Já acabou. Já é extinto. O que existe é um manual utilitário que servem aos capatazes de plantão usar a seu intento para fazer o que quer, dando uma banana para o cidadão.

A tal “República Nova” inaugurada com a constituição de 1988 não passa de um arranjo político para que alguns espertalhões façam negócios, enriqueçam, e, quando dão com os burros n’água, jogam a conta para o povão pagar. Vejam o caso do STF. Lembro-me quando a ministra Rosa Weber deu um exemplar da constituição de 1988 para Jair Bolsonaro quando foi empossado. Havia ali uma provocação explícita da ministra sobre o presidente. Porém, para mim ficou a impressão que ela deu o único exemplar dessa estrovenga. Depois disso, o STF passou a agir como se cada ministro tivesse na cabeça a sua própria constituição. O atropelo à legalidade, à cidadania, ao estado de DIREITO, à independência dos poderes, a esculhambação legal passou a ser norma e não algo a ser repudiado nos locais que, em tese, deveria ser a guardiã da Justiça, da legalidade e da proteção ao cidadão.

O legislativo, não importa qual a sua esfera, tornou-se valhacouto de escroques, esconderijo de bandido que, sob a capa de “inviolabilidade”, encontrou nesse poder um porto seguro para dar continuidade às suas velhacarias. Os mandatários, isto é, aqueles a quem são delegados um poder temporário e que deve ser exercido em nome do mandante – o povo -, só aceita ser tratado por “excelência”. Adjetivo bom demais para pessoas que deveriam estar dentro de uma caçapa de camburão e não em um gabinete legislativo.

Comercializam voto a céu aberto. Fazem um troca-troca pusilânime, venal e ilegal sempre com a justificativa de trabalhar pelos interesses de seus eleitores e seu reduto eleitoral. Quando oiço algum político bostejando isso, logo penso: meu ovo! Vá contar essa lorota para outro. A venalidade do legislativo criou o que todos chamam de presidencialismo de coalizão. Um eufemismo para ladroagem cruzada e defesa dos próprios interesses, em detrimento do futuro da nação.

O poder executivo não fica atrás. Tivemos a coragem de eleger um corrupto triplamente condenado para o posto mais alto do executivo, assim como muitos estados elegeram não biografias, ou currículos, mas sim prontuários policiais ambulantes e sem vergonha. O que me revolta é que todas as vezes que cometemos esse tipo de loucura, estamos condenando nossos filhos e netos a continuar a viver em latrinas e fossas, sem esperanças de progresso, de melhoria da qualidade de vida, sem chances de futuro. Somos especialistas em sabotar o futuro de nossos filhos e netos, e o fazemos com promessa de picanha e cerveja.

Essa última eleição provou para o mundo que temos o comportamento de porcos. Enquanto estivermos na pocilga sendo alimentados com lavagem, espojando na lama, uma sombra para descansar de um trabalho que não fizemos, está tudo bem. Até chegar a véspera do Natal e sermos levados para o cepo. E o nosso cepo está mais perto do que muitos imaginam.

Leis, normas, civilidade, honra, vergonha na cara, para que isso? Uns caraminguás de quatrocentos reais compra tudo isso e muito mais. Viver como mendicantes estatais, escravos de uma república que de “coisa pública, ou do povo” não tem nada, apenas o nome, é indigno, é repugnante, é desonroso. Somos uma nação pobre em que 100 milhões de brasileiros vivem, literalmente na merda. Sem água tratada, sem esgoto tratado, sem socorro, sem saúde, sem educação, sem segurança pública e que ainda teima em votar nos mesmos sujeitos que negam essas coisas básicas.

Hoje estive no hospital por causa de uma queda no serviço. Tive que fazer uma tomografia e raio – X. Minha salvação foi o plano de saúde, caro, custando os olhos da cara e os zovos também, mas senti uma dor terrível ao ver mais de 30 pessoas esperando o mesmo exame, mas pelo SUS, essa monstruosidade que só suga dinheiro e não dá a mínima para o cidadão que espera por serviços de saúde.

Esta nação está errada em sua essência. Nos acostumamos a ver toda essa situação com naturalidade, como se barracos construídos à beira de valas negras sejam igual a mata ciliar, como se o cidadão extropiado gemendo de dor, aguardando um exame pelo qual ele já pagou, fosse semelhante a um calangro de parede. Faz parte da paisagem. Povo desdentado, com a barriga grande de esquistossomose, bebendo merda líquida, em vez de água, morrendo soterrada em deslizamento de barranco fosse a coisa mais natural.

A constituinte de 1988 tem parte na responsabilidade do nosso “Estado de Arte”, mas a dita república inaugurada com ela tem a sua maior parcela de culpa. Se o Brasil quiser salvar a democracia que, de uma forma, ou de outra, só existe, só há uma saída: acabar com a república de 1988 e inaugurar outra, mas com pilares baseados na civilidade e na legalidade. Só assim salvaremos a democracia no Brasil.

DEU NO JORNAL

CAMPEONATO INTERNACIONAL DE TREPADAS

A Suécia se tornou o primeiro país do mundo a declarar o sexo uma atividade esportiva e, por isso, decidiu organizar a primeira competição internacional da modalidade.

Segundo o jornal espanhol El Mundo, Dragan Bratych, presidente da Federação Sueca do Sexo, defendeu que “alcançar os resultados desejados no sexo requer treinamento” e, com isso, “as pessoas também começam a competir neste aspecto”.

O torneio terá início nesta quinta-feira, na cidade de Gotemburgo, segunda maior cidade sueca. O evento reunirá 20 representantes de todo o continente europeu e terá duração de seis semanas, com os participantes disputando 16 “disciplinas” diferentes.

Ainda segundo El Mundo, as provas terão duração entre 45 minutos e uma hora e “serão avaliadas por um júri que pontuará de 5 a 10, além de uma votação popular.

Os participantes também podem ganhar pontos extras se demonstrarem ter conhecimentos teóricos do Kamasutra – famosa obra de posições sexuais.

Os países que estarão no torneio serão Finlândia, Itália, Portugal, França, Grécia, Ucrânia, Grã-Bretanha, Rússia, Croácia, Romênia e Espanha.

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Que coisa absurda: não chamaram o Brasil, o campeão mundial da sacanagem!

Segundo apurou o Departamento de Inteligência do JBF, o presidente Lula vai gravar um vídeo protestando contra essa discriminação.

Ele tem fundadas esperanças de ter seu apelo atendido e diz que irá participar do certame.

O ex-presidiário vai treinar com muito afinco, enrabando mais ainda o Brasil.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

ORIGEM DO CABARÉ DE MARIA BAGO MOLE

Réplica do Cabaré de Maria Bago Mole

“Ninguém pode mudar seu Destino. Cada um nasce com o seu. A Natureza me pôs no mundo para ser cafetina. É isso que vou ser sempre. Por isso procuro dar o melhor de mim.” – Maria Bago Mole

Nos anos vinte aportou no vilarejo Casas de Taipa, depois Vila Dois Vinténs, Centro da Cidade de Florestas dos Leões, uma mulherinha de olhos negros, cabelos pretos, compridos e salientes, peitos pequenos e duros, parecendo duas maçãs; ancas enormes. À boca miúda, espalhou-se no povoado ser a estranha filha da Tribo dos Índios Chuparam a Mãe.

Ninguém no local sabia de onde teria vindo aquela mulherzinha inteligente, pragmática, enigmática, altruísta. Tampouco se procurou saber seu passado.

Ninguém na vila deu importância a esse senão. O certo é que aos poucos ela começou a conquistar a admiração e a confiança do povoado da localidade, e lá se instalou como sua residência oficial.

Muito perspicaz, visionária, prestativa, fala sensual, dois anos depois de se instalar oficialmente no vilarejo, aquela mulherinha, carismática e doada, começou a desenvolver a plântula daquele que no futuro receberia o seu nome como homenagem: O Cabaré de Maria Bago Mole.

Na casa de taipa com quatro cômodos onde ela se instalou, doada por um dos vizinhos que ela socorreu em momentos difíceis e depois ficou dando assistência material e emocional, aos poucos começou a vender refeições aos caminhoneiros e cortadores de cana que por ali passavam rumo aos engenhos de cana-de-açúcar. O negócio começou crescer, prosperar, e Maria Bago Mole antevendo que poderia oferecer outras “comidas” àqueles homens sedentos por sexos que sempre a procuravam e a cantavam para dar uma trepadinha, prometendo torná-la a Deusa de todas as deusas. Mas ela tergiversava, dizendo ter pretendente.

Pressentindo o sucesso com o negócio crescendo e a pressão dos fregueses por diversões sexuais, ela resolveu viajar pelo interior de sua cidade natal e de lá trazer algumas “meninas defloradas”, que os pais expulsavam de casa por terem perdido o “cabaço” com os namorados antes do casório. Nem sempre isso acontecia, mas…

Poucos anos depois a casa de taipa de quatro cômodos recebeu uma reforma caprichada para a época e se transformou numa pousada de dois pavimentos. Em baixo ficava o bar com o aposento da mulherinha e, em cima, foram construídos os quartos onde os homens levavam as “meninas” para se lambuzarem de cachimbadas movidas a óleo de peroba. Estava nascendo o Cabaré de Maria Bago Mole.

No dia da inauguração apareceram homens de toda região sedentos por sexo, principalmente senhores de engenhos, que tinham vontade de conhecer e comer a tão falada e idolatrada administradora do cabaré, que dizia às suas meninas não querer compromisso com nenhum homem para não destoar do seu comércio, deixando essa função para as suas cortesãs. Mas essa afirmativa da cafetina era um blefe, mistério, pois havia um zunzunzum na Vila de ela ter sido estuprada pelo pai biológico e expulsa de casa para não o dedurar, já que era de família casca grossa da Zona da Mata, por isso havia lhe desenvolvido inconscientemente “a síndrome da repulsa ao sexo”.

No dia inauguração apareceu por lá o senhor de engenho mais conhecido e poderoso da redondeza, Seu Bitônio Coelho, um galegão de um metro e noventa, olhos claros, que tinha uma tara da gota serena por Maria Bago Mole, só em ouvir falar no nome dela e por causa dos seus dotes administrativos inteligentes e de xibiu “preservado”, e por ser uma quarentona enxuta, conservada, com tudo nos trinques.

Depois da festa de inauguração, que transcorreu no maior buruçu: brigas, freges, arranca-rabos por disputas internas entre caminhoneiros, cortadores de cana e outros fregueses: quem ia dormir e comer quem das meninas do cabaré, a cafetina pôs para funcionar seu instinto de gerenciadora para aquelas ocasiões: Pegou uma chibata de couro de boi que havia comprado na feira livre para aqueles fins e nas “relhadas” saiu expulsando todos os penetras e lisos do recinto, organizando a desordem e ordenando que as meninas se recolhessem aos quartos com seus clientes escolhidos, que já “haviam pago adiantado pelos serviços com as meninas”.

– Deem o melhor de vocês aos seus homens. Satisfaçam-lhes todos os desejos e fantasias sexuais. Não deixem nada pela metade. Lembrem que lá fora ninguém sabe o que está acontecendo aqui dentro. Portanto, deem o melhor de vocês! Vocês estão recebendo para isso. Não se esqueçam de que o sucesso de vocês depende de vocês. – Dizia a cafetina com voz mansa e sensual às suas meninas.

Feito isso e percebendo que tudo estava aparentemente normal, foi para o seu aposento com o homem que lhe tirou o cabaço pela segunda vez. A farra foi tão picante, excitante, regrada a todos os prazeres do sexo, que Maria Bago Mole e Seu Bitônio Coelho perderam a hora e quando acordaram já passavam das dez horas da manhã do dia seguinte, o que para ambos era uma desmoralização, acostumados a estarem de pé antes das cinco da matina.

Percebendo o horário e totalmente contrariado, o poderoso senhor de engenho quis se apressar para sair. Nesse momento foi contido pela cafetina que o pegou pelas mãos e o conduziu até o banheiro para tomar um banho de cuia, tomar café e depois se ir-se.

– Não tenha pressa, amor! A gente só anda para frente. A gente cumpre o Destino que tem de cumprir. Você está procedendo do mesmo jeito que os outros homens! Acalme-se! Depois de uma noite daquela você não deve se preocupar com o que aconteceu ou deixou de acontecer lá fora! Ou você já se esqueceu do que aconteceu entre nós dois? Por falar em nós dois, quando você vier por aqui novamente visitar a “casa” eu desejo ter uma conversa séria com você! Nada de mais! Coisas de mulher! – Disse ela lhe dando um beijo na boca com gosto de café. E ele apressado, passou a mão na égua, pôs a sela, subiu e se mandou contrariado com a hora: meio dia! Puta merda! E ela, sorrindo com a contrariedade dele, ficou-o olhando a trotear em cima do cavalo e com a certeza de que aquele homem rude a havia conquistado o coração…

PENINHA - DICA MUSICAL